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terça-feira, novembro 27, 2018

Objetos Voadores Não Ideológicos









por Ernesto Araújo (*)


A cultura pós-moderna em que vivemos padece de um terrível literalismo. Muitas pessoas vão perdendo a capacidade de compreender o símbolo ou a metáfora, a ironia ou a piada, não conseguem transitar entre diferentes níveis de discurso, não percebem as figuras de linguagem, consequentemente não discernem o senso de humor nem decifram o pensamento sugestivo. Tornam-se incapazes do raciocínio abstrato, baseado em conceitos ou em universais: limitam-se aos particulares, à repetição tautológica de casos específicos. Acham que toda elocução é descritiva, não distinguem a função evocativa da fala.


Assim, se eu fizer uma referência à história da cigarra e da formiga, amanhã algum jornal dirá que eu acredito em insetos falantes.

Em semelhante contexto, quero deixar claro o seguinte: não acredito em discos voadores, nem deixo de acreditar.

O uso da expressão “acreditar” com relação à existência ou inexistência de civilizações extraterrestres e seus aparatos afigura-se inadequado. Parece perfeitamente plausível que existam tais civilizações e sejam capazes de viagens interestelares – e uma hipótese plausível não é, a rigor, matéria de crença. Trata-se, no caso, de uma proposição verificável, e jamais falseável, segundo a epistemologia de Karl Popper, ou seja: é possível comprovar empiricamente que os discos voadores existem, basta que um dia um deles apareça à luz do dia e todo mundo o enxergue, mas é impossível comprovar empiricamente que os discos voadores não existem, pois teríamos de varrer todo o universo à sua procura até concluir por sua inexistência, tarefa inexequível.

Podemos dizer algo semelhante de outras entidades, por exemplo: corvos brancos. É plausível que haja corvos brancos, pois não há nenhuma impossibilidade intrínseca em sua existência, mesmo se nunca ninguém os viu. Os corvos brancos nisso diferem, por exemplo, dos marxistas intelectualmente honestos. A existência de um marxista intelectualmente honesto não é plausível, pois há uma contradição intrínseca entre a disciplina intelectual marxista, que nasce na mentira e obriga seus praticantes a mentir inclusive a si mesmos o tempo todo, e a honestidade intelectual. Desse modo, a proposição “existem marxistas intelectualmente honestos” difere das proposições “existem discos voadores” ou “existem corvos brancos”. Ela não é nem verificável nem falseável, ela é apenas logicamente insustentável, como seria a proposição “existe luz escura”.

Quem diz “em acredito em tal coisa” está abrindo um canal para a busca de significado para além ou para fora do terreno da lógica e da epistemologia. O fato de tratar os discos voadores como matéria de crença, e não de verificabilidade empírica, é muito revelador do vazio espiritual contemporâneo. Numa civilização que proíbe a transcendência, algumas pessoas começaram a agarrar-se a certas manifestações materiais ou “mitos contemporâneos” (mais ou menos como diz C.G. Jung em seu ensaio sobre os discos voadores, Um Mito Moderno) que funcionam como sucedâneo do transcendente, do numinoso, do sagrado que elas já não conseguem conceber direta e autonomamente.

Ora, já sabemos que a esquerda não tolera a transcendência, pois a abertura para a transcendência é, em última instância, o que constitui a humanidade do homem, e também já sabemos que a esquerda é anti-humanista. Desse modo, não espanta que todas ou quase todas as pessoas cuja sede de transcendência e numinosidade leva para a crença em discos voadores construam suas casas no bairro da direita. Do mesmo modo aqueles que buscam a transcendência no esoterismo, no ocultismo, nos mistérios das civilizações desaparecidas, na alquimia, normalmente se acomodam na direita, todos os heróis fascinados pela rosa distante, secretíssima e inviolada de que fala Yeats em seu poema “The Secret Rose”, essa rosa que não é senão a transcendência, e a buscam no Santo Sepulcro, ou na embriaguez, no amor, na aventura. Esse bairro colorido, esfuziante de desejo pelo além, pela verticalidade, nas formas mais diversas, esse bairro é a direita. Do outro lado do rio político está o bairro da esquerda, um bairro cinza, pesado, de pessoas cabisbaixas que caminham murmurando slogans vazios ou fazem fila para receber sua ração diária de materialismo e reducionismo (uma espécie de soylent green, uma pasta amorfa feita de pensamento decomposto). No bairro da esquerda não há transcendência, nem a transcendência original nem os seus sucedâneos. No bairro da esquerda não há lugar para o mistério, pois o mistério é constitutivo do ser humano. Quem busca o mistério atravessa para a direita, seja o mistério de quem construiu as pirâmides, seja o de como são feitos os crop circles, seja o mistério do logos incarnado.

Talvez o que defina mais profundamente a cisão entre esquerda e direita seja a rejeição e aceitação da transcendência, respectivamente.

Quem crê procura a direita. Mesmo quem crê em coisas que não seriam questão de crer, como os discos voadores. Muita gente acredita em discos voadores apenas porque acha que é proibido acreditar em Deus.

Não é proibido.


(A Imagem não faz parte do artigo original) 
Fonte - www.metapoliticabrasileira.com.br 
(*) Ernesto Araújo - Ernesto Henrique Fraga Araújo é diplomata, escritor  e indicado pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro, como futuro chanceler.

sexta-feira, outubro 21, 2016

Falácias marxistas: a teoria da mais valia e a exploração da classe trabalhadora.





Falácias marxistas: a teoria da mais valia e a exploração da classe trabalhadora.





Em todos os modos de produção que existiram – exceto no comunismo primitivo –, as sociedades sempre se dividiram em duas classes: os dominantes e os dominados. Com a divisão de classes, surge a exploração do homem pelo homem. Isso é muito fácil de perceber nos modos de produção mais antigos como o escravismo e o feudalismo. Mas, e no capitalismo? Existe exploração? Um trabalhador recebe salário, é pago pelo seu trabalho, então ele não é explorado, correto? Não, no capitalismo também existe exploração, só que essa é disfarçada. Todavia, Marx mostrou, através da teoria da mais valia, como ocorre a exploração no modo capitalista de produção.

Talvez o leitor não acredite nessa balela toda de divisão de classes, de explorados e exploradores e tudo mais. Porém, os adeptos do socialismo acreditam. Então acho que vale a pena gastar um pouco do nosso tempo para entender melhor essa teoria e onde estão seus equívocos. Se você tiver algum amigo socialista (eu tenho alguns), esse artigo vai lhe proporcionar alguns argumentos interessantes.

Muito bem, antes de tudo, convém ressaltar que a teoria da mais valia está baseada na teoria do valor trabalho. Entender como se determina o valor de uma mercadoria não é algo trivial. A teoria do valor trabalho é considerada ultrapassada pelos economistas modernos. Na realidade, na metade do século XIX, quando Marx desenvolveu a teoria da mais valia, muitos economistas já tinham percebido que não é a quantidade de trabalho embutida em um bem que determina o seu valor. Portanto, a teoria de Marx parte de uma premissa que hoje praticamente todos os economistas – exceto os marxistas, logicamente – consideram equivocada.



A forma mais fácil de entender a teoria da mais valia é através de um exemplo. Suponhamos que um operário trabalhe dez horas em uma empresa. Ele recebe um salário proporcional a essas dez horas. Porém esse salário estaria sempre no nível de subsistência – Marx e a maioria dos economistas de sua época supunham que os salários sempre se mantinham nesse nível. Mas digamos que o tempo de trabalho necessário para que o operário produza o valor correspondente ao custo de sua subsistência seja de seis horas. O que acontece com as quatro horas excedentes? O valor gerado nesse período fica para o capitalista. A mais valia é, portanto, a materialização do trabalho excedente. A exploração no capitalismo ocorre mediante extração de mais valia.

