Mostrando postagens com marcador João Cesar de Melo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador João Cesar de Melo. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, janeiro 17, 2018

Carta Aberta ao presidenciável João Amoêdo













por João Cesar de Melo(*)




Assisti a entrevista que você concedeu ao Antagonista.

Por todo o tempo, fiquei esperando ver algo que pudesse estimular o voto de pessoas comuns. Não vi.

No final, você fez questão de deixar claro que fará uma campanha à Presidência da República defendendo ideias, não atacando pessoas.



Muito bonitinho seu posicionamento, mas gostaria de te lembrar algumas coisas.

Você está no Brasil.

Você quer ser descoberto pelo eleitorado de um país que está tentando sair da maior crise econômica e institucional de sua história. Uma crise provocada pela implantação de ideias que, em conjunto, têm nome: socialismo.

Você está no Brasil de Lula, Bolsonaro, Dilma, Temer, Guilherme Boulos, Aécio, Marina, Collor, FHC, Alckmin, Ciro Gomes, Sarney, Marcelo Freixo e Tiririca.

Você está no país de PT, PSDB, PMDB, MST, UNE, CUT e artistas da Globo.

Você está no país onde edifícios do governo são inaugurados com nomes de assassinos comunistas, onde a grande imprensa se nega a produzir matérias sobre as atrocidades cometidas por socialistas em outros países e a Câmara dos Deputados abre sessão solene para comemorar o centenário do golpe comunista na Rússia.

Você está no país onde a justiça se borra de medo de prender um ex-presidente condenado por corrupção simplesmente porque ele é de esquerda.

Paralelo a isso, temos um traste como Jair Bolsonaro em segundo lugar nas pesquisas eleitorais, mesmo sem contar com apoio da imprensa e do meio cultural. Sabe por quê? Porque ele supre a carência das pessoas por um nome que seja, claramente, oposição a tudo o que citei acima. Porque essas pessoas não aguentam mais ver políticos evitando chamar as coisas pelos seus nomes ou tentando dar outros nomes às mesmas ideias de esquerda de sempre. Essas pessoas não aguentam mais vez políticos protegendo opositores. Não aguentam mais ver políticos com medo de dizer que o socialismo envenenou o Brasil.

Sinto muito, mas, hoje, você não se distingue do político comum. Suas ideias, as quais compartilho, são muito boas, mas… não têm a menor importância no pleito eleitoral de um país como o Brasil.

É preciso aprender certas coisas.

Lula já disse que nem fatos, nem ideias, importam. Um político ou um governo pode fazer o que for, para o bem ou para o mal, que o que prevalecerá será o discurso político. É isto que as pessoas comuns levam para casa e comentam com outras pessoas.

Você, João Amoêdo, pode defender as melhores ideias, mas onde está seu discurso político? Você se propõe a combater o quê? Quem?

O cidadão comum escuta “boas ideias” desde sempre. O que ele não escuta é que os atuais problemas brasileiros são resultado de uma ideologia de gente rica e hipócrita. O cidadão comum quer votar em quem se prontifique a matar o “capeta”, não em quem promete resolver os problemas causados por ele.

Não existe almoço grátis, mas vai de graça minha dica do que você deveria falar para as pessoas:

“Estou aqui para acabar com o socialismo no Brasil porque o socialismo só gera desgraças onde se instala. O socialismo matou mais de 100 milhões de pessoas no último século. O socialismo está fazendo 90% da população da Venezuela passar fome. A atual crise econômica foi causada pelo socialismo. Pessoas como Lula e Alckmin – e partidos como PT, PSOL e PSDB – representam o socialismo no Brasil. Até o Bolsonaro, que se diz de direita, defende ideias socialistas na economia. Chega disso! Chega de socialismo! Chega de ver o governo dando dinheiro dos pagadores de impostos para grandes empresas, artistas ricos e movimentos que bloqueiam estradas e depredam cidades. Chega de ver o governo protegendo bandidos e criminalizando quem trabalha honestamente. Não dá mais para sustentar um monte de estatais, ministérios e repartições que só servem para empregar militantes dos partidos. Chega dessa política que trata pretos, pardos e pobres como pessoas fracas e incapazes de cuidar de suas vidas. Ninguém aguenta mais tanta burocracia e corrupção. Não podemos mais tolerar a erotização de nossas crianças que esses grupos de esquerda estimulam. Tudo isso é socialismo. Chega! As pessoas precisam ter mais liberdade e segurança para trabalhar e cuidar dos filhos. Eu proponho reduzir os impostos e o tamanho do estado porque isso significa mais dinheiro no bolso das pessoas trabalhadoras e nenhum centavo no bolso de parasitas socialistas. É preciso parar com a mentira de que o estado resolve problemas. O estado é o problema. Ele não tem como dar tudo a todos. Ele não tem como saber o que cada indivíduo precisa e merece. O governo só deixa a vida das pessoas mais cara, complicada e perigosa. Eu quero menos governo e mais liberdade. Os socialistas que estão concorrendo comigo nessas eleições querem mais governo e mais controle sobre a sua vida”.

É assim mesmo, repetindo a palavra “socialismo” mil vezes, que você irá se destacar, fazer pessoas comuns falarem sobre você com vizinhos, colegas e amigos.

É urgente fazer o povo correlacionar PT, PSOL e PSDB com o socialismo, e o socialismo com a fome na Venezuela. É urgente dizer a verdade.

