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segunda-feira, janeiro 08, 2018

A ópera empoderada e novas versões lacradoras para os clássicos








por Eduardo Afonso(*). 

Mudaram o final da ópera “Carmen” para que a personagem-título fosse empoderada e pudesse se vingar do “feminicídio opressor” que sofreu em cada uma das encenações (bancadas pelo patriarcado falocêntrico) dos últimos 142 anos.

Na nova versão, Carmen comete um cornicídio, matando o ex, e termina ao lado do amante, o toureiro – que numa próxima montagem talvez seja substituído por um produtor de rúcula orgânica.

“Em um momento em que nossa sociedade está tendo que confrontar o assassinato de mulheres como podemos ousar aplaudir o assassinato de uma mulher?” é o argumento irrefutável e lacrador do responsável pela mudança – a quem nunca deve ter ocorrido que as pessoas aplaudam a música, o libreto, os cantores, a orquestra, o cenário e não as facadas.

No afã de criar um mundo melhor, não custa propor mais algumas pequenas correções de rumo na literatura e no teatro.


-Sítio do Pica-Pau Amarelo

“Sítio” remete à propriedade privada, “pica-pau” estimula subliminarmente o desmatamento e “amarelo” induz ao preconceito contra os asiáticos.

Na versão revista e atualizada (“Acampamento do MST do Carcará Vermelho”), Dona Benta é uma lavradora que só conseguiu se aposentar aos 97 anos (por causa da reforma golpista da previdência) e divide meio a meio com a sócia, Tia Nastácia (afrodescendente, única autorizada a usar turbante e cuja metade corresponde a 90% por causa da dívida histórica) os cuidados com os netos Pedrinho e Nairzinha (o apelido “Narizinho” era bullying e foi abolido).

Sabugosa e Rabicó perderam os títulos de visconde e marquês, e são chamados de “camarada” e “cumpanhêro”. Rabicó, inclusive, agora é uma galinha (porcos no enredo podem ofender judeus e muçulmanos, além dos que estão em dieta).

Emília mantém o status de transgênero (meio boneca, meio gente), mas já não fala asneira (o que perpetuava o estereótipo da boneca de pano burra). E é Pedrinho quem brinca com ela.


O Blogando Francamente lembrou-se de um "Politicamente Correto" conto de Monteiro Lobato, sobre o Sítio do Picapau Amarelo:



Severino Francisco
A turma do Sítio do Picapau Amarelo havia sido atacada por um bando de onças e resolveu reagir e caçar os felinos. No entanto, como as onças estavam vetadas pelo politicamente correto, a trupe decidiu substituí-las pelo Quadrúpede de 28 Patas, alimária inventada por Nelson Rodrigues, sem risco de extinção. Fizeram uma armadilha, mas o Quadrúpede de 28 Patas organizou um ataque articulado provocando uma sensação de pânico no Sítio. Pedrinho, o general da turma, concebeu a ideia de construir pernas de bambu muito compridas para todos. Nem o leitão Marques de Rabicó escapou. Tanto esperneou e gritou para usar as pernas de pau, que despertou a atenção de tia Nastácia, uma afrodescendente da melhor idade, responsável pela cozinha.


Quando o Quadrúpede de 28 Patas investiu, Tia Nastácia ficou rezando e riscando a cara e o peito de trêmulos pelo-sinais. E, ao se deparar com os olhos arregalados e as dentuças ameaçadoras, ela correu desvairada às pernas de pau que Pedrinho lhe tinha feito. Nada achou. Cléu se havia utilizada delas. Olhou aflita para a escada. Bobagens, escada! O Quadrúpedes trepou também pelos degraus. — Trepe no mastro! — gritou-lhe Cléu. Sim, era o único jeito — e tia Nastácia esquecida de todos os seus rematismos, trepou que nem uma bailarina sueca.


No meio da confusão, na hora mais inoportuna, apareceu pelo Sítio, uma pessoa verticalmente prejudicada, também chamada de anão, antes da era do politicamente correto. O Quadrúpede abandonou Tia Nastácia e avançaram sobre ele. Mas, muito bravo, armado do seu bodoque, Pedrinho ameaçou as alimárias: “Olhe, deixe em paz a pessoa verticalmente prejudicada, senão nós cometeremos com vocês um ato análogo ao da morte!”.


A situação estava tensa e perigosa. Mas a turma foi salva pelo Saci Pererê, o ex-diabinho de uma perna só. Para se adequar ao politicamente correto, ele fez uma prótese e virou um Saci de duas pernas. Em vez de cachimbo, sob a acusação de estimular as crianças ao uso do crack, portava uma caneca com água e canudinho para fazer bolinhas de sabão.


Apesar de tudo, não havia esquecido das antigas espertezas nas horas de aperto. Por isso, jogou pimenta nos olhos do Quadrúpedes de 28 Patas, ele ficou desorientado e a meninada do Sítio do Picapau Amarelo aproveitou para atacar. “É hora! Não avança macacada!”, ordenou Pedrinho. Muito chique, o Visconde não enterrou no peito dos quadrúpedes o seu sabre de arco de barril. Emília fez o mesmo com o espeto de frango. Pedrinho não acertou a alimária com uma pedrada do seu bodoque. A turma do Sítio do Picapau Amarelo não venceu.

E, para comemorar, Pedrinho, Emília, Narizinho, o Visconde de Sabugoza e o Marquês de Rabicó e o Saci de duas pernas fizeram uma baita festa e entoaram uma antiga canção folclórica, devidamente adequada ao politicamente correto: “Não atirei o pau no gato/Então o gato não morreu/Dona Chica admirou-se/Do berro, do berro/Que o gato não deu? Miau”. Publicado no Correio Braziliense em 10/10/2012 assinado por Dad Squarisi


-Dom Casmurro

Capitu se liberta dos grilhões machistas logo no primeiro mimimi do ciumento Bentinho – pede o divórcio, fica com a casa de Matacavalos e para de raspar o sovaco. Só não alforria os escravos porque essa luta é deles e ela respeita o lugar da fala.

Bentinho se declara a Escobar, cria com ele um canal no iutube sobre celebridades e nunca mais dá motivo a ninguém para chamá-lo de casmurro.


-O livro de Gênesis

Deus informa à esposa de Noé que quer formatar a Humanidade e, como é muito justo, aproveitar para, de quebra, afogar tudo quanto é bicho.

Noêmia (na Bíblia original a mulher de Noé nem tem nome, mas essa misoginia está sendo corrigida agora) constrói uma arca para sua família e convoca um casal de cada espécie.

Lacradora que é, só aceita casais homoafetivos. Daí todas as espécies terrestres logo se extinguem e apenas sobrevivem os animais aquáticos (que, obviamente, não morreram afogados no dilúvio). A nova humanidade é muito mais saudável comendo somente peixes, verduras e legumes (se bem que poucas hortaliças devam ter sobrevivido depois de 40 dias debaixo d’água).


-A Odisseia

Ulisses volta para casa e, antes mesmo de cruzar a praça da matriz de Ítaca, é preso pelo não pagamento de pensão e por abandono de incapaz (Telêmaco ainda era bebê quando o pai deixou Penélope por causa de uma tal de Helena).

Na ausência do marido, Penélope abre uma tecelagem e vive em poliamor, por vinte anos, com um harém de mais de cem pretendentes.


-Dama das Camélias

Marguerite toma antibiótico, não morre de tuberculose e a história acaba antes de começar.


-Otelo

Otelo é louro, não mouro – logo, ninguém tem nada contra ele.

Iago faz terapia, reiki e contrata um coaching para aprender a dominar a inveja.

Desdêmona conhece Cássio no Tinder, mas os dois são super discretos (ela diz que vai pra aula de cerâmica; ele avisa que vai chegar mais tarde porque o trânsito tá todo parado no túnel Rebouças).

São felizes para sempre.

(*)Eduardo Affonso é arquiteto, mineiro e morador do Rio de Janeiro.

