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domingo, janeiro 05, 2014

Contra o incitamento ao ódio da Folha de São Paulo: Preservar Vidas
















Rafael Eldad: Preservar vidas.
Foi com muita surpresa e apreensão que lemos a reportagem "Um muro no caminho de Maria", publicada na edição da Folha do dia 25 de dezembro, no caderno "Mundo".

O texto, estranhamente, mesclou relatos da Bíblia com questões políticas contemporâneas. E, como se não bastasse tal mistura explosiva, pecou por não ouvir o outro lado, pilar básico do jornalismo praticado por esta empresa de comunicação.

A reportagem, superficial e baseada em comparações sem sentido, não explicou ao leitor o motivo da existência de barreiras e de bloqueios na conflagrada região. Optou por criticar Israel, sem dar o devido direito à defesa, exatamente em um dos dias mais sagrados para o cristianismo, o Natal.

Passado o impacto inicial, tentamos entender tal iniciativa num jornal que aprendi a respeitar e admirar desde o primeiro dia em que cheguei ao Brasil. Com o espaço agora oferecido, reforço meu respeito por um diário que apresenta a admirável qualidade de acolher as críticas.

Como é amplamente sabido, liberdade –seja de expressão, seja de religião– é um bem escasso no Oriente Médio. Israel, apesar da constante beligerância de vizinhos empenhados em destruí-lo, jamais abriu mão de construir uma sociedade democrática.
Vejamos, por exemplo, a situação dos cristãos. Representavam 20% da população do Oriente Médio até o início do século 20. Hoje, porém, representam apenas 5%. Fogem da repressão e da violência.

O único país na região onde a população cristã cresce regularmente é o Estado de Israel. Em 1980, lá viviam 90 mil cristãos. Atualmente, eles são mais de 155 mil.

Lembremos também que mais de 1,6 milhão de turistas visitaram em 2013 a cidade de Belém, na Cisjordânia, marcando um recorde para a cidade, e dezenas de milhares chegaram especificamente para comemorar o Natal.

Deve ser lembrado, ainda, que a construção de uma barreira defensiva (o chamado muro) entre Israel e a Cisjordânia foi decorrência dos múltiplos ataques terroristas perpetrados por facções palestinas contra a população civil de Israel e tiveram origem na margem ocidental do rio Jordão.

Entre 2000 e 2005, mais de mil israelenses foram assassinados durante a chamada Segunda Intifada, iniciativa tristemente baseada no terrorismo e na figura dos homens-bomba que se seguiu à recusa palestina em assinar um acordo de paz após as negociações de Camp David.

Depois da construção do muro, os atentados foram reduzidos em 100%, preservando o mais importante para todos os amantes da paz: as vidas humanas.
O governo de Israel cumpre a missão de proteger seus habitantes. Sem terrorismo, não precisaremos mais de muros e barreiras.

No próximo ano, desejamos que o voto do papa Francisco, proferido em seu discurso natalino, se torne uma realidade ao pedir a "conversão do coração dos violentos por um desfecho feliz das negociações de paz entre israelenses e palestinos".

Feliz ano novo para o Oriente Médio e para todo o povo brasileiro.
RAFAEL ELDAD, 64, é embaixador de Israel no Brasil

quinta-feira, dezembro 06, 2012

Chanucá: Quando aqueles dias e este momento se encontram.




Chanucá: Quando aqueles dias e este momento se encontram.



por Michel Schlesinger, rabino da CIP 

Homenagem à amiga Ligia Ramos


Baruch sheassá nissim laavoteinu baiamim hahem bazeman hazé. (Abençoado seja Deus que fez milagres aos nossos antepassados naqueles dias, neste momento). 

A brachá do acendimento das velas de Chanucá traz uma contradição. Afinal de contas: é naqueles dias ou neste momento?

A festa de Chanucá parece nos colocar, sistematicamente, diante de opostos para que nós busquemos o equilíbrio. Diversos símbolos ligados à Festa das Luzes expressam contradições e nos desafiam para a procura de um caminho intermediário.

Baiamim hahem bazeman hazé. Naqueles dias, neste momento. A história precisa dialogar com o cotidiano. Sem história somos árvores sem raízes. Se tivermos apenas história, nos transformaremos em um museu de antiguidades. É justamente a releitura da história de forma criativa que imprime relevância ao judaísmo contemporâneo.

