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segunda-feira, setembro 03, 2012

A desmoralização da política.


por Marco Antonio Villa


Perdeu sentido, virou reduto de dançarinos. Tem para todos os gostos, até para os que adornam a cabeça com guardanapo


A luta pela democracia marcou o século XX brasileiro. Somente em oito dos cem anos é que não ocorreu nenhum tipo de eleição, de voto popular, para escolher seus representantes. Foi durante a ditadura do Estado Novo (1937-1945). No regime militar as eleições tiveram relativa regularidade, mas sem a possibilidade de o eleitor escolher o presidente da República e, a partir de 1965, dos governadores e dos prefeitos das capitais e das cidades consideradas de segurança nacional. Nas duas décadas do regime militar (1964-1985), a luta em defesa da eleição direta para o Executivo e da liberdade partidária foram importantes instrumentos de mobilização popular.

Com o estabelecimento pleno das liberdades democráticas, após a promulgação da Constituição de 1988, as eleições passaram a ter uma regularidade de dois anos, entre as eleições municipais e as gerais. Deveria ser uma excelente possibilidade para aprofundar o interesse dos cidadãos pela política, melhorar a qualidade do debate e e abrir caminho para uma gestão mais eficaz nas três esferas do Executivo e, no caso do Legislativo, para uma contínua seleção dos representantes populares.
Para um país que sempre teve um Estado forte e uma sociedade civil muito frágil, a periodicidade das eleições poderia ter aberto o caminho para a formação de uma consciência cidadã, que romperia com este verdadeiro carma nacional marcado pelo autoritarismo, algumas vezes visto até como elemento renovador, reformista, frente à ausência de efetiva participação popular.

Desde 1988, está será a décima terceira eleição consecutiva. Portanto, a cada dois anos temos, entre a escolha dos candidatos e a eleição, cerca de seis meses de campanha. Neste período o noticiário é ocupado pelas articulações políticas, designações de candidatos, alianças partidárias, debates e o horário gratuito de propaganda política. Cartazes são espalhados pelas cidades, carros de som divulgam os candidatos (com os indefectíveis jingles) e é construída uma aparência de participação e interesse populares.

Porém, é inegável que a sucessão das eleições tem levado ao desinteresse e apatia dos cidadãos. A escolha bienal de representantes populares tem se transformado em uma obrigação pesada, desagradável e incômoda. Tudo porque o eleitor está com enfado de um processo postiço, de falsa participação. A legislação partidária permite a criação de dezenas de partidos sem que tenham um efetivo enraizamento na sociedade; são agrupamentos para ganhar dinheiro, vendendo apoio a cada eleição. A ausência de um debate ideológico transformou os partidos e os candidatos em uma coisa só. O excesso de postulantes aos cargos não permite uma efetiva comparação. Há uma banalização do discurso. E o sistema de voto proporcional acaba permitindo o aparecimento dos “candidatos cacarecos”, que empobrecem ainda mais as eleições.

A resposta do eleitor é a completa apatia, com certo grau de morbidez. Vota porque tem de votar. Escolhe o prefeito, como agora, pela simpatia pessoal ou por algo mais prosaico; para vereador, vota em qualquer um, afinal, pensa, todos são iguais e a Câmara Municipal não serve para nada. O mesmo raciocínio é extensivo à esfera estadual e nacional. No fundo, para boa parte dos eleitores, as eleições incomodam, mudam a rotina da televisão, poluem visualmente a cidade com os cartazes e ainda tem de ir votar em um domingo.

Para o político tradicional, este é o melhor dos mundos. Descobriu que a política pode ser uma profissão. E muito rendosa. Repete slogans mecanicamente, pouco sabe dos problemas da sua cidade, estado ou do Brasil, a não ser as frases feitas que são repetidas a cada dois anos. O marqueteiro posa de gênio, de especialista de como ganhar (e lucrar) sem fazer muita força. Hoje é o maior defensor das eleições bienais. Afinal, tem muitos funcionários, tem de pagar os fornecedores, etc, etc. Para ele, a democracia acabou virando um tremendo negócio. E é um devoto entusiástico dos gregos, pois se não fosse eles e sua invenção….

Não é acidental, com a desmoralização da política, que estejamos cercados por medíocres, corruptos e farsantes. O espaço da política virou território perigoso. Perigoso para aqueles que desejam utilizá-lo para discutir os problemas e soluções que infernizam a vida do cidadão.

O político de êxito virou um ator (meio canastrão, é verdade). Representa o papel orquestrado pelo marqueteiro (sempre pautado pelas pesquisas qualitativas). Não pensa, não reflete. Repete mecanicamente o que é ditado pelos seus assessores. Está preocupado com a aparência, com o corte de cabelo, com as roupas e o gestual. Nada nele é verdadeiro. Tudo é produto de uma construção. Ele não é mais ele. Ele é outro. É a persona construída para ganhar a eleição. No limite, nem ele sabe mais quem ele é. Passa a acreditar no que diz, mesmo sabendo que tudo aquilo não passa de um discurso vazio, falso. Fica tão encantado com o personagem que esquece quem ele é (ou era, melhor dizendo).
Difícil crer que toda a heroica luta pelo estabelecimento da democracia, do regime das plenas liberdades, fosse redundar neste beco sem saída. Um bom desafio para os pesquisadores seria o de buscar as explicações que levaram a este cenário desolador, em que os derrotados da velha ordem ditatorial se transformaram em vencedores na nova ordem democrática. Enfim, a política perdeu sentido. Virou até reduto de dançarinos.