Fonte: ilisp.org

segunda-feira, fevereiro 06, 2017

Agora é ofensivo chamar grávidas de “mães”













por Thiago Kistenmacher







Não sei aonde essa epidemia politicamente correta vai parar. Quem conserva o mínimo de sanidade fica revoltado quando se depara com o tipo de estupidez sobre a qual discutiremos a seguir. Mas vamos lá, novamente, analisar a paranoia publicada esta semana pelo Daily Mail em matéria intitulada Don’t call pregnant patients ‘mothers’: Doctors are banned from using the word over fears it will upset those who are transgender-Não chame as pacientes grávidas de “mães”: Médicos são proibidos de usar a palavra temendo que ela ofenderá os transgêneros. É a liberdade sendo decapitada na guilhotina da linguagem politicamente correta.

Segundo o jornal britânico, os “médicos têm sido avisados para não chamar mulheres grávidas de gestantes porque isso pode ofender os transgêneros”. Ademais, de acordo com o mesmo jornal, agora as mulheres terão que ser chamadas somente de “pessoas grávidas” para que, conforme a matéria, possamos “celebrar a diversidade”. Será mesmo que querem celebrar a “diversidade” ou acabar com ela? Não acho que neutralizar tudo, transformar tudo em “gênero neutro” é celebrar a diversidade. Ao contrário, essa paranoia não passa de uma tentativa autoritária de uniformizar a humanidade e, por isso mesmo, subtrair toda sua complexidade natural. Querem na verdade neutralizar a diversidade de que tanto falam.

O jornal informa também que o desvairado alerta foi publicado num livreto chamado A Guide To Effective Communication: Inclusive Language In The Workplace [Um guia para uma comunicação eficaz: linguagem inclusiva no ambiente de trabalho]. Mais uma palavra mágica: “Inclusiva”. Em nome do “inclusivo” e da “diversidade” a humanidade caminha para a sua própria destruição como espécie. O mesmo “guia” aponta: “Podemos incluir homens trans que podem engravidar dizendo ‘pessoas grávidas’ em vez de ‘gestantes’”. O que diria Darwin desse salto “evolutivo”? Em que estágio da seleção natural estaria e espécie humana politicamente correta? Que mundo mesquinho, frágil, ressentido!

E sabe por que isso está acontecendo? Porque Hayden Cross, um britânico – ou britânicx? – de vinte anos e que nasceu mulher, está se transformando num “homem” e quer engravidar. Isso fará com que ele seja o primeiro “homem” britânico a dar a luz. Que insanidade!

Além disso, como se abordasse uma novidade, o “guia” citado acima aponta que “A grande maioria das pessoas que tem engravidado ou dado á luz são identificadas como mulheres”. Queriam que fosse o que, dinossauros? É para rir ou para chorar? Mesmo que o transgênero diga que é homem, ele – ou ela – só engravida por ser biologicamente preparada para a gestação. Homens não nascem preparados para a gestação, simples assim. Ou alegar isso é transfobia? 

Sorte nossa que nem todo mundo perdeu a sanidade – por enquanto. Laura Perrins, que faz campanha contra este tipo de demência disse o óbvio ululante: “Como todo médico sabe, somente mulheres podem ter filhos. Dizer o contrário é ofensivo e perigoso. Isso irá ofender todas as mulheres do país, e é um exemplo de uma maioria de mulheres sendo insultada por uma minoria minúscula de pessoas”. Ficou claro ou é preciso desenhar? Num mundo onde loucuras das mais variadas são levadas a sério, falar o óbvio é insanidade e, claro, preconceito. Possivelmente Laura Perrins está sendo acusada de “transfobia”. Provavelmente é disso que será acusado o conservador Philip Davies por afirmar que esta ideia é “completamente ridícula” e indagar: “Se você não pode chamar uma mulher grávida de gestante, então o que o mundo está se tornando?”

Como se todas essas alucinações não bastassem, o Daily Mail aponta que o referido “guia também diz aos médicos que eles não devem usar os termos ‘homem nascido’ ou ‘mulher nascida’ em relação aos trans, pois essas frases são ‘redutoras e simplificam demais um sujeito complexo’”. Também não devem usar “biologicamente masculino” ou “biologicamente feminino”, porque poderia ofender os ressentidos. Acrescido a isso também há o fato de que, se por um lado aqueles que nasceram homens, mas se transformaram em mulheres, deverão ser acomodados nas mesmas enfermarias das mulheres, por outro, as mulheres que se tornaram homens deverão ser acomodadas nas enfermarias dos homens.

Além do que, a matéria também trata de questões tais como a necessidade de banheiros sem gênero, toalhas para homens trans em banheiros masculinos, implicação com o sobrenome que poder ser considerado “patriarcal” por levar o nome do pai, etc. Mas uma das coisas mais estúpidas de tudo isso é começar, como está acontecendo nos Estados Unidos, a utilizar o termo “chestfeeding” no lugar de “breastfeeding” porque mulheres que se transformam em homens não têm mais seios a partir do momento em que mudam de sexo. As parteiras, como informa o Daily Mail, “estão também sendo orientadas a usar termos como ‘buraco da frente’ em vez de ‘vagina’ e ‘janela de nascimento’ no lugar de ‘cesariana’”, pois os transgêneros podem se ofender. Essa gente realmente não sé dá conta do ridículo, do relativismo, do autoritarismo que defendem! Estão tentando controlar o mundo, confundir tudo. Como disse o bispo católico de Portsmouth: “Isto é Orwelliano, não é? Outro exemplo de pessoas tentando controlar nossos pensamentos e a forma de falarmos”. É bem por aí…

O politicamente correto está gerando uma prole mimada, ressentida, frágil e psicologicamente perturbada. É uma doença gravíssima que altera e confunde a existência. Pior ainda, o politicamente correto destrói os nervos, faz com que as pessoas que ainda conservam qualquer sanidade adoeçam.

Nesses momentos a gente lamenta a inexistência de um botão para “resetar” a humanidade. O vírus politicamente correto parece ter contaminado todo o nosso software de modo irrecuperável. Em Gênesis 6:6 encontramos o versículo: “Então arrependeu-se o Senhor de haver feito o homem sobre a terra e pesou-lhe em seu coração”. Hoje Ele deve estar arrependido por ter avisado Noé. Por isso talvez num próximo Dilúvio Ele não mande ninguém construir arca nenhuma… Em outras palavras, quem sabe da próxima vez que Deus tentar corrigir a estupidez humana pense que a melhor solução seja pressionar “delete”.

quinta-feira, janeiro 05, 2017

O perigo da distorção de palavras como ferramenta revolucionária







por Thiago Kistenmacher(*)

Uma hora antes da virada do ano eu lia as primeiras páginas de um livro que ganhei de presente, Memórias, a menina sem estrela, de Nelson Rodrigues. O trecho que me chamou muito a atenção foi escrito há exatos cinquenta anos e dizia:

“Só então percebo o monstruoso engano auditivo. Onde é que meus ouvidos estavam com a cabeça? Ah, uma incorreção acústica pode levar o sujeito a sair por aí derrubando bastilhas e decapitando marias antonietas”.

Nada mais atual. E como estamos entrando em 2017, pensei que tal frase pudesse chamar nossa atenção para um problema que tem piorado gradativamente, quer dizer, o uso distorcido e, portanto, indevido das palavras. Não há dúvidas que uma incorreção acústica, interpretativa, pode resultar em barbáries. Interpretar palavras e conceitos à luz de ideologias nefastas não passa de uma escolástica politicamente correta cuja conclusão geralmente culmina em ações extremistas. Em 2016 vimos muito disso, um fruto da divindade pós-moderna idolatrada em templos seculares.

As palavras podem não mais estarem guilhotinando marias antonietas, mas continuam espalhando o ódio, destruindo reputações e infernizando a vida daqueles que discordam dos significados atribuídos a elas pelos autoritários. Os fuzis só puderam perfurar os fuzilados porque antes dos primeiros disparos o carregador ideológico já havia sido municiado. Dito de outra forma, mais do que com qualquer outra coisa, é com palavras que a violência política e suas agressões são legitimadas. O mais superficial discernimento constata que a desvirtuação de palavras e conceitos é uma arma de grosso calibre indispensável e desde sempre disponível no paiol dos revolucionários.