Os motivos principais da celebração de Chanucá são a vitória dos macabeus sobre os gregos e o milagre do azeite que durou oito dias. A crença em Deus é importante. Devemos ter esperança mesmo quando as condições físicas e materiais são extremamente adversas. O judaísmo nos convida a ter fé sempre. Ao mesmo tempo, o milagre do azeite nunca teria ocorrido se não fosse pela coragem de Matitiahu e seus filhos. Caso não tivesse Iehudá

Hamacabí liderado uma revolta a favor da nossa liberdade religiosa, não teria acontecido milagre algum. O milagre, na perspectiva judaica, é a responsabilidade que delegamos a Deus depois de realizarmos absolutamente tudo que se encontra ao nosso alcance.

Acendemos as velas de Shabat dentro de nossas casas. O local correto de se colocar as duas chamas que iluminam nossos jantares de sexta-feira é perto da mesa de jantar, para que possamos nos utilizar da luz da chama durante a refeição. Já em Chanucá é diferente. Devemos colocar a vela perto da janela ou do lado de fora de nossas casas. Havia antigamente um costume de se colocar a chanukiá nas batentes das casas no lado oposto da mezuzá. Isto acontece porque o milagre deve ser divulgado. Temos a obrigação de propagar a luz para além dos nossos lares. Devemos fortalecer o particularismo judaico para sermos melhores cidadãos do mundo. Mais uma vez vemos a busca do equilíbrio entre aquilo que nos é privado e nossa responsabilidade universal.

A própria luz traz uma interessante contradição. Quando não existe claridade alguma, ficamos perdidos. Ao mesmo tempo, quando somos expostos à luz excessiva, também ficamos cegos. O termo aramaico para cego é saguei nahor, ou ‘demasiadamente iluminado’. A luz excessiva traz tantos danos quanto a ausência absoluta de luz. Nosso desafio é buscar uma iluminação que seja forte, por um lado, mas que não ofusque nossa visão por outro.

As comemorações judaicas são, de uma maneira geral, a conjugação de um motivo histórico e a celebração de uma nova etapa da natureza. Pessach comemora a saída do Egito e também o início da Primavera. Shavuot celebra a entrega dos Dez Mandamentos e também a chegada dos primeiros frutos. Sucot relembra a vida em moradias temporárias no deserto e a última colheita do ano agrícola. Será que a festa de Chanucá lembra somente a história dos macabeus e o jarro de azeite ou também tem algum motivo ligado à natureza?

Segundo os estudiosos do judaísmo, existe ainda um motivo ligado a Chanucá que foi esquecido com o passar dos anos: o solstício de inverno. A Festa das Luzes também marcava o dia mais curto do ano no hemisfério norte e o início do aumento das horas de luz a partir daquele instante.

Segundo estes pesquisadores, o ritual de acender uma vela a mais a cada dia pode ter se relacionado, no princípio, com o renascimento anual do sol. Na medida em que os dias iam se tornando mais longos, os judeus acendiam velas para celebrar esta transição. A comemoração de uma festa de luzes a partir do dia mais curto do ano ajudava a espantar a escuridão que assombrava o coração das pessoas. Enquanto muitos ficavam deprimidos e alimentavam sentimentos derrotistas, nosso povo se engajava em um ritual de esperança, coragem e luz.

Existe a famosa discussão entre Shamai e Hillel sobre a forma correta de se acender as velas. Enquanto Shamai queria que diminuíssemos as chamas a cada dia, Hillel sustentava de deveríamos sempre acrescentar uma chama. Isto porque em termos de santidade, devemos sempre incrementar e nunca diminuir. Sabemos que não é possível. Sabemos que nossa observância religiosa cresce e diminui ao longo de nossa vida. Nossa cashrut não é sempre a mesma, rezamos mais, ou menos, em períodos diferentes; conseguimos ser mais ou menos altruístas em fases distintas da nossa vida. Às vezes, agregamos luzes e outras tantas acendemos velas a menos. Eu tive um professor em Jerusalém, Shlomo Fucs, que acendia duas chanukiot todos os dias da festa. Em uma ele acrescentava velas e na outra diminuía.

O óleo é um dos símbolos desta festa. Por este motivo comemos alimentos fritos, como os sonhos e os latkes (receita aqui). Nós sabemos que, ao colocarmos azeite em um copo com água, eles não se misturam. Apenas uma fina camada do azeite entra em contato com a água. Assim é o desafio da sobrevivência judaica. Se nos misturamos totalmente, perdemos nossa identidade própria. As mesmo tempo, se ignoramos o mundo que nos cerca, perdemos a oportunidade de nos enriquecer com aquilo que é estranho e deixamos de cumprir nossa missão de tornar o mundo mais humano. É justamente por meio de um instrumento supostamente grego – o pião ou sevivon (origem aqui)- que celebramos a sobrevivência judaica.

