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terça-feira, outubro 16, 2018

Como o feminismo se equivoca em relação ao capitalismo




E por que homens tendem a ganhar mais do que mulheres.

por Ivan Carrino(*).  

Terminei de ler o livro Economia Feminista - Como construir uma sociedade igualitária (sem perder o glamour), escrito pela doutora em economia Mercedes D'Alessandro, uma das principais ícones do feminismo mundial.

No livro, a economista — que possui formação marxista e é autodeclarada feminista — propõe uma análise centrada na desigualdade. Mas não na desigualdade de riqueza ou de patrimônios, mas sim na desigualdade de gênero. Ou seja, na desigualdade entre homens e mulheres.

Segundo D'Alessandro, a sociedade atual apresenta uma grande disparidade entre os gêneros, evidenciada nas diferenças de salários e no peso que as tarefas do lar exercem sobre a mulher. Essas disparidades de gênero, sentencia a autora, são culpa do capitalismo.

A solução proposta, embora não explicitamente declarada no livro, passa por uma maior regulação estatal.

A obra é um bom resumo dos pontos de vista econômicos do movimento feminista. Não obstante, está eivada de contradições e de problemas de argumentação. Acima de tudo: ela apresenta um diagnóstico errado sobre a situação atual.

A primeira grande inconsistência surge logo em sua proposta. Segundo D'Alessandro, seu livro "se propõe a pensar uma forma de organização social em que as mulheres tenham uma função diferente da que têm hoje".

A pergunta que imediatamente surge é: exatamente a que função ela se refere? À de uma profissional independente de 40 anos de idade? À de uma professora de escola primária? À de uma CEO de uma grande empresa? À de Christine Lagarde, diretora mundial do FMI?

Não seria um tanto pretensioso da parte da doutora D'Alessandro se auto-arrogar a representação de todas as mulheres do planeta e então pressupor que elas exercem hoje um papel que não desejam?

O segundo ponto controverso é que a doutora D'Alessandro sustenta que o trabalho doméstico (segundo suas estatísticas, 9 de cada 10 mulheres realizam esse tipo de trabalho independentemente de terem ou não um emprego fora de casa) é um emprego não-remunerado, e isso equivale a uma exploração.

Esta ideia é falsa.

Imagine um casal qualquer. Os dois membros voluntariamente chegam à decisão de que um deles permanecerá cuidando do lar. De mútuo acordo, "A" organiza a vida do lar enquanto "B" sai ao mercado para trabalhar diariamente em troca de um salário. Em muitas famílias, este é exatamente o arranjo vigente.

Sendo assim, é fato que A realiza um trabalho dentro do lar, da mesma maneira que B o realiza fora do lar. No entanto, não é correto dizer que A não seja remunerado pelo que faz.

Em definitivo, a renda de B se transforma na renda familiar, e serve para prover a todo o grupo. Neste caso, a família, ou o casal, funciona como uma equipe que divide as tarefas. Porém, ambas as tarefas são remuneradas. B trabalha no mercado em troca de um salário, o qual também será usufruído por A.

Logo, A também recebe uma remuneração, a qual se dá na forma de um teto sob o qual viver, na capacidade de consumir o que ambos decidirem comprar (ou na capacidade de consumir tudo aquilo que A quiser, desde que caiba na renda mensal de B), em poder usufruir uma viagem de turismo etc.

Essa ideia de que o trabalho doméstico não é remunerado seria a mais infeliz do livro se não fosse pela incoerente crítica que a autora faz ao capitalismo. D'Alessandro afirma que "em uma sociedade configurada por relações monetárias, a falta de salário transformou uma forma de exploração [os afazeres domésticos] em uma atividade normal".

Mas o fato é que, graças ao capitalismo, a mulher tem um papel cada vez mais importante no mercado de trabalho. De acordo com Steven Horwitz:
Dois fenômenos começaram a ocorrer no século XX, os quais, ao final, alteraram aquilo que até então era visto como um arranjo familiar estável. Primeiro, a inovação tecnológica lentamente começou a produzir máquinas (como a máquina de lavar e o aspirador de pó) que reduziram o tempo de trabalho despendido nas tarefas domésticas. Segundo, o crescimento econômico impulsionado pela economia de mercado aumentou a demanda por mão-de-obra (inclusive feminina) e continuou elevando o poder de compra dos salários.


Ou seja, graças ao crescimento da economia de mercado, é cada vez menos necessária a presença permanente de uma pessoa no lar para os afazeres domésticos, de modo que a ideia básica de "um homem trabalhando e uma mulher dentro de casa" vai perdendo sustentação.

Aliás, é exatamente em economias pouco capitalistas — atrasadas — que há uma menor oferta de ferramentas e máquinas que fazem as tarefas domésticas. Máquinas de lavar roupa, de lavar louça, aspiradores de pó e secadores — instrumentos que reduzem o fardo das tarefas domésticas — são bens caros e de oferta limitada nos países pouco capitalistas, exatamente o arranjo defendido pela doutora D'Alessandro.

O mais curioso é que a própria doutora D'Alessandro reconhece que o capitalismo gerou um avanço — do ponto de vista feminista — na participação da mulher no mercado de trabalho. Segundo seu livro:
Nos anos 1960, somente 2 de cada 10 mulheres trabalhavam fora de casa. Hoje, são quase 7 em cada 10.

Adicionalmente, o livro afirma que, nos EUA, para cada dólar pago a um homem, uma mulher recebe, em média, 79 centavos de dólar. No entanto, a própria autora reconhece que, há 50 anos, esse valor era de 59 centavos de dólar, o que significa que ele cresceu nada menos que 20 pontos.

Finalmente, a autora também reconhece a melhora ocorrida dentro do mundo corporativo:
Nas últimas décadas, as mulheres melhoraram seu acesso a cargos altos. Segundo o censo dos Estados Unidos, em 1980, somente 7% das mulheres possuía um emprego administrativo ou presidencial, sendo que tal cifra era de 17% para os homens. Em 2010, esta diferença já havia praticamente desaparecido.

Apesar de reconhecer essas tendências favoráveis, a doutora D'Alessandro não deixa de afirmar que "as diferenças salariais entre homens e mulheres já duram mais de duzentos anos e não há sinais de que irão mudar substantivamente".

Só que essa afirmação da doutora está em total contradição com as cifras que ela própria mencionou apenas alguns parágrafos antes.

A incoerência

A verdade é que a economia feminista parte de uma premissa totalmente equivocada: ela considera que todas as mulheres formam um grupo único e homogêneo, desconsiderando todas as nuanças e diferenças que existem entre os membros desse grupo. Ou seja, em vez de partir de uma análise individual, o feminismo recorre diretamente a agregações coletivistas, desta forma supondo que todas as mulheres são iguais e querem exatamente os mesmos objetivos.

Algo que já começa com pressuposições erradas não tem como chegar a conclusões corretas e lógicas.

Em segundo lugar, a economia feminista assume erroneamente que toda atividade que não tenha um salário monetário como contrapartida equivale a exploração.

Por último, acusa incoerentemente o capitalismo pelas desigualdades, sendo que foi exatamente este sistema o que mais fez para melhorar as condições de vida tanto dos homens quanto das mulheres. Principalmente: foi o sistema que libertou as mulheres da necessidade de se casar apenas para obter um sustento econômico.

O feminismo se equivoca em relação ao capitalismo. E, ao condená-lo, está jogando contra seus próprios interesses: o maior bem-estar econômico das mulheres ao redor do mundo.

Complemento do IMB

Em um mercado de trabalho com liberdade de contratação e demissão, é impossível haver divergências salariais entre homens e mulheres em decorrência unicamente de discriminação. 

Se as mulheres de fato ganhassem menos que os homens para realizar as mesmas tarefas, empresas que buscam o lucro só contratariam mulheres. Diante de dois candidatos com o mesmo potencial, o patrão contrataria o mais barato.

Ou seja, se de fato houvesse tal discriminação, qualquer empregador iria obter lucros fáceis contratando mulheres e dispensando homens, uma vez que as mulheres poderiam receber um salário menor para fazer exatamente o mesmo trabalho. Consequentemente, a concorrência entre os empregadores iria elevar os salários das mulheres e, assim, abolir qualquer diferença salarial que porventura exista.

Logo, sempre e em qualquer ocasião que houver qualquer tipo de discriminação salarial — e isto vale não apenas para gêneros, mas também para cor de pele, religiões, etnias etc. —, o capitalismo irá abolir tal situação, e não aprofundá-la. E o motivo essencial é que um empregador que permite que seus preconceitos turvem seu juízo de valor estará criando uma oportunidade de lucro para seus concorrentes. 

