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quinta-feira, junho 08, 2017

Você deve defender Danilo Gentili mesmo que o odeie. Amanhã será com você.












Você achou a atitude de Danilo Gentili desrespeitosa? Então cogite por 5 minutos viver em um mundo onde somos obrigados a respeitar políticos.




por Flávio Morgenstern (*)


Lembre-se da polêmica recente envolvendo Danilo Gentili e Maria do Rosário. Você é contra Danilo Gentili ou a favor? Tomar partido sobre qualquer um envolve antes uma ideologia que nada tem a ver com o que tenha ocorrido entre os dois. Trocando-se a forma da pergunta, mas mantendo o seu conteúdo, e ainda aplicado, temos: você é a favor da censura? Aqui, todos tendem a ser unânimes. Mesmo sem notar que a questão permanece a mesma.

A “lógica” da deputada Maria do Rosário é defender quem cospe numa mulher (José de Abreu) e quem seqüestra uma mulher, a estupra seguidas vezes até destruir sua vagina, mata seu namorado com um tiro de espingarda na nuca e depois a mata lentamente, a facadas, em outra sessão de estupro no meio do mato (Champinha), mas criticar os “machistas valentões”, dizendo que seu lugar é na cadeia.

Danilo Gentili fez troça dessa lógica, apontando sua incoerência. Se não podemos apontar incoerência de políticos, e não podemos nem sequer fazer troça de políticos, podemos afirmar categoricamente que vivemos numa ditadura, com forte censura para proteger os poderosos.

Maria do Rosário, que defende cusparada em uma mulher, que defende um estuprador, seqüestrador, torturador e assassino de uma mulher, acha que Danilo Gentili cometeu um crime ao apontar tal incoerência e que não se pode fazer troça de tal, digamos, pensamento. E enviou uma notificação extrajudicial a Danilo Gentili supondo ser crime apontar incoerência de políticos e fazendo troça dos desvãos de suas sinapses.

O humorista não teve dúvida: abriu o envelope, picou o pacote, esfregou o papel em suas (dele) nozes e o mandou de volta (tudo filmado, documentado e eternizado). Isto foi a “polêmica”: um humorista que faz humor com políticos. Um humorista que não aceita a censura, o uso do poder político por um deputado para silenciar vozes que apontem sua incoerência e façam troça do caminho torto de seus raciocínios.

Imediatamente, a internet sacou o pensamento mágico, a crença pré-histórica, supersticiosa e obscurantista de que se pode transformar uma coisa em outra apenas usando uma palavra mágica para trocar o seu significante, querendo assim transformar também o seu significado.

O ato de Danilo Gentili se tornou um “ataque”. Não se falava em uma deputada usando o poder político para fazer censura, mas se escolhia bem o termo: “uma mulher”. Pessoas que se consideram “livres pensadoras” e “críticas” imediatamente compraram o discurso pronto, sem trocar uma vírgula e nenhuma palavra, e consideraram que a censora era uma vítima, e o censurado, um agressor. Abracadabra.

Note-se: Maria do Rosário não acionou o Judiciário para reclamar um direito que considerava possuir (o direito de calar uma voz dissonante, alegando ter sido prejudicada perante um juiz). Maria do Rosário usou o poder da Corregedoria da Câmara dos Deputados, órgão legislativo, sem recorrer a um juiz que pudesse aplicar a lei. E em causa particular: não era algo que afetasse o funcionamento da Câmara, mas sim algo que apontava a sua incoerência (de Maria do Rosário sozinha, não da Câmara), e fazia troça da sua (de Maria do Rosário) inabilidade em formar um todo coerente em suas declarações, atos e objetivos.



O foco nunca será no fato, mas na pessoa a ser censura. “Olha, ela foi desrespeitosa!”, “Não podemos usar da nossa liberdade para falar palavrão em público”, “Veja essas roupas, que falta de respeito”, “É alguém que não tem a dignidade da política” e outras quinquilharias de moralismo vetusto e mofado.

Através do desejo mimético (macaquinho vê, macaquinho faz), a militância vai copiando o discurso ipsis litteris, sem se dar conta de que está apoiando um censor. Criando costumes, normas e logo jurisprudência (e logo mais, leis) para impor a censura. E logo o povo estará apoiando a censura, em nome do “respeito”, da moral e dos bons costumes, da divindade dos políticos etc.