João, você não está entrando num debate acadêmico. Você está entrando na política. Não dá para querer lutar de quimono. É luta de rua. No chão. Dedo nos olhos e chute nos joelhos. Não há lugar para elegância. Ou você bate ou apanha. O povo quer ver alguém batendo muito nas pessoas e ideias que afundaram o Brasil.

Por ser uma pessoa comum que está na rua todos os dias e vai à feira três vezes por semana, afirmo com segurança que a grande maioria dos eleitores dos outros candidatos votariam em você se te vissem se comportando, de fato, como um opositor da esquerda. O povo quer um Presidente da República que repudie clara e firmemente tudo o que estiver relacionado ao socialismo. O povo não quer um presidente liberal ou conservador. O povo quer um presidente contra a esquerdopatia que impregnou o estado, a cultura e a imprensa.

Se você se continuar evitando ataques aos símbolos socialistas, será visto como alguém que não tem nada de “novo” a oferecer. Dr. Rey, se candidato, terá mais votos do que você. Mas, se quiser apenas difundir as ideias liberais, recomendo largar a política e escrever um livro.

Fonte: Instituto Liberal de São Paulo (ilisp.org)

(*) João César de Melo (www.joaocesardemelo.com/) é artista plástico formado em arquitetura, acredita no libertarianismo como horizonte e no liberalismo como processo, ateu que defende com segurança a cultura judaico-cristã, lê e escreve sobre filosofia política e econômica.


terça-feira, janeiro 16, 2018

Por trás da criminalização da cantada masculina









por João César de Melo(*).


Cena do Filme "An American Girl in Italy (1951)"


A polêmica da semana na faniquitosfera feminista é por causa da carta assinada pela francesa Catherine Deneuve e por outras 100 atrizes em favor do direito dos homens cantarem as mulheres.

Quem conhece um pouquinho da história e das ideias socialistas sabe que nos grupos, movimentos e partidos de esquerda não existe uma única gota de preocupação com o bem-estar das pessoas. Existe apenas a obsessão em submeter todas as relações privadas ao estado.

O esforço em criminalizar a cantada masculina é um claro exemplo disso.

A estratégia passo a passo:

1 – Destacam casos extremos de assédio como se eles predominassem em nosso cotidiano.

2 – Fundem todos os incontáveis tipos de assédio num único tipo de agressão, violenta ou humilhante, onde todas as mulheres ficam traumatizadas para sempre.

3 – Tentam consolidar bordões do tipo “pelo fim da cultura do estupro” como se vivêssemos numa sociedade em que o estupro é aceito, como em certos países árabes.

4 – Por meio de matérias na imprensa e declarações de artistas, forjam um drama nacional que de fato não existe.

5 – Cobram do governo medidas contra a “cultura do estupro”.

6 – Parlamentares da esquerda apresentam projetos de lei de regulação do assédio e por pressão da imprensa e do meio artístico são aprovados.

7 – A esquerda ganha uma nova arma contra seus opositores: todo homem que for acusado de assédio, além de ser linchado pela imprensa, pelos artistas e demais grupos socialistas, sofrerá punições judiciais.

Com isso, a obsessão socialista pelo controle terá conseguido destruir a liberdade de homens e mulheres se relacionarem a partir de seus próprios julgamentos e decisões, impondo a força da lei sobre o desejo sexual masculino e enquadrando a mulher como propriedade do estado, já que será ele avaliará o que é bom ou ruim para ela até no ambiente social.

Uma pergunta: por que o movimento feminista e demais grupos de esquerda não fazem campanha para que as mulheres aprendam a se defender dos molestadores e cobrem do governo toda liberdade para isso?

Respondo: porque o movimento socialista não quer uma sociedade de indivíduos autônomos e que reajam à agressões. O movimento socialista quer uma sociedade covarde, desarmada e dependente do governo. O contrário disto é uma sociedade com poder para se voltar contra governos corruptos e tiranos, que não admite restrições à liberdade e agressões à propriedade privada. Por isso a esquerda é contra o porte de armas. Por isso a esquerda odeia os Estados Unidos.

O machismo é a ideia de que a mulher deve se sujeitar ao homem.

O socialismo é a ideia de que a mulher e o homem devem se sujeitar ao estado.

Sim, muitos homens cometem abusos contra mulheres, mas grande maioria só o faz porque confiam que elas não reagirão.

Para ilustrar essa questão, recomendo o filme Cairo 678, que retrata o caso de três mulheres vítimas de assédio sexual na capital do Egito. Uma delas recorreu à política para tentar conter a cultura do estupro que, em grande parte do mundo muçulmano, é uma realidade. A outra tentou recorrer à família. Nenhuma delas obteve sucesso.




Quem conseguiu reverter a situação foi a mulher mais pobre que resolveu apunhalar os homens que se esfregavam nela nos ônibus. Os casos foram repercutidos pela imprensa, motivando outras mulheres a fazer o mesmo.

Resultado: os assédios acabaram porque os homens passaram a temer a reação das mulheres.

Isso sim seria um “empoderamento” legítimo, bem diferente dos faniquitos diários das feministas que se dedicam a pedir que o governo regule as relações entre homens e mulheres.

Existem mil formas de assédio. Cada mulher reage de maneira diferente a cada uma delas. Algumas gostam de ser assediadas. Outras não. Alguns homens puxam as mulheres pelos braços nas festas e se esfregam nelas nos ônibus. A grande maioria não. Ou seja: estão tentando criminalizar todos os homens e fazendo-os pagar pelos atos de uma pequena minoria para consolidar a narrativa de que “todo homem é um potencial estuprador”.