Uma mulher que produz $75.000 por ano em receitas para seu patrão, mas que recebe, digamos, $20.000 a menos que um empregado masculino igualmente produtivo, poderá ser contratada por um concorrente por, digamos, $10.000 a mais do que recebe hoje e ainda assim permitir que este novo empregador embolse os $10.000 de diferença. 

À medida que este processo concorrencial for se aprofundando ele irá, ao fim e ao cabo, elevar os salários femininos ao ponto de paridade com os salários masculinos caso a concorrência salarial seja vigorosa o bastante.

A realidade é que há outros fatores indeléveis nessa questão da divergência salarial entre homens e mulheres. Por exemplo, em termos gerais, a probabilidade de as mulheres saírem da força de trabalho por um período de tempo — por causa de gravidez, criação e educação de filhos e outras tarefas (das quais a maioria dos homens se esquiva) — é maior que a dos homens. As mulheres são muito mais propensas que os homens a se ausentar do mercado de trabalho por um período de tempo (anos) para se dedicar à família. E mesmo que não façam isso, elas tendem a gastar muito mais tempo que os homens cuidando das crianças e das tarefas domésticas. Consequentemente, elas ficam atrás de seus colegas homens em termos de acumulação de capital, produtividade e salários.

No entanto, explicações muito mais explosivas sobre diferenças salariais podem ser encontradas no livro do professor James T. Bennett, do departamento de economia da George Mason University, intitulado The Politics of American Feminism: Gender Conflict in Contemporary Society

Neste livro, o professor Bennett enumera mais de vinte motivos por que os homens ganham mais que as mulheres. Cumulativamente, tais explicações explicam por completo a existência de qualquer "disparidade salarial", embora o próprio Bennett acredite que a discriminação salarial por gênero não seja algo inexistente. 

Os motivos, baseados em generalizações respaldadas por volumosas estatísticas, são:
  • Homens têm mais interesse por tecnologia e ciências naturais do que as mulheres.
  • Homens são mais propensos a aceitar trabalhos perigosos, e tais empregos pagam mais do que empregos mais confortáveis e seguros.
  • Homens são mais dispostos a se expor a climas inclementes em seu trabalho, e são compensados por isso ("diferenças compensatórias" no linguajar econômico).
  • Homens tendem a aceitar empregos mais estressantes que não sigam a típica rotina de oito horas de trabalho em horários convencionais.
  • Muitas mulheres preferem a satisfação pessoal no emprego (profissões voltadas para a assistência a crianças e idosos, por exemplo) a salários mais altos.
  • Homens, em geral, gostam de correr mais riscos que mulheres. Maiores riscos levam a recompensas mais altas.
  • Horários de trabalho mais atípicos pagam mais, e homens são mais propensos que as mulheres a aceitar trabalhar em tais horários.
  • Empregos perigosos (carvoaria) pagam mais e são dominados por homens.
  • Homens tendem a "atualizar" suas qualificações de trabalho mais frequentemente do que mulheres.
  • Homens são mais propensos a trabalhar em jornadas mais longas, o que aumenta a divergência salarial.
  • Mulheres tendem a ter mais "interrupções" em suas carreiras, principalmente por causa da gravidez, da criação e da educação de seus filhos. E menos experiência significa salários menores.
  • Mulheres apresentam uma probabilidade nove vezes maior do que os homens de sair do trabalho por "razões familiares". Menos tempo de serviço leva a menores salários.
  • Homens trabalham mais semanas por ano do que mulheres.
  • Homens apresentam a metade da taxa de absenteísmo das mulheres. 
  • Homens são mais dispostos a aturar longas viagens diárias para o local de trabalho.
  • Homens são mais propensos a se transferir para locais indesejáveis em troca de empregos que pagam mais.
  • Homens são mais propensos a aceitar empregos que exigem viagens constantes.
  • No mundo corporativo, homens são mais propensos a escolher áreas de salários mais altos, como finanças e vendas, ao passo que as mulheres são mais predominantes em áreas que pagam menos, como recursos humanos e relações públicas.
  • Quando homens e mulheres possuem o mesmo cargo, as responsabilidades masculinas tendem a ser maiores.
  • Homens são mais propensos a trabalhar por comissão; mulheres são mais propensas a procurar empregos que deem mais estabilidade. O primeiro apresenta maiores potenciais de ganho.
  • Mulheres atribuem maior valor à flexibilidade, a um ambiente de trabalho mais humano e a ter mais tempo para os filhos e para a família.


Portanto, os grupos feministas organizados que querem impor salários maiores para as mulheres deveriam prestar mais atenção a estes determinantes e se concentrar menos em cruzadas quixotescas como legislações sobre "diversidade e igualdade" que demonizam empregados e patrões homens.

Porém, a lógica econômica é normalmente suprimida por grupos ativistas que julgam ser muito mais fácil e produtivo simplesmente difamar aqueles que tentam explicar que há motivos economicamente racionais para a existência de eventuais divergências salariais entre homens e mulheres.

(Texto originalmente publicado em 08/03/18)
(*)Iván Carrino é analista econômico da Fundación Libertad y Progreso na Argentina e possui mestrado em Economia Austriaca pela Universidad Rey Juan Carlos, de Madri.

by Instituto Mises Brasil

domingo, fevereiro 25, 2018

Linda Sarsour: A Última Estrela da Esquerda


por Daniel Pipes(*).




De que maneira podemos entender Linda Sarsour do Brooklyn, principal autora da ação judicial contra o decreto sobre a imigração do Presidente Trump e o novo símbolo, ao que tudo indica, ubíquo da sólida aliança entre o Islã e a esquerda radical?

A Casa Branca da época do Presidente Obama a indicou para ser a "protagonista da mudança". Um projeto de lei do prefeito de Nova Iorque Blasio apoiou a indicação. O senador de Vermont Bernie Sanders a nomeou para que o representasse em sua campanha presidencial. Ela trabalhou como representante na Convenção Nacional Democrata de 2016.






Ela apareceu nos principais programas de TV e o New York Times publicou um longo e lisonjeiro artigo chamando-a de "uma companheira do Brooklyn em um hijab". A Media Matters for America de David Brock a defende. Ela foi uma das quatro organizadoras da Marcha das Mulheres anti-Trump em Washington. A atriz Susan Sarandon e o Republicano Keith Ellison a apoiam. Sarsour, em resumo, é "venerada pelos esquerdistas", observa a reformista muçulmana Shireen Qudosi. E isso também vale para os islamistas, então vejamos: a Al Jazeera a exalta.

Sarsour caiu de paraquedas na minha vida em março de 2010, ao me confundir, (a mim Daniel Pipes), com o Website PipeLineNews.org, um "serviço boutique de notícias" que tinha publicado um artigo crítico a ela chamando-a de "simpatizante do Hamas". Ela respondeu jogando confetes de gratidão em cima de mim pela atenção ("OBRIGADO Sr. Pipes!"). Observando seu equívoco, eu escrevi uma resposta sarcástica ("Sarsour deveria jogar confetes em PipeLineNews.org, não em cima de mim"). Ao ver que ela não reconhecia seu erro, comecei a me interessar sobre sua carreira.

Fiquei sabendo que Sarsour se equivoca com frequência e depois não arruma a situação. Ela retratou de forma errada a morte de Shaima Alawadi como resultante de ódio aos muçulmanos, quando na realidade o marido de Alawadi, Kassim Alhimidi, muçulmano, a assassinou em nome da honra. Pior do que isso, ela inventou um crime de intolerância contra si mesma, marcando pontos políticos de alcance nacional por retratar um homem mentalmente doente, sem-teto, como um racista violento.

Fiquei sabendo do ódio paranoico de Sarsour ao governo dos Estados Unidos. Ela retratou o terrorista em potencial que tramava se tornar um homem bomba com uma bomba atada à cueca Umar Farouk Abdulmutallab como agente da CIA, implicando que o governo federal assassina americanos para incriminar muçulmanos. Ela também improvisadamente afirmou que "crianças muçulmanas estão sendo executadas" nos Estados Unidos, presumivelmente pelo governo.

Fiquei sabendo do apoio de Sarsour ao islamismo. Ela apoiou a Arábia Saudita porque a aplicação da lei islâmica naquele país traz os supostos benefícios como licença maternidade remunerada e cartões de crédito sem nenhum pagamento de juros. Ela sinalizou o apoio à guerra da jihad, mostrando o gesto do dedo indicador em riste, seu símbolo.