O foco nunca será no fato, mas na pessoa a ser censura. “Olha, ela foi desrespeitosa!”, “Não podemos usar da nossa liberdade para falar palavrão em público”, “Veja essas roupas, que falta de respeito”, “É alguém que não tem a dignidade da política” e outras quinquilharias de moralismo vetusto e mofado.

Através do desejo mimético (macaquinho vê, macaquinho faz), a militância vai copiando o discurso ipsis litteris, sem se dar conta de que está apoiando um censor. Criando costumes, normas e logo jurisprudência (e logo mais, leis) para impor a censura. E logo o povo estará apoiando a censura, em nome do “respeito”, da moral e dos bons costumes, da divindade dos políticos etc.

É esta moralidade feita para silenciar os humoristas, os críticos sardônicos, os jornalistas cáusticos, as investigações intempestivas que gera uma cultura de censura, que precede a censura. É um moralismo ideológico, mais violento, cruel e cego do que qualquer moralidade tradicional: é força bruta contra quem aponta incoerências, e faz troça de sua inépcia em perceber o que deve ser punido com o rigor da polícia (por exemplo, um estupro, ou pelo menos o cuspe em uma mulher) daquilo que deve ir para a alçada do argumento, ou da revisão de seu, digamos, silogismo.

É fácil dizer que Danilo Gentili foi “desrespeitoso”. Mas devemos respeitar censura? Ou é quase uma obrigação moral não respeitar o cerceamento à liberdade de expressão e de apontar a incoerência de políticos, e fazer troça de suas tentações tirânicas, enquanto protegem cuspidores, sequestradores, estupradores, torturadores e degoladores?


É tentador dizer que Danilo Gentili, ao esfregar uma tentativa de censura via uso da máquina pública nas nozes, é “machista”. Mas queiram as feministas ou não, não há tal “crime” no Código Penal – e nem deve ser o “machismo” uma norma ou costume a definir o que pode ou não ser dito, já que feministas consideram que “machismo” vai desde estupro (o que Maria do Rosário nem sempre condena) até abrir a porta do carro ou pagar a conta para uma mulher. Quem ficaria fora da cadeia?



Não adianta apelar para o pensamento mágico e considerar que basta gritar “Machismo!” para algo se tornar crime. Então Jean Wyllys pode passar uma notificação no saco se ela vier de Jair Bolsonaro, mas se Jair Bolsonaro tiver o mesmo comportamento em relação a Jean Wyllys, então aí deve ser crime? Como não considerar tal “lei” ou norma ditatorial?

É fácil censurar quem não gostamos, sacando o pensamento mágico e imputando adjetivos socialmente negativos ao censurado (“machista! misógino! sexista! taxista! hidrofóbico! acrofóbico!”). Mas se um político de que gostamos pode fazer isso com alguém de quem não gostamos, logo logo um político de quem não gostamos pode fazer isso com quem não gostamos. E aí, vamos dizer que só aquela pessoa tem o direito de despeitar um político?

Aliás, em que realidade paralela um país é bom quando se é obrigado a respeitar políticos?!

(os adjetivos são tão repetidos que sempre seguem a tríade machismo-homofobia-racismo, fazendo com que boa parte dos críticos de Danilo Gentili gritasse automaticamente que ele não pode ser defendido por ter sido “machista e racista”, como se Maria do Rosário não fosse branca e de olhos azuis.)

O suposto “desrespeito” de Danilo Gentili é algo até normativo no humor. Como escreveu o Implicante, a técnica é de fazer um absurdo, como esfregar uma notificação extrajudicial nas castanhas, para fazer o público enxergar outro absurdo bem maior: o uso da máquina pública por uma parlamentar para censurar alguém que apontou sua incoerência e fez troça de sua defesa de um seqüestrador, estuprador, torturador e degolador (note-se que “machismo” não é uma palavra aplicada justamente para a maior violência que uma mulher já sofreu neste país).

Ou seja, justamente a incoerência que Maria do Rosário volta a praticar neste exato ato contra Danilo Gentili.