Tem para todos os gostos, até para os que adornam a cabeça com guardanapo.
Fonte: O Globo, 28/08/2012

segunda-feira, novembro 07, 2011

O NARCOTRÁFICO, O CABRAL, O GOVERNO FEDERAL E OUTRAS BESTEIRAS.




O cinegrafista da TV Bandeirantes Gelson Domingos da Silva, de 46 anos, foi morto na manha de ontem durante operação do Batalhão de Operações Especiais (Bope) na Favela de Antares, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Cerca de 80 homens do Bope e agentes do Batalhão de Polícia de Choque participam da operação contra o tráfico de drogas. Suspeita-se que o cinegrafista tenha filmado o homem que o atingiu.(a notícia aqui)

Foto do cinegrafista Gelson Domingos da Silva, 46, morto neste domingo
durante uma operação do Bope na Favela dos Antares, no Rio de Janeiro

Afinal as decantadas em prosa e verso UPPs servem para que? Quando finalmente vão se conscientizar que o narcotráfico existe porque (incrivel!!) existem consumidores?

Parece tudo orquestrado para que a Associação dos Drogados Anônimos, com ramificações  na USP e os narco-estudantes,  com seus argumentos furados tenha êxito e, finalmente, nossos "bravos" parlamentares nos enfiem goela abaixo a descriminalização das drogas e, candidamente, um governo federal cheio de corrupção, sancione tal aberração.

Gente famosa não falta para, com seus discursos estúpidos, fazer os mais bobos acreditarem que descriminalizando tudo acabe, num passe de mágica.

As mães e pais ficarão felizes tendo um drogado em família? As vítimas de roubos; as que sofreram violência sexual e as que morrem em violentos acidentes de carro, como ficarão?
O roubo dentro da própria casa terminará? Os estupros sumirão das estatísticas?

Afinal quantos envolvidos no tráfico foram julgados e permanecerão cumprindo INTEGRALMENTE a pena? Quantos misteriosamente já saíram das prisões antes de cumpridas as penas?  

segunda-feira, abril 14, 2008

EPIDEMIA DE DENGUE



Será que a epidemia de dengue que assola o Rio de Janeiro se trata de uma manifestação de revolta arquitetada pelo sindicato dos mosquitos Aedes Aegypti com a intenção de revelar claramente a fraqueza, inoperância, falta absoluta de investimentos, falência da gestão, irresponsabilidade, desrespeito a vida humana praticados pelo governo federal, ou, será que se trata de uma clara revelaçao da insatisfação por estarem alijados[mosquitos], portanto, sem participarem ativamente da mamata, da corrupção, do favorecimento, do aparelhamento do Estado, dos milhares de cargos de confiança (de quem?) de gente que nada faz e ganha muito, enfim, da roubalheira, dos cartões corporativos, das ONGs e da orgia com que se gasta o dinheiro público jamais visto em toda a história da República Brasileira? Será que os mosquitos pretendem re-reviver a "Revolução dos Bichos"?

Dr. David Neto
Médico e Jornalista - Ex-Secretário de Saúde e Medicina Preventiva



...E FALANDO EM DENGUE...

No Programa Café com Elle de hoje [14/08], o presimente descobriu, após seis anos de governo, o verdadeiro culpado pela epidemia de dengue - os prefeitos - e, é claro, tirou o fiofó delle e do Temporão bem longe da seringa.

"...nós temos que fazer um chamamento aos prefeitos no combate à dengue, por exemplo. Ou seja, cada prefeito precisa assumir a responsabilidade de cuidar com muito carinho da sua rua, do seu bairro, da sua vila e da sua cidade..."

domingo, março 25, 2007

UMA TRÁGICA MORTE PODERIA TER SIDO EVITADA




UMA TRÁGICA MORTE PODERIA TER SIDO EVITADA


Se o governador Cabral tivesse tido sucesso na sua cruzada pró-legalização das drogas, um herói não teria morrido.


O herói é Robson Roque da Cunha, carinhosamente alcunhado de Caveirinha. Caveirinha revoltado com a má distribuição de renda no país, sequestrou em 1990 o empresário Roberto Medina, mantendo-o "detido" por quinze dias. Caveirinha era um bom pai de família e foi casado com Ana Cristina Pedro Mendonça, outra revoltada com a má distribuição de renda e portanto, corrigia essa anomalia neo-liberal praticando, como seu amado Caveirinha, sequestros. Caveirinha foi preso e estava completamente regenerado, tanto que ganhou indulto de Natal. Talvez por esquecimento Robson não voltou à prisão, mas passou a se dedicar à nobre profissão de distribuidor de produtos fármaco-tóxicos. Na noite de sexta-feira (23), Robson Caveirinha e Toninho Gordo, ambos pertencentes ao Comando Vermelho (ONG que cuida dos direitos dos excluídos presidiários) , foram covardemente mortos pela PM, opressora das minorias, quando apenas se defendiam valentemente de uma blitz (prática proibida pelos Direitos Humanos).

