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quinta-feira, dezembro 06, 2012

Chanucá: Quando aqueles dias e este momento se encontram.




Chanucá: Quando aqueles dias e este momento se encontram.



por Michel Schlesinger, rabino da CIP 

Homenagem à amiga Ligia Ramos


Baruch sheassá nissim laavoteinu baiamim hahem bazeman hazé. (Abençoado seja Deus que fez milagres aos nossos antepassados naqueles dias, neste momento). 

A brachá do acendimento das velas de Chanucá traz uma contradição. Afinal de contas: é naqueles dias ou neste momento?

A festa de Chanucá parece nos colocar, sistematicamente, diante de opostos para que nós busquemos o equilíbrio. Diversos símbolos ligados à Festa das Luzes expressam contradições e nos desafiam para a procura de um caminho intermediário.

Baiamim hahem bazeman hazé. Naqueles dias, neste momento. A história precisa dialogar com o cotidiano. Sem história somos árvores sem raízes. Se tivermos apenas história, nos transformaremos em um museu de antiguidades. É justamente a releitura da história de forma criativa que imprime relevância ao judaísmo contemporâneo.

Os motivos principais da celebração de Chanucá são a vitória dos macabeus sobre os gregos e o milagre do azeite que durou oito dias. A crença em Deus é importante. Devemos ter esperança mesmo quando as condições físicas e materiais são extremamente adversas. O judaísmo nos convida a ter fé sempre. Ao mesmo tempo, o milagre do azeite nunca teria ocorrido se não fosse pela coragem de Matitiahu e seus filhos. Caso não tivesse Iehudá

Hamacabí liderado uma revolta a favor da nossa liberdade religiosa, não teria acontecido milagre algum. O milagre, na perspectiva judaica, é a responsabilidade que delegamos a Deus depois de realizarmos absolutamente tudo que se encontra ao nosso alcance.

Acendemos as velas de Shabat dentro de nossas casas. O local correto de se colocar as duas chamas que iluminam nossos jantares de sexta-feira é perto da mesa de jantar, para que possamos nos utilizar da luz da chama durante a refeição. Já em Chanucá é diferente. Devemos colocar a vela perto da janela ou do lado de fora de nossas casas. Havia antigamente um costume de se colocar a chanukiá nas batentes das casas no lado oposto da mezuzá. Isto acontece porque o milagre deve ser divulgado. Temos a obrigação de propagar a luz para além dos nossos lares. Devemos fortalecer o particularismo judaico para sermos melhores cidadãos do mundo. Mais uma vez vemos a busca do equilíbrio entre aquilo que nos é privado e nossa responsabilidade universal.

A própria luz traz uma interessante contradição. Quando não existe claridade alguma, ficamos perdidos. Ao mesmo tempo, quando somos expostos à luz excessiva, também ficamos cegos. O termo aramaico para cego é saguei nahor, ou ‘demasiadamente iluminado’. A luz excessiva traz tantos danos quanto a ausência absoluta de luz. Nosso desafio é buscar uma iluminação que seja forte, por um lado, mas que não ofusque nossa visão por outro.

As comemorações judaicas são, de uma maneira geral, a conjugação de um motivo histórico e a celebração de uma nova etapa da natureza. Pessach comemora a saída do Egito e também o início da Primavera. Shavuot celebra a entrega dos Dez Mandamentos e também a chegada dos primeiros frutos. Sucot relembra a vida em moradias temporárias no deserto e a última colheita do ano agrícola. Será que a festa de Chanucá lembra somente a história dos macabeus e o jarro de azeite ou também tem algum motivo ligado à natureza?

Segundo os estudiosos do judaísmo, existe ainda um motivo ligado a Chanucá que foi esquecido com o passar dos anos: o solstício de inverno. A Festa das Luzes também marcava o dia mais curto do ano no hemisfério norte e o início do aumento das horas de luz a partir daquele instante.

Segundo estes pesquisadores, o ritual de acender uma vela a mais a cada dia pode ter se relacionado, no princípio, com o renascimento anual do sol. Na medida em que os dias iam se tornando mais longos, os judeus acendiam velas para celebrar esta transição. A comemoração de uma festa de luzes a partir do dia mais curto do ano ajudava a espantar a escuridão que assombrava o coração das pessoas. Enquanto muitos ficavam deprimidos e alimentavam sentimentos derrotistas, nosso povo se engajava em um ritual de esperança, coragem e luz.