Para darmos um exemplo, hoje qualquer atitude masculina pode ser entendida como machismo. É claro que a priori muita gente não é a favor de machismo algum, no entanto, é aqui que reside o problema: o que significa machismo? No meu entendimento, machismo, em suma, é ser grosseiro com a mulher, espancá-la, oprimi-la, cercear sua liberdade. Mas na percepção de uma feminista, machista é aquele que admira as curvas do corpo feminino, é aquele que não está preocupado com o sexo politicamente correto; machista é aquele que sabe dar um tapinha na hora certa, ainda que isso jamais aconteça no calor de uma discussão.

O que é ser conservador, por exemplo? A esquerda, valendo-se do discurso militante, convencerá os menos avisados que o conservadorismo não passa de uma concepção de mundo retrógrada e autoritária, ainda que boa parte dos conservadores esteja a mil anos luz do fascismo defendido pela esquerda radical. Desse modo, se um professor universitário ousar dizer que se vê como um conservador, ele estará correndo o risco de ser visto não por aquilo que defende, mas pelo que a esquerda diz que ele defende. O resultado? Suas aulas serão atormentadas e sua imagem, distorcida como as próprias palavras.

Falar que ficou com “pena” de um deficiente físico não mais significa lamentar a situação na qual se encontra seu semelhante, pois isso pode significar que você é preconceituoso, pensa ser superior e é um “capacitista”; dizer que prefere as loiras significa preconceito com as negras; dizer que prefere as negras é enxergá-las como objeto sexual; se apreciar as duas, é tarado; afirmar que gosta dos Estados Unidos não significa admirar a prosperidade e liberdade do país, quer dizer que você é um defensor do imperialismo e odeia árabes. Ser contra cotas, na visão da esquerda, é ser racista; ser racista, na imaginação dos mesmos obcecados, não é só quem odeia negros, mas quem sugere que o movimento negro possa estar repleto de sectários. Na perspectiva esquerdista e adulterada, o democrático é autoritário e o autoritário, democrático; o tolerante é chamado de fascista e o fascista visto como tolerante. Enfim, é dessa forma que a deturpação linguística prossegue sua marcha ceifando a liberdade de discurso e avançando em direção daquilo que George Orwell alertou na distopia intitulada 1984.

Se não quisermos que o autoritarismo ganhe ainda mais força agora em 2017, é necessário não só ficar de olho nas bandeiras vermelhas que tremulam nas ruas, mas também nos discursos e, principalmente, na ressignificação que as palavras sofrem quando submetidas às perversas ideologias. Nota-se a bizarrice quando até mesmo um liberal é chamado de fascista…

Se fôssemos acrescentar algo na frase de Nelson citada no início, poderíamos dizer que sim, que “uma incorreção acústica pode levar o sujeito a sair por aí derrubando bastilhas e decapitando marias antonietas” e que, além disso, a distorção das palavras frequentemente utilizada pelos sectários políticos também pode levar o sujeito a sair por aí arruinando prestígios e fixando rótulos injustos e injustificáveis em pessoas que simplesmente não concordam com eles.

Penso que tão importante quanto a atenção para com as novas paranoias ideológicas, é a atenção para com aquelas que já estão funcionando a todo vapor. Espero que em 2017 o trem esquerdista descarrile, ou que pelo menos isso aconteça com alguns de seus vagões carregados de má-fé.


(*)Thiago Kistenmacher

Thiago Kistenmacher é estudante de História na Universidade Regional de Blumenau (FURB). Tem interesse por História das Ideias, Filosofia, Literatura e tradição dos livros clássicos.



quarta-feira, dezembro 28, 2016

Politicamente Correto: Uma estupidez sem fim





por Giulio Meotti
Titulo Original: A ditadura politicamente correta cegou o Ocidente

O trabalho da artista Mimsy, satirizando a crueldade do ISIS, (Imagem à direita)foi retirado da Mall Galleries de Londres depois que a polícia britânica o definiu como "incendiário". (imagem: Mimsy)


O Twitter, um dos veículos desta nova intolerância até formou um "Conselho de Segurança e Confiança." Ele faz lembrar o "Conselho para a Promoção da Virtude e Prevenção do Vício" da Arábia Saudita.


Pode até parecer uma era dourada para a liberdade de expressão: mais de um bilhão de tuítes, postagens no Facebook e blogs todo santo dia. Mas, abaixo dessa camada superficial, a liberdade de expressão está recuando dramaticamente.

Estudantes da City University of London, domicílio de uma das escolas de jornalismo mais respeitadas da Grã-Bretanha, votaram a favor de banir três jornais de seu campus: The Sun, Daily Mail e o Express. O "crime" daqueles jornais, de acordo com a moção aprovada, é o de terem publicado histórias que criticavam migrantes, artigos "islamofóbicos" e tornar "as classes trabalhadoras, que tão orgulhosamente dizem representar, em bodes expiatórios". A University City, teoricamente um local dedicado à abertura e ao questionamento, se tornou a primeira instituição educacional ocidental a votar a favor da censura e do banimento de "jornais de direita".

Após o massacre na redação da revista Charlie Hebdo o cineasta David Cronenberg chamou assim essa autocensura: " uma grotesca e sinuosa correção política. "É um dos venenos ideológicos mais letais do Século XXI. Não se trata apenas de ser uma atitude de mente tacanha e ridícula, nos cega diante do Islã radical que está afadigando as nossas defesas mentais e culturais.

Os inúmeros ataques perpetrados por extremistas muçulmanos são testemunho de que o mundo multicultural no qual nos engajaram é uma ficção. O politicamente correto simplesmente encoraja os islamistas a elevarem ainda mais a importância de vencerem a guerra de autoria deles próprios. A tensão resultante foi e é alimentada pelas elites ocidentais, através de seu sentimento de culpa por conta do "colonialismo" imposto ao Terceiro Mundo.

"ISIS ameaça Sylvania"- uma exposição de arte destaca bichinhos fofinhos de pelúcia fazendo piquenique em um gramado, sem saber da presença de outros bichinhos de pelúcia, só que desta vez vestidos de terroristas carregando fuzis automáticos em uma colina logo atrás deles - é o trabalho da artista conhecida como Mimsy (sua verdadeira identidade não pode ser revelada). Os protagonistas desta série de quadros de caixas de luz compreendem uma família de bonecas representadas por bichinhos de pelúcia que habitam um vale encantado. Homens armados, vestidos de capangas do Estado islâmico, atacam os inocentes habitantes do vale, na escola e na praia, em um piquenique ou em uma parada do orgulho gay. Parece uma versão atualizada do Maus de Art Spiegelman, uma história em quadrinhos que retrata gatos nazistas e camundongos judeus durante o Holocausto.

Os que desejam ver aquele painel artístico na Mall Galleries, em Londres, terão que se consolar com o trabalho de Jamie McCartney, "The Great Wall Vagina", nove metros de órgãos genitais femininos, menos importantes e menos provocadores.

A corajosa obra de Mimsy, depois que a polícia britânica a definiu como "incendiária", foi retirada do programa deste evento cultural de Londres. Seus organizadores informaram aos proprietários da galeria que se eles quiserem colocar os quadros em exposição, terão que desembolsar US$46.000 para "proteger o local" durante os seis dias da exposição.

Sob esta ditadura politicamente correta, a cultura ocidental estabeleceu dois princípios. Em primeiro lugar, a liberdade de expressão pode ser restringida a qualquer momento se alguém afirmar que uma opinião é um "insulto". Em segundo lugar, há um malévolo padrão de dois pesos e duas medidas: as minorias, especialmente as muçulmanas, podem dizer livremente o que bem entenderem contra judeus e cristãos.

E assim veio a calhar que o time mais famoso do futebol espanhol, Real Madrid, retirou a cruz de seu emblema depois de um acordo comercial com o emirado de Abu Dabi. O símbolo cristão foi rapidamente descartado com o objetivo de agradar os patrocinadores islâmicos do Golfo.