O fato é que homens são apenas criaturas rudes. Não sabem o que cada mulher quer ouvir e se ela está ou não receptiva a uma investida mais direta. Por isto, muitas vezes falam besteira e agem de forma inadequada.

Mulheres e homens têm sensibilidades diferentes, mas não serão leis ou faniquitos midiáticos que mudarão isso.

A generalização do assédio, convertendo todos os casos em “crimes contra a mulher”, não é apenas uma forma de concentrar ainda mais poder no estado, mas também de retirar das relações humanas uma de suas características: o esforço diário dos homens em atrair a atenção das mulheres.

Outra pergunta: quantas mulheres querem viver num mundo onde homens tenham medo de manifestar interesse por elas? Creio que poucas. A grande maioria quer apenas que eles se expressem melhor e se comportem de maneira adequada. Então, em vez de repercutir os faniquitos da minoria, as mulheres devem criar formas de serem respeitadas e de reagir às agressões.

Espero que todas as mulheres reajam com firmeza contra todos que julgarem inconvenientes e agressivos, mas que jamais concedam ao estado o poder de legislar as relações entre elas e os homens porque será o fim da frase que parte delas adora repetir: “meu corpo, minhas regras”.

Tens suas regras? Ok. Faça você mesma com que os homens as cumpram.

Fonte - Instituto Liberal de São Paulo - ilisp.org


(*) João César de Melo (www.joaocesardemelo.com/) é artista plástico formado em arquitetura, acredita no libertarianismo como horizonte e no liberalismo como processo, ateu que defende com segurança a cultura judaico-cristã, lê e escreve sobre filosofia política e econômica.

terça-feira, janeiro 09, 2018

A falácia dos que não acreditam em esquerda e direita




por João Cesar Melo(*).




Luciano Huck utilizou o Domingão do Faustão para difundir a ideia de que “não acredita em esquerda e direita”, apenas em “pessoas de bem” e “boas ideias”.

Que lindo! Uma pessoa que apoia ideias e movimentos de esquerda, que trabalha como apresentador num canal de televisão descaradamente de esquerda e que ensaia se candidatar à Presidência da República por um partido (PSDB) de esquerda, diz que… não existe esquerda e direita!

Fazendo de conta que Luciano Huck é um ignorante qualquer, vou lhe dar algumas informações.

As coisas têm nomes. Uma faca é uma faca. Uma faca não é garfo ou colher. Facas servem para umas coisas. Garfos e colheres para outras. Por isso têm nomes diferentes. Cada doença tem seu próprio nome simplesmente porque cada uma tem causa e efeitos próprios.

As pessoas têm nomes. Elas são registradas com nomes diferentes para identificar a origem parental e para cada uma delas ser reconhecida de forma distinta na sociedade, afinal, elas são diferentes umas das outras.

Ideias também têm nomes. O nazismo alemão, o fascismo italiano e o socialismo soviético, chinês, cubano e norte coreano compartilharam as mesmas ideias de concentração de poder no estado e de combate aos direitos individuais, porém, ganharam nomes diferentes porque tiveram justificativas e procedimentos distintos.

Esquerda, direita, liberais e libertários são coisas diferentes e assim devem ser vistos.

A esquerda defende que o estado deve criar uma “nova sociedade” oferecendo um imenso leque de serviços públicos, controlando a economia, a imprensa, a educação e a cultura, dividindo a sociedade em classes e colocando os direitos individuais subordinados aos direitos coletivos.

A direita defende que o estado deve prover serviços básicos como saúde, educação e segurança sem intervir na vida privada, porém, atuando na preservação das tradições culturais e religiosas de um país.

Temos ainda os liberais, que defendem que o estado se restrinja à garantia da liberdade, da propriedade e da paz das pessoas. Para um liberal, cultura e religião – tampouco a sexualidade e a cor da pele das pessoas − não são assuntos a serem tratados pelo governo.

Libertários defendem a extinção do estado.

Sendo assim, estão alinhadas à esquerda todas as pessoas que defendem qualquer nível de intervenção estatal na vida privada – da proibição do porte de arma à patrocínios culturais, passando por programas sociais e econômicos.

Sim! É isso mesmo que você concluiu: todos os partidos atualmente com representação no Congresso são, na prática, partidos de esquerda. Sem exceção. Todos apoiam projetos que concentram poder no estado em prejuízo da autonomia individual. Todos defendem a principal ideia da esquerda: a de que o estado deve promover a justiça social.

Portanto, vivemos num país onde predominam as ideias de esquerda e é isto – nada além disto – que nos impede de ser uma sociedade melhor.

Luciano Huck disse: “não importa se é de direita ou de esquerda, não acredito mais nisso”. A intenção dessa frase, típica dos “isentões” do Facebook e da GloboNews, é a mesma de Fidel Castro à época em que buscava apoio americano para tomar o poder em Cuba. Castro não se dizia comunista. Ele se apresentava apenas como uma pessoa de bem que queria levar democracia e justiça social para os cubanos. O mundo, incluindo o governo americano, acreditou. Então, Fidel Castro tomou o poder e deu início a maior onda de violência de um governo contra seu próprio povo no continente americano, promovendo dezenas de milhares de prisões e assassinatos para implantar a ditadura socialista que vigora até hoje.