Existe a famosa discussão entre Shamai e Hillel sobre a forma correta de se acender as velas. Enquanto Shamai queria que diminuíssemos as chamas a cada dia, Hillel sustentava de deveríamos sempre acrescentar uma chama. Isto porque em termos de santidade, devemos sempre incrementar e nunca diminuir. Sabemos que não é possível. Sabemos que nossa observância religiosa cresce e diminui ao longo de nossa vida. Nossa cashrut não é sempre a mesma, rezamos mais, ou menos, em períodos diferentes; conseguimos ser mais ou menos altruístas em fases distintas da nossa vida. Às vezes, agregamos luzes e outras tantas acendemos velas a menos. Eu tive um professor em Jerusalém, Shlomo Fucs, que acendia duas chanukiot todos os dias da festa. Em uma ele acrescentava velas e na outra diminuía.

O óleo é um dos símbolos desta festa. Por este motivo comemos alimentos fritos, como os sonhos e os latkes (receita aqui). Nós sabemos que, ao colocarmos azeite em um copo com água, eles não se misturam. Apenas uma fina camada do azeite entra em contato com a água. Assim é o desafio da sobrevivência judaica. Se nos misturamos totalmente, perdemos nossa identidade própria. As mesmo tempo, se ignoramos o mundo que nos cerca, perdemos a oportunidade de nos enriquecer com aquilo que é estranho e deixamos de cumprir nossa missão de tornar o mundo mais humano. É justamente por meio de um instrumento supostamente grego – o pião ou sevivon (origem aqui)- que celebramos a sobrevivência judaica.

O principal desafio de Chanucá, acredito, é buscar equilíbrio em um mundo complexo. Conciliar passado e presente, individualismo e universalismo, escuridão e luz em excesso, identidade e isolamento. 

Baiamim hahem bazeman hazé, naqueles dias e também neste momento.

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Post do Mural de Ligia Ramos:

“Quando os gregos entraram no Templo, profanaram todas as reservas de óleo dali; e os hasmoneus – após a vitória sobre os gregos – encontraram um único cântaro pequeno de óleo puro inviolado, ainda com o selo do Sumo Sacerdote. Normalmente, esta quantidade de óleo seria suficiente para manter a menorá acesa por apenas um dia; mas um milagre aconteceu, e o óleo durou oito dias.

No dia 25 de Kislev
do ano 165 a.C., exatamente três anos após a profanação do Templo por Antiochus, a menorá voltou a brilhar.

A menorá especial usada para comemorar o milagre de Chanucá é chamada de "chanukia". Ela possui oito braços, todos do mesmo nível, correspondendo aos oito dias do feriado, além de um braço elevado adicional para o shamash, a vela auxiliar com a qual acendemos as outras. É costume se colocar a chanukiá no peitoril da janela para que as pessoas de fora possam vê-la, divulgando assim o milagre do óleo. As velas são acesas após o pôr-do-sol, com exceção de Sexta-feira à noite, quando elas são acesas antes das velas do Shabat.

Acende-se o shamash e o seguramos, enquanto cantamos a seguinte bênção:
Baruch ata Adonai Eloheinu melech ha ‘olam asher kid’shanu b’mitzvotav v’tsivanu l’hadlik ner shel Chanucá.


Bendito sejas Tu, ó Eterno, nosso D-us, Rei do Universo, que nos santificaste com Teus mandamentos e nos ordenastes acender a vela de Chanucá.


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Uma Luz para a Paz


Rafael Eldad, Embaixador de Israel no Brasil 

chanukah marc chagall.



Neste sábado à noite, o mundo judaico irá acender a primeira vela de Chanucá, lembrando uma vez mais o milagre da vitória dos poucos sobre os muitos e recordando-se também dos milagres presenciados nos tempos dos Macabeus e nos da atualidade.


Pessoalmente, Chanucá tem para mim um significado muito importante, porque justamente na noite da primeira vela, casei-me com Batia e este ano, como quando a cada 19 anos, o calendário gregoriano coincide com o calendário judaico, é uma emoção especial.


Chanucá, além das lições históricas, nacionais e morais, se transformou, ao longo dos anos, no símbolo de luz que ilumina nosso caminho. Esta luz é a que nós, judeus, tentamos expandir para o mundo inteiro, visando através de contribuições, fazê-lo melhor, mais desenvolvido e solidário, um mundo mais justo e, sobretudo, um mundo com mais paz.


Chanucá é para nós, povo judeu, uma oportunidade para reforçar nossa unidade, assim como o nosso compromisso com a identidade judaica e o propósito inquebrantável, por parte das comunidades judaicas em todo o mundo, de acompanhar e apoiar o Estado de Israel.


Como em outros momentos, também agora o Estado de Israel está atravessando um período conturbado e de dificuldades, mas estou certo de que unidos através da convicção e da ação harmoniosa , saberemos superar essas dificuldades.


Hag Chanucá Sameah !

quinta-feira, outubro 06, 2011

Yom Kipur o Dia do Perdão.