Onde estão os erros dessa teoria? Marx considera que somente o trabalho humano gera valor. Capital (máquinas, equipamentos, instalações etc.) não produz valor. Para que não houvesse exploração, todo valor gerado na produção de mercadorias deveria pertencer à classe trabalhadora. O capitalista é um simples parasita que extrai mais valia dos trabalhadores.

Será que isso está correto? Vejamos. O capitalista em algum momento de sua vida – ou de alguém que legou a ele os meios de produção – teve de se esforçar, poupar recursos, para chegar a essa situação. Todo objeto da riqueza é fruto do sacrifício humano. O sacrifício dos operários é obvio. Porém a posse de meios de produção exige sacrifícios semelhantes dos capitalistas. Logo, trabalhadores e capitalistas têm justificativas morais semelhantes para auferir renda.

Vejamos outro ponto que Marx não analisou. Quem gera inovação tecnológica? Os capitalistas ou os trabalhadores? É evidente que são os capitalistas. O que acontece com uma economia sem capitalistas? Entra em estagnação. Foi justamente isso que levou ao fim do comunismo na União Soviética, na China e em quase todo o mundo.


A capacidade de inovação e produção de riquezas do capitalismo é algo simplesmente extraordinário. Eu não estou me referindo apenas à produção de carros chiques e sofisticados, computadores, celulares, internet e coisas do gênero. Estou me referindo também à saúde e à produção de alimentos.

No Brasil, no início do século XX, a expectativa de vida era pouco superior a 30 anos. Atualmente, está acima de 70. Isso aconteceu porque mais pessoas têm acesso a saneamento e a água potável. Também porque empresas capitalistas inovadoras desenvolveram vacinas e antibióticos que permitiram tratar de doenças que dizimavam milhões de indivíduos. A inovação capitalista está presente também na agricultura. Há algumas décadas, seria impossível produzir alimentos suficientes para alimentar a atual população do planeta.

E os socialistas? Deixaram alguma inovação relevante? Que eu me recorde, o único produto soviético que é comercializado até hoje em larga escala é o fuzil AK-47. Essa arma rústica e de fácil manuseio, desenvolvida em 1947 pelo engenheiro e militar russo Mikhail Kalashnikov, é até hoje largamente comercializada. É provavelmente a arma de fogo mais comercializada no mundo e também a favorita de terroristas e traficantes de drogas. Ao ver o destino que sua invenção tomou, Kalashnikov disse certa vez que preferiria ter inventado um cortador de grama.

Entre as inovações capitalistas e socialistas, eu já fiz a minha escolha. Mais complicado é convencer socialistas aonde a teoria da mais valia, quando levada às suas últimas conseqüências, pode chegar.

Fonte: InstitutoLiberal.org.br

segunda-feira, outubro 12, 2015

Marxismo: a máquina assassina.







Com a queda da União Soviética e dos governos comunistas do Leste Europeu, muitas pessoas passaram a crer que o marxismo, a religião do comunismo, está morto. Ledo engano. O marxismo está vivo e vigoroso ainda em muitos países, como Coréia do Norte, Cuba, Vietnã, Laos, em vários países africanos e, principalmente, na mente de muitos líderes políticos da América do Sul. 


No entanto, de extrema importância para o futuro da humanidade é o fato de que o comunismo ainda segue poluindo o pensamento e as ideias de uma vasta multidão de acadêmicos e intelectuais do Ocidente.


De todas as religiões, seculares ou não, o marxismo é de longe a mais sangrenta — muito mais sangrenta do que a Inquisição Católica, do que as várias cruzadas e do que a Guerra dos Trinta Anos entre católicos e protestantes. Na prática, o marxismo foi sinônimo de terrorismo sanguinário, de expurgos seguidos de morte, de campos de prisioneiros e de trabalhos forçados, de deportações, de inanição dantesca, de execuções extrajudiciais, de julgamentos "teatrais", e de genocídio e assassinatos em massa.


No total, os regimes marxistas assassinaram aproximadamente 110 milhões de pessoas de 1917 a 1987. Para se ter uma perspectiva deste número de vidas humanas exterminadas, vale observar que todas as guerras domésticas e estrangeiras durante o século XX mataram aproximadamente 85 milhões de civis. Ou seja, quando marxistas controlam estados, o marxismo é mais letal do que todas as guerras do século XX combinadas, inclusive a Primeira e a Segunda Guerra Mundial e as Guerras da Coréia e do Vietnã.


E o que o marxismo, o maior de todos os experimentos sociais humanos, realizou para seus cidadãos pobres à custa deste sangrento número de vidas humanas? Nada de positivo. Ele deixou em seu rastro apenas desastres econômicos, ambientais, sociais e culturais.


O Khmer Vermelho — comunistas cambojanos que governaram o Camboja por quatro anos — fornece algumas constatações quanto ao motivo de os marxistas acreditarem ser necessário e moralmente correto massacrar vários de seus semelhantes. O marxismo deles estava em conjunção com o poder absoluto. Eles acreditavam, sem nenhuma hesitação, que eles e apenas eles sabiam a verdade; que eles de fato construiriam a plena felicidade humana e o mais completo bem-estar social; e que, para alcançar essa utopia, eles tinham impiedosamente de demolir a velha ordem feudal ou capitalista, bem como a cultura budista, para então reconstruir uma sociedade totalmente comunista. 


Nada deveria se interpor a esta realização humanitária. O governo — o Partido Comunista — estava acima das leis. Todas as outras instituições, normas culturais, tradições e sentimentos eram descartáveis.


Os marxistas viam a construção dessa utopia como uma guerra contra a pobreza, contra a exploração, contra o imperialismo e contra a desigualdade — e, como em uma guerra real, não-combatentes também sofreriam baixas. Haveria um necessariamente alto número de perdas humanas entre os inimigos: o clero, a burguesia, os capitalistas, os "sabotadores", os intelectuais, os contra-revolucionários, os direitistas, os tiranos, os ricos e os proprietários de terras. Assim como em uma guerra, milhões poderiam morrer, mas essas mortes seriam justificadas pelos fins, como na derrota de Hitler na Segunda Guerra Mundial. Para os marxistas no governo, o objetivo de uma utopia comunista era suficiente para justificar todas as mortes.


A ironia é que, na prática, mesmo após décadas de controle total, o marxismo não apenas não melhorou a situação do cidadão comum, como tornou as condições de vida piores do que antes da revolução. Não é por acaso que as maiores fomes do mundo aconteceram dentro da União Soviética (aproximadamente 5 milhões de mortos entre 1921-23 e 7 milhões de 1932-33, inclusive 2 milhões fora da Ucrânia) e da China (aproximadamente30 milhões de mortos em 1959-61). No total, no século XX, quase 55 milhões de pessoas morreram em vários surtos de inanição e epidemias provocadas por marxistas — dentre estas, mais de 10 milhões foram intencionalmente esfaimadas até a morte, e o resto morreu como consequência não-premeditada da coletivização e das políticas agrícolas marxistas.


O que é espantoso é que esse histórico fúnebre do marxismo não envolve milhares ou mesmo centenas de milhares, mas milhões de mortes. Tal cifra é praticamente incompreensível — é como se a população inteira do Leste Europeu fosse aniquilada. O fato de que mais 35 milhões de pessoas fugiram de países marxistas como refugiados representa um inquestionável voto contra as pretensões da utopia marxista. [Tal número equivale a todo mundo fugindo do estado de São Paulo, esvaziando-o de todos os seres humanos.]