Em protesto, os comerciantes de Copacabana fecharam o comércio em sinal de luto pela perda deste herói Cabralino e os oprimidos moradores dos Morros Chapéu Mangueira e no Pavão-Pavãozinho solidarizaram-se com mais esta irreparável perda.

Se o grandioso e benemérito governador Cabral tivesse sido atendido, liberalizando-se o comércio desses produtos fármaco-tóxicos que apenas e tão sómente trazem euforia e amenizam o estresse dessa vida enfadonha, essas duas mortes poderiam ter sido evitadas.
Imagem (Autin.com.br) - O herói finalmente encontrou a paz.


quarta-feira, fevereiro 28, 2007

PMDB MORREU MAS ESQUECERAM DE ENTERRAR




"Sérgio Cabral (RJ), Marcelo Miranda (TO), Luis Henrique (SC), Roberto Requião (PR) e Eduardo Braga (AM) acreditam que a candidatura de Jobim, também presente ao encontro, representa o entendimento e a modernização do partido".



Veja porque Nelson Jobim é a modernidade -


1 - O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Nelson Jobin, impede a CPI dos Bingos de usar informações obtidas com a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico de Roberto Carlos Kurzweil. O empresário é o dono da locadora de automóveis que cedeu o Omega para transportar as três caixas de bebida que conteriam dólares de Cuba para a campanha de Lula.

2 - O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Nelson Jobim, suspende a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico de Paulo Okamotto, determinada pela CPI dos Bingos. A comissão havia decidido quebrar os sigilos em razão de Okamotto ter dito que pagou do próprio bolso a dívida de Lula junto ao PT, embora jamais tenha apresentado recibos ou documentos bancários que comprovassem o que dizia.

3 - O presidente do Supremo Tribunal Federal Nelson Jobim concedeu cinco liminares para permitir a cobrança previdenciária de inativos no Espírito Santo e em Minas Gerais. Só neste mês de julho, recesso forense do Judiciário, o ministro do STF concedeu outras 25 liminares que favorecem os estados e estabelecem a volta da contribuição dos aposentados e pensionistas. (29/07/2004) .

4 - ....Jobim afirmou: “a aplicação do Código de Defesa do Consumidor [nos serviços bancários]seria um deletério do ponto de vista econômico e social”(22/02/2006).

5 - Quem conta é Sebastião Nery:

Essa história, contada em livro excelente, exemplar – “O Mandarim, Historia da Infância da Unicamp”, do jornalista e escritor Eustáquio Gomes, editado pela Editora da Unicamp, foi relembrada neste fim de semana, aqui no Rio, em um encontro de dirigentes do PMDB, quando alguém perguntou:- O que é que o Nelson Jobim entende de PMDB, para querer ser presidente do partido? Nunca foi do MDB, embora tenha se formado em Direito em 68, quando o MDB já tinha sido criado em 66. Durante 18 anos, ficou fazendo sua advocacia e dando suas aulas lá em Santa Maria, sem tomar conhecimento do MDB e de suas duras lutas enfrentando a ditadura e conquistando a redemocratização. Em 86, entrou no partido para ser candidato à Constituinte. Em 90, reelegeu-se novamente pelo PMDB. Mas, bastou Fernando Henrique se eleger presidente, Jobim pulou fora e foi ser ministro da Justiça do PSDB e, de lá, gratificado com o Supremo Tribunal Federal. De que PMDB o Jobim entende? O que ele entende mesmo é de fraude constitucional.A CONFISSÃOE foi então relembrada e recontada uma história escabrosa, que publiquei aqui no ano passado, com as irrespondíveis provas da denúncia. Em 2003, Jobim, já ministro do Supremo Tribunal, surpreendeu o pais confessando, sem pudor, no programa “Roda Viva” da TV Cultura de São Paulo, que, na Constituinte, como sub-relator da Comissão de Sistematização (Redação Final), sub-repticiamente, sem ninguém perceber, “introduziu um inciso”, um dispositivo, não discutido nem votado nem aprovado pela Constituinte. Era a confissão de uma fraude.Perguntado, interpelado, cobrado pelo Congresso e pela imprensa, Nelson Jobim, negou-se peremptoriamente a revelar, a confessar que “inciso” e que dispositivo, ele contrabandeou para dentro da Constituição. Um crime.


JOBIM poderá ser o novo presidente do PMDB, mas se não conseguir, com certeza terá uma boquinha no novo ministério do Lulla; se e quando isso acontecer. Se Michel Temer continuar na presidência do PMDB, tudo continuará como tem sido desde 2003; um partido esfacelado e cheio de interesses grosseiros.
Imagem-Meramente ilustrativa de um gato, whiskas, apreciadores de whisky e forma correta de portar um saco de valores.