Lula construiu carreira política defendendo invasões de terra, estatização dos meios de produção, escolas e bancos, deixando bem claro que ele representava a esquerda. Foi assim que conquistou o apoio de sindicalistas, artistas e intelectuais. Para conquistar as massas, ele precisou mudar o discurso. Assim como Luciano Huck e qualquer “isentão” de nossos dias, Lula, em 2002, passou a rejeitar a “polarização esquerda/direita/liberais” dizendo que o importante é ter no governo “pessoas de bem com boas ideias” – como ele, claro.

Mas, afinal, o que a esquerda quer com isso?

Ela quer evitar ser alvo de uma análise ideológica e histórica, evitar que pessoas comuns correlacionem as ideias defendidas pela esquerda brasileira com as ideias implementadas no Leste da Europa, na China, na Coreia do Norte, em Cuba e na Venezuela. Quer evitar que as ideias de esquerda sejam correlacionadas ao petismo que afundou o Brasil na maior crise econômica e nos maiores escândalos de corrupção de sua história.

Retirando a identidade e a história das ideias, a esquerda dá a elas apenas um pai em determinado momento eleitoral. A “pessoa do bem” que pode salvar o Brasil. A promoção da “justiça social” por meio de programas econômicos e regulação do mercado deixa de ser a mesma ideia que levou tantos países à miséria e passa a ser apenas uma “boa ideia” que terá como pai alguém do PT, PSDB ou PSOL.

Poucos votariam num candidato declaradamente socialista, mas muitos ainda declaram a intenção de votar em Lula, aquele que governou em função de movimentos, partidos e ditaduras socialistas.

Se for difícil entender isso, faça um simples teste: pergunte ao seu amigo “isentão” como ele identifica uma pessoa que defende apenas algumas ideias do regime nazista de Hitler. “Nazista”, ele responderá. Depois, pergunte como ele identifica uma pessoa que defende apenas algumas ideias comunistas. Ele dirá tudo, menos que essa pessoa é comunista.

Quem se esforça em dizer que “não importa se é de esquerda ou de direita, mas se as pessoas e as ideias são boas” faz parte da estratégia da esquerda de ganhar o voto de todos, da esquerda, da direita e até de liberais inocentes.

É cretino o argumento de que é possível defender “algumas” ideias da esquerda e outras da direita ou liberais. As pessoas que dizem que o que importa são as pessoas e as ideias, não onde elas se encontram no espectro ideológico, não conseguem elogiar uma única ideia conservadora ou liberal. Não conseguem dizer que Cuba é uma ditadura e que o socialismo destruiu a Venezuela. Não conseguem sequer dizer que Lula deveria estar preso.

Luciano Huck é apenas mais um nome da esquerda em favor dela mesma. Mesmo que não se candidate a presidente, ele utilizará sua influência sobre as massas em favor do candidato que representa ideias socialistas, assim como faz a grande maioria dos artistas, jornalistas, “intelectuais” e, claro, do nosso colega “isentão”.

Luciano Huck é a Globo. A Globo é o megafone do socialismo brasileiro.


Ele não acredita em direita ou esquerda!
Nem em Saci Pererê?





(*)João César de Melo
http://www.joaocesardemelo.com/
Artista plástico formado em arquitetura, acredita no libertarianismo como horizonte e no liberalismo como processo, ateu que defende com segurança a cultura judaico-cristã, lê e escreve sobre filosofia política e econômica.
Fonte: ilisp.org

sexta-feira, dezembro 22, 2017

Por que a militância socialista odeia o Natal



por João Cesar Melo(*).





Nesta época é comum surgir manifestações da esquerda depreciando a celebração do Natal. O argumento mais comum diz que o Natal se tornou uma celebração capitalista.

Devemos nos lembrar que o socialismo é um projeto de criação de uma nova sociedade no qual o estado promove a justiça social controlando os meios de produção, o que necessariamente depende do controle de todas as relações privadas.

Primeiro tentaram implantar isso de forma direta: derrubando governos, confiscando propriedades privadas, acabando com a liberdade individual e proibindo a religião (segundo Karl Marx, “a religião é o ópio do povo”). Não deu certo. Mesmo com o uso sistemático da violência não conseguiram fazer o homem deixar de querer ser dono de sua própria vida e acreditar em Deus.

Na incapacidade de fazer uma autocrítica verdadeira, os socialistas concluíram que o erro não estava no objetivo, mas no método. Do intelectual ao maconheiro eleitor do PSOL, toda a esquerda continua acreditando que é possível mudar a natureza humana.

Substituíram, então, as revoluções por processos de infiltração. Em vez de guerrilheiros tomando palácios dos governos, passaram a ocupar espaços na cultura, na imprensa e nas instituições públicas para fazer com que as ideias socialistas fossem difundidas sem que a grande maioria das pessoas percebesse, criando um verdadeiro exército de socialistas inconscientes. Conseguiram. Hoje vemos cristãos votando em anticristãos e capitalistas financiando anticapitalistas. O fato é que o socialismo nunca esteve tão vivo, forte e bem estruturado – esta é razão de Lula ainda estar solto.

Faça você mesmo o teste: pergunte para as pessoas na rua se elas acham que o governo deve, em certos casos, confiscar propriedades privadas para atender aos interesses coletivos. A maioria responderá que sim.

Tente enumerar a quantidade de partidos, organizações, movimentos e militantes de esquerda que sustentamos com os impostos que pagamos. Repare que as ideias da esquerda são defendidas direta e indiretamente nas novelas e reportagens da Globo. Repare que até os parlamentares vistos como “direita” defendem pautas da esquerda como regulação de mercado, serviços públicos “gratuitos” e distribuição de “direitos” para grupos disso e daquilo. Gramsci venceu, mas não completamente.