Há uma lição supremamente importante para a vida humana e para o bem-estar da humanidade que deve ser aprendida com este horrendo sacrifício oferecido no altar de uma ideologia: ninguém jamais deve usufruir de poderes ilimitados.


Quanto mais poder um governo usufrui para impor as convicções de uma elite ideológica ou religiosa, ou para decretar os caprichos de um ditador, maior a probabilidade de que vidas humanas sejam sacrificadas e que o bem-estar de toda a humanidade seja destruído. À medida que o poder do governo vai se tornando cada vez mais irrestrito e alcança todos os cantos da sociedade e de sua cultura, maior a probabilidade de que esse poder exterminará seus próprios cidadãos.


À medida que uma elite governante adquire o poder de fazer tudo o que quiser, seja para satisfazer suas próprias vontades pessoais ou, como é o caso dos marxistas de hoje, para implantar aquilo que acredita ser certo e verdadeiro, ela poderá impor seus desejos sem se importar com os custos em vidas humanas. O poder é a condição necessária para os assassinatos em massa. Quando uma elite obtém autoridade plena, várias causas e condições poderão se combinar para produzir o genocídio, o terrorismo, os massacres ou quaisquer assassinatos que os membros dessa elite sintam serem necessários. No entanto, o que tem de estar claro é que é o poder — irrestrito, ilimitado e desenfreado — o verdadeiro assassino.


Nossos acadêmicos e intelectuais marxistas da atualidade usufruem um passe livre. Eles não devem explicações a ninguém e não são questionados por sua defesa de uma ideologia homicida. Eles gozam de um certo respeito porque estão continuamente falando sobre melhorar as condições de vida dos pobres e dos trabalhadores, suas pretensões utópicas. Porém, sempre que adquiriu poder, o marxismo fracassou miserável e horrendamente, assim como o fascismo. Portanto, em vez de serem tratados com respeito e tolerância, marxistas deveriam ser tratados como indivíduos que desejam criar uma pestilência mortal sobre todos nós.


Da próxima vez que você se deparar com marxistas ou com seus quase equivalentes, os fanáticos esquerdistas, pergunte como eles conseguem justificar o assassinato dos mais de cento e dez milhões de seres humanos que sua fé absolutista provocou, bem como o sofrimento que o marxismo criou para as outras centenas de milhões de pessoas que conseguiram escapar e sobreviver.






R.J. Rummel , professor emérito de ciência política e finalista de Prêmio Nobel da Paz, é o mais aclamado especialista mundial em democídio, termo que ele cunhou para se referir a assassinatos cometidos por governos. Escreveu o livro Death by Government, leitura obrigatória para qualquer pessoa que queira se inteirar das atrocidades cometidas por governos. Ao todo, Rummel já publicou 29 livros e recebeu numerosas condecorações por sua pesquisa.

quinta-feira, outubro 01, 2015

A teoria marxista da exploração não faz nenhum sentido.






A teoria marxista da exploração não faz nenhum sentido.
por Juan Ramón Rallo






É sabido que Marx popularizou a ideia de que os capitalistas exploram os trabalhadores apropriando-se de uma parte de seu trabalho. O argumento, quando despido de toda o seu linguajar pomposo, é relativamente simples: segundo Marx, as mercadorias produzidas pelos trabalhadores são vendidas por um valor que é igual ao tempo de trabalho socialmente necessário para produzi-las; sendo assim, em um mundo justo, cada trabalhador deveria ganhar um salário equivalente ao fruto integral de seu trabalho, isto é, equivalente ao valor exato da mercadoria que ele produziu.

Consequentemente, o capitalista, que não efetua trabalho físico, retém para si uma parte do valor desses bens que os trabalhadores produziram, e ele consegue fazer isso graças ao seu monopólio dos meios de produção (os quais, vale dizer, são bens complementares indispensáveis ao trabalhador, sem os quais os trabalhadores nada conseguiriam produzir).

Falando mais especificamente, o capitalista remunera o trabalho com $100 (D), esse trabalho gera mercadorias (M), e essas mercadorias são vendidas por $120 (D'). Segundo Marx, isso só é possível de ocorrer porque há uma parte do trabalho que não foi remunerada pelo capitalista (D'-D), mas que de fato produziu mercadorias com um valor de troca. 

Essa diferença é justamente a mais-valia, que é a mensuração exata da "exploração laboral" — ou seja, o trabalhador prestou um serviço para o capitalista e não obteve a devida remuneração.

A solução de Marx? Confiscar os meios de produção da burguesia e repassá-los aos trabalhadores para que estes possam reter o produto integral do seu trabalho sem que haja intermediários capitalistas que se apropriam de parte do suor de seu rosto.

Há vários problemas com essa teoria marxista. Em primeiro lugar, ela parte do princípio de que todo o valor de troca de uma mercadoria depende exclusivamente do trabalho incorrido em sua produção, e não de sua utilidade marginal; o fato de que o valor de um bem é totalmente subjetivo é ignorado pela teoria. Há também uma questão ainda mais problemática, que é a natureza distorcida que Marx atribui ao capital: Marx assume que o valor do capital (por exemplo, o valor de uma máquina utilizada na produção de uma mercadoria) também é determinado pelo trabalho que foi incorrido em sua produção, e que o valor desse capital se transforma, em função de sua depreciação, no valor da mercadoria final; trata-se de uma espécie de contabilidade de custos que se dá de acordo com o tempo de trabalho utilizado.

Eis um exemplo dessa teoria. Se uma impressora de livros tem um preço de 100 onças de ouro (porque o tempo de trabalho necessário para fabricá-la foi equivalente a 100 onças de ouro), e supondo-se que ela possa imprimir 1.000 livros, então o valor que ela irá imputar a cada livro será, segundo a teoria, de 0,1 onça de ouro.

No entanto, na prática, as coisas funcionam exatamente ao contrário: é justamente porque os consumidores estão dispostos a pagar pelo menos 0,1 onça de ouro por cada livro, que a impressora poderá ter um valor de mercado de 100 onças de ouro. Se, no entanto, os consumidores passarem a desejar menos livros impressos e passarem a desejar mais livros eletrônicos, então essa mesma impressora — ainda que o tempo de trabalho socialmente necessário para fabricá-la seja o mesmo, e ainda que os consumidores sigam demandando livros impressos (só que agora em menor quantidade) — irá se depreciar enormemente.

Estabelecida a correta relação entre o preço dos bens de consumo e o preço dos bens de capital, a questão seguinte passa a ser: dado que uma impressora pode imprimir durante os próximos dez anos 1.000 livros com um valor de mercado de 0,1 onça de ouro cada um, por que então a impressora jamais custará 100 onças de ouro, mas sim muito menos?

Ignoremos os eventuais custos subjacentes, pois não é aí que está a dificuldade, e concentremo-nos na questão principal: por que ninguém pagaria hoje 100 onças de ouro por um ativo apenas para receber de volta, ao longo dos próximos dez anos, essas mesmas 100 onças?

Ou ainda mais completo: por que ninguém pagaria hoje 100 onças de ouro por um ativo apenas para receber de volta (ou talvez nem mesmo receber nada), ao longo dos próximos dez anos, essas mesmas 100 onças?

A resposta é simples: porque 100 onças de ouro hoje não têm o mesmo valor que 100 onças de ouro no futuro. As 100 onças de ouro que você já possui hoje são muito mais valiosas do que 100 onças de ouro que você talvezvenha a ter no futuro.