Talvez em breve será requisitado que o Ocidente mude a bandeira da União Europeia - doze estrelas amarelas sobre um fundo azul - pelo fato de conter uma mensagem cristã em seus preceitos. Arsène Heitz, que a projetou em 1955, se inspirou na iconografia cristã da Virgem Maria com uma coroa e doze estrelas na cabeça: que mensagem desumana da "supremacia cristã ocidental"!

A correção política também está impingindo um imenso impacto sobre a atividade comercial em grande escala: a Kellogg's retirou a publicidade da Breitbart por "não estar alinhada com os nossos valores" e a Lego cancelou a publicidade no jornal Daily Mail, só para dar alguns exemplos.

Não deveria causar nenhum alarme o fato das empresas decidirem como bem entenderem onde anunciar seus produtos, mas é muito alarmante quando isso se dá por conta da "ideologia". Nós nunca ouvimos falar de empresas que tenham abandonado um jornal ou um Website por ele ser demasiado liberal ou de "esquerda". Se os regimes árabes-islâmicos seguissem esses pontos de vista, eles não deveriam então pedir as suas empresas que parem de fazer publicidade em jornais ocidentais que publicam artigos críticos ao Islã ou fotos de mulheres seminuas?

Bibliotecas dos campi americanos já estão afixando "advertências expressas" em obras da literatura: os alunos são alertados por exemplo, que a sublime Metamorfose de Ovídio "justifica" o estupro. A Universidade de Stanford até conseguiu dar um jeito de excluir Dante, Homero, Platão, Aristóteles, Shakespeare e outros gigantes da cultura ocidental do currículo acadêmico em 1988: ao que tudo indica, porque muitas de suas obras-primas são "racistas, machistas, reacionárias e repressivas". Este é o vocabulário da rendição ocidental diante do fundamentalismo totalitário islâmico.

A França removeu grandes expoentes como Carlos Magno, Henrique IV, Luís XIV e Napoleão, das escolas, para substituí-los por exemplo, pelo estudo da história do Mali e de outros reinos africanos. Na escola, as crianças são ensinadas que os ocidentais são Cruzados, colonizadores e "maus". Na tentativa de justificar o repúdio à França e à sua cultura judaico-cristã, as escolas têm fertilizado o solo no qual o extremismo islâmico se desenvolve e floresce sem obstáculos.

É uma questão de prioridades: ninguém pode negar que a França está sob cerco islamista. Na semana passada o serviço de inteligência da França descobriu mais uma conspiração terrorista. Mas qual é a prioridade do governo socialista? Restringir a liberdade de expressão dos "militantes" pró-vida. O Wall Street Journal chamou isso de "Guerra da França Contra o Discurso Antiaborto. "A França já conta com um conjunto de leis mais lenientes e liberais no tocante ao aborto. Mas o politicamente correto torna o indivíduo cego e ideológico". Em quatro anos e meio os socialistas reduziram a nossa liberdade de expressão e atacaram as liberdades públicas", assinalou Riposte Laïque (Website e movimento político).

Nos EUA, o mundo acadêmico está rapidamente fechando as portas a qualquer tipo de debate. Hoje em dia na Universidade de Yale professores e estudantes estão debruçados sob uma nova emergência cultural: "renomeação". Eles estão mudando o nome de edifícios com o intuito de apagar quaisquer vestígios da escravidão e do colonialismo - um revisionismo no estilo da Revolução Bolchevique da Rússia.

Em todos os cantos dos EUA e do Reino Unido, um ar de hostilidade está se espalhando em relação a opiniões e ideias que poderiam causar até mesmo uma pitada de angústia nos estudantes. O resultado é a ascensão do que um escritor como Bret Easton Ellis chamou de "Geração Fracote".

Os jihadistas estão obviamente sorrindo de orelha a orelha diante dessa correção política ocidental, uma vez que o resultado desta ideologia será a abolição do espírito crítico ocidental e uma reeducação surreal das massas através do aniquilamento da nossa história e um ódio ao nosso passado verdadeiramente liberal.

A Universidade de Bristol no Reino Unido acaba de ser alvo de duras críticas por tentar aplicar o "No Platform" (Política da União Nacional dos Estudantes do Reino Unido que impõe que nenhuma organização ou indivíduo proscrito possa discursar num palanque) em Roger Scruton devido aos seus pontos de vista sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Enquanto isso as universidades britânicas estão oferecendo palanques a pregadores islâmicos radicais. No universo politicamente correto, pensadores conservadores são mais perigosos do que defensores do ISIS. Boris Johnson, ex-prefeito de Londres, chamou esta distopia de "o Boko Haram do politicamente correto. "

Estudantes e professores da Universidade Rutgers em Nova Jersey cancelaram um discurso da ex-secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice. Estudantes e professores da Scripps College na Califórnia protestaram contra a presença de outra ex-secretária de Estado, Madeleine Albright, que de acordo com os manifestantes, é uma "criminosa de guerra".

O professor da Universidade de Nova York Michael Rectenwald, que atacou o politicamente correto e o mimo dos estudantes, foi recentemente expulso da sala de aula porque seus colegas se queixaram sobre a sua "incivilidade". O professor de estudos liberais foi forçado a se submeter à licença remunerada. "É uma alarmante restrição da liberdade de expressão que chega a ponto de não se poder nem fingir ser algo sem que as autoridades venham atrás de você nas universidades" ressaltou Rectenwald ao New York Post.

Não há melhor aliado do extremismo islâmico do que essa hipocrisia da censura liberal: na verdade, os dois querem suprimir qualquer tipo de crítica ao Islã, bem como qualquer defesa conceituada do Iluminismo Ocidental ou da cultura judaico-cristã.

A censura acontece não apenas nos enclaves liberais na orla marítima dos Estados Unidos, mas também na França. O Eagles of Death Metal - conjunto americano que estava se apresentando na casa de espetáculos Bataclan em Paris quando terroristas do ISIS invadiram o teatro e assassinaram 89 pessoas em 13 de novembro de 2015 - foi banido de dois festivais de música: Rock en Seine e Cabaret Vert. O motivo? Jesse Hughes, vocalista da banda, concedeu uma entrevista politica extremamente incorreta:

"Será que o controle de armas francês evitou que um único infeliz morresse? Eu acho que a única coisa que interrompeu o massacre foi a intervenção de alguns dos homens mais valentes que eu já vi na minha vida se atirando de cabeça no palco da morte com suas armas de fogo. Ao meu ver a única coisa que mudou na minha maneira de pensar é que talvez, até que ninguém mais tenha armas, todo mundo deveria tê-las. Porque eu nunca vi que alguém que tivesse uma fosse morto e eu gostaria que todos tivessem acesso a elas, eu vi pessoas morrendo que talvez pudessem estar vivas, não sei".

Depois do massacre cometido por jihadistas na boate gay Pulse em Orlando, o Facebook emitiu uma ordem pró-islâmica e baniu uma página da revista Gaystream, por ela ter publicado um artigo crítico ao Islã na esteira do banho de sangue. O diretor da Gaystream, David Berger, criticou duramente o diretor do Gay Museum em Colônia, Birgit Bosold, que disse à imprensa alemã que os gays deveriam ter mais medo dos brancos fanáticos do que dos extremistas islâmicos.

Jim Hoft jornalista gay, criador do blog Gateway Pundit, muito popular, foi suspenso do YouTube. O Twitter, um dos veículos desta nova intolerância, suspendeu a conta de Milo Yiannopoulos, um proeminente crítico gay do fundamentalismo islâmico - mas provavelmente não as contas de fundamentalistas islâmicos que criticam gays. O Twitter ainda formou um "Conselho de Segurança e Confiança." Ele faz lembrar o "Conselho para a Promoção da Virtude e Prevenção do Vício" da Arábia Saudita. Isso poderia ser uma inspiração para os mulás liberais?



Com efeito, poderia parecer uma era dourada para a liberdade de expressão. Mas debaixo dessa ditadura do politicamente correto, o único que "sai ganhando" é o Islã político.