Fiquei sabendo dos cruéis ataques de Sarsour a Israel. Ela estimulou o apedrejamento às Forças de Defesa de Israel. Ela posou para uma foto ao lado de Salah Sarsour, agente do Hamas preso pelas autoridades israelenses na década de 1990. Ela reconhece ter muitos parentes do sexo masculino nas prisões israelenses.

Fiquei sabendo da ignorância de Sarsour em relação à história. Ela promove uma noção fantasiosa de que o fundador do Islã, Maomé:::

"nosso profeta era um ativista da justiça racial, um ativista dos direitos humanos, um feminista por mérito próprio. Ele era um homem que se preocupava com o meio ambiente. Ele se preocupava com os direitos dos animais... Ele também foi a primeira vítima da islamofobia..."

Nota do Blogando Francamente: Quando Sarsour se refere ao profeta como alguém que se preocupava com o direito dos animais, terá ela se referido ao que segue?:

"Um homem pode ter relações sexuais com os animais, como as ovelhas, as vacas, os camelos e outros. No entanto, após alcançar o orgasmo deve degolar o animal". (Khomeini, Tahrirolvashyeleh 4º volume, Darol Orm, Gom, Iran, 1990)
Parece bricandeira ou gozação. Mas, segundo o blog De Olho na Jihad estas regras são válidas apenas para homens, pois, na maioria dos países islâmicos, se uma mulher fornicar com animais deverá ser executada.
O pai da revolução islâmica, diz ainda que:
  • “Se um homem – que Deus o proteja de tal coisa! – fornicar com um animal e ejacular, a ablução torna-se necessária.” (pag. 40)
  • “A carne de cavalo, de mula e de burro não é recomendável. Fica estritamente proibido o seu consumo se o animal tiver sido sodomizado, quando vivo, por um homem. Nesse caso, é preciso levar o animal para fora da cidade e vendê-lo.” (pag. 25)
  • “Quando se comete um ato de sodomia com um boi, um carneiro ou um camelo, a sua urina e os seus excrementos ficam impuros e nem mais o leite pode ser consumido. Torna-se, pois, necessário matar o animal o mais depressa possível e queimá-lo, fazendo aquele que o sodomizou pagar o preço do animal ao seu proprietário.” (pag. 25)
Textos extraídos de "Infiel Atento"


Suas reflexões sobre a escravidão americana me chamaram a atenção: 

"o sacrifício que os escravos muçulmanos negros passaram neste país não é nada comparado à islamafobia [sic] de hoje."

Fiquei sabendo da péssima reputação de Sarsour entre suas supostas aliadas. Debbie Almontaser, uma colega islamista apequenou sua indecência e falta de humildade. A feminista Aki Muthali a chamou de racista (leia novamente aquele trecho sobre os escravos negros). O Website antissionista Ikhras também a acusou de abraçar "um racismo grotesco em relação aos afro-americanos". Além disso, tachou a persona pública de Sarsour como "uma farsa inundada com pretensão e exagero", o Website a retratou como falsa religiosa e a acusou de não ter uma bússola moral e "convicções ou princípios genuínos".

Fiquei sabendo que Sarsour respondeu às críticas com rancorosa vulgaridade. Típico de seu charme e graça, ela disse em relação a Brigitte Gabriel e Ayaan Hirsi Ali, duas importantes anti-islamistas (sendo que Ayaan foi vítima de mutilação genital feminina) o seguinte: 

"eu gostaria de poder arrancar as vaginas delas - 
elas não merecem ser mulheres".


Fiquei sabendo que Sarsour, uma mulher mal vestida em uma hijab desajeitada, entrega-se à vaidade coquete. Ela se gaba publicamente de ser "extremamente atraente", diz "eu sou bonita" e vibra sobre "uma foto tão bonita tirada de mim". Sarsour também de forma desajeitada "se acha", por exemplo, ao se referir a si mesma como uma "pessoa incrível".

Esta longa lista de incompetências, extremismos, vulgaridades e excentricidades me faz pensar como islamistas e esquerdistas têm faniquitos em conjunto, como de fato os têm em relação à Linda Sarsour. Se ela é a sua grande estrela, então os conservadores podem ficar sossegados.


Tradução: Joseph Skilnik

(*)O Sr. Pipes (@DanielPipes) é o presidente do Middle East Forum. © 2017 por Daniel Pipes. Todos os direitos reservados.

segunda-feira, fevereiro 19, 2018

Feminismo à moda sueca


por Bruce Bawer(*).


Foto: gabinete governamental da Suécia, orgulhosamente feminista, para o qual "a perspectiva de igualdade de gênero faz parte da formulação de políticas em uma frente abrangente", e "o orçamento adequado com base no gênero é um componente chave". (Imagem: Governo da Suécia)

Um tribunal sueco deliberou contra os direitos maternos de Alicia, cidadã sueca e entregou seus filhos, (também cidadãos suecos), a um estrangeiro conhecido por ter estuprado a mãe deles, no contexto de um "casamento" segundo a lei islâmica (Sharia), quando ela própria era uma criança.


As autoridades suecas não cometeram nenhum "erro" no caso de Alicia. Cada atitude da parte deles está profundamente arraigada em uma filosofia que eles compreendem totalmente e na qual acreditam profundamente. Eles são, como adoram proclamar, feministas orgulhosos cuja fervorosa crença na irmandade termina onde começa o brutal patriarcado islâmico, a opressão de gênero e a primitiva "cultura da honra". Este é o feminismo, à moda sueca.


Na prática, como geralmente acontece, essa compulsão de respeitar as diferentes prioridades de outras culturas é mais urgente quando a cultura em questão é aquela em que a desigualdade feminina é totalmente engessada e impingida.


"A Suécia tem o primeiro governo feminista no mundo," se vangloria o governo sueco em seu Website oficial. O que isso significa exatamente?


"Isso significa que a igualdade de gênero é parte central das prioridades do governo... uma perspectiva de igualdade de gênero é o cerne da formulação de políticas em uma frente abrangente... A ferramenta mais importante do governo para implantar a política feminista é inserir a grande massa na integração de gênero e para tal o orçamento adequado com base no gênero é um componente chave".

Esse 'adendo' à retórica burocrática é um retrato do atual governo da Suécia composto por doze mulheres e onze homens.

⏩Feminismo Interseccional: Entenda essa pérola.

É claro, há diversos tipos de feminismo. O preferido da Suécia não é o da irmandade universal e da disseminação da igualdade entre os sexos ao redor do planeta. Não, é o feminismo "interseccional". O que vem a ser feminismo "interseccional"? É uma espécie de feminismo que, de acordo com o relativamente novo conceito acadêmico de "interseccionalidade", aceita uma hierarquia na qual outros "grupos de vítimas", como "pessoas de cor" e muçulmanos, estão mais acima na escala das injustiças do que as mulheres, e as mulheres que pertencem a esses grupos pertencem a um status ainda mais alto de vítimas do que as mulheres brancas, cristãs ou judias.

Isso significa que as feministas "interseccionais" devem ser culturalmente suscetibilizadas e culturalmente relativizadas, reconhecendo e privilegiando valores culturalmente estabelecidos além da igualdade sexual. Elas devem ser feministas que entendem que, ao mesmo tempo que nenhuma demonstração de desprezo pela suposta tirania dos homens do Ocidente é exacerbada, exagerada ou vulgar, elas devem, em seus encontros com culturas menos feministas, ajustar sua devoção à igualdade feminina respeitando as distintas prioridades dessas culturas. Na prática, essa compulsão de respeitar as diferentes prioridades de outras culturas é mais urgente, quando o respeito propriamente dito for tolhido quando a cultura em questão é aquela em que a desigualdade feminina é totalmente engessada e impingida.

Esse tipo de feminismo, desnecessário dizer, não se limita à Suécia. No ano passado, um dia após a posse de Donald Trump, esse feminismo estava estampado nos Estados Unidos na Marcha das Mulheres, onde o novo presidente foi universalmente acusado de ser a personificação do patriarcado, enquanto Linda Sarsour, uma mulher vestida com uma hijab, defensora da lei islâmica (sharia), tornou-se heroína feminista da noite para o dia.