As onças de ouro em sua posse hoje representam uma capacidade de satisfazer imediatamente eventuais necessidades que possam surgir, ao passo que as onças de ouro a serem eventualmente recebidas apenas no futuro (e há a chance de que isso nem ocorra) não conferem essa mesma segurança e nem muito menos essa mesma capacidade. 

Uma coisa é gastar 100 onças de ouro hoje adquirindo bens de consumo; outra coisa, completamente distinta, é gastar essas mesmas 100 onças em um investimento que nos permitirá recuperá-las apenas ao longo dos anos. Sendo assim, o lógico é que compremos a impressora hoje por, digamos, 90 onças de ouro com o intuito de receber 100 onças ao longo dos próximos dez anos — sempre correndo o risco de que tal retorno pode não se concretizar.

No entanto, se o capitalista compra por 90 para receber 100, então ele está obtendo mais-valia. Só que esta mais-valia não está vinculada à exploração do trabalhador, mas sim ao tempo que o capitalista tem de esperar para auferir essa receita e ao risco que ele tem de assumir ao incorrer nesse processo produtivo. Dito de outra maneira, assim como a mão-de-obra é um fator de produção, o tempo e o risco também o são (se não estamos dispostos a esperar e a assumir riscos, não há como haver produção, por maior que seja a quantidade de trabalho abstrato em que incorramos).

Dado que o capital que é adiantado na forma de salários e na forma de maquinário para os trabalhadores supõe também uma espera e uma assunção de riscos para o capitalista, não seria mais correto dizer que a "mais-valia" do capitalista advém não de um assalto ao trabalhador, mas sim da remuneração desses fatores de produção (tempo e risco)?

Ademais, segundo Marx, bens que requerem o mesmo tempo de trabalho — seja o tempo de trabalho prestado diretamente pelo trabalhador ou o tempo de trabalho incorrido na fabricação dos meios de produção utilizados — para serem produzidos deverão possuir o mesmo valor de troca, e, portanto, o mesmo preço. (Vale notar que, na teoria de Marx, preço e valor de troca só coincidem quando os trabalhadores são donos dos meios de produção.) Mas isso simplesmente não faz nenhum sentido.

Suponha que, para se produzir 100.000 toneladas de trigo são necessários 50 anos de trabalho, e que para se construir uma casa também são necessários 50 anos de trabalho. Segundo Marx, desconsiderando-se oscilações de curto prazo, ambos os produtos deveriam ter o mesmo preço — por exemplo, 1.000 onças de ouro.

Logo, se um trabalhador tem 100.000 toneladas de trigo, e outro trabalhador tem uma casa, ambos poderão trocar estes bens entre si. No entanto, a questão essencial é outra: será que devemos supor que o trabalhador em posse das 100.000 toneladas de trigo está disposto a trocá-las pelo direito de receber uma casa daqui a 50 anos?

(Lembre-se que, segundo Marx, a transação é idêntica: o que está sendo trocado são apenas tempos de trabalho. No entanto, em um caso, o fruto de trabalho de 50 anos já está disponível (100.000 toneladas de trigo); no outro, a pessoa terá de esperar 50 anos para receber seu bem.)

A resposta é um óbvio não. Uma coisa é uma casa já produzida ser trocada por 100.000 toneladas de trigo também já produzidas. Isso pode perfeitamente ocorrer. Outra coisa, completamente distinta, é imaginar que essas 100.000 toneladas de trigo serão trocadas hoje por uma casa que só estará disponível daqui a 50 anos. Tal troca não irá ocorrer simplesmente porque ter uma casa hoje não tem o mesmo valor do que ter uma casa somente daqui a 50 anos. 

Somente estaremos dispostos a comprar a promessa de entrega da moradia se obtivermos um desconto muito grande em seu preço. Por exemplo, se uma casa já construída vale 1.000 onças de ouro, uma casa a ser entregue somente daqui a 50 anos valerá, digamos, 200 onças de ouro. Essa mais-valia (pagar 200 hoje para receber 1.000 em 50 anos) é exatamente a taxa de juros (matematicamente, equivale a uma taxa anual média de 2,8%).

Utilizando esse mesmo raciocínio, podemos concluir que os capitalistas adiantam bens presentes (salários) aos trabalhadores em troca de receber, quando o processo de produção estiver finalizado, bens futuros. Existe necessariamente uma diferença de valor entre os bens presentes dos quais os capitalistas abrem mão e os bens futuros que eles receberão (se é que receberão). E essa diferença de valor é a mais-valia. A mais-valia, portanto, não é a apropriação de um tempo de trabalho não-remunerado, mas sim o juro derivado do tempo de espera e do risco assumido até que o processo produtivo esteja concluído.

São muitas as pessoas que não entendem corretamente esse conceito de que os capitalistas adiantam bens presentes para receber, após muito tempo, bens futuros. No entanto, basta verificar os balancetes de qualquer empresa para verificar esse fenômeno. Por exemplo, a General Electric investiu (adiantou) US$685 bilhões para recuperar, na forma de fluxo de caixa anual, aproximadamente US$35 bilhões. Ou seja, os capitalistas da GE abriram mão de US$685 bilhões (e seu equivalente em bens de consumo que eles poderiam ter adquirido no presente) para receber, anualmente, uma receita de US$35 bilhões. Nesse ritmo, serão necessários 20 anos apenas para recuperar todo o capital adiantado. 

A pergunta é: os capitalistas que adiantam $685 bilhões — que se abstêm de consumi-los e que incorrem em risco para recuperá-los — não deveriam receber nenhuma remuneração por isso? Será que durante os próximos 20 ou 30 anos eles deveriam se contentar apenas em recuperar — isso se tudo der certo — tão-somente os $685 bilhões de que abriram mão, sem receber nenhuma remuneração pelo seu tempo de espera e pelo risco em que incorreram?

Em suma, você realmente acredita que ter $1.000 hoje é o mesmo que ter $1.000 apenas daqui a 500 anos (e assumindo zero de inflação de preços), mesmo que ambos os valores contenham o mesmo tempo de trabalho?

Pois é exatamente esse o raciocínio por trás de toda a análise marxista da exploração. O que há de errado, portanto, com a teoria da exploração de Marx é que ele não compreende o fenômeno da preferência temporal como uma categoria universal da ação humana.

Os capitalistas, ao adiantarem seu capital e sua poupança para todos os seus fatores de produção (pagando os salários da mão-de-obra e comprando maquinário), esperam ser remunerados pelo tempo de espera e pelo risco que assumem. Por outro lado, os trabalhadores, ao receberem seu salário no presente, estão trocando a incerteza do futuro pelo conforto da certeza do presente.

O fato de o trabalhador não receber o "valor total" da produção futura não tem nada a ver com exploração; simplesmente reflete o fato de que é impossível o homem trocar bens futuros por bens presentes sem que haja um desconto. O pagamento salarial representa bens presentes, ao passo que os serviços de sua mão-de-obra representam apenas bens futuros.

A relação trabalhista, longe de ser uma situação de exploração, é apenas uma relação de troca entre bens presentes (o capital do capitalista) por bens futuros (os bens que serão produzidos pelos trabalhadores e pelo maquinário utilizado, e que só estarão disponíveis no futuro).