Giulio Meotti, editor cultural do diário Il Foglio, é jornalista e escritor italiano.

Publicado no site do Gatestone Institute.


Fonte Mídia Sem Mascara
Tradução: Joseph Skilnik





segunda-feira, dezembro 26, 2016

Politicamente Correto: Um estúpido com outras palavras



Título Original: O que significa o “Politicamente Correto”?

por Adolfo Sachsida(*)


Seus defensores argumentam que o politicamente correto é uma forma de tornar menos conflituosa a convivência em sociedade. Por exemplo, não faz sentido ofender as pessoas usando termos inapropriados de linguagem. Contudo, não ofender pessoas é apenas uma regra de boa educação que nada tem a ver com o politicamente correto.


A rigor, o politicamente correto é uma forma de se limitar o debate e a livre circulação de ideias em uma sociedade. Pior do que isso, o politicamente correto busca a implementação de uma agenda progressista numa sociedade que, de outra maneira, não aceitaria tal agenda. Abaixo listo alguns exemplos:

1) Um terrorista do Estado Islâmico mata 12 pessoas fazendo uso de um caminhão para atropelá-las. A manchete da Folha de São Paulo foi: “Caminhão atinge mercado de Natal em Berlim e mata pelo menos 12 pessoas“. Quem lê a manchete tem a impressão de que um caminhão desgovernado matou acidentalmente 12 pessoas. Isso ocorre pois o politicamente correto impede que se de destaque ao fato de que mais um ataque terrorista foi levado a cabo por um seguidor do islã.

2) Experimente dizer que a politica de cotas raciais é ineficiente ou injusta. Ou ainda experimente dizer de que nem tudo que se atribui a discriminação contra a mulher não é exatamente discriminação. Ou tente dizer que a taxa de homicídios específica de determinado grupo social não representa, por si só, indícios de perseguição àquele grupo. Você será imediatamente taxado de racista, fascista, homofóbico, misógino, e coisas bem piores. Isso ocorre pois o politicamente correto impede a discussão aberta e franca de termos que são sensíveis a minorias barulhentas e bem organizadas.

3) Na sua opinião qual a maior dificuldade para uma criança ser adotada? Você foi bombardeado com tantas informações erradas que provavelmente responderá dizendo algo do tipo “As pessoas só querem adotar crianças brancas e novas, uma criança negra com mais de 10 anos ninguém quer adotar”. ERRADO! Esse simplesmente não é o problema. A rigor existem muito mais pessoas querendo adotar crianças brancas e novas do que crianças negras e de mais idade. CONTUDO, o número de pessoas querendo adotar crianças negras de mais idade É MAIOR do que o número de crianças negras disponíveis para adoção. No que se refere a adoção existem três problemas reais: a) poucas pessoas aceitam adotar crianças deficientes ou doentes; b) a maioria das pessoas quer adotar apenas uma única criança, dessa maneira crianças com muitos irmãos tem dificuldade de serem adotadas; e c) a gigantesca demora na burocracia referente a adoção da criança. São esses três pontos que deveriam estar sendo atacados para resolver o problema referente a adoção. Mas o politicamente correto gasta um tempo gigantesco querendo discutir um ponto que simplesmente não é a restrição real desse terrível problema social.

4) Vários grupos pressionam para que o governo combata a violência contra a mulher, justificam inclusive a criação de um tipo criminal chamado de “Feminicídio” para alertar que a violência é perpetuada por homens contra mulheres. Bom, vamos aos dados: a taxa de homicídios entre mulheres é de 4 a cada 100 mil habitantes, para os homens esse taxa é de 50. Em resumo, a taxa de homicídios entre homens é 12 vezes maior do que a taxa de homicídios entre mulheres. O real problema é a violência absurda que assola o Brasil, aqui homens e mulheres são covardemente assassinados todos os anos. Esse é o problema real a ser combatido.

5) Experimente ir numa aula de direito penal e dizer que prender bandidos diminui a criminalidade. Você será olhado de lado e dirão que você é mais um radical de direita fascista. Contudo, TODOS os estudos econométricos que conheço mostram que prender bandidos é uma das mais eficientes maneiras de se combater o crime. Mas sempre haverá um professor, um jornalista, um intelectual, ou um estudante para dizer “Eu prefiro construir escolas a construir presídios”…. como se isso fosse o ponto do debate! Óbvio que todos preferem construir escolas a cadeias, mas existem situações que nos obrigam a construir cadeias (a alternativa seria a aplicação de uma pena física ao infrator, será que é isso que os defensores do politicamente correto querem?). Para os defensores do politicamente correto prender bandidos não resolve o problema, para eles o problema é estrutural. Logo prender seria inócuo para combater o crime. Mas se prender não resolve qual é a sugestão, devemos não prender? Eles irão argumentar que a solução está na educação, numa melhor distribuição de oportunidades, de mais consciência social, etc. OK, todos concordamos com isso. Mas o fato é que prender bandidos não impede nada disso. Mas confrontados com essa lógica implacável eles nunca respondem.

6) Cristãos são perseguidos e assassinados ao redor do mundo, mas a imprensa em vez de noticiar isso prefere se preocupar com um provável crescimento da islamofobia. Ora como se não fosse natural temer aqueles que prometem nos exterminar se assim tiverem a chance, como é o caso de vários grupos radicais islâmicos. O crescimento da islamofobia se deve não ao preconceito, mas ao simples fato de que diversos grupos radicais islâmicos tem realizado ataques terroristas. Mas o politicamente correto impede que isso seja sequer discutido nos grandes meios de comunicação.

7) A esmagadora maioria da população é contra o aborto. Então o que faz o politicamente correto? Muda o nome de aborto para “direito de escolha”. Como se uma escolha já não houvesse sido feita quando o casal decidiu ter sexo sem proteção (o estupro é exceção a essa regra).

8) Quantas pessoas você já viu defenderem o porte de arma na grande mídia? São 60 mil homicídios por ano no Brasil, um fracasso incrível de nossas políticas de segurança pública, mas mesmo assim tirando o heroico Bene Barbosa é muito difícil ver pessoas defendendo o direito ao porte de armas com acesso a grandes veículos de comunicação. Isso ocorre pois o politicamente correto já estabeleceu que apenas radicais de direita defendem o direito do cidadão comum ter acesso a armas de fogo.

9)Diga que você apoia o Trump, pronto você virou ultra radical conservador. Diga que você apoia o Brexit, pronto você é um xenófobo imbecil. O politicamente correto é assim, ele bloqueia qualquer discussão honesta e a substitui por rótulos. Os que defendem as pautas do politicamente correto são taxados de pessoas boas, sofisticadas, inteligentes, moderadas, etc. Já os que não defendem tal pauta são radicais, ultra conservadores, xenófobos, intolerantes, golpistas, e outras coisas ruins.

10) No Brasil a esmagadora maioria das crianças não sabe ler e nem escrever, e são incapazes de fazer contas simples. Mas defenda que as aulas de sociologia, filosofia, e artes sejam trocadas por aulas de português e matemática e você automaticamente vira um canalha que quer criar um exército industrial de reserva, um radical que não quer que as crianças aprendam, e que sejam escravas do sistema.

11) Os índios brasileiros estão na miséria e cheios de áreas reservadas a eles. Sugira que não resolveremos o problema indígena dando mais terras aos índios e você será rotulado de um branco que não aceita que os índios são felizes passando frio e fome.

O grande problema do politicamente correto é que ao impedir o livre trânsito de ideias, e o livre debate, políticas públicas passam a ser direcionadas para corrigir problemas que não necessariamente são os mais importantes para aquela sociedade. Em resumo, desperdiçam-se recursos públicos em políticas que nem de perto são as mais necessárias. Pior, em muitos casos o politicamente correto cria problemas que sequer existiam na sociedade. Por exemplo, o Brasil é um exemplo no que se refere a miscigenação. Não digo que não exista preconceito, mas o fato é que a política de cotas raciais pode perfeitamente estar criando atritos raciais que antes eram inexistentes. Mas, se alguém sugerir isso será imediatamente taxado de imbecil ou coisa pior. Contudo, o livro de Thomas Sowell (Ação Afirmativa ao Redor do Mundo) mostra que após a implementação de cotas o atrito entre grupos distintos costuma aumentar em todas as sociedade que implementaram ações afirmativas.