Vista do Monte Sinai
(10 de Tishrei 5772 / 08 Outubro 2011)

Em hebraico יום כיפור, é o mais importante e sagrado dos feriados judaicos, o Shaba dos Shabarot. É o dia da expiação, do perdão. Com tal importância a festividade solene se caracteriza pelo Jejum e o Auto-exame.

Em Yom Kipur, culmina os "Dez Terríveis dias" ou  de "Penitência" que começam no Rosh Hashanah (ano novo judaico).

É um dia de jejum que dura 25 horas, começando ao pôr do sol na véspera e continua até o cairda noite do dia seguinte.
Neste ano de 2011 o "10 de Tishrei de 5772, do calendário judaico" cai no dia 8 de outubro.

O feriado de Yom kipur foi instituído na época do segundo Templo pelos sacerdotes (Esdras 1:1 No primeiro ano de Ciro, rei da Pérsia, para que se cumprisse a palavra do Senhor proferida pela boca de Jeremias, despertou o Senhor o espírito de Ciro, rei da Pérsia, de modo que ele fez proclamar por todo o seu reino, de viva voz e também por escrito, este decreto:
2 Assim diz Ciro, rei da Pérsia: O Senhor Deus do céu me deu todos os reinos da terra, e me encarregou de lhe edificar uma casa em Jerusalém, que é em Judá.
3 Quem há entre vós de todo o seu povo (seja seu Deus com ele) suba para Jerusalém, que é em Judá, e edifique a casa do Senhor, Deus de Israel; ele é o Deus que habita em Jerusalém.
4 E todo remanescente, seja qual for o lugar em que é peregrino, seja ajudado pelos homens desse lugar com prata, com ouro, com bens e com animais, afora a oferta voluntária para a casa de Deus, que está em Jerusalém.)
Em seu início, celebrava a libertação do povo judeu das impureza rituais, mas atualmente, o seu significado é o de libertação do indivíduo e um dia de regeneração moral e pureza ética.
A origem e o significado do Yom Kipur encontram-se na Torá em Vayicrá/Levítico 16: 29 Também isto vos será por estatuto perpétuo: no sétimo mês, aos dez do mês, afligireis as vossas almas, e não fareis trabalho algum, nem o natural nem o estrangeiro que peregrina entre vos;30 porque nesse dia se fará expiação por vós, para purificar-vos; de todos os vossos pecados sereis purificados perante o Senhor.31 Será sábado de descanso solene para vós, e afligireis as vossas almas; é estatuto perpétuo.

Em Levítico 23: (Torá em Vayicrá): O dia da expiação  - 26 Disse mais o Senhor a Moisés:27 Ora, o décimo dia desse sétimo mês será o dia da expiação; tereis santa convocação, e afligireis as vossas almas; e oferecereis oferta queimada ao Senhor.28 Nesse dia não fareis trabalho algum; porque é o dia da expiação, para nele fazer-se expiação por vós perante o Senhor vosso Deus.
29 Pois toda alma que não se afligir nesse dia, será extirpada do seu povo.
30 Também toda alma que nesse dia fizer algum trabalho, eu a destruirei do meio do seu povo.
31 Não fareis nele trabalho algum; isso será estatuto perpétuo pelas vossas gerações em todas as vossas habitações.32 Sábado de descanso vos será, e afligireis as vossas almas; desde a tardinha do dia nono do mês até a outra tarde, guardareis o vosso sábado.

O Yom Kipur é o dia de se pedir perdão por promessas quebradas ou pecados cometidos para com D'us. Já a véspera, é reservada para pedir perdão das promessas não cumpridas ou pecados cometidos contra o nosso semelhante. Sendo assim, D'us não concede automaticamente o seu perdão a todos, e só perdoa aqueles pecados cometidos contra Ele. Promessas ou pecados cometidos entre pessoas, deve-se pedir perdão diretamente contra a quem se pecou ou a quem ajudou a pecar.
A véspera do Yom Kipur é dedicada também à alimentação. Diz a tradição judaica, que aquele "que  come no nono dia de Tishrei e jejua no décimo, é como se tivesse jejuado os dois dias". Nesse dia, deve-se concentrar em se alimentar bem e assim, preparar-se para o jejum.
Antes do pôr-do-sol, todos reúnem-se na sinagoga e os homens colocam o tallit, xale de orações, que normalmente não são usados à noite, até que se inicie o serviço de Yom Kipur ao cair da noite.