Böhm-Bawerk expressou tudo isso de maneira bem mais resumida: "Parece-me justo que os trabalhadores cobrem o valor integral dos frutos futuros do seu trabalho; mas não é justo eles cobrarem a totalidade desse valor futuro agora."

quarta-feira, agosto 26, 2015

Marxismo cultural: o Cristianismo dentro de uma revolução.






por Eguinaldo Hélio ( pastor)





O comunismo é o inimigo satânico do cristianismo.
A. W. Tozer


Parece que o gigante está acordando, ainda que lentamente, ainda que tardiamente. O tema do Marxismo Cultural está entrando nas pautas e sua nociva influência começa agora a ser denunciada de modo mais constante. Graças aos esforços iniciais solitários do professor Olavo de Carvalho, a percepção de uma revolução silenciosa em curso começa a fazer barulho. Ele teve coragem de amarrar o gonzo no pescoço do gato e este agora já não consegue se achegar tão sorrateiro. Temos de dar honra a quem a merece.

Que o marxismo é anticristão em sua essência e terrivelmente mortal em sua história não é novidade para qualquer pessoa de bom senso que conheça o mínimo de teologia cristã e um pouco dos acontecimentos do século XX. Mas a estratégia adotada pelos teóricos comunistas para fazer triunfar sua fé ideológica no Ocidente tornou o inimigo invisível e imperceptível. Eles inverteram o percurso. Ao invés da derrubada violenta do poder político para dominar e moldar a cultura, a vitória viria pela transformação da própria cultura, segundo os moldes marxistas. Isso seria feito de modo sutil e lento até que a sociedade estivesse pronta para aceitar passivamente o domínio totalitário comunista como salvação messiânica.


Escola de Frankfurt, Antonio Gramsci (este principalmente), Georg Lukács, entre outros, foram as mentes que conceberam e disseminaram as sementes de morte em nossa cultura. Esses intelectuais pensaram, escreveram e agiram para inserir no Ocidente o pensamento pró marxista. E funcionou. O dragão vermelho do comunismo logo começou a ser acariciado como um gato persa e mimado pelos intelectuais como a cura incontestável para todos os males humanos. 

Hoje, símbolos religiosos são violentados sexualmente em plena praça pública, com o dinheiro público e ninguém acha isso anormal. Em um país com grande maioria cristã, a Bíblia e os valores cristãos são diariamente difamados nas escolas e universidades fomentando discriminação e ódio. E isso diante de uma platéia repleta de cristãos. Total silêncio. 

Apesar de o comunismo ter assassinado mais de cem milhões no século XX, os livros escolares silenciam e dessa forma uma versão mutilada da história é apresentada à nova geração. Ainda que o socialismo produziu miséria por onde passou é louvado nas cátedras como redentor. Ao invés das críticas merecidas, recebe apologia constante. 

E o pior de tudo. Mesmo o marxismo sendo ateu, materialista, darwinista e anticristão, encontrou entre os cristãos não apenas quem o defendesse, mas ainda quem se utilizasse de seus conceitos para fazer teologia! Isso não é amar o inimigo. É se prostituir com ele!

Um país onde você encontra marxismo defendido inconteste em escolas, universidades, livros, jornais, política e igrejas, ao mesmo tempo em que se diz que o comunismo morreu, com certeza é um país onde o marxismo cultural já triunfou.

Se acreditamos que as Escrituras Sagradas revelam a verdade absoluta sobre quem é Deus, sobre quem nós somos e sobre o que o mundo é, percebemos que estamos envolvidos em uma atmosfera pútrida que sufoca nossa alma cristã. Se a moral cristã sobre sexo e família é o padrão divino para a humanidade e estamos sendo criminalizados por acreditar nela, então algo está bem errado. Se o ensino religioso é proibido nas escolas e os símbolos religiosos proibidos em repartições públicas, enquanto algo sinistro como a ideologia de gênero é fomentado e empurrado goela abaixo no sistema educacional, há algo errado.

Nada disso é coincidência. É pura estratégia. É fruto de décadas de marxismo cultural, desde que Antonio Gramsci começou a ser publicado no Brasil na década de 1960. 

Dormimos e o inimigo não semeou o joio. Semeou a erva daninha, o parasita que deseja sufocar e destruir todos os conceitos cristãos que sustentamos. Essa cultura de morte quer nos fazer acreditar que nossas crenças e nossa moral não passam de preconceitos arcaicos a serem escondidos bem fundos em nossas vidas privadas, enquanto eles expõem seus conceitos como verdades eternas.

Quando uma maioria esmagadoramente cristã está vivendo esmagada por uma cultura sutil ou declaradamente anticristã é difícil perceber que alguma coisa está muita errada.


Eguinaldo Hélio de Souza é pastor, perfil no Facebook

segunda-feira, março 23, 2015

Paulo Freire: A verdade por trás do patrono da educação brasileira








por Percival Puggina para puggina.org









Notável foi o desconforto que faixa carregada por membros e amigos do Instituto Liberal do Centro-Oeste e idealizada pelo Professor Eduardo F. Sallenave a respeito de Paulo Freire causou em boa parte da esquerda brasileira - muitos destes que nunca sequer leram qualquer obra do referido autor, além de frases motivacionais de Facebook.

Ficamos felizes por este debate crucial finalmente estar em pauta, e de incentivar parte da sociedade a rever o lamentável estado da Educação brasileira.

Faz-se mister compreender Paulo Freire além de fanatismos, clichês e correntes das redes sociais.

Freire, o homem recentemente considerado "patrono da educação brasileira" [1], em sua "Pedagogia do Oprimido" [2], apresenta a pedagogia como um instrumento de revolução marxista.

Ao falar em "revolução", temos que ter ao menos duas coisas em mente. De acordo com o próprio Freire, em sua obra:

1) deverá ser operada uma "revolução cultural", incutindo o "pensar certo" no "oprimido" - isto é, a "consciência revolucionária", ou "consciência de classe". A pedagogia seria um meio para a revolução, e a revolução teria, em si, um "caráter pedagógico".

2) a revolução almeja e destina "chegar ao poder". Evidentemente, esta etapa é descrita com léxico recheado de expressões que remetem a "humanismo", "amor", "liberdade".

O leitor já acha que parece um panfleto marxista? Pois acomode-se; estamos só começando.

Diz Freire: "Consciente ou inconscientemente, O ATO DE REBELIÃO DOS OPRIMIDOS, QUE É SEMPRE TÃO OU QUASE TÃO VIOLENTO QUANTO A VIOLÊNCIA QUE OS CRIA, este ato dos oprimidos, sim, PODE INAUGURAR O AMOR." (grifo nosso)



Lindo, não? O ódio e a violência podem "inaugurar" o amor. Este (dupli)pensamento quase orwelliano poetiza a brutalidade marxista como poucas passagens. Naturalmente, coletivistas são atraídos pela ideia de poderem infligir mal e sofrimento a outros com algum objetivo "nobre" - e muitas aspas nesta hora.

Ou ainda: "A revolução é biófila, é criadora de vida, ainda que, para criá-la, seja obrigada a deter vidas que proíbem a vida."

Além do ato de rebelião dos "oprimidos" ser "violento" - podendo, ainda assim, "inaugurar o amor" - Paulo Freire vai além e justifica toda e qualquer matança em nome do projeto marxista. O "humanista" Paulo Freire consegue justificar com relativa elegância as matanças em nome do socialismo. Se estivesse vivo, mereceria o cargo de Ministro do Amor.

Aliás, Freire não esconde sua admiração por nomes bastante conhecidos em fartas citações ao longo de sua obra: Che Guevara, Mao Tsé-Tung (lembram da "revolução cultural" mencionada acima?), Lenin, Marx.

Por exemplo, ao citar Che Guevara, remete a um dos "cuidados" que deve ter o "revolucionário":

"Desta maneira, quando Guevara chama a a atenção ao revolucionário para a "necessidade de desconfiar sempre - desconfiar do camponês que adere, do guia que indica os caminhos, desconfiar até de sua sombra", não está rompendo a condição fundamental da teoria da ação dialógica. Está sendo, apenas, realista."