⏩A mulher deve ser submissa e obediente

Sarsour está promovendo o quê? De acordo com a lei da sharia a mulher deve ser submissa e obediente. O testemunho da mulher em um tribunal vale a metade do testemunho de um homem, porque ela é "deficiente no tocante à inteligência." Uma filha deve ter direito somente à metade da herança de um filho. O marido não só tem o direito, é recomendado, que ele bata em sua esposa se ela não for suficientemente obediente. O homem pode sair com esposas "infiéis", mas uma mulher não pode se casar fora da sua religião. Um homem pode ter até quatro esposas, mas uma mulher pode ter somente um marido. Um homem pode se divorciar de sua esposa simplesmente pronunciando algumas palavras, uma mulher, se quiser o divórcio, deve se submeter a um processo prolongado no final do qual um grupo de homens decidirá a questão. O homem tem o direito de manter relações sexuais com a esposa mesmo contra a vontade dela e, em determinadas circunstâncias, também com outras mulheres. E isso é só o começo.

Às vezes, quando alguém aponta essas leis, as pessoas respondem: "bem, a Bíblia diz isso e mais aquilo". O ponto não é que essas coisas estejam escritas na escritura islâmica, mas que as pessoas ainda as respeitam. Além disso, na Marcha das Mulheres do ano passado, Sarsour, uma mulher que defende esses códigos de conduta profundamente discriminatórios e profundamente antifeministas, foi aplaudida. Esse é o feminismo "interseccional" levado ao ponto da autodestruição.

⏩Suécia, a capital Ocidental do Estupro

Ainda assim, em nenhum país os preceitos do feminismo "interseccional" foram mais inequivocamente aprovados pelo establishment político e cultural e mais resolutamente internalizados pelos cidadãos do que na Suécia. Um exemplo claro: uma das consequências do feminismo "interseccional" é a grave relutância em punir muçulmanos por agirem de acordo com os ditames morais de sua própria cultura e é exatamente por causa dessa relutância que a Suécia, com seu "governo feminista", de acordo com alguns observadores, se tornou a "capital do estupro do Ocidente. "Ademais, foi a "interseccionalidade" que no ano passado fez com que todas as mulheres membros de uma delegação do governo sueco em visita ao Irã usassem véus e se comportassem como o harém mais submisso do planeta. "Com esse gesto de subjugação" destacado por um Website de notícias suíço, "elas não só caçoaram de qualquer conceito de 'feminismo', como também apunhalaram suas irmãs iranianas pelas costas".

Outro exemplo do feminismo "interseccional" é o da sueca de 45 anos que trabalhou em uma residência coletiva para "refugiados menores de idade desacompanhados." Em novembro de 2016, aparentemente guiada pelo seu bom coração, ela acolheu em sua casa Abdul Dostmohammadi, um ex-residente afegão da residência coletiva, depois que ele completou 18 anos e não podia mais permanecer naquele local. No espaço de um mês eles viraram amantes, alguns meses depois, conforme reportado recentemente, Dostmohammadi molestou sexualmente a filha dela de 12 anos. Quando a menina contou o que aconteceu à sua mãe, ela não fez nada. Mais tarde ela explicou às autoridades que temia que Dostmohammadi fosse deportado.

Quando a menina contou para o pai, que morava em outro lugar, ele denunciou o caso à polícia. A mãe não precisava se preocupar com a deportação: Dostmohammadi foi condenado a três meses com a suspensão condicional da execução da pena, multado a pagar um valor irrisório e a prestar serviços comunitários. Tamanha é a força do feminismo "interseccional" no sistema da Suécia: permite que uma mãe sueca e uma corte sueca concedam menor prioridade ao bem-estar de sua filha sexualmente molestada do que ao bem-estar do muçulmano que a molestou.

Concluirei com mais um exemplo do feminismo "interseccional" institucionalizado em ação: os pais iraquianos de Alicia a levaram para a Suécia quando ela tinha quatro anos de idade. Aos 13 anos, eles a levaram de volta para sua terra natal para se casar com seu primo de 23 anos. Ao retornar sozinha para a Suécia, Alicia, cidadã sueca, deu à luz a meninos gêmeos, que ao nascerem automaticamente se tornaram cidadãos suecos. Após cuidar deles por um período de tempo, seus filhos foram tirados dela, contra sua vontade, para serem criados pelo marido no Iraque. No ano passado ele pediu a custódia exclusiva no Tribunal Municipal de Estocolmo. Em 9 de janeiro de 2018, o Tribunal Municipal de Estocolmo deliberou a seu favor, com base no fato dos gêmeos terem vivido mais tempo com ele do que com Alicia, que já tem 24 anos.

Um tribunal sueco deliberou contra os direitos maternos de uma cidadã sueca e entregou seus filhos, também cidadãos suecos, a um estrangeiro conhecido por ter estuprado a mãe deles, no contexto de um "casamento" da lei islâmica (Sharia), quando ela própria era uma criança. Juno Blom, especialista em violência "relacionada à honra", é uma sueca que, aparentemente, não recebeu o memorando sobre o feminismo "interseccional". Chamando a decisão do tribunal de "desgraça", Blom acusou a Suécia de deixar Alicia na mão durante toda a vida dela:


Uma menininha foi levada para fora da Suécia, obrigada a se casar, estuprada e privada de estar com seus filhos sem que as autoridades nada fizessem. E agora eles colocaram o último prego no caixão dela ao negarem a custódia de seus filhos. Não me recordo de nenhum caso em que tantos erros tenham sido cometidos".

Ao que tudo indica, Blom não está entendendo. As autoridades suecas não cometeram nenhum "erro" no caso de Alicia. Cada atitude da parte deles está profundamente arraigada em uma filosofia que eles compreendem totalmente e na qual acreditam profundamente. Eles são, como adoram proclamar, feministas orgulhosos, de cima a baixo. Acontece que, em deferência aos decretos da "interseccionalidade", a fervorosa crença na irmandade termina onde começa o brutal patriarcado islâmico, a opressão sistemática de gênero e a primitiva "cultura da honra". Este é o feminismo, à moda sueca.

Fonte - Instituto Gatestone (pt.gatestoneinstitute.org)

(*)Bruce Bawer é autor de um novo romance The Alhambra (Swamp Fox Editions). O livro While Europe Slept (2006) foi best seller da lista do New York Times e finalista do National Book Critics Circle Award.


segunda-feira, janeiro 22, 2018

As feministas e mais uma hipocrisia nada leve




por Marcelo Faria(*).

 GERALD THOMAS Diretor de teatro, fez isto ao vivo e a cores na TV
e os artistas de esquerda e as mesmas feministas  calaram-se

A polêmica de hoje é o funk (me recuso a chamar de música) excluído do Spotify porque femimimistas o acusaram de fazer “apologia ao estupro”. O “cantor”, MC Diguinho, foi atacado por causa do trecho “taca bebida, depois taca pica e abandona na rua”.

Vamos ignorar, neste texto, o fato das femimimistas atacando o funkeiro serem as mesmas que defenderam, em nome da “liberdade artística”, uma garota de cinco anos tocando em um homem nu dentro de um museu. Curioso como elas não reclamaram de apologia ao estupro naquele caso.

Enfim, resolvi dar uma olhada em outros funks no “Top 10” do Spotify.

A primeira, “Vai Malandra” de Anitta, tem trechos como 

“vai malandra, ê, tá louca, tu brincando com o bumbum”, “descer, quicar até o chão”, “taca, taca, taca”, “see my zipper put that ass on it” (“veja o meu zíper, coloque essa bunda nele”) e “I’m tryna spank it” (“estou tentando espancá-la”).
Mesmo assim, foi exaltada pela mídia e por toda a esquerda, incluindo as femimimistas,
como exemplo de “empoderamento feminino”.

A terceira, “Agora Vai Sentar” de MCs Jhowzinho e Kadinho, é igualmente “educativa”: 

“Você vai sentar por cima e o DJ vai te pegar, tu pediu, agora toma, não adianta tu voltar, menina, agora você vai sentar, dou tapinha na potranca, com o bumbum ela balança”. 


Nem um pio das femimimistas.

A oitava, “Ritmo Mexicano”, do MC GW, então, é uma beleza:

“Novinha do popô grande, quantos anos você tem? Êta, novinha, tu tá rebolando bem” e “esse é seu momento e faz o que tô te pedindo”

Novamente, zero choro.

Ou seja, a não ser que as femimimistas brasileiras sejam ouvintes de Bach, Beethoven e Mozart – e tenham descoberto apenas em 2018 que funk é sinônimo de putaria – é possível perseguir praticamente todos os funks já feitos no Brasil. É LIXO puro.

Ou você pode, por exemplo, não fazer um auê por causa de um funk, levando-o para toda a mídia de uma vez, o que certamente fará o “cantor” ganhar ainda mais fama e dinheiro.