A maior parte do feriado de Yom Kipur é passado na congregação em orações, súplicas, confissões coletivas e abstêm-se de ingerir qualquer alimento ou bebida, inclusive água. A essência do jejum é o arrependimento.
Além de comer e beber, não se pode também: usar loções, cremes ou perfumes, relações maritais, lavar-se ou tomar banho e vestir calçados de couro.
O jejum é obrigatório para todos os adultos, a fim de obter o perdão de D'us.

O serviço de Yom Kipur é iniciado ao cair da noite com o Chazan (cantor litúrgico) recitando o Kol Nidrei que é repetido três vezes, sendo cada vez com voz mais alta. O Kol Nidrei recorda as perseguições sofridas sob a inquisição espanhola que forçou 150.000 judeus a abdicar a própria fé e compulsoriamente adotar o Catolicismo. Esse cântico é um apelo para os que abandonaram o judaísmo retornem para sua antiga fé e enfatiza a necessidade de manter votos e promessas, já que violar um juramento é um dos piores pecados. O auge do serviço ocorre ao final do Yom Kipur com a Neilá, que proporciona a última oportunidade para o arrependimento. Trata-se de uma oração que proclama o verdadeiro anseio do fiel em ser acolhido pela compaixão de D'us, que não deseja a condenação dos maus, nem a destruição do mundo, mas a sua conversão. O serviço litúrgico e a celebração do Yom Kipur é concluído ao proclamar sete vezes: "O S-nhor é D'us, o S-nhor é D'us!" e em seguida com o sopro do Shofar, reafirmando a soberana esperança de Israel em ver "a maldade se esvair como a fumaça e o Reino de D'us triunfante em todo o mundo (...) quando todas as criaturas humanas se agruparem num só feixe para cumprir a vontade de D'us com um coração perfeito".


A Neilá é o único serviço litúrgico do judaísmo em que as portas do Heichal ou Aron Kodesh (a arca onde ficam guardados os Sifrei Torah, os rolos da Torah) permanecem todo tempo abertas, o que significa que estão abertas as portas do céu naquele momento.
Ao se levantar para sair da sinagoga, é um costume um cumprimentar ao outro dizendo: L'Shana ha-baa b'Yerushalaim!, ou seja, no ano que vem, em Jerusalém. Aquele que foi cumprimentado dessa forma, responde: Amém.
Grande parte dos judeus, inclusive os que estão afastados, costuma observar o Yom Kipur, seja em sua totalidade ou parcialmente, indo a sinagoga. Trata-se da única celebração judaica que não possui qualquer significação histórica, tendo somente um sentido essencialmente religioso.

A confissão (Vidui em Hebraico)
Elohênu velohê avotênu, tavô lefanêcha tefilatênu veal tit'alam mitechi natênu, sheên anu aze fanim ukshê óref lomar lefanêcha Adonai Elohênu velohê avotênu tsadikim anáchnu velo chatánu, aval anachnu vaavotênu chatánu.
Nosso D'us e D'us de nossos pais, que a nossa oração chegue até a Tua presença. Não te esquives de aceitar nossas súplicas, pois não somos tão arrogantes e obstinados a ponto de declarar, diante de Ti, Eterno, nosso D'us e D'us de nossos pais, que somos justos e que não pecamos. Mas, pelo contrário, nós e nossos antepassados pecamos.
Ashámnu, bagádnu, gazálnu, dibárnu-dófi. Heevínu vehirshánu, zádnu, chamásnu, tafálnu-shéker. Iaátsnu ra, kizávnu, látsnu, marádnu, niátsnu, sarárnu, avínu, pashánu, tsarárnu, kishínu-óref. Rashánu, shichátnu, tiávnu, taínu, titánu.
Pecamos, traímos, roubamos, falamos em linguagem vil. Cometemos iniqüidades e praticamos o mal, pecamos intencionalmente, praticamos atos de violência, forjamos falsidades. Aconselhamos ao mal, mentimos, escarnecemos, rebelamo-nos, blasfemamos, juramos em vão e falsamente, transgredimos, oprimimos, fomos obstinados. Agimos mal, corrompemos, procedemos abominavelmente, desencaminhamo-nos, enganamos.
Sárnu mimitsvotêcha umimishpatêcha hatovim velo sháva lanu. Veata tsadic al col haba alênu, ki emet assíta, vaanachnu hirshánu.
Desviamo-nos dos Teus bons preceitos e das Tuas ordenações, e isso não nos trouxe proveito. Mas Tu és justo em tudo quanto vem contra nós, pois Tu fizeste a verdade e nós praticamos o mal.


Fonte: Judaismo messiânico. net


Esse post é uma homenagem a Ligia Ramos, Rose Eidman, David Zylbergeld Neto, Floriano Pesaro, Jaime Pinsky e tantos outros homens e mulheres de grande valor, pertencentes à comunidade judaica e que me perdoem os que aqui não são citados.