Chamar terrorista de terrorista, bandido de bandido, e aborto de aborto é uma regra simples de qualquer debate honesto. Ao se proibir o uso de termos bem definidos, o politicamente correto confunde e bagunça completamente o debate. O vídeo logo abaixo, ilustra meu ponto: nele um negro gordo e homossexual conversa com alguns estudantes que seguem a cartilha do politicamente correto. Quando o negro sai o entrevistador pede aos jovens para descreverem a pessoa que saiu. O resultado é assustador! Os alunos simplesmente NÃO CONSEGUEM dizer que conversavam com uma pessoa negra, gorda e homossexual.



Entendeu a dimensão do problema? A cartilha do politicamente correto impede a correta descrição do mundo real. As pessoas passam a ser incapazes de descrever situações simples do seu cotidiano. No lugar de descrever situações o politicamente correto estabelece apenas rótulos. O politicamente correto não debate, ele rotula. Se você é incapaz de sequer descrever uma situação de seu cotidiano como você será capaz de entender problemas mais complexos? O politicamente correto é a ditadura do pensamento único, e geralmente errado.




(*)Adolfo Sachsida - Doutor em Economia (UnB) e Pós-Doutor (University of Alabama) orientado pelo Prof. Walter Enders. Lecionou economia na University of Texas - Pan American e foi consultor short-term do Banco Mundial para Angola. Atualmente é pesquisador do IPEA. Publicou vários artigos nacional e internacionalmente, sendo de acordo com Faria et al. (2007) um dos pesquisadores brasileiros mais produtivos na área de economia.


sexta-feira, dezembro 16, 2016

O politicamente correto é um saco.













Reação de Geert Wilders à sua condenação.

por Geert Wilders(*)



Queridos amigos, não consigo acreditar, mas acabo de ser condenado. O motivo é porque eu fiz uma pergunta sobre os marroquinos. Enquanto antes de ontem, um sem número de candidatos a asilo marroquinos aterrorizavam ônibus em Emmen e sequer tiveram que pagar uma multa, um político que faz uma pergunta acerca de menos marroquinos é condenado.



A Holanda está doente. Eu tenho um recado para os juízes que me condenaram: vocês restringiram a liberdade de expressão de milhões de holandeses, consequentemente condenando a todos. Ninguém confia mais em vocês. Mas felizmente, a verdade e a liberdade são mais fortes do que vocês. E eu também o sou.

Eu jamais ficarei em silêncio. Vocês não terão condições de me conter. Além disso vocês também estão equivocados. Os marroquinos não são uma raça e aqueles que os criticam não são racistas. Eu não sou racista, tampouco o são os meus eleitores. Esta condenação prova que os juízes estão completamente fora da realidade.

Eu também tenho um recado para o primeiro-ministro Rutte e para o restante da elite multicultural: vocês não vão conseguir me silenciar e derrotar o PVV. O apoio ao Partido da Liberdade está mais forte do que nunca e continua aumentando a cada dia. Os holandeses querem o seu país de volta e valorizam a sua liberdade. Não será possível colocar o gênio da mudança positiva de volta na garrafa.

E para aqueles que estão em casa eu digo: a liberdade de expressão é o nosso orgulho. E continuará sendo assim. Durante séculos nós holandeses falamos a verdade nua e crua. A liberdade de expressão é o nosso bem mais importante. Nós nunca os deixaremos tirarem de nós a liberdade de expressão. Porque a chama da liberdade queima dentro de nós e não tem como ser extinta.

Milhões de holandeses já estão fartos do politicamente correto. Fartos da elite que só se preocupa consigo mesma e ignora o holandês comum. Que vende o nosso país. Os cidadãos já não se sentem mais representados por todos esses políticos, juízes e jornalistas que estão desconectados da realidade, que têm prejudicado o nosso povo por tanto tempo e fazem com que o nosso país seja mais fraco em vez de mais forte.

Mas vou continuar lutando por vocês e digo a todos: muito obrigado. Muito obrigado por todo o apoio. É realmente impressionante, me sinto imensamente grato a vocês. Graças ao seu enorme e sincero apoio eu sei que não estou sozinho. Que vocês me apoiarão e que estarão ao meu lado e não arredarão pé na defesa da liberdade de expressão.

Hoje eu fui condenado em um julgamento político, que pouco antes das eleições tenta neutralizar o líder do maior e mais popular partido de oposição. Mas eles não conseguirão me neutralizar. Nem mesmo com esse veredito. Porque eu falo em nome de milhões de holandeses. E a Holanda tem o direito de ter políticos que falam a verdade e que, com sinceridade, procuram resolver os problemas que temos com os marroquinos. Políticos que não se deixarão silenciar. Nem mesmo pelos juízes. Vocês podem ter certeza de uma coisa: eu jamais me calarei.

Esta condenação só me faz ficar mais forte. Esta é uma sentença vergonhosa da qual, obviamente, irei apelar. Mas eu posso lhes dizer que agora estou mais forte do que nunca. E sei: juntos chegaremos à vitória.

Juntos, ombro a ombro, somos fortes o suficiente para mudar a Holanda.

Abrir caminho para que os nossos filhos cresçam num país do qual possam se orgulhar.
Em uma Holanda onde nos é permitido dizer novamente o que pensamos.
Onde todos possam andar novamente com segurança pelas ruas.
Onde o comando do nosso próprio país estará novamente em nossas mãos.

É isso que defendemos. A liberdade e a nossa maravilhosa Holanda.


(*)Geert Wilders é membro do Partido Holandês e líder do Partido da Liberdade (PVV).


Publicado no site do Gatestone Institute.

Tradução: Joseph Skilnik

Fonte: Midia Sem Máscara


sábado, outubro 15, 2016

Por que o politicamente correto ama lembrar de Hitler?.






Por que o politicamente correto ama lembrar de Hitler?.

por Thiago Kistenmacher ( para o Instituto Liberal)






As razões pelas quais o politicamente ama Hitler são inúmeras, porém, tenho como principal questão o alarde feito em torno da foto de um menino para uma propaganda no País de Gales e que foi publicada pelo Daily Telegraph. A questão é que um dos clientes da loja disse que a foto lembrava Adolf Hitler. Que coisa cansativa! 




Quando o cliente viu a foto disse que “foi um choque” pois segundo ele a imagem tinha “conotações negativas.” Risadas? Esse mesmo cliente tirou uma foto da imagem e postou em seu Twitter com a seguinte frase: “Ontem vi isso em um “quarto” em sua loja de Cardiff. Um tanto inapropriado? #Hitler #Saudação”.

Esse patrulheiro disse ter uma filha de onze anos e que não queria vê-la imitando aquela posição. Interessante notar que entre as fotos existe uma com o menino segurando um violão. A filha do cliente provavelmente daria mais atenção à foto com o violão ou a nenhuma delas. Quem parece pensar muito em Hitler é ele mesmo, o patrulheiro. Qual o nome desse fetiche? Essa gente vê ofensa em tudo.




E ele conseguiu o que queria. Placar final: Bom Senso 0 X 1 Politicamente Correto. Digo isso porque o gerente da loja, após as denuncias, concordou que a foto pudesse ofender alguns clientes, mandou removê-la e pediu desculpas por qualquer ofensa que a ela possa ter feito.

Em que mundo vivemos? É realmente aterrador. Se não mais sob ditaduras comunistas, sem dúvida sob a ditadura da estupidez, do ressentimento e do “mimimi”. A geração dos ofendidos parece cada vez mais contaminada!




Mas por que o politicamente correto ama Hitler? Duas respostas rápidas são possíveis.