Melhor ainda: que tal parar de ouvir merda e aprender a ouvir música? Garanto que o funk não durará muito tempo se todos fizerem isto.

PS: Abaixo-assinado e boicote magicamente deixou de ser “censura” (nunca foi, na verdade). Bom saber.


Marcelo Faria(*) é Presidente do ilisp.org e empreendedor

segunda-feira, janeiro 15, 2018

O Muro de Oprah




por Guilherme Fiuza(*).



Catherine Deneuve e suas colegas disseram, com jeitinho, que suposto despertar feminista hollywoodiano é show autopromocional (Leia o Manifesto)


Desta vez Meryl Streep não chorou. Na edição anterior do Globo de Ouro, suas lágrimas roubaram a cena para anunciar o fim do mundo com a derrota eleitoral da companheira Hillary. Os Estados Unidos tinham acabado de cair nas mãos da elite branca egoísta, e a atriz estava inconsolável diante do destino hediondo que colhera a maior democracia do planeta. Um ano depois, o emprego entre negros e hispânicos no país alcançou nível recorde. E o tema deixou de comover Meryl.


Ela e seus colegas preocupadíssimos em defender alguma vítima de alguma coisa mudaram de assunto no Globo de Ouro deste ano. Com a desoladora notícia de que os fracos e oprimidos tinham melhorado de vida no primeiro ano do governo assassino, a brigada salvacionista concentrou-se nos casos de assédio sexual. A convocação da estilista que organizou o protesto dos trajes pretos era uma fofura, tipo “não é uma boa hora para você bancar a pessoa errada e ficar fora dessa”.


Se uma intimação assim viesse do inimigo era assédio moral na certa.


Mas o show tem que continuar, e a butique ideológica foi um arraso. O stand up apocalíptico de Meryl Streep em 2017 deu lugar ao palanque apoteótico de Oprah Winfrey — aclamada, eleita e já empossada como a nova presidente dos Estados Unidos da América. Faltam apenas uns detalhes burocráticos, bobagens da vida real — que só existem para atrapalhar, como mostram os números do emprego. O ideal seria se Oprah pudesse culpar o agente laranja da Casa Branca pela marginalização dos negros, mas a realidade atrapalhou mais uma vez.


Aí ela gritou pela mulher. Coisa linda. Todo mundo chorando de novo, que nem no apocalipse da Meryl. Se Obama ganhou o Nobel da Paz antes de começar a governar, Oprah era capaz de levar o prêmio ainda no tapete vermelho. Aí vieram os estraga-prazeres lembrar a bonita sintonia da apresentadora com o dublê de produtor e predador Harvey Weinstein — sem uma única palavra dela sobre os notórios métodos do selvagem de Hollywood. Ainda veio o cantor Seal, que também é negro, dizer que Oprah é “hipócrita” e “parte do problema”. Impressionante como essa gente não sabe assistir a um happy end em paz.


O governo Oprah deveria começar construindo um muro para os invejosos não secarem mais o Globo de Ouro. Quem viesse com comentários desagradáveis sobre esse impecável espetáculo demagógico seria sumariamente deportado. Não faz o menor sentido você ter um trabalhão montando a coleção outono-inverno do luto sexual para vir um bando de forasteiros rasgar a fantasia e deixar o heroísmo de ocasião inteiramente nu.


Como se não bastasse, aparece Catherine Deneuve para jogar a pá de cal no picadeiro. Mais uma invejosa. Sobe logo esse muro, presidenta Oprah. Catherine e suas colegas disseram, com jeitinho, que o suposto despertar feminista hollywoodiano é basicamente um show autopromocional e não ataca o problema real. Estaremos sonhando? Será que finalmente alguém relevante teve a bondade de dizer isso?


Não, não é sonho. E La Deneuve disse mais: essas estrelas falsamente engajadas trazem, na verdade, uma ameaça de retorno à “moral vitoriana”, escondida nessa “febre por enviar os porcos ao matadouro”, nas palavras do manifesto publicado no “Le Monde”. Ou seja: não há nada mais moralista e reacionário que o politicamente correto. Até que enfim.


Claro que a patrulha já caiu em cima, acusando as francesas de complacência com o machismo tirânico. Retocar os fatos, como se sabe, é a especialidade da casa. Abuso de poder para chantagem sexual precisa ser denunciado sempre — não só quando se acendem as luzes do teatrinho, companheira presidenta Oprah Winfrey e grande elenco enlutado. Mas montar uma caça às bruxas fingindo que sedução é agressão — e colecionando banimentos de grandes artistas como troféu — é igualmente abominável. Tão feio quanto abandonar o tema da opressão aos negros quando o script do tapete vermelho é contrariado pela realidade.


Danuza Leão disse que o desfile dos vestidos pretos no Globo de Ouro parecia um velório. Já está sendo devidamente patrulhada, porque não se desmascara os retrógrados moderninhos impunemente (a patrulha não sabe com quem está se metendo). Aguinaldo Silva também anda sendo patrulhado por ser gay e não fazer proselitismo gay — veja a que ponto chegamos. É o ponto em que uns procuradores iluminados resolvem obrigar (repetindo: obrigar) o Santander a remontar a exposição da criança viada para fazer a selfie “heróis da diversidade”. Perguntem a Catherine Deneuve se arbitrariedade promocional faz bem à liberdade sexual.






Chega de dar plateia a esses reacionários trans. Melhor deixá-los a sós discutindo se Anitta na laje é cachorra ou empoderada.
(*) Guilherme Fiuza - escreve no Globo (oglobo.globo.com)

domingo, setembro 24, 2017

Não precisamos de feminismo, precisamos de cavalheirismo



por Flavio Morgenstern (*).



Feminismo é uma luta de classes aplicada a gêneros. Cavalheirismo é um código de conduta de homens para servir às mulheres.




Uma cidadã que o UOL dignou a alçar à categoria de colunista, chamada Regina Navarro Lins, escreveu uma “coluna” menor do que um textão de Facebook para defender (adivinhe! algo que exige muita coragem nestes dias!) o feminismo e atacar algo do que chamam de “patriarcado”. No episódio de Regina Navarro Lins, o caso foi dizer que “o cavalheirismo é péssimo para as mulheres”.

De acordo com Regina Navarro Lins (Veja o que ela pensa logo ao final deste artigo), gestos de cavalheirismo (como abrir a porta do carro, deixar a mulher andar do lado de dentro da calçada* ou deixá-la entrar primeiro após abrir uma porta) são instados desde a juventude e, em linguagem histérica-feminista-padrão, “[c]omo é comum as pessoas repetirem o que ouviram desde cedo sem refletir!” (aposto que o leitor já sabia que viria um ponto de exclamação e a palavra “refletir”).

Apesar da auto-declaração de propriedade absoluta da capacidade de reflexão, que Regina Navarro Lins crê que fez com ineditismo na história da humanidade, quem menos parece ter refletido sobre o cavalheirismo desde o cavalo de Tróia parece ser nossa heroína, que o UOL faz questão de nos avisar que é psicanalista há 42 anos (alguém surpreso?), palestrante (alguém surpreso?) e participante do programa “Amor & Sexo” da Globo (sério, alguém surpreso?!).

O maior biógrafo de Sigmund Freud na América, Philip Rieff, em sua auto-biografia My Life Among the Deathworks, definiu como “ordem sacra” o conjunto de símbolos e palavras de uma sociedade que são de autoridade pública imediata. São obedecidos sem reflexão, bem antes de se chegar ao nível de premissas. Você não “argumenta” sobre o sinal vermelho significar “pare” e nem gasta seus neurônios pensando por que a letra A tem este formato.

Na sociedade ocidental, que a freudiana Regina Navarro Lins quer tanto criticar, o cavalheirismo é um código de conduta masculino que entope os homens de restrições de comportamento, além de obrigações para com as mulheres. O Leitmotiv do cavalheirismo é a noção de que os homens, na média, possuem mais força física do que as mulheres, mas devem servir às mulheres com sua força.

Assim, enquanto nossa psicanalista de UOL e Amor & Sexo acredita que o cavalheirismo traz imbuída “de forma subliminar, a ideia de que a mulher é frágil e necessita do homem para protegê-la, até nas coisas mais simples como abrir uma porta ou puxar uma cadeira”, o cavalheirismo não se calca na mesquinha noção de necessidade e economia de subsistência do feminismo, e sim em apenas obrigar o homem, e não a mulher, a gestos que indiquem sua subserviência.