Paulo Freire ainda narra a "liderança de Fidel Castro", retratando-o como um exemplo de "coragem", de "valentia de amar o povo" e de "sacrifício":

"A liderança de Fidel Castro e de seus companheiros, na época chamados de "aventureiros irresponsáveis" por muita gente, liderança eminentemente dialógica, se identificou com as massas submetidas a uma brutal violência, a da ditadura de Batista.

Com isso não querermos afirmar que esta adesão se deu tão facilmente. Exigiu o testemunho corajoso, a valentia de amar o povo e por ele sacrificar-se".

Belo "sacrifício" de Fidel e Guevara em promover fomes, racionamentos, torturas e assassinatos de dezenas de milhares em Cuba,[3][4] piorando significativamente a qualidade de vida da população,[5] enquanto hoje o ditador cubano vive em luxo, sendo um dos homens mais ricos do planeta.[6]

Para o amigo leitor, já não deve ser surpresa alguma que o cidadão considerado "patrono" (sic) da nossa "educação" (sic) tenha tanto apreço por carniceiros e ideólogos das maiores chacinas da História da humanidade - "somente" 100 milhões de mortos em nome do Paraíso na Terra só no século XX.[7]

As vazias tautologias freireanas seguem inclusive beirando outros campos, como o da Economia:

"Esta é a razão por que não pode haver desenvolvimento sócio-econômico em nenhuma sociedade dual, reflexa, invadida. É que, para haver desenvolvimento, é necessário: 1) que haja um movimento de busca, de criatividade, que tenha no ser mesmo que o faz, o seu ponto de decisão; 2) que esse movimento se dê não só no espaço, mas ao tempo próprio do ser, do qual tenha consciência."

Mal sabia o teórico marxista que o segredo para a riqueza das nações não tem qualquer coisa a ver com retórica desgastada e nebulosa, mas com Liberdade Econômica. A possibilidade de criar, de ter, de trocar livremente, de fazer contratos, enfim, de ser proprietário de si mesmo garante o melhor caminho para a prosperidade.[8]

Quantos às críticas recebidas pelo protesto, seria ingenuidade demais achar que a faixa "Basta de Paulo Freire" é direcionada a frases sem qualquer substância prática e emuladoras de um bom-mocismo - por exemplo, aquelas que falam vagamente de "amor", de "educação para libertar", de "amar árvores e bichos".

Entretanto, boa parte da esquerda brasileira se ofendeu justamente por não conhecer, em substância, o que o autor representa, ficando presos na surpresa de ver qualquer manifestação contrária a seu pensamento.

Faz-se necessário apontar que o centro da crítica está na filosofia pedagógica freireana, em sua visão de mundo marxista, classista e consequente e inexoravelmente violenta, que obviamente ainda ressoa na formação de professores brasileiros - muitos, infelizmente, desavisados quanto ao caráter político do ideólogo.

Também metodologicamente Paulo Freire é amplamente criticado por sua óbvia ênfase política e ideológica, em vez de pedagógica e educacional; pelas óbvias contradições de se dizer um "libertador" enquanto, na prática, promove doutrinação; pela a vagueza e o vazio prático em seus diversos enunciados; pela dúvida que há até mesmo quanto à originalidade de boa parte de seu trabalho[9][10][11]:

“Ele deixa questões básicas sem resposta. Não poderia a ‘conscientização’ ser um outro modo de anestesiar e manipular as massas? Que novos controles sociais, fora os simples verbalismos, serão usados para implementar sua política social? Como Freire concilia a sua ideologia humanista e libertadora com a conclusão lógica da sua pedagogia, a violência da mudança revolucionária?”[12]

“[No livro de Freire] não chegamos nem perto dos tais oprimidos. Quem são eles? A definição de Freire parece ser ‘qualquer um que não seja um opressor’. Vagueza, redundâncias, tautologias, repetições sem fim provocam o tédio, não a ação.”[13]

“Não há originalidade no que ele diz, é a mesma conversa de sempre. Sua alternativa à perspectiva global é retórica bolorenta. Ele é um teórico político e ideológico, não um educador.”[14]

“Sua aparente inabilidade de dar um passo atrás e deixar o estudante vivenciar a intuição crítica nos seus próprios termos reduziu Freire ao papel de um guru ideológico flutuando acima da prática.”[15]

Quando a instrução vira doutrinação, é fácil ver o nível da educação cair vertiginosamente.[16] E quando a educação, que deveria ser prerrogativa dos pais, passa a ser prerrogativa de burocratas, vemos todo o tipo de tentativa de manipulação possível.

É claro que Paulo Freire enxergava a pedagogia como uma possibilidade de doutrinar, de pavimentar o caminho para uma suposta revolução - que sabíamos, desde o século XX, ser falida em si mesma, impossível economicamente e inerentemente injusta e brutal.

Freire aponta o "educador humanista" como um "autêntico revolucionário". Aos pais e pagadores de impostos do Brasil: é esta a Educação que você quer para suas crianças? É este tipo de filosofia e ética anti-capitalista que você deseja que permeie o ensino dos pequenos?

Muitos "educadores" do MEC, inspirados no panfleto marxista de Freire, já pararam para se perguntar se os pais e pagadores de impostos desejam que seus filhos recebam este tipo de "educação de classes"?

Esta é uma pergunta retórica: para um marxista, como para qualquer outro coletivista, o desejar individual é a menor das preocupações. O indivíduo é um mero detalhe descartável perante os planos "da revolução".

O que queremos, finalmente?

Queremos Educação com Liberdade. Queremos que pais possam ser livres para escolher o que seus filhos estudam, onde eles estudam - se em casa, por homeschooling, em colégios, com tutorias.

Queremos que nossos pequenos não tenham ideologias empurradas goela abaixo por gente que acha que sabe decidir pelos filhos dos outros.

Queremos uma educação descentralizada e não sujeita aos caprichos de um pequeno corpo de burocratas em Brasília que intrusivamente decide até o currículo a ser estudado por alunos nos quatro cantos do Brasil.

Queremos o fim da doutrinação marxista sustentada com dinheiro público. Basta de Paulo Freire.


[2] Todas as citações de Freire seguem de sua obra "Pedagogia do Oprimido", enfocada neste texto.http://www.letras.ufmg.br/espanhol/pdf%5Cpedagogia_do_oprimido.pdf










[12] David M. Fetterman, “Review of The Politics of Education”, American Anthropologist, Março 1986.

[13] Rozanne Knudson, Resenha da Pedagogy of the Oppressed; Library Journal, Abril, 1971.

[14] John Egerton, “Searching for Freire”, Saturday Review of Education, Abril de 1973.

[15] Rolland G. Paulston, “Ways of Seeing Education and Social Change in Latin America”, Latin American Research Review. Vol. 27, No. 3, 1992.

sexta-feira, maio 03, 2013

Marxismo: a máquina assassina.

Marxismo: a máquina assassina.
por J.Rummel(*)




Ninguém jamais deve usufruir de poderes ilimitados.




Com a queda da União Soviética e dos governos comunistas do Leste Europeu, muitas pessoas passaram a crer que o marxismo, a religião do comunismo, está morto. Ledo engano. O marxismo está vivo e vigoroso ainda em muitos países, como Coréia do Norte, Cuba, Vietnã, Laos, em vários países africanos e, principalmente, na mente de muitos líderes políticos da América do Sul. 