“Ah, mas então é lícito que alguém ofenda outra pessoa?!” Sim, só isso é liberdade de expressão. Permitir apenas elogios até Hitler permite. Só há liberdade de expressão se há liberdade de ofender. E como disse John Stossel, quando se ofender dá poder político, as pessoas tendem a se ofender mais facilmente.



Não é surpresa notar que quem acredita no pensamento mágico, na linha seguinte (ou na caixa de comentários deste artigo) estará chamando pessoas de direita de racistas, fascistas, nazistas, homofóbicas e demais xingamentos. Aí, o “desrespeito”, a “agressão” e a injúria deixam de ser crime para se tornarem método.

O poema já dizia que primeiro vieram pelos judeus, e eu não fiz nada, pois eu não era judeu. E depois os eslavos. Os comunistas. Os católicos. Os protestantes. Etc etc. E quando vieram por mim, não tinha ninguém para me defender.

A censura hoje parece mero justiçamento, quando não se gosta de Danilo Gentili. A julgar a inabilidade da esquerda em conquistar apoio popular, além de sua retórica sempre hiperbólica, é suicídio que esquerdistas se aventurem a criar costume, norma, jurisprudência e lei para políticos censurarem aquilo que consideram “desrespeitoso”.

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(*)Flavio Morgenstern é escritor, analista político, palestrante e tradutor. Seu trabalho tem foco nas relações entre linguagem e poder e em construções de narrativas. É autor do livro "Por trás da máscara: do passe livre aos black blocs" (ed. Record). No Twitter: @flaviomorgen

Fonte: Sensoincomum.org

quinta-feira, dezembro 18, 2014

O estupro da Petrobrás e a gritaria contra Bolsonaro.










Muito se poderia dizer sobre a gritaria contra Jair Bolsonaro (PP/RS), que ironicamente reafirmou que a deputada Maria do Rosário (PT/RS) não merecia ser estuprada. Reafirmou, pois Bolsonaro já havia feito a afirmativa em outra ocasião. Mais precisamente em 2003. Após ser chamado de estuprador pela parlamentar petista, Bolsonaro rebateu com a frase: “Não estupro porque você não merece”.

É evidente que Bolsonaro não teve a intenção de fazer apologia ao estupro, como afirma a vice-procuradora-geral da República, Ela Wiecko, que denunciou o parlamentar por incitar publicamente a prática do crime de estupro. Crime este que tem crescido em proporções alarmantes: Segundo dados do Anuário de Segurança Pública, o país teve 50.617 casos registrados em 2012, um crescimento de mais de 18% em relação ao ano anterior.

A questão é que ninguém merece ser estuprada. Sobretudo as mulheres. “Estupro” procede do termo latino stupru que deriva da palavra violatione. Bolsonaro disparou contra Maria do Rosário, por sua vigarice ideológica, quando ela fugia do Plenário da Câmara para não ouvir seu discurso contra a dita Comissão Nacional da Verdade. “Não saia, não, Maria do Rosário, fique aí! Há poucos dias, você me chamou de estuprador no Salão Verde, e eu falei que eu não estuprava você porque você não merece. Fique aqui para ouvir”.



Maria do Rosário é uma das responsáveis pelo estupro da dignidade militar. Uma afronta petista contra as Forças Armadas, instituição que sempre apareceu entre as mais respeitadas nas pesquisas. O povo ainda tem em alta nossos militares. Aliás, este é justamente outro sentido da palavra latina stupru: sentido genérico de afronta ou infâmia.

Outra instituição que foi estuprada, mesmo não merecendo, foi a Petrobrás. As denúncias de corrupção e os escândalos envolvendo o Governo nos levam a sensação de que não havia defesa contra esta violação. Em terra sem lei o que se faz não merece atenção, mas o que se diz provoca o borburinho ensurdecedor dos moralistas contumazes.

segunda-feira, janeiro 27, 2014

Direitos Humanos, mas só para bandidos.


titulo original: Silas Malafaia diz: Maria do Rosário, ministra dos Direitos Humanos, é uma ‘piada’
por Julio Severo



A morte de Kaique Augusto dos Santos, de 17 anos, um rapaz homossexual, mobilizou muita notícia na imprensa nesta terça-feira (21). Logo após, a ministra Maria do Rosário divulgou uma nota ridícula, que reproduziremos abaixo para que você leia com atenção e, em seguida, veja o comentário do Pr. Silas Malafaia.