Qualquer cavalheiro sabe que uma mulher tem a perícia necessária para abrir a porta do carro operando a sua maçaneta: mas o gesto de abrir a porta para uma mulher indica não a abertura, mas que o homem, além de abrir a porta, está disposto e possui a tendência de comportamento a servi-la.

É curioso notar que a cura para todas as feministas seriam algumas doses de cavalheirismo: homens que, ao invés de se hipersexualizarem (como querem os psicanalistas) e viverem em disputa (como querem os marxistas) de ordem sexual (como querem os foucaultianos), tratassem mulheres como seres completos que também precisam ser servidas.

Perguntar: “Tem algo que eu possa fazer por você?”, talvez seguido de “meu amor”, é um gesto de cavalheirismo. Não chamar a namorada de “linda”, por não querer seguir os padrões de beleza da sociedade patriarcal, é um gesto de femininismo.

Voltássemos às virtudes cavalheirescas e aristocráticas, o feminismo ainda seria uma ideologia ridicularizada pelas mulheres. Mas é este o foco do feminismo: o cavalheirismo que resolve os problemas do mundo sozinho, sem esperar eleger alguém do PSOL para mudar a sociedade.

Curioso notar como uma psicanalista como Regina Navarro Lins, que tanto “reflete”, ao contrário de nós, ignorantes, não refletiu em nada sobre o cavalheirismo além de se deixar tomar pelo seu próprio recalque. Freud explica.

Pela trilionésima vez, vemos que feminismo nada tem a ver com mulheres: tem a ver com política. Amor & Sexo, foucaultianamente, é um programa sobre poder. Tem mais a ver com “Fora Temer!”, eternamente sem vírgula, e “patriarcado”, do que com uma vida sexual saudável.

O que salvaria qualquer feminista de sofrer de feminismo agudo.

Fonte: sensoincomum.org
(*)Flavio Morgenstern é escritor, analista político, palestrante e tradutor. Seu trabalho tem foco nas relações entre linguagem e poder e em construções de narrativas. É autor do livro "Por trás da máscara: do passe livre aos black blocs" (ed. Record). No Twitter: @flaviomorgen
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Veja quem é e o que pensa Regina Navarro Lins; as conclusões são suas:



"A monogamia já era": psicanalista e escritora Regina Navarro Lins prevê que, no futuro, o mundo será bissexual.
Polêmica até entre os colegas mais liberais, ela tem mais de dez livros, 15 mil seguidores no Twitter e dezenas de pacientes no consultório. Crítica ferrenha à moral e aos bons costumes, Regina é feminista assumida: condena o pacto de exclusividade presente nos casamentos e o cavalheirismo.

por Mayra Stachuk e Marina Caruso (Revista Marie Claire)

De segunda a segunda, a carioca Regina Navarro Lins solta frases polêmicas. “As pessoas não amam umas às outras, mas o fato de estar amando”, “Não posso transar com outro homem só porque estou casada?” e “O cavalheirismo é uma forma de oprimir a mulher disfarçada de gentileza” são algumas das máximas que a psicanalista twitta diariamente. E ela, de fato, acredita em todas. Casada pela terceira vez, com o escritor Flávio Braga, 57 anos, Regina, 62, é exemplo de tudo que prega. “Transo com quem quiser e ele também. Está provado que casamentos abertos são mais felizes”, diz. “Só não pode transformar a relação em confessionário!”




Feminista convicta, Regina é tão liberal que faz com que mesmo nós, mulheres modernas, nos sintamos antiquadas em nossos anseios mais íntimos. Sonhar com o príncipe encantado, esperar que ele abra a porta do carro e acreditar que a fidelidade existe são, segundo a psicanalista, crenças antiquadas que só nos aprisionam e angustiam. “Sofremos por acreditar no mito do amor romântico. Como se a mulher não existisse sem o homem”, afirma. Essa e outras defesas estarão na próxima publicação de Regina, O LIVRO DO AMOR, publicado pela editora Best Seller e previsto para chegar ao mercado no início de 2012. Enquanto finalizava os últimos capítulos, a escritora conversou com Marie Claire em seu apartamento, em Copacabana, no Rio. E provou por A + B que quem tem menos medo de quebrar paradigmas é muito mais feliz. Pelo menos no amor.

MARIE CLAIRE Você defende o fim do amor romântico. O que exatamente quer dizer com isso?

Regina Navarro Lins Quando falo em amor romântico, não estou falando de mandar flores, mas de um amor idealizado, irreal. Você conhece uma pessoa, idealiza e lhe atribui características que ela não tem. Passa a vida toda querendo mudá-la e, no fim, percebe que é impossível. Para piorar, o amor romântico prega uma grande mentira, que é “quem ama não sente desejo por mais ninguém”. Nessa concepção enganosa de amor, não nos apaixonamos pelo outro, mas pela própria paixão. O objeto não importa, desde que nos sintamos extasiados. É um amor egoísta, que só gera sofrimento, mas que, na minha opinião, vai acabar.

MC Mas não é esse o amor que sempre existiu?

RNL O conceito de amor mudou muito durante a história. E é essa trajetória que comprova minha teoria de que o amor romântico está saindo de cena. A primeira concepção surgiu no século 12, com o amor cortês. Só em 1940 o casamento por amor virou um fenômeno de massa, com os filmes de Hollywood. Depois da Segunda Guerra Mundial, no entanto, os jovens passaram a questionar os valores dos pais e, ainda que sem saber, a preparar o terreno para a revolução sexual que aconteceria depois. Em 1962, surgiu a pílula anticoncepcional, que foi o que realmente mudou tudo. Graças a ela, o sexo se dissociou da procriação e a mulher passou a ser dona da própria vida. Hoje, estamos no meio de uma mudança enorme de mentalidade que começou lá atrás. Por isso, posso dizer, com toda a segurança, que o casamento é só uma construção social, um modelo que reproduzimos sem saber por quê.

MC A que convenções você se refere? À monogamia, por exemplo?

RNL Claro! Se você acredita que quem ama não transa com mais ninguém mas, de repente, descobre que seu marido ou namorado transou com alguém, você vai se sentir muito sacaneada. Vai querer morrer. Quando, para mim, é muito mais simples: você pode amar profundamente uma pessoa, ter uma ótima vida sexual com ela e eventualmente ter relação com outra pessoa. Isso geraria bem menos sofrimento do que se imagina.

MC Você é contra o casamento?

RNL Não! Sou contra o pacto de exclusividade. Um casamento pode ser ótimo! Estou casada há 11 anos com o Flávio e é muito bom. Nos meus casamentos anteriores, embora eu sempre tenha me sentido livre, havia uma exigência de fidelidade implícita, que me tolhia e tolhia o outro também. Por isso, acho que hoje eu e o Flávio somos muito mais bem resolvidos. É evidente que não vamos contar nada um para o outro, porque casamento não é confessionário. A minha sexualidade é minha, não dele. O problema dos casamentos normais é que, cedo ou tarde, eles deixam as pessoas infelizes. Sabe qual o percentual de pessoas que se declaram desencantadas com o casamento? 80%! Só de 3% a 5% são realmente felizes. O resto oscila. Ou seja, não é à toa que a monogamia já era.(Nota do Blogando: Evidentemente a pesquisa deve ter sido feita pelo DataFolha que sempre é desmentida)

MC Como começou essa exigência de exclusividade sexual?

RNL Até 5 mil anos atrás, os homens não sabiam que tinham participação na geração de uma criança. Para eles, a fertilidade era exclusivamente feminina. Durante milênios, a ideia de casal foi desconhecida. Viviam todos juntos. Quando os homens abandonaram a caça e domesticaram os animais, perceberam que, se as ovelhas se separassem dos carneiros, não geravam cordeiros; porém, após o carneiro cobrir a ovelha, nasciam filhotes. A contribuição do macho para a procriação foi, enfim, descoberta. E ela coincidiu com o surgimento da propriedade privada. O homem passou a dizer “minha terra”, “meu rebanho” e aprisionou a mulher para não correr o risco de deixar a sua herança para o filho de outro, caso ela pulasse cerca. Esse é o início da exigência de exclusividade sexual, mas era válido só para as mulheres. Isso foi quebrado séculos depois, com a pílula. A mulher passou a decidir quando ter ou não filho e a se lançar no mercado de trabalho. Hoje, vivemos o fim desse desmoronamento. Ainda pode durar mais 100 anos, mas está no fim.

MC Então a monogamia está com os dias contados, é isso?