Para criar a “nova sociedade”, a esquerda precisa destruir a atual que se sustenta em cinco princípios: estrutura familiar, propriedade privada, liberdade econômica, responsabilidade individual e caridade voluntária.

Foram esses cinco princípios que fizeram a humanidade sair da extrema pobreza generalizada para o atual nível de prosperidade em que menos de 10% da população se encontra na miséria e uma pessoa considerada pobre desfruta de um padrão de vida muito melhor do que reis e rainhas desfrutavam há menos de dois séculos.

Entre em um ônibus lotado de trabalhadores e veja que todos ali têm telefones celulares. Vá a qualquer favela durante um final de semana e verá dezenas de famílias fazendo churrasco. Ou seja: os “malditos” capitalistas – frutos do mundo cristão − levam comida e tecnologia aos mais pobres com preços acessíveis. Os serviços que não chegam a eles são justamente aqueles prometidos pelo estado: saneamento, segurança, educação e saúde.

Para os socialistas, porém, isto não importa. Eles continuam acreditando que o estado é que deve promover o desenvolvimento de uma sociedade controlando o mercado e escolhendo o que é bom para cada indivíduo desse planeta.

Todas as experiências socialistas foram desastrosas, mas seus militantes continuam acreditando que a próxima será um sucesso. Como disse Lenin: 

“os comunistas não acreditam em Deus. Nós rejeitamos qualquer moral baseada em conceitos não-humanos e não-classistas. (…) Nossa moral é inteiramente subordinada aos interesses da luta de classes proletária”. 

Logo, tratam de combater toda moral que não se baseia na luta de classes, especialmente a cristã.

A desqualificação do Natal faz parte deste esforço. Porém, devemos interpretar como um grande elogio a acusação de que a data se tornou uma celebração capitalista. Pelo menos nisso os socialistas estão certos.

No Natal, indivíduos livres − pobres e ricos, pretos e brancos, gays e heteros − lotam shoppings a procura de presentes para as pessoas que gostam. Compram com o dinheiro que ganharam trabalhando. Baseando-se em critérios particulares, cada pessoa decide quem irá presentear e como. Pais reúnem seus filhos em torno de uma mesma mesa para compartilhar uma ceia. Muitas pessoas aproveitam a data para ajudar pessoas carentes.

“Quanta liberdade! Que horror!”, ecoa no coração do militante socialista.

Para o desgosto da esquerda, o governo não controla nada disso. Não há uma única lei dizendo como as pessoas devem se comportar no Natal.

A celebração do Natal simboliza muito mais do que os dogmas cristãos.

As confraternizações sociais e familiares motivadas pelo Natal expõem uma sociedade em que as pessoas prezam a liberdade de fazer suas próprias escolhas, o que contraria toda a lógica socialista.

Socialistas tentam desqualificar o cristianismo porque sabem que, se conseguirem, criarão na mente das pessoas o vácuo filosófico ideal para ser preenchido pelo socialismo, aquele que depende essencialmente da fé das pessoas de que um dia dará certo. Ou seja: a religião socialista tenta ocupar na mente das pessoas o espaço que o cristianismo ocupa.

A União Soviética deu um exemplo disso: depois de perceber que as pessoas continuavam fazendo árvores de Natal − mesmo isto sendo proibido − a ditadura comunista decidiu converter o símbolo cristão em um símbolo… comunista.

A máquina de propaganda soviética passou a promover arvores de natal lindamente ornadas com símbolos comunistas como tentativa de apresentar Lenin como Deus e o estado como igreja.

Portanto, quando alguém lhe disser que o Natal simboliza o capitalismo, concorde. O Natal simboliza, também, a liberdade.

Desejo Feliz Natal a todos e registro que, apesar de ser ateu, quero continuar vivendo numa sociedade moldada por valores cristãos.



(*)João César de Melo (http://www.joaocesardemelo.com/) - Artista plástico formado em arquitetura, acredita no libertarianismo como horizonte e no liberalismo como processo, ateu que defende com segurança a cultura judaico-cristã, lê e escreve sobre filosofia política e econômica.

segunda-feira, outubro 23, 2017

Surtos de ódio e loucura justificam o desarmamento?






por João Cesar de Melo(*)




A única forma de proteger a sociedade de surtos de ódio e de loucura como o ocorrido em Goiânia é impedindo que as pessoas convivam entre si. Quem deseja isso?

Não foi uma arma que matou os adolescentes no colégio. Nem o bullying. Foi nada mais do que a psicopatia de UM INDIVÍDUO, disparada por fatos que são relevados pela quase totalidade das pessoas.

Utilizar o exemplo de Goiânia como justificativa para a preservação da lei que impede o porte de armas é um completo absurdo.

Todos os anos, ocorrem inúmeros casos de pessoas enciumadas – e que até então nunca haviam cometido um único crime − que matam seus parceiros. Nem por isso alguém sugere a proibição de relações amorosas.

Algumas dessas pessoas matam outras a tiros. Outras, a facadas, a pauladas ou envenenando-as. Algumas mulheres já cortaram o pênis de seus companheiros. Alguns homens já jogaram ácido no rosto de suas namoradas.

Todos esses casos representam a LOUCURA de algumas pessoas, não a ameaça que armas, facas, pedaços de paus e ácidos representam à sociedade.