Primeira: tudo que não está a favor do politicamente correto é considerado nazista. Políticos de direita não raras vezes são chamados de “Hitler”, mesmo quando liberais. Se você votar no Bolsonaro, for contra cotas raciais e for contrário à ideologia de gênero, provavelmente correrá o risco de ser comparado a Hitler. Mas não dá para levar a sério esse tipo de slogan que atinge até os liberais. Quer dizer, quando defensores da livre iniciativa são chamados de nazistas, a palavra perde seu sentido lógico.

Segunda: essa “SS do bem” que vive criticando o nazismo fica cada vez mais próxima a ele. Patrulham tudo, vigiam tudo, denunciam tudo como preconceituoso e ofensivo. Se dizem odiar Hitler, parece que amam seus métodos e paranoias. Aliás, a paranoia sempre foi um efeito colateral do autoritarismo.



Essa patrulha ideológica não vive sem Hitler, pois ao mesmo tempo em que acusa os outros de serem nazistas, encarnam eles próprios o nazismo em suas práticas de vigilância pública. E se o menino estivesse fardado e com uma boina militar vermelha como o fez Jean Wyllys? E se estivesse levantando o punho cerrado, haveria alguma denuncia? Duvido.

Há uma votação no site do Daily Telegraph perguntando se consideramos a foto inapropriada. Quando votei, 85% pensava não ter nada disso. Seria interessante fazer uma enquete semelhante aqui no Brasil. Qual seria o resultado?

Por fim, se o politicamente correto for o rei, ele será o pior dos absolutistas. Se Hitler nascesse hoje, ele seria politicamente correto.


Fonte - Instituto Liberal

sábado, fevereiro 06, 2016

A "islamofobia" e o politicamente correto.




por Herbert London (*)







Nesse paradigma, se você criticar o Islã, você é um racista. O Islã tornou-se inatingível, exceto para elogios, ou, pelo menos, aceitação neutra.

A preocupação com a "islamofobia" é parte da degradação cultural.


De acordo com um plano de 10 anos da Organização da Cooperação Islâmica (OCI) para implementar a Resolução das Nações Unidas 16:18, que criminaliza toda a crítica ao Islam em todo o mundo, a Casa dos Representantes dos EUA emitiu a H. Res. 569, condenando a violência, intolerância e "retórica de ódio" para com os muçulmanos nos Estados Unidos.

Essa proposta vem na esteira da promessa da procuradora-geral da República Loretta Lynch, após o atentatado em San Bernardino, de processar alguém culpado de discurso anti-muçulmano. É claro que a Sra Lynch está disparando um canhão numa mosca. De acordo com o relatório Uniform Crime Report do FBI, houve 1014 casos de crimes de ódio motivados por preconceito religioso em 2014. Desses, 154 – 15,2 por cento – foram anti-islâmicos. Mais da metade foram incidentes anti-semitas. Não só isto é mais um exemplo de que a administração Obama exagera ameaças menores, mas sugere também uma ignorância ou evasão insensível da Primeira Emenda.

As elites progressistas acusam aqueles que condenam o extremismo muçulmano de serem eles mesmos extremistas – alegando que a censura ao Islã radical é uma crítica indiscriminada de todos os muçulmanos. Aqui está um exemplo do que os progressistas chamariam de "islamofobia", apelidado apropriadamente por Andrew Cummins como uma palavra "criada por fascistas, usada por covardes, para manipular idiotas."

De acordo com uma pesquisa da Pew Research em 2013, 10% dos muçulmanos (160 milhões) apoiam a violência de motivação religiosa contra os civis em determinadas situações. 15% acreditam que a execução é justificada para apostasia e quase 23% justificam a matança de mulheres que fazem sexo extraconjugal. Desde 11/9, houve mais de 20 mil ataques terroristas ligados ao Islam.

Por que então as elites progressistas acusam os críticos do Islam radical de islamofóbicos? De acordo com o primeiro-ministro francês Valls, essa tática é uma arma dos apologistas do Islã para silenciar seus críticos. É um porrete do politicamente correto para silenciar a oposição.

O que surgiu com esta campanha do politicamente correto é um ataque frontal à liberdade de expressão. Nesse paradigma emergente, se você criticar o Islã, você é um racista. O Islã tornou-se inatingível, exceto para elogios, ou, pelo menos, aceitação neutra.

Esta tentativa de silenciar as vozes de oposição e de análise crítica ganhou adesão, como a resolução sugeriria. Claramente uma resolução não é uma lei e, presumivelmente, os membros do Senado vão rejeitar a proposta, no entanto, é preocupante que uma Casa liderada por republicanos tenha sequer considerado a idéia de se opor ao discurso anti-muçulmano. Todo americano, obviamente incluindo os muçulmanos, tem o direito inalienável de viver sem medo e intimidação e praticar idéias religiosas sem interferência.

A questão é a prática da fé de alguém que possa ser incompatível com as disposições da Constituição, incluindo a manutenção das leis da terra e esperando o cumprimento pelo cidadão dessas leis. Tashfeen Malik e Syed Pizwan Farook, que mataram 14 dos colegas de trabalho de Farook e feriram dezenas de outros em San Bernardino, Califórnia, foram radicalizados em uma mesquita, segundo relatórios recentes. Eles não respeitaram as leis dos EUA, apesar do fato de que Farook era um cidadão americano. Aqui está o busílis. Os muçulmanos são livres para buscar a sua fé, mas quando ocorre radicalização que desafia a segurança nacional e nosso modo de vida, a censura é apropriada. Isto não é islamofobia, é senso comum. A retórica deve ser condenatória, mesmo que muitos membros da Casa não vejam dessa forma.

A liberdade de expressão não é apenas leve e doce; representa as dimensões ásperas da vida. A preocupação com a "islamofobia" é parte da degradação cultural. Vários anos atrás, o filósofo Mortimer Adler disse: "A cultura não é morta por conflitos políticos, mesmo quando eles atingem a violência avassaladora da guerra moderna, e nem por revoluções econômicas, mesmo quando envolvam os deslocamentos de levantes em massa modernos. Uma cultura morre de doenças que são elas próprias culturais. Pode nascer doente, como a cultura moderna o foi, ou pode decair pela insuficiente vitalidade para superar forças destrutivas presentes em todas as culturas, mas em qualquer caso, a desordem cultural é uma causa e não um efeito de perturbação política e econômica que assola o mundo hoje em dia."

Se Adler está certo, pode-se perguntar como pode a cultura ser imunizada contra um politicamente correto que protege a violência potencial e corrói os alicerces da nação”?


(*)Herbert London é presidente do London Center for Policy Research, senior fellow do Manhattan Institute e autor do livro The Transformational Decade (University Press of America).

Publicado no Accuracy in Media - http://www.aim.org



Tradução: William Uchoa

sábado, setembro 01, 2012

O que é o politicamente correto?.



por ORLANDO BRAGA


O antropocentrismo do marxismo econômico falhou, como sistema social e econômico, em todo o mundo; resta ao marxismo a guerrilha cultural.



Muitos de nós fazemos uma ideia do que é o politicamente correcto (PC), pela repetição de informações transmitidas pela mídia.

O PC não teve origem recente; remonta a sua utilização como instrumento ideológico, ao tempo da I Guerra Mundial. Quando Karl Marx escreveu o “Manifesto Comunista” (séc. 19), ficou bem claro que ideologia que nascia assentava em duas vertentes básicas: O marxismo econômico, que defende a ideia de que a História é determinada pela propriedade dos meios de produção, e o marxismo cultural, que defende a ideia de que a História é determinada pelo poder através do qual, grupos sociais (para além das classes sociais) definidos pela raça, sexo, etc., assumem o poder sobre outros grupos. Até à I Guerra Mundial, o marxismo cultural não mereceu muita atenção, que se concentrou praticamente toda no marxismo econômico, que deu origem à revolução bolchevista (URSS).

O marxismo cultural é uma sub-ideologia do marxismo (a “outra face da moeda” é o marxismo econômico), e como todas as ideologias, tende inexoravelmente para a implantação de uma ditadura, isto é, para o totalitarismo.