RNL É evidente que eu estou falando de tendências de comportamento, não de mudanças em curto prazo. Hoje, a maioria dos casais pode me achar louca de afirmar que o casamento monogâmico já era. Mas há, no mundo todo, sinais que mostram que casais mais liberais tendem a ser mais felizes. A revista do NEW YORK TIMES deu recentemente a seguinte capa: “INFIDELITY KEEPS US TOGETHER” (A INFIDELIDADE NOS MANTÉM JUNTOS) . É um exemplo disso.

MC E por que isso nos faria mais felizes?

RNL Nada é garantia de nada. Mas já sabemos que esse modelo que inventamos não deixa as pessoas felizes. Quem casa e opta por se reprimir em respeito ao outro pode pagar um preço muito alto. Você pode até controlar o seu desejo, mas ele vai continuar existindo em algum lugar. Daí, anos depois, você descobre que seu marido não fez o mesmo. Pronto, seu mundo caiu. Agora me diga, com toda a sinceridade: por que quando uma pessoa se casa não pode transar com outra? Historicamente, eu sei que era porque o homem não queria que sua herança fosse de outra pessoa. Mas, fisiologicamente, isso não faz sentido. Está mentindo quem diz que nunca teve tesão por outro além do marido. E mais, sexo é feito bateria de carro: se você não usa, descarrega. Por isso, o casamento monogâmico é o relacionamento no qual menos se faz sexo.

MC É possível amar duas pessoas ao mesmo tempo?

RNL Sim. O que gera sofrimento não é a traição, mas a crença no pacto de exclusividade. E o pior é que a maioria dos meus colegas não vê isso. São um bando de caretas, sabia? Todos, sem exceção, justificam a traição dizendo que o casamento vai mal ou que o amor acabou ou porque um deles quer se afirmar. Gente, não é nada disso! As pessoas têm relação extraconjugal porque variar é bom, não porque o amor acabou! Isso vai completamente na contramão do que se busca hoje: a individualidade. As pessoas querem se testar, se conhecer, perceber seus limites. É por isso que o amor romântico tende a acabar, por pregar o fim da individualidade por respeito ao outro.

MC Que outros sinais mostram que essa mudança já começou?

RNL É só ver a quantidade de casas de suingue que tem por aí, mulheres traindo e assumindo casos, buscando sua felicidade sem se colocar como subestimada. E não são mais pessoas procurando salvar relações falidas. São jovens que vão atrás de prazer e ponto. São tendências que apontam a mudança de mentalidade. Cada vez menos pessoas vão querer se fechar numa relação a dois e optar por relacionamentos mais soltos. Se bobear, minha tataraneta (ELA TEM UMA NETA DE 15 ANOS) vai dizer: “Gente, tadinha da minha tataravó, precisava ter um parceiro só para tudo” (RISOS).

MC O que você está propondo é uma espécie de poliamor?

RNL De certa forma, sim. O poliamor implica ter relações sexuais e afetivas com pessoas diferentes. É assim: eu amo meu marido e transo com ele, mas também posso transar com outras pessoas, ir com elas ao cinema, viajar. Fazer o que quiser, com quem quiser, sem obrigação de exclusividade. Eles não amam com o sentimento de posse sobre o outro, por isso não sentem ciúme. Para eles, o ciúme está ligado ao medo da perda.

MC Mas esse amor livre não poderia facilitar o abandono, aumentar a possibilidade da perda? Ou não seria uma forma de se proteger contra ela?

RNL Mas nesse tipo de relação livre não existe a possibilidade de ser trocado, porque as pessoas não precisam escolher. Veja, muitas pessoas são abandonadas, certo? Aposto que 100% delas viviam uma relação supostamente monogâmica. Ou seja, uma relação fechada não é garantia de que você nunca será abandonado. A vida toda nós fomos instruídos a dirigir nossa energia amorosa e sexual para uma pessoa só e é nisso que a gente se apega. Daí, se isso não dá certo, sofremos horrores. Sentimo-nos abandonados, jogados às traças. Mas, na verdade, o abandono acontece já nos primeiros segundos de vida. No momento em que saímos do útero da mãe, já vivemos o sentimento de falta. Aquele conforto e segurança, não teremos nunca mais. Por isso, crescemos tentando reeditar o que tínhamos no útero. E, com essa nossa cultura, a coisa fica ainda pior. Em vez de ensinar o ser humano a viver sozinho, a sociedade prega que é preciso achar alguém que o complete, sua alma gêmea. Isso é a ilusão do amor romântico.

MC Você acha que daqui a 40 ou 50 anos os casais monogâmicos serão minoria? Sofrerão preconceito?

RNL O que eu espero é que haja espaço para tudo, sem preconceitos. Não seria certo que a regra fosse “agora todo mundo vai ter de transar com todo mundo” e que os casais que optaram pela monogamia ficassem excluídos. O importante é que cada pessoa escolha sua forma de viver e não reproduza um modelo por inércia nem medo de sofrer preconceito.

MC A internet ajudou a acelerar essas transformações?

RNL Sem dúvida. Ali, tudo é permitido. Quando criaram os primeiros chats, eu fiquei louca para saber como era o sexo on-line. Em 1998, por pura curiosidade antropológica, passei alguns dias fazendo sexo virtual. Queria muito saber se era possível sentir prazer com uma pessoa a distância, e hoje sei que é. E eu não me masturbava, viu? Não conseguia digitar e me tocar ao mesmo tempo, mas quando acabava a transa me sentia exausta, satisfeita mesmo. Foi uma experiência muito legal.

MC Você já fingiu orgasmo?

RNL Ah, já. Há muito tempo. Devia ter uns 20 anos quando fiz isso pela última vez. Era uma garota ansiosa como tantas outras. Mas acho isso horrível. Sempre digo para minhas pacientes não fingirem, senão elas vão viciar o homem em um modelo errado, acostumá-lo a achar que orgasmo é algo fácil e corriqueiro. E não é! É uma maravilha que custa para ser alcançada. Isso está diretamente ligado à autoestima. A mulher que gosta de si não tem problemas em fazer o homem trabalhar mais e melhor para fazê-la gozar. Agora, a que sofre de baixa autoestima se sente constrangida e finge para acabar logo com isso...

MC Quando garota, você não sonhava com o príncipe encantado?

RNL Não. E minha irmã dizia que eu tinha alma de homem, porque criticava o fato de ela ficar esperando o príncipe dela.

MC Feministas mais radicais não gostam que os homens paguem a conta. É o seu caso?

RNL Hoje eu pago, amanhã ele paga e depois dividimos. Prefiro assim. Cansei de ouvir mulher dizendo: “Ah, só me faltava essa: pagar motel!” ou “Não me incomodo de dividir restaurante, cinema, mas motel quem paga é ele”. Isso me revolta. Se os dois vão ter prazer, não há qualquer problema em dividir a conta. A mulher não é uma prostituta que está ali para servi-lo e por isso cabe a ele pagar por tudo.

MC Mas e se o homem quiser pagar? Qual o problema?

RNL A questão que eu quero colocar é chega de que “homem deve pagar a conta do motel simplesmente por ser homem”. As mulheres querem os benefícios da liberação feminina — tipo casar dez vezes, transar na primeira noite, ganhar bem —, mas não querem o ônus. Se os direitos são iguais, são iguais também os deveres. Isso é puro machismo! Não conheço homens que sustentem a mulher e não usem isso contra ela. O dinheiro confere poder, faz com que a gente se sinta superior. Tanto que eu, se só tivesse duas opções, sustentar ou ser sustentada, ficaria com a primeira. Deus me livre ter de pedir dinheiro para comprar minhas coisas (RISOS).

MC Condena o cavalheirismo?

RNL Não, mas sei que ele é uma herança da cultura patriarcal da Idade Média que se disfarça de gentileza para atestar a força masculina e a fragilidade feminina. Gentileza é uma via de mão dupla. A mulher também pode mandar flores, assim como o homem pode ser gentil cozinhando. É tudo convenção. Que tipo de homem deseja proteger uma mulher? Certamente não um que a veja como uma igual, mas aquele que se sente superior a ela.

MC Por isso o homem está em crise?

RNL Sem dúvida. Para os que não se libertaram do mito da masculinidade (ou seja, a maioria), as mulheres que combatem o cavalheirismo são uma afronta. Eles se sentem ameaçados, pois não conhecem outro papel senão o de guardiões, protetores. Para eles, essa mudança é muito nova. No século 19, o marido tinha o direito de bater na mulher com uma vara do tamanho do seu antebraço e da grossura do seu dedo médio. Parece piada, mas é verdade! Depois me perguntam se eu sou feminista. E dá para não ser? Só não é feminista quem quer continuar vendo a mulher ser oprimida.