No entanto, de extrema importância para o futuro da humanidade é o fato de que o comunismo ainda segue poluindo o pensamento e as ideias de uma vasta multidão de acadêmicos e intelectuais do Ocidente.

De todas as religiões, seculares ou não, o marxismo é de longe a mais sangrenta — muito mais sangrenta do que a Inquisição Católica, do que as várias cruzadas e do que a Guerra dos Trinta Anos entre católicos e protestantes. Na prática, o marxismo foi sinônimo de terrorismo sanguinário, de expurgos seguidos de morte, de campos de prisioneiros e de trabalhos forçados, de deportações, de inanição dantesca, de execuções extrajudiciais, de julgamentos "teatrais", e de genocídio e assassinatos em massa.

No total, os regimes marxistas assassinaram aproximadamente 110 milhões de pessoas de 1917 a 1987. Para se ter uma perspectiva deste número de vidas humanas exterminadas, vale observar que todas as guerras domésticas e estrangeiras durante o século XX mataram aproximadamente 35 milhões de pessoas. Ou seja, quando marxistas controlam estados, o marxismo é mais letal do que todas as guerras do século XX combinadas, inclusive a Primeira e a Segunda Guerra Mundial e as Guerras da Coréia e do Vietnã. (N. do Editor: Além destes 110 milhões de mortos, não vejo motivo para excluir dentre as vítimas do comunismo os 336 milhões de abortos forçados que o governo chinês, com um orgulho macabro, admitiu recentemente ter realizado entre 1971 e 2010. Isso leva o número de vítimas à casa dos 450 milhões de seres humanos. E levando-se em conta que a legalização do aborto é obra intelectual e política dos comunistas não só na China, como no resto do mundo, não me parece um exagero afirmar que o marxismo matou mais de meio bilhão de pessoas, ou, no mínimo, abriu o precedente cultural e jurídico para que mais algumas dezenas de milhões de fetos fossem assassinados nas últimas décadas. Ver também nota de Graça Salgueiro ao fim do artigo.)

E o que o marxismo, o maior de todos os experimentos sociais humanos, realizou para seus cidadãos pobres à custa deste sangrento número de vidas humanas? Nada de positivo. Ele deixou em seu rastro apenas desastres econômicos, ambientais, sociais e culturais.

O Khmer Vermelho — comunistas cambojanos que governaram o Camboja por quatro anos — fornece algumas constatações quanto ao motivo de os marxistas acreditarem ser necessário e moralmente correto massacrar vários de seus semelhantes. O marxismo deles estava em conjunção com o poder absoluto. Eles acreditavam, sem nenhuma hesitação, que eles e apenas eles sabiam a verdade; que eles de fato construiriam a plena felicidade humana e o mais completo bem-estar social; e que, para alcançar essa utopia, eles tinham impiedosamente de demolir a velha ordem feudal ou capitalista, bem como a cultura budista, para então reconstruir uma sociedade totalmente comunista. 

Nada deveria se interpor a esta realização humanitária. O governo — o Partido Comunista — estava acima das leis. Todas as outras instituições, normas culturais, tradições e sentimentos eram descartáveis.

Os marxistas viam a construção dessa utopia como uma guerra contra a pobreza, contra a exploração, contra o imperialismo e contra a desigualdade — e, como em uma guerra real, não-combatentes também sofreriam baixas. Haveria um necessariamente alto número de perdas humanas entre os inimigos: o clero, a burguesia, os capitalistas, os "sabotadores", os intelectuais, os contra-revolucionários, os direitistas, os tiranos, os ricos e os proprietários de terras. Assim como em uma guerra, milhões poderiam morrer, mas essas mortes seriam justificadas pelos fins, como na derrota de Hitler na Segunda Guerra Mundial. Para os marxistas no governo, o objetivo de uma utopia comunista era suficiente para justificar todas as mortes.

A ironia é que, na prática, mesmo após décadas de controle total, o marxismo não apenas não melhorou a situação do cidadão comum, como tornou as condições de vida piores do que antes da revolução. Não é por acaso que as maiores fomes do mundo aconteceram dentro da União Soviética (aproximadamente 5 milhões de mortos entre 1921-23 e 7 milhões de 1932-33, inclusive 2 milhões fora da Ucrânia) e da China (aproximadamente 30 milhões de mortos em 1959-61). No total, no século XX, quase 55 milhões de pessoas morreram em vários surtos de inanição e epidemias provocadas por marxistas — dentre estas, mais de 10 milhões foram intencionalmente esfaimadas até a morte, e o resto morreu como consequência não-premeditada da coletivização e das políticas agrícolas marxistas.

O que é espantoso é que esse histórico fúnebre do marxismo não envolve milhares ou mesmo centenas de milhares, mas milhões de mortes. Tal cifra é praticamente incompreensível — é como se a população inteira do Leste Europeu fosse aniquilada. O fato de que mais 35 milhões de pessoas fugiram de países marxistas como refugiados representa um inquestionável voto contra as pretensões da utopia marxista. [Tal número equivale a todo mundo fugindo do estado de São Paulo, esvaziando-o de todos os seres humanos.]

Há uma lição supremamente importante para a vida humana e para o bem-estar da humanidade que deve ser aprendida com este horrendo sacrifício oferecido no altar de uma ideologia: ninguém jamais deve usufruir de poderes ilimitados.

Quanto mais poder um governo usufrui para impor as convicções de uma elite ideológica ou religiosa, ou para decretar os caprichos de um ditador, maior a probabilidade de que vidas humanas sejam sacrificadas e que o bem-estar de toda a humanidade seja destruído. À medida que o poder do governo vai se tornando cada vez mais irrestrito e alcança todos os cantos da sociedade e de sua cultura, maior a probabilidade de que esse poder exterminará seus próprios cidadãos.

À medida que uma elite governante adquire o poder de fazer tudo o que quiser, seja para satisfazer suas próprias vontades pessoais ou, como é o caso dos marxistas de hoje, para implantar aquilo que acredita ser certo e verdadeiro, ela poderá impor seus desejos sem se importar com os custos em vidas humanas. O poder é a condição necessária para os assassinatos em massa. Quando uma elite obtém autoridade plena, várias causas e condições poderão se combinar para produzir o genocídio, o terrorismo, os massacres ou quaisquer assassinatos que os membros dessa elite sintam serem necessários. No entanto, o que tem de estar claro é que é o poder — irrestrito, ilimitado e desenfreado — o verdadeiro assassino.

Nossos acadêmicos e intelectuais marxistas da atualidade usufruem um passe livre. Eles não devem explicações a ninguém e não são questionados por sua defesa de uma ideologia homicida. Eles gozam de um certo respeito porque estão continuamente falando sobre melhorar as condições de vida dos pobres e dos trabalhadores, suas pretensões utópicas. Porém, sempre que adquiriu poder, o marxismo fracassou miserável e horrendamente, assim como o fascismo. Portanto, em vez de serem tratados com respeito e tolerância, marxistas deveriam ser tratados como indivíduos que desejam criar uma pestilência mortal sobre todos nós.

Da próxima vez que você se deparar com marxistas ou com seus quase equivalentes, os fanáticos esquerdistas, pergunte como eles conseguem justificar o assassinato dos mais de cento e dez milhões de seres humanos que sua fé absolutista provocou, bem como o sofrimento que o marxismo criou para as outras centenas de milhões de pessoas que conseguiram escapar e sobreviver.