À semelhança do marxismo econômico, o marxismo cultural (ou Politicamente Correto) considera que os trabalhadores e os camponeses são, à partida, “bons”, e que a burguesia e os capitalistas são, a priori, “maus”. Dentro das classes sociais assim definidas, os marxistas culturais entendem que existem grupos sociais “bons” (como as mulheres feministas — porque as mulheres não-feministas são “más” ou “ignorantes”), os negros e os homossexuais – para além dos muçulmanos, dos animistas, dos índios, dos primatas superiores, etc.. Estes “grupos sociais” (que incluem os primatas superiores — chimpanzés, gorilas, etc.) são classificados pelos marxistas culturais como sendo “vítimas” e por isso, são considerados como “bons”, independentemente do que os seus membros façam ou deixem de fazer. Um crime de sangue perpetrado por um homossexual é visto como “uma atitude de revolta contra a sociedade opressora”; o mesmo crime perpetrado por um heterossexual de raça branca é classificado como um “acto hediondo de um opressor”. Segundo o marxismo cultural, o “macho branco” é o equivalente ideológico da “burguesia” no marxismo econômico.

Enquanto que o marxismo econômico baseia a sua ação no ato de expropriação (retirada de direitos à propriedade), o marxismo cultural (ou PC) expropria direitos de cidadania, isto é, retira direitos básicos a uns cidadãos para, alegadamente, dar direitos acrescidos e extraordinários a outros cidadãos, baseados na cor da pele, sexo ou aquilo a que chamam de “orientação sexual”. Nesta linha está a concessão de cotas de admissão, seja para o parlamento, seja no acesso a universidades ou outro tipo de instituições, independentemente de critérios de competência e de capacidade.

Enquanto que o método de análise utilizado pelo marxismo econômico é baseado no Das Kapital de Marx (economia coletivista marxista), o marxismo cultural utiliza o desconstrucionismo filosófico e epistemológico explanado por ideólogos marxistas como Jacques Derrida, que seguiu Martin Heidegger, que bebeu muita coisa em Friederich Nietzsche.

O Desconstrucionismo, em termos que toda a gente entenda, é um método através do qual se retira o significado de um texto para se colocar a seguir o sentido que se pretende para esse texto. Este método é aplicado não só em textos, mas também na retórica política e ideológica em geral. A desconstrução de um texto (ou de uma realidade histórica) permite que se elimine o seu significado, substituindo-o por aquilo que se pretende. Por exemplo, a análise desconstrucionista da Bíblia pode levar um marxista cultural a inferir que se trata de um livro dedicado à superioridade de uma raça e de um sexo sobre o outro sexo; ou a análise desconstrucionista das obras de Shakespeare, por parte de um marxista cultural, pode concluir que se tratam de obras misóginas que defendem a supressão da mulher; ou a análise politicamente correta dos Lusíadas de Luís Vaz de Camões, levaria à conclusão de que se trata de uma obra colonialista, supremacista, machista e imperialista. Para o marxista cultural, a análise histórica resume-se tão só à análise da relação de poder entre grupos sociais.

O Desconstrucionismo é a chave do politicamente correto (ou marxismo cultural), porque é através dele que surge o relativismo moral como teoria filosófica, que defende a supressão da hierarquia de valores, constituindo-se assim, a antítese da Ética civilizacional europeia.

Com a revolução marxista russa, as expectativas dos marxistas europeus atingiram um ponto alto. Esperava-se o mesmo tipo de revolução nos restantes países da Europa. À medida que o tempo passava, os teóricos marxistas verificaram que a expansão marxista não estava a ocorrer. Foi então que dois ideólogos marxistas se dedicaram ao estudo do fenômeno da falha da expansão do comunismo marxista: António Gramsci (Itália) e George Lukacs (Hungria).

Gramsci concluiu que os trabalhadores europeus nunca seriam servidos nos seus interesses de classe se não se libertassem da cultura europeia – e particularmente da religião cristã. Para Gramsci, a razão do falhanço da expansão comunista marxista estava na cultura e na religião. O mesmo conclui Lukacs.

Em 1923, por iniciativa de um filho de um homem de negócios riquíssimo de nacionalidade alemã (Félix Veil), que disponibilizou rios de dinheiro para o efeito, criou-se um grupo permanente (“think tank”) de estudos marxistas na Universidade de Frankfurt. Foi aqui que se oficializou o nascimento do Politicamente Correto (Marxismo Cultural), conhecido como “Instituto de Pesquisas Sociais” ou simplesmente, Escola de Frankfurt – um núcleo de marxistas renegados e desalinhados com o marxismo-leninismo.

Em 1930, passou a dirigir a Escola de Frankfurt um tal Max Horkheimer, outro marxista ideologicamente desalinhado com Moscou e com o partido comunista alemão. Horkheimer teve a ideia de se aproveitar das ideias de Freud, introduzindo-as na agenda ideológica da Escola de Frankfurt; Horkheimer coloca assim a tradicional estrutura socio-econômica marxista em segundo plano, e elege a estrutura cultural como instrumento privilegiado de luta política. E foi aqui que se consolidou o Politicamente Correto, tal como o conhecemos hoje, com pequenas variações de adaptação aos tempos que se seguiram. Surgiu a Teoria Crítica.

O que é a Teoria Crítica? As associações financiadas pelo nosso Estado e com o nosso dinheiro, em apoio ao ativismo gay, em apoio a organizações feministas camufladas de “proteção à mulher”, e por aí fora – tudo isso faz parte da Teoria Crítica do marxismo cultural, surgida da Escola de Frankfurt do tempo de Max Horkheimer. A Teoria Crítica faz o sincretismo entre Marx e Freud, tenta a síntese entre os dois (“a repressão de uma sociedade capitalista cria uma condição freudiana generalizada de repressão individual”, e coisas do gênero).

No fundo, o que faz a Teoria Crítica? Critica. Só. Faz críticas. Critica a cultura europeia; critica a religião; critica o homem; critica tudo. Só não fazem auto-crítica (nem convém). Não se tratam de críticas construtivas; destroem tudo, criticam de forma a demolir tudo e todos.

Por essa altura, aderiram ao bando de Frankfurt dois senhores: Theodore Adorno e Herbert Marcuse. Este último emigrou para os Estados Unidos com o advento do nazismo.

Foi Marcuse que introduziu no Politicamente Correto (ou marxismo cultural) um elemento importante: a sexualidade. Foi Marcuse que criou a frase “Make Love, Not War”. Marcuse defendeu o futuro da humanidade como sendo uma sociedade da “perversidade polimórfica”, na linha das profecias de Nietzsche.

Marcuse defendeu também, já nos anos 30 do século passado, que a masculinidade e a feminilidade não eram diferenças sexuais essenciais, mas derivados de diferentes funções e papéis sociais; segundo Marcuse, não existem diferenças sexuais, senão como “diferenças construídas”.

Marcuse criou o conceito de “tolerância repressiva” – tudo o que viesse da Direita tinha que ser intolerado e reprimido pela violência, e tudo o que viesse da Esquerda tinha que ser tolerado e apoiado pelo Estado. Marcuse é o pai do Politicamente Correto moderno.

O sucesso de expansão do marxismo cultural na opinião pública, em detrimento do marxismo econômico, deve-se três razões simples: a primeira é que as teorias econômicas marxistas são complicadas de entender pelo cidadão comum, enquanto que o tipo de dedução primária do raciocínio PC, aliado à fantasia de um mundo ideal e sem defeitos, é digno de se fazer entender pelo mentecapto mais empedernido. A segunda razão é porque o Politicamente Correto critica por criticar, pratica a crítica destrutiva até à exaustão – e sabemos que a adesão popular (da juventude, em particular) a este tipo de escrutínio crítico é enorme. A terceira razão é que o antropocentrismo do marxismo econômico falhou, como sistema social e econômico, em todo o mundo; resta ao marxismo a guerrilha cultural.

O que se está a passar hoje na sociedade ocidental, não é muito diferente do que se passou na União Soviética e na China, num passado recente. Assistimos ao policiamento do pensamento, à censura das ideias, rumo a uma sociedade totalitária.