O fato é que ALGUNS seres humanos brigam no trânsito, nos bares, nas festas, no colégio e até em eventos familiares. E, desses casos, uns poucos terminam com o assassinato de alguém.



Se for muito difícil enxergar isso, basta se perguntar o número de pessoas com as quais cruzamos todas semanas e quantas vezes vemos uma briga; e das brigas que vemos, quantos assassinatos ocorreram.

Felizmente, a sociedade é feita de pessoas pacíficas. Os crimes passionais são eventos específicos, resultado de surtos de ódio e loucura. Nem as sociedades mais desenvolvidas, conseguem erradicar manifestações do tipo.

Cada um de nós tem seus desafetos. Nem por isso, vivemos tramando formas de assassiná-los. Aprendemos a lidar com os desconfortos que outras pessoas nos provocam. Em vez de pedir que o estado nos proteja uns dos outros restringindo a liberdade de nos defender, devemos cobrar que as pessoas aprendam a lidar com os dissabores da vida.

O ódio e a loucura são imprevisíveis, mas, o que dizer da legislação que não permitirá que o adolescente seja devidamente punido?




(*)João Cesar de Melo - É arquiteto e artista plástico.

sábado, outubro 21, 2017

Os “ciclos fatais” do socialismo, segundo Geanluca Lorenzon



por João Cesar de Melo(*)





A cada dia, mais pessoas comuns se dão conta de que o socialismo é um conjunto de péssimas ideias que geram terríveis resultados. Sempre. O que ainda falta para muitos é a compreensão teórica que fundamente uma contra argumentação mais clara e objetiva. Geanluca Lorenzon nos oferece isso em seu livro Ciclos Fatais – Socialismo e Direitos Humanos.

A defesa dos “direitos humanos” é a principal pauta da esquerda nos palanques e nas ruas. Partidos, movimentos “sociais”, sindicatos, ONGs disso e daquilo, artistas, imprensa, estudantes e professores das ciências humanas, todos defendem que as pessoas devem usufruir de educação, segurança, moradia, alimentação, saúde, lazer e até liberdade. Repetem isso todos os dias das mais variadas formas. E quem garantiria isso às pessoas? O estado. Como? Por meio de programas econômicos que sustentariam políticas sociais que, por fim, promoveriam a “justiça social”, ou seja, a distribuição do dinheiro dos mais ricos entre os mais pobres.

Mas, então, como uma ideia tão bonita pode ter fundamentado as maiores desgraças da humanidade?

Para explicar isso, Lorenzon primeiro disseca o conceito de “direitos humanos”, distinguindo-os entre direitos individuais e direitos sociais. Sob a ótica liberal, ele toma como partido o pensamento de John Locke que, já em 1690, explica que todos os direitos garantidos ao indivíduo devem ser ancorados no respeito à vida, à liberdade e à propriedade − seu corpo e sua mente, e tudo o que se produz com eles. Lorenzon escreve: 

Ao respeitar a vida, a liberdade e a propriedade, a perspectiva está em si permitindo ao próprio indivíduo que o mesmo assuma a valoração do que acredita ser 
relevante para si (…).

Foi este conceito que fundamentou a Constituição Americana, destinada a proteger os indivíduos contra o estado, garantindo a liberdade de religião, de expressão, de imprensa e o de livre associação. Garantias que o típico militante de esquerda atual defende, a despeito da história do próprio socialismo, que sempre caminhou no sentido oposto, como Lorenzon explica.

O próprio conceito de igualdade apresentado por Rousseau ignora os direitos naturais do homem descritos por Locke; e Marx, catalisando as ideias do filosofo francês, qualifica esses direitos como uma visão burguesa e egoísta.

Segundo Marx, o indivíduo tem direito à comida e moradia, não à liberdade e à propriedade. Esta ideia, tragicamente difundida no ocidente, pode ser resumida no axioma de que o coletivismo é o exercício dos direitos sociais em detrimento dos direitos individuais, já que o indivíduo deixa de ser proprietário de si mesmo, tornando-se propriedade dos “interesses sociais”.

Marx enxergava que os direitos naturais descritos por Locke eram, na verdade, fruto de construções políticas e culturais que precisam ser combatidas, dando, assim, origem à expressão “conquistar direitos” tão comumente utilizada por partidos, sindicatos e movimentos de esquerda – e também pelo cidadão comum e ingênuo −, que nada mais é do que a implementação de um programa onde apenas a classe social criada e identificada como oprimida têm direitos.

Noutras palavras, a classe social outrora oprimida deve usufruir de direito a alimentação, moradia, saúde e segurança, mas o indivíduo não tem o direito de escolher o que comer, onde morar, como se tratar em caso de doença e de defender sua própria vida de agressores.

A ideia defendida por Marx provoca a pergunta fundamental: Como será garantido à todas as pessoas os direitos conferidos a elas enquanto classe social?

Os regimes mais próximos do ideal socialista vêm respondendo essa pergunta desde o começo do século XX; e em que cada um deles expuseram o que Geanluca Lorenzon descreve como processo trifásico de destruição humanitária.

A primeira fase − a Crise Socioeconômica − desse processo inicia-se com a intervenção do estado na economia, que nada mais é do que a presunção de um pequeno grupo de pessoas de enxergar e compreender todas as relações econômicas e ditar um conjunto de regras gerais que organizaria todo o mercado da forma que eles sonham.

Essa fase interrompe a transmissão de informação que dá preços a todos os produtos e serviços, ou seja, ignora o cálculo econômico feito por incontáveis pessoas e empresas cotidianamente – algo impossível de ser realizado pelo conjunto mais inteligente de economistas que possamos imaginar.

Quanto mais essa presunção é exercida, mais trágico é o resultado, com a escassez de produtos e serviços básicos e o surgimento de mercado negro para tudo o que as pessoas não conseguem mais acesso.

A segunda fase – Crise Totalitária − começa com a tentativa de recuperar a oferta de produtos e acabar com o mercado negro, com o estado intervindo diretamente em empresas e tratando como criminosas as pessoas que tentam viabilizar informalmente o fornecimento de produtos a outras pessoas. Para tanto – e sob a justificativa de zelar pelos “interesses sociais” – muda-se a constituição no sentido de eliminar os direitos individuais, concentrando ainda mais poder no estado, que passa a identificar e caçar os “sabotadores” − como vem acontecendo na Venezuela.

Nesta fase, já não há mais distinção entre poderes. O legislativo e o judiciário tornam-se braços do executivo.

Como a história conta, esse recurso leva à terceira fase descrita por Lorenzon: A crise Anti-Humanitária.

Nela, os indivíduos tornam-se oficialmente propriedade do estado, ou simplesmente escravos. Ninguém tem mais o direito de trabalhar para si mesmo, de buscar sua própria felicidade. Tem, apenas, o dever de trabalhar para a nação. Baseado nisso, campos de trabalhos forçados foram criados em todos os regimes socialistas. Baseado nisso, as ditaduras em Cuba e na Coreia do Norte proíbem seus cidadãos de sair desses países.

Como prova de que, por mais absurdo que seja tal ideia ainda vem à tona nos dias de hoje, há pouco mais de um ano, Nicolás Maduro decretou que qualquer venezuelano pode ser convocado a trabalhar no campo ou nas fábricas caso seja uma necessidade do país.

O resultado desse processo trifásico de destruição humanitária pode ser resumido no número de mortes provocadas pela tirania e descoordenação econômica dos regimes socialistas. Incontáveis atos de perseguição, prisão, tortura e assassinato contra pessoas comuns somados à fome levaram à morte mais de 100 milhões de pessoas na URSS, na Alemanha, na Ásia e África. Cuba não desabou na total desgraça humanitária porque conta, desde o começo do golpe (chamado de “revolução” pela esquerda) socialista em 1959, com a ajuda financeira da Europa.

Portanto, o socialismo é o maior vetor de destruição dos “direitos humanos”, já que, para ser implantado, ele precisa necessariamente que coibir as liberdades que o militante de esquerda atual defende nas conversas de bar, nas ruas e nas redes sociais.

Considerando que poucas semanas atrás houve uma onda de publicações sobre o centenário da “revolução russa” – muitas, ainda tentando encontrar virtudes nela − torna-se ainda mais pertinente as citações que Geanluca Lorenzon faz à algumas violações aos direitos humanos cometidos pelo regime que, a despeito das atrocidades, ainda inspira grande parte do movimento socialista, principalmente na América Latina.

Apenas no primeiro ano da “revolução”…

Lenin extingue a propriedade privada; extingue o Partido Democrático-Constitucional, acusando-o de ser um “inimigo do povo” por apoiar ideias como democracia e atividade sindical; proíbe a existência de igrejas e abole o casamento; enquadra empresários, padres e antigos membros da realeza russa numa recém-criada classe social (que no total, englobava 5 milhões de pessoas) que, a partir de então, não gozaria de quaisquer direitos; extingue o poder judiciário existente e cria a KGB e os tribunais populares a fim de identificar e perseguir pessoas contrárias à “revolução”, dando início ao Terror Vermelho, série de prisões e assassinatos.

Mais:

  • Em 1923, o regime socialista soviético confisca a produção agrícola da Ucrânia, resultando na morte por inanição de cerca de 8 milhões de pessoas.

  • Em 1933, o direito de ir e vir é definitivamente extinto, com todo cidadão precisando de autorização do governo até para visitar a cidade vizinha a sua.

  • Em 1950, são iniciados assassinatos em massa nos campos de trabalho forçado, onde centenas de milhares já haviam morrido de fome, frio ou exaustão.

  • Em 1953, a população nos campos de trabalhos forçados já era próxima a 3 milhões de pessoas.

Essas e muitas outras atrocidades foram reproduzidas na China, em Cuba e na Coreia do Norte.

No Camboja, o socialismo exterminou 26% da população em 8 meses.

Aos que ainda insistem em dissociar o nazismo do socialismo, Lorenzon explica as semelhanças do programa econômico de Hitler com o que foi implantado gradualmente na Venezuela por Hugo Chávez e Nicolás Maduro; e ainda outras correlações, tais como o uso de publicações doutrinárias nazistas pelos comunistas na União Soviética e na China.

Uma provocação: A esquerda tenta conter o “avanço da direita” relacionando-a à violação dos direitos humanos, apresentando como exemplos a ditadura militar ocorrida no Brasil. Diante disso, como devemos interpretar as constantes e positivas referências que a esquerda brasileira faz às revoluções russa e cubana?

O próprio Geanluca Lorenzon lança sua provocação: Por qual razão o socialismo continua sendo desejado e tentado?

Respondo: O socialismo é o fruto amargo do capitalismo. O nível de liberdade e conforto que as sociedades alcançaram por causa da intensificação do comércio criou massas de indivíduos desconexos com os sistemas produtivos que lhes sustentam. O estilo de vida que desfrutam lhes dá condição de se dedicar a projetar a vida dos outros, como os outros deveriam pensar, agir e viver.

Como sabemos que para cada demanda há alguém disposto a satisfazê-la, sempre teremos um punhado de pessoas e partidos políticos se apresentando como os intermediários entre o sonho socialista e a realização desse sonho.



(*)João Cesar de Melo é arquiteto e artista plástico.

Fonte: institutoliberal.org.br.

domingo, agosto 28, 2016

Socialismo e a ética do ladrão.














Podemos dividir o mundo entre dois tipos de pessoas: as que tentam atingir seus objetivos por meio de seus próprios talentos e esforços e as que tentam o mesmo por meio dos talentos e esforços dos outros. Entre os animais, tentar roubar a comida ou o território do outro é apenas uma estratégia de sobrevivência entrelaçada aos esforços cotidianos. Entre os homens não.

Muitos homens adotam o roubo como única estratégia tanto de sobrevivência quanto de qualificação social. Roubam para compensar a falta de talentos. Roubam aquilo que não conseguiriam conquistar ou pior: roubam como forma de sabotagem, meio para rebaixar os demais ao nível intelectual do ladrão.

Faz algum tempo que perdi o pudor em dizer que um socialista é um ladrão ou um potencial ladrão. Aquele que não age para se apropriar do fruto do trabalho dos outros por meio do estado, apoia que alguém o faça; o que me leva a crer que até o socialista de facebook nos roubaria se tivesse oportunidade.

Uns ladrões são mais ladrões que outros…

O ladrãozinho de rua ou de banco é um ladrão menor, de certa forma um ladrão honesto, já que ele assume que rouba para o seu benefício. Contra esse, basta polícia, justiça e cadeia.

Nossos maiores temores devem ser em relação a outro tipo de ladrão, aquele que diz que trabalha pela “justiça social”, aquele que luta contra as “desigualdades”, aquele que se diz sem apegos materiais, sem ganâncias, sem vaidades e avesso ao luxo, mas que adoraria receber um gordo salário do governo e o poder de decidir sobre a vida dos outros. Para essas pessoas, os ladrões são aqueles que pagam salários, fornecedores e impostos para só depois disso pensar em guardar para si o lucro de sua produtividade. Agir sobre empresários ou sobre qualquer pessoa que assume que pensa em si mesmo confere ao socialista um sentimento de heroísmo, a certeza de que é uma pessoa moral e espiritualmente mais elevada que as demais. “Não é roubo. É distribuição de renda!”, dizem para nós e para si mesmos.

A ditadura dos Fidel representa muito bem a ética socialista: seus agentes não têm nada além de uma casa, de um salário modesto e o poder sobre toda a população. Por aqui, o Partido dos Trabalhadores e seus devotados militantes insistem na tese de corrupção solidária, meio para se governar em benefício dos mais pobres. Lula roubou e criou condições para amigos e amigos dos amigos roubarem, mas “acabou com a pobreza”, portanto, é um bom ladrão.

Todo socialista, ativou ou passivo, acredita ser a voz e a ferramenta dos mais pobres. Vozes e ferramentas unidas pelo objetivo de levar dignidade aos pobres por meio da espoliação dos mais ricos. Todos devem pensar em todos! Todos devem trabalhar para todos! Todos devem cuidar de todos! Sorte do mundo que existem os socialistas para roubar de uns para o benefício de outros!

Ayn Rand, em seu livro A Virtude do Egoísmo, aborda esse tema. “A premissa altruísta-coletivista, implícita nessa questão, é que os homens são os donos de seus irmãos e que o infortúnio de alguns é a hipoteca de outros”, escreve.

Rand chama de “canibalismo moral” a presunção do socialista ao se enxergar com poder e sabedoria suficientes para garantir aos homens a sobrevivência e a dignidade que a natureza rejeita aos mesmos homens, tratando a vida de indivíduos como propriedade social, propriedade do projeto socialista.

“Se um homem reflete sobre o que a sociedade deveria fazer pelos pobres, ele aceita a premissa coletivista de que as vidas dos homens pertencem à sociedade e que ele, como membro da sociedade, tem o direito de coordená-los, ou estabelecer seus objetivos, ou planejar a distribuição de seus esforços”, resume, remetendo à falácia da abstração paralisada, substituindo a ética específica por uma ética abstrata, que invariavelmente leva a situação em que um homem, se dispondo como meio para o fim dos outros, acaba considerando que os outros são o meio para seus próprios fins.

“Quanto mais neurótico ele for ou quanto mais consciente na prática do altruísmo, mais ele desenvolverá planos para o bem da humanidade, ou da sociedade, ou do povo, ou das futuras gerações – ou de qualquer coisa exceto humanos de verdade”, explica a escritora. Nesse processo de espoliação de uns para a escravização de todos, o agente socialista garante sua própria sobrevivência e também seus vícios, seus prazeres e perversões.

Por isso devemos temer um socialista como tememos o maior dos criminosos, seja ele um militante de punhos cerrados ou um mero repetidor de clichês, pois é o eco das palavras, não as palavras em si, que envolvem as multidões.

Por isso que provoca grande preocupação a todo homem livre o eco de ideias “humanitárias” que preveem sua imposição por meio do estado − ou seja, por meio da força −, baseando-se em estereótipos morais do homem rico e ganancioso que precisa ser contigo