Nota da ministra Maria do Rosário na íntegra:

A Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR) vem a público manifestar solidariedade à família de Kaique Augusto Batista dos Santos, assassinado brutalmente no último sábado (11/01). Seu corpo foi encontrado pela Polícia Militar de São Paulo próximo a um viaduto na região da Bela Vista, na Avenida 9 de Julho.
As circunstâncias do episódio e as condições do corpo da vítima, segundo relatos dos familiares, indicam que se trata de mais um crime de ódio e intolerância motivado por homofobia.
De acordo com dados do Relatório de Violência Homofóbica, produzido pela Secretaria de Direitos Humanos, em 2012, houve um aumento de 11% dos assassinatos motivados por homofobia no Brasil em comparação a 2011. Diante desse grave cenário, assim como faz em outros casos que nos são denunciados, a SDH/PR está acompanhando o caso junto às autoridades estaduais, no intuito de garantir a apuração rigorosa do caso e evitar a impunidade.
A ministra da SDH/PR, Maria do Rosário, designou o coordenador-geral de Promoção dos Direitos de LGBT e presidente do Conselho Nacional de Combate a Discriminação LGBT, Gustavo Bernardes, para acompanhar o caso pessoalmente. O servidor da SDH/PR desembarcou no início na tarde desta sexta-feira (17) na capital paulista, onde deverá conversar com a família e acompanhar o processo investigativo em curso.
Informamos ainda que a Secretaria de Direitos Humanos está investindo recursos para a ampliação dos serviços do Centro de Combate à Homofobia da Prefeitura Municipal de São Paulo, fortalecendo a rede de enfrentamento à homofobia.
Diante desse quadro, reiteramos a necessidade de que o Congresso Nacional aprove legislação que explicitamente puna os crimes de ódio e intolerância motivados por homofobia no Brasil, para um efetivo enfrentamento dessas violações de Direitos Humanos.
O Governo Federal reitera seu compromisso com o enfrentamento aos crimes de ódio e com a promoção dos direitos das minorias, em especial, com a população LGBT.


Silas Malafaia comenta:

Não é de hoje que essa ministra fala bobagem na defesa ridícula do ativismo gay. É a mesma que quando deputada foi defensora de outra estupidez, a lei da palmada.

Antes que a polícia desse qualquer relatório sobre a morte do rapaz, ela emite a nota que você acabou de ler, típica de uma pessoa precipitada, sectarista, querendo fazer média com o ativismo gay, que juntamente com ela falaram asneira sobre a questão. E isto sem falar em outro campeão da asneira que é o deputado Jean Wyllys, que para ridículo não lhe falta nada, com as acusações mais levianas que já vimos até hoje sobre os evangélicos. Merecia ser cassado por ofensa a um dos maiores segmentos sociais do país, que são os evangélicos.

A verdade é que não somos a favor da morte de ninguém, seja por suicídio, assassinato, ou qualquer outro tipo de evento que possa tirar a vida de um semelhante. A polícia descobriu que depois que o rapaz saiu de uma boate gay, ele se jogou de cima de um viaduto em São Paulo, e descobriu também que ele deixou escritos se despedindo da família. Isto é mais uma prova da manipulação de dados em relação a homofobia.

Já tenho dito varias vezes que pelo menos 50% dos assassinatos de gays é briga de amor entre eles. O ativismo gay tenta tirar partido da desgraça dos outros afim de obter concessões e privilégios em detrimento dos outros segmentos sociais. A ministra também não perde tempo porque defender o ativismo gay é questão ideológica do PT, e para ser honesto, com raríssimas exceções, membros do PT não compactuam com isto.

Interessante que há poucos dias uma menina de 6 anos morreu queimada em uma barbárie dos bandidos no Maranhão, e ainda tem membros de sua família em estado grave internada no hospital, e esta ministra ridícula não emitiu uma nota sequer. Quer dizer que direitos humanos é só quando envolve gays? E a questão dos presídios, no Maranhão? Não vai falar nada ministra?