O principal desafio de Chanucá, acredito, é buscar equilíbrio em um mundo complexo. Conciliar passado e presente, individualismo e universalismo, escuridão e luz em excesso, identidade e isolamento. 

Baiamim hahem bazeman hazé, naqueles dias e também neste momento.

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Post do Mural de Ligia Ramos:

“Quando os gregos entraram no Templo, profanaram todas as reservas de óleo dali; e os hasmoneus – após a vitória sobre os gregos – encontraram um único cântaro pequeno de óleo puro inviolado, ainda com o selo do Sumo Sacerdote. Normalmente, esta quantidade de óleo seria suficiente para manter a menorá acesa por apenas um dia; mas um milagre aconteceu, e o óleo durou oito dias.

No dia 25 de Kislev
do ano 165 a.C., exatamente três anos após a profanação do Templo por Antiochus, a menorá voltou a brilhar.

A menorá especial usada para comemorar o milagre de Chanucá é chamada de "chanukia". Ela possui oito braços, todos do mesmo nível, correspondendo aos oito dias do feriado, além de um braço elevado adicional para o shamash, a vela auxiliar com a qual acendemos as outras. É costume se colocar a chanukiá no peitoril da janela para que as pessoas de fora possam vê-la, divulgando assim o milagre do óleo. As velas são acesas após o pôr-do-sol, com exceção de Sexta-feira à noite, quando elas são acesas antes das velas do Shabat.

Acende-se o shamash e o seguramos, enquanto cantamos a seguinte bênção:
Baruch ata Adonai Eloheinu melech ha ‘olam asher kid’shanu b’mitzvotav v’tsivanu l’hadlik ner shel Chanucá.


Bendito sejas Tu, ó Eterno, nosso D-us, Rei do Universo, que nos santificaste com Teus mandamentos e nos ordenastes acender a vela de Chanucá.


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Uma Luz para a Paz


Rafael Eldad, Embaixador de Israel no Brasil 

chanukah marc chagall.



Neste sábado à noite, o mundo judaico irá acender a primeira vela de Chanucá, lembrando uma vez mais o milagre da vitória dos poucos sobre os muitos e recordando-se também dos milagres presenciados nos tempos dos Macabeus e nos da atualidade.


Pessoalmente, Chanucá tem para mim um significado muito importante, porque justamente na noite da primeira vela, casei-me com Batia e este ano, como quando a cada 19 anos, o calendário gregoriano coincide com o calendário judaico, é uma emoção especial.


Chanucá, além das lições históricas, nacionais e morais, se transformou, ao longo dos anos, no símbolo de luz que ilumina nosso caminho. Esta luz é a que nós, judeus, tentamos expandir para o mundo inteiro, visando através de contribuições, fazê-lo melhor, mais desenvolvido e solidário, um mundo mais justo e, sobretudo, um mundo com mais paz.


Chanucá é para nós, povo judeu, uma oportunidade para reforçar nossa unidade, assim como o nosso compromisso com a identidade judaica e o propósito inquebrantável, por parte das comunidades judaicas em todo o mundo, de acompanhar e apoiar o Estado de Israel.


Como em outros momentos, também agora o Estado de Israel está atravessando um período conturbado e de dificuldades, mas estou certo de que unidos através da convicção e da ação harmoniosa , saberemos superar essas dificuldades.


Hag Chanucá Sameah !

sexta-feira, agosto 10, 2012

Em memória ao herói Raoul Wallenberg


por Rafael Eldad - Embaixador de Israel no Brasil
(Artigo publicado no jornal Correio Braziliense de 7 de agosto de 2012)

USPS Wallenberg Stamp, 1997

Em 2012 celebramos os 100 anos do nascimento de Raoul Wallenberg. Cabe a todos nós recordar a história de seus esforços durante o Holocausto e ensiná-los às próximas gerações, para que o seu heroísmo não seja esquecido.

Wallenberg nasceu na Suécia e estava destinado a ter sucesso na vida, mas escolheu salvar a vida de milhões de estrangeiros. Na primavera de 1944, o mundo ocidental viu de perto os horrores do Holocausto, quando os relatos de testemunhas do campo de extermínio de Auschwitz foram divulgados. À época, os EUA estabeleceram o Conselho de Refugiados de Guerra, cujo objetivo era salvar os judeus. Raoul Wallenberg decidiu então assumir a missão do conselho, em Budapeste, de salvar os judeus da Hungria, a partir dos campos de extermínio nazistas.

Uma de suas primeiras tarefas foi projetar um “passe sueco de proteção”. Ele conhecia a fundo a burocracia nazista e sabia que documentos oficiais com carimbos, assinaturas e o brasão da Suécia imporiam respeito. Conseguiu negociar uma cota de 4.500 passes com as autoridades húngaras, mas emitiu três vezes mais. Wallenberg também abriu as Casas Suecas, onde os judeus se esconderiam. Protegidos apenas por uma bandeira e pela declaração de Wallenberg de que esses edifícios eram território sueco, cerca de 15 mil judeus conseguiram refúgio. Posteriormente, missões diplomáticas de outros países seguiram seu exemplo.

Mesmo com a guerra chegando ao fim, o extermínio dos judeus continuava. O oficial nazista Adolf Eichmann, responsável pela “Solução final” dos judeus europeus, instituiu a marcha de deportação da Hungria. Dezenas de milhares de famintos judeus foram forçados a marchar por centenas de quilômetros no inverno rigoroso, com muitas mortes no caminho. Entretanto, Wallenberg não ficou indiferente diante desse crime horrendo. Ele perseguiu as marchas em seu carro, distribuindo alimentos, roupas, medicamentos e os passes de proteção. Usando ameaças e subornos, salvou os judeus que possuíam documentos suecos, levando-os de volta a Budapeste.

Quando deportações ocorriam por trem, Wallenberg exibia uma coragem extraordinária, escalando em vagões destinados a Auschwitz, distribuindo passes de proteção para os judeus já dentro do trem. Ele então exigia que esses judeus, com os passes, fossem retirados dos trens. Eichmann também planejava o massacre de todos os judeus do gueto maior. Wallenberg descobriu a trama e entrou em ação. Ameaçando responsabilizar o comandante em chefe das tropas alemãs na Hungria, o general August Schmidthuber, ele conseguiu cancelar o massacre no último minuto: 120 mil judeus húngaros foram salvos.

Após a guerra, Wallenberg deveria ter retornado à Suécia como herói, mas em 17 de janeiro de 1945 ele foi escoltado por tropas soviéticas ao quartel-general militar a leste de Budapeste. Em seu caminho, disse a um amigo que não tinha certeza se estava indo para ser hóspede ou prisioneiro. Raoul Wallenberg desapareceu naquele dia e seu verdadeiro destino nunca foi revelado. Entre os anos de 1944 e 1945, quando a Europa foi presa em um véu de escuridão, os feitos de Wallenberg brilhavam como um raio singular de esperança. É por isso que o seu legado vive em todas as nossas memórias e gerações de judeus estão vivos hoje graças aos seus esforços.

Comemorando os 100 anos do nascimento de Raoul Wallenberg, devemos nos lembrar do seu legado para a humanidade. Wallenberg, assim como o Holocausto, nunca deve ser esquecido.
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Mais sobre Raoul Wallenberg:
Biografia em português na Wikipedia 

sábado, janeiro 28, 2012

BAHIA - 29 DE JANEIRO - RELEMBRA O HOLOCAUSTO.






Relembrar o Holocausto: Um Compromisso Universal.


Por Rafael Eldad, embaixador de Israel no Brasil

Em 2005 a Assembléia Geral da ONU designou o dia 27 de janeiro como o dia internacional para lembrar as vítimas do Holocausto, em que um terço do povo judeu foi assassinado pelo genocídio nazista. A data foi escolhida por marcar o aniversário de libertação do campo de extermínio Auschwitz-Birkenau, o maior do terror nazista, onde mais de 1,5 milhão de seres humanos foram dizimados.

Desde então não honramos apenas a memória de seis milhões de pessoas inocentes: homens, mulheres e crianças, cuja única culpa era de ter nascido judeus, mas também rejeitamos a negação do Holocausto e condenamos a discriminação e violência embasada na religião, etnia ou qualquer ato de violência por puro preconceito.

O compromisso de conservar a memória destas atrocidades não é uma tarefa somente do povo judeu, mas também é tarefa indispensável a todo ser humano. O Holocausto foi a manifestação extrema de antissemitismo brutal. Ainda hoje, infelizmente, enfrentamos mais manifestações sutis de ódio aos judeus, não menos perigosas, como o antissemitismo disfarçado de antissionismo, e a mais nova forma: um movimento para negar o direito do povo judeu de ter seu próprio Estado soberano. Mas no Estado de Israel, mesmo após o Holocausto, conseguimos o que quase nenhum povo conseguiu em tão pouco tempo: resgatar nossa identidade e história, criar um Estado Democrático, levantar uma nação.

Neste domingo (29), em Salvador, será realizada a cerimônia pelo Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto. Sentimo-nos honrados em podermos relembrar dos nossos irmãos em uma cidade muito similar a Israel: de diversidade cultural, étnica e religiosa. É um dia de união de todos os povos ao redor do mundo, em um esforço para garantir que os horrores do passado nunca mais façam parte da história da humanidade. Como disse Mário Quintana: “O passado não reconhece o seu lugar; está sempre presente”. Devemos relembrar o passado, devemos relembrar o Holocausto, pois somente assim o mundo evitará cometer os mesmos erros no futuro. Somente assim conseguiremos criar um mundo melhor.

Holocausto e fundamentalismo no século 21

Por Claudio Lottenberg


As palavras genocídio e fundamentalismo compõem uma trágica e deletéria combinação.

Ao longo da história da humanidade, ideias de superioridade racial e de desprezo à diversidade funcionaram como combustível de tragédias inomináveis.

O Holocausto, a morte de 6 milhões de judeus pelo nazismo na Segunda Guerra Mundial, entre os quais mais de um milhão de crianças, escancarou o paroxismo da bestialidade humana.

Neste 27 de janeiro, marcamos o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, instituído pela ONU em 2005.

Refletimos também, neste momento, sobre outros processos sistemáticos de extermínio, responsáveis por impor a barbárie a diversos povos.

Alguns exemplos: os armênios, vitimados por otomanos no começo do século passado; cambojanos, eliminados pelo regime sanguinário do Khmer Vermelho nos anos 1970; bósnios muçulmanos, exterminados nas guerras dos Balcãs; tutsis e hutus massacrados em Ruanda em 1994; e, em pleno século 21, sudaneses assassinados cruelmente na região de Darfur.

A lista de genocídios perpetrados em nome de ideologias odiosas, infelizmente, ainda é mais extensa. E é possível constatar que essas tragédias continuam a macular a história da humanidade, apesar das lições impostas pelo passado.

A pergunta inevitável, portanto, refere-se a como evitar a repetição desses episódios vis.

Acreditamos firmemente na necessidade de avançar em duas frentes: democracia e educação. Quanto mais mecanismos democráticos existirem, mais protegidos estarão os direitos civis e mais isoladas ficarão as forças políticas que pisoteiam a liberdade.

Quanto mais educação existir, mais será disseminado o respeito à diversidade, assim como mais fortes serão as raízes do repúdio ao fundamentalismo.

No entanto, ideologias totalitárias insistem em sobreviver.

A Primavera Árabe começou como uma lufada alvissareira de ventos democratizantes. Hoje, grupos fundamentalistas se aproveitam do vácuo criado com o fim do velho regime e, antes que a democracia possa se instalar, um processo que demanda tempo, ameaçam impor regimes descolados da ideia de construção de um Oriente Médio em paz e harmonia.

O governo fundamentalista do Irã, responsável por perseguições brutais e sistemáticas a minorias religiosas, étnicas e sexuais, permanece como uma ameaça global. Seu líder, Mahmoud Ahmadinejad, além de intensificar os chamados de seus antecessores pela destruição do Estado de Israel, avança em suas ambições nucleares. E, em uma aberração inaceitável para o mundo civilizado, nega o Holocausto.

De nosso país, acompanhamos com preocupação o cenário do Oriente Médio e de Israel, terra ancestral que é, para nós, referência cultural e religiosa.

Em respeito à memória de milhões de judeus exterminados no Holocausto e em respeito à memória de vítimas de genocídios em toda a história da humanidade, rechaçamos as ideologias totalitárias, como a do governo iraniano e a dos seus aliados Hamas e Hizbollah.

E homenageamos a construção de democracias, como no Brasil e em Israel, que são exemplos vivos de nações baseadas no respeito às liberdades individuais e religiosas. É assim que conseguiremos evitar a repetição de genocídios.