Nota da jornalista Graça Salgueiro:
Todos os anos Cuba realiza uma média de 100 mil abortos, alguns deles forçados e sem o conhecimento da mãe, pois existe uma substância nos fetos que serve para fazer uma medicação para doenças neurológicas graves, como os males de Parkinson e de Alzheimer, e cuja patente é cubana. Anualmente chegam à ilha milhares de estrangeiros em busca desse tratamento, o que significa MUITOS dólares e euros entrando legal e abundantemente nos cofres dos Castro. Daí o incentivo ao aborto. Há alguns anos, assisti a um vídeo no qual uma moça contava que estava grávida e fora fazer a consulta do pré-natal. Quando o médico disse que ela "precisava abortar porque estava correndo sérios riscos". No vídeo, ela contava chorando que não sentia absolutamente NADA e que queria muito ter seu bebê.





(*)R.J. Rummel, professor emérito de ciência política e finalista de Prêmio Nobel da Paz, é o mais aclamado especialista mundial em democídio, termo que ele cunhou para se referir a assassinatos cometidos por governos. Escreveu o livro Death by Government, leitura obrigatória para qualquer pessoa que queira se inteirar das atrocidades cometidas por governos. Ao todo, Rummel já publicou 29 livros e recebeu numerosas condecorações por sua pesquisa.


Publicado no site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.


segunda-feira, março 18, 2013

Os guerrilheiros marxistas de outrora são hoje os jornalistas.









Por Orlando Braga (*)





Grande parte dos jornalistas atuais são analfabetos funcionais munidos de uma ideologia política.

Existe uma aliança tácita entre a plutocracia internacional e os novos guerrilheiros marxistas.


“Se observarmos, por exemplo, a mudança de opinião que vem ocorrendo na sociedade, em relação a comportamentos que antes eram tidos universalmente como reprováveis, como é o caso do homossexualismo, do divórcio, do aborto etc., é difícil acreditar que tais mudanças aconteceram espontaneamente, e não como reações provocadas por um meticuloso trabalho de engenharia social.”

Eu, que vivi (adolescente) o fenômeno da revolução marxista-maoísta em Moçambique da segunda metade da década de 1970, sou de opinião de que o que se está a passar hoje na Europa e no Ocidente é uma revolução marxista em que as Kalachnikov foram substituídas pela ação dos me®dia. Os meios de comunicação social desempenham hoje o papel dos guerrilheiros que, naquela época, obrigavam, pela ponta da baioneta, toda a gente a levantar o braço e com o punho cerrado, gritando vivas à revolução.

A revolução marxista é hoje o pensamento único do politicamente correto.

Os guerrilheiros revolucionários marxistas-maoístas, em Moçambique, faziam rusgas discricionárias em locais públicos e privados. Ninguém estava seguro na intimidade do seu lar: a qualquer momento poderia entrar pela sua casa adentro uma rusga dos guerrilheiros com intuito de revistar e intimidar os alegados “relapsos da revolução”. Os me®dia atuais desempenham uma função e um papel semelhantes, embora sem a Kalachnikov: utilizam a infâmia, o insulto, a mentira dissimulada em meias-verdades, a desinformação, a pseudo-informação [1], a sub-informação [2], e beneficiam do apoio explícito ou implícito das elites políticas e judiciais. A lei em vigor, por um lado, e por outro lado a maior parte dos juízes, dão cobertura à ação dos me®dia: são raros os processos em que jornalistas são condenados por difamação ou prevaricação.

Os guerrilheiros marxistas são hoje jornalistas.

Qualquer pessoa que não “alinhe” com o pensamento único politicamente correto, é hoje sujeito a tentativas de enxovalho irracional na praça pública pelos novos guerrilheiros marxistas — os “jornaleiros” politicamente corretos. A lógica dos argumentos é mandada às malvas, tal como não existia qualquer hipótese de argumentar com um guerrilheiro semi-analfabeto munido de uma Kalachnikov. Grande parte dos jornalistas atuais são analfabetos funcionais munidos de uma ideologia política.

O relativo sucesso dos novos guerrilheiros marxistas acontece porque as elites plutocratas internacionais (os muito ricos de todo o mundo) concordam com algumas das posições ideológicas revolucionárias: por exemplo, o aborto e o comportamento homossexual, alegadamente entendidas pela plutocracia como formas de redução da população mundial. As famílias numerosas sempre causaram o pânico entre os poderosos. Existe, portanto, uma aliança tácita entre a plutocracia internacional e os novos guerrilheiros marxistas. Em termos práticos e objetivos, e no que diz respeito à cultura antropológica, por exemplo, Bill Gates é aliado de Francisco Louçã.

O que nos resta é a resistência, tal qual existiu a resistência que derrotou o marxista-maoísmo em Moçambique. Uma ideologia política não pode definir a natureza humana, e por isso, os novos guerrilheiros estão condenados ao fracasso; é uma questão de tempo.


[1] A pseudo-informação é a propaganda política realizada através dos meios de comunicação social camuflada por uma interpretação enviesada e/ou parcial dos fatos, ou mesmo, em certos casos, mediante uma narrativa que não corresponde minimamente à realidade dos factos.


[2] A Sub-informação é a censura mitigada — censura parcial — dos fatos, realizada pelos meios de comunicação social, e que tem em vista ocultar a realidade dos factos ao público e à opinião pública.


(*)Orlando Braga edita o blog Perspectivas

segunda-feira, maio 14, 2007

CINCO DIAS SEM A MÍDIA DE SEMPRE - BENTO XVI





Desde que o Papa Bento XVI chegou a São Paulo, o noticiário parou de dar destaques a toda e qualquer bobagem dita pelo presidente. Uns poderão minimizar as falas do Papa, outros poderão dar-lhe um destaque exagerado, mas a verdade é que todos ouviram algo mais inteligente, longe dos pronunciamentos que desviam a atenção para os reais problemas do país. O Papa não foi o "garoto propaganda" que Lulla gostaria que ele fôsse dos seus programas mentirosos. Em Aparecida, Bento XVI citou algo mais sério do que o falido Programa Fome Zero de nítida inspiração publicitária:

..."Penso especialmente naqueles irmãos e irmãs que padecem fome e, por isso, desejo recordar a ‘Marcha contra a fome’ promovida pelo Programa Mundial de Alimentos, organismo das Nações Unidas encarregado da ajuda alimentar», afirmou o Papa. «Esta iniciativa acontece hoje [13 de maio de 2007] em numerosas cidades do mundo, entre as quais Ribeirão Preto, aqui no Brasil"....


Bento XVI deixa claro que as ideologias não corrigiram a justa distribuição de renda:
..."Tanto o capitalismo como o marxismo prometeram encontrar o caminho para a criação de estruturas justas e afirmaram que estas, uma vez estabelecidas, funcionariam por si mesmas. Afirmaram que não só não havia tido a necessidade de uma moralidade individual prévia, mas que também elas fomentariam uma moralidade comum. E estas promessas ideológicas se mostraram falsas”.

Ao marxismo, Bento XVI atribuiu a culpa pela "destruição do espírito humano", enquanto ao capitalismo, atribuiu a responsabilidade de ter aumentado o enorme abismo social existente entre as pessoas, na América Latina, além de uma "inquietante degradação da dignidade pessoal, por meio das drogas, do álcool e de ilusórias formas de prazer".


O Papa Bento XVI se foi, deveria ficar até o final do CELAM, dando declarações todos os dias, sôbre todos os pontos que tratou nos seus pronunciamentos. Pelo menos muitos começariam a refletir sôbre a roubalheira em que o país se meteu por mais quatro anos. Esperemos que os puxões de orelha sirvam para os bispos e sacerdotes de coloração vermelha e para os políticos que dão sustentação aos Vermelhos, à procura das Verdinhas.