MC A febre dos sex shops mudou o padrão dos relacionamentos?

RNL Não. Mas deveria. As mulheres, principais frequentadoras de butiques eróticas, ainda ficam tímidas. Compram, no máximo, pequenos artigos para se masturbar. Não para transar junto com o parceiro, porque os homens entram em competição e acham uma ofensa. Chega disso, gente (GRITA)! Temos de combater o preconceito pelo menos na hora da transa. O sexo com o parceiro e o vibrador ao mesmo tempo é fisiologicamente imbatível. Enquanto o parceiro cuida da penetração, o vibrador estimula o clitóris e o orgasmo é duplo, mil vezes mais intenso. Incomparavelmente melhor.

MC Você e o Flávio usam? Isso não é um problema para ele?

RNL Usamos, claro. O Flávio é superbem resolvido. Uma vez fomos à Praia da Pipa e, quando me dei conta de que tinha esquecido o vibrador, peguei um táxi e rodei Fortaleza inteira atrás de um sex shop. Comprei um novo, grandão. Para que vou me conformar com um orgasmo simples se posso ter um duplo?

MC O que é mais comum: que a pessoa sofra porque foi traída ou que ela sofra porque, depois de traída, foi abandonada?

RNL As pessoas morrem de medo do abandono, e o problema é justamente relacionar isso à traição. Uma coisa não tem a ver com a outra.

MC Nesse caso, estamos falando da traição simplesmente sexual. E quando ela é emocional, quando existe um envolvimento amoroso?

RNL Não usaria a palavra traição em nenhum desses casos. É pejorativo demais! Trair, para mim, é alguém estar comigo por algum interesse e não por amor. Relação extraconjugal não é traição, é a coisa mais banal que existe. As pessoas deveriam se preocupar em responder a duas perguntas: 1) me sinto amada?; 2) me sinto desejada? Se a resposta for sim para as duas, tenho certeza de que está tudo bem na relação. No fundo, isso é o que importa.

Dispensa Legenda na Foto.

MC E se a resposta for não?

RNL Aí a questão não é ter ciúme ou ser traída. É se vale a pena continuar numa relação mesmo sem ser amada. Na minha opinião, quem não se sente amado deve partir para outra. Isso é vida. Tem pessoas infelicíssimas dentro do casamento, se agarrando como náufragos um na perna do outro só para não ficar só. Isso é uma fantasia.

segunda-feira, janeiro 09, 2017

Feminismo: quando a sátira se confunde com a realidade







por Tiago Kistenmarcher




Há poucos dias me deparei com um vídeo no qual uma feminista dizia processar o homem que se empenhou em resgatá-la de um afogamento em um lago. Os argumentos da moça eram paranoicos. Ela alegava, por exemplo, que segurá-la pela cintura para tirá-la da água, pressionar seu peito e fazer respiração boca a boca teria sido estupro. O título do vídeo: A man saved me from drowning, but now I am suing him for rape because he touched me [Um homem me salvou do afogamento, mas agora eu estou processando-lhe por estupro porque ele me tocou] - vídeo abaixo. Talvez o leitor já tenha tido contato com o vídeo, mas eu confesso que eu ainda não tinha visto.








Mesmo que bizarro, eu poderia ter acreditado, haja vista o oceano de obsessões feministas que parece não ter fundo. Mas ainda assim decidi procurar pela veracidade da mensagem e descobri que o vídeo feito por Cassidy Boon não passava de uma sátira, isso a despeito de inúmeros sites, estrangeiros ou não, terem veiculado a brincadeira como se a indignação da garota fosse real. Esta é a questão fundamental para a qual quero chamar a atenção neste texto. 

Faço uma pergunta: por que o vídeo com uma mensagem tão extremista foi espalhado como se fosse real? Respondo: porque atualmente o radicalismo feminista ultrapassou todos os limites e ninguém mais duvida de nada que possa surgir das profundezas de sua ideologia. Não é de hoje as tempestades sociais causadas pelo extremismo feminista. Quando uma maluquice dessas é confundida com a realidade, significa que a nossa realidade tem se tornado uma maluquice. Quem se afogou foi o bom senso. 

Durante a pesquisa que fiz acerca do vídeo, um dos sites que discutia o caso afirmava que as pessoas não mais sabem diferenciar sátiras de questões reais. Engano. O problema é que a realidade contemporânea tem se tornado por si só uma sátira, logo, há uma simbiose de ideias absurdas que naturalmente confundem a maioria dos observadores. Não deveríamos culpar quem se confunde, mas quem causa a confusão, ou seja, devemos responsabilizar aqueles que mergulham propositalmente neste mar de princípios terríveis e, não contentes, tentam puxar toda a sociedade para o fundo. 

Anos atrás extremismos do gênero seriam concebidos como sátiras, mas hoje são as sátiras que se confundem com a realidade. Se antigamente alguém vinculasse o ato de comer carne ao machismo e à violência doméstica (Comer carne é machismo? Ou: a politização do bife), dariam risadas, hoje tal estupidez é objeto de pesquisas, palestras e livros acadêmicos. Nossas avós não acreditariam que mulheres pudessem preferir serem estupradas a serem salvas por um homem, no entanto, atualmente existem feministas radicais que levantam essa bandeira. Pintar as axilas, introduzir objetos religiosos nos órgãos genitais, entrar sem roupas durante cerimônias religiosas, abortar como se troca de meia, tudo isso seria concebido, há muito tempo, como capítulos de uma distopia ou de uma peça trágica.

Mas voltando à Cassidy Boon. Estou certo de que sua sátira foi levada a sério por várias feministas. Também acredito que, caso uma mulher for resgatada de um afogamento e afirmar ter sido molestada durante o ato – ainda que seja mentira -, várias psicóticas irão apoiá-la e infernizar a vida do benfeitor. Mas dizem que rir é o melhor remédio, inclusive para infecções políticas. E isso já tem acontecido. Não é por menos que essa gente tem se tornado objeto de zombaria.

O extremismo é sempre um soldado infiltrado que mina por dentro a própria causa do movimento, seja ele qual for. Toda seita é inimiga de si mesma e, por isso acaba sendo combatida, fica isolada, sozinha e vira objeto de piada. Entrar no front político com ideias surreais é apontar a arma para o próprio peito ou, já que estamos falando de afogamento, mergulhar na política carregando sectarismo é como mergulhar no mar com uma pedra enorme atada aos pés.

Como escreveu Russell Kirk, tais ideologias podem atrair indivíduos da classe culta, no entanto, será muito mais difícil ao ideólogo persuadir o senso comum, que é sempre mais inteligente que tresloucados acadêmicos e militantes políticos desequilibrados. As coisas estão como estão porque causas que inicialmente tiveram suas razões legítimas, hoje são superdimensionadas e causam maremotos avassaladores para as relações interpessoais. São tantos esses maremotos causados pelo feminismo e essa gente ainda tem coragem de reclamar de uma “onda conservadora”?! Mas o que é uma onda azul em meio a todo um oceano vermelho?

Ademais, o conceito de estupro tem sido relativizado de modo que, elogiar uma mulher pode ser considerado um ato criminoso. Isso é um desserviço para com a proteção das mulheres, afinal, tendo em conta o relativismo feminista, um cavalheiro pode ser colocado no mesmo saco que um verdadeiro estuprador. Muitos não percebem, mas tal relativismo colabora sobremaneira para que a gravidade do estupro real seja minimizada e perca sua singularidade de crime brutal.

Mas o feminismo não quer prestar nenhum serviço às mulheres, ele quer prestar serviços às mulheres que concordam com sua visão de mundo. Aquelas que discordam podem ser xingadas e agredidas sem nenhum pudor. Hoje em dia o feminismo não passa de uma organização coletiva de ressentimentos.

É necessário cautela, porque é impossível enxergar no fundo do lago feminista. Para chegar lá, para nadar em direção aos seus objetivos mais profundos, o feminismo radical faz manobras teóricas e linguísticas inadvertidamente. Assim, suas militantes, curiosas com o que podem extrair dessas profundidades obscuras, agem com a imprudência de Naiá, a guerreira tupi-guarani que, apaixonada pela Lua, nadou até o fundo do lago para encontrá-la. Consequência? Acabou se afogando.

Fonte: Instituto Liberal
Thiago Kistenmacher

Thiago Kistenmacher é estudante de História na Universidade Regional de Blumenau (FURB). Tem interesse por História das Ideias, Filosofia, Literatura e tradição dos livros clássicos.