Se esse governo fosse um governo sério, ela já teria sido demitida, e fica uma pergunta: Por que grande parte da imprensa que deu destaque a questão do rapaz homossexual que morreu, inclusive dando holofote para essa ministra, não cobra uma posição contra ela? Lamento dizer que grande parte da imprensa é sectarista e possui uma predisposição para dar holofote às causas que envolvem a ideologia de esquerda. Por fim, essa ministra perdeu uma oportunidade de ficar CALADA!

Fonte: juliosevero.blogspot.com.br/

terça-feira, maio 21, 2013

Segurança pública e luta de classes.








por Percival Puggnina.

Imagem: gracanopaisdasmaravilhas.blogspot.com





Em dezembro, a ministra Maria do Rosário, como presidente do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, editou uma Resolução cuja principal finalidade era coibir o uso de arma de fogo pelos policiais. Você sabe como é. Policiais são aquelas pessoas treinadas para enfrentar, em encrencas mais ou menos grossas, até mesmo indivíduos apetrechados com armas de guerra e explosivos. A Resolução da ministra informava aos bravos profissionais, escassos, mal pagos e em desvantagem no equipamento, que, se puxassem o gatilho no exercício de sua atividade - ai deles! Sairiam da encrenca com o crime para um rolo com os inquéritos e com a Justiça.

A criminalidade - tenho como coisa óbvia - venceu a guerra que empreendeu contra nós. Hoje, em todo o país, o crime controla a sociedade e impõe regras. Nós as acolhemos por medo e os governos por motivos ideológicos. "Como assim?", indagará o leitor. Ora, ora, nossos governantes acreditam em luta de classes. Para eles, a ação dos criminosos contra os cidadãos é uma expressão inevitável dessa luta. Ao fim e ao cabo, os bandidos realizam tarefa política compatível com o que, dominantemente, pensam as autoridades. Não esqueça que muitos dos nossos atuais governantes legitimavam, com esse mesmo entendimento, os crimes que cometiam ao tempo da luta armada, nos anos 70 e 80 do século passado. Assaltavam bancos, supermercados, roubavam automóveis e sequestravam aviões para abastecerem de recursos sua belicosa atividade. Agora, a identificação com os métodos e objetivos de então levou à complacência e à solidariedade que se derrama da Resolução nº 8 do tal Conselho. O agente policial que porta arma continua sendo visto, pelos nossos governantes, como inimigo de classe. Não se requer muitas luzes para perceber isso. Ou você já os viu expressando preocupação, manifestando condolência ou prestando apoio às vítimas da bandidagem?

Quem não gostar vá chorar deitado. É mais confortável.

A realidade que descrevi só vai mudar com uma política que se expresse em outra forma de lidar com o problema, coisa que tão cedo não acontecerá. Segundo todas as pesquisas de opinião, a sociedade está muito satisfeita com o grupo que hegemoniza a política nacional. Crê, sob fé cega, que sua insegurança é causada pelos bandidos e não pela omissão/conivência dos governos que fazem absolutamente nada - mas nada mesmo! - do que deveriam fazer, na proporção exigida, para reverter a situação. Ou seja: novas e mais rigorosas leis penais; maiores contingentes policiais mais bem apetrechados de recursos materiais e financeiros; aumento significativo das vagas em estabelecimentos prisionais; respeito aos direitos humanos dos cidadãos e das vítimas da criminalidade.

Quando a polícia do Rio de Janeiro empreendeu caçada a um dos maiores traficantes do país e o matou durante tiroteio, ouriçaram-se as autoridades contra a violência da ação. Encrenca prá cima dos responsáveis pela operação. Pior para nós, os derrotados, os desarmados, os desassistidos, os expropriados. Enquanto isso, nos Estados Unidos, poucas horas depois do atentado praticado durante a maratona de Boston, um dos terroristas estava morto e o outro preso. Sim e daí? Daí que em vez de recriminar o FBI pela "violência da operação", o presidente Obama foi para a tevê registrar o sucesso da ação e afirmar que "o mundo testemunhou uma segura e firme verdade: os EUA se recusam a ser aterrorizados". Nós afirmamos o oposto.



Publicado no jornal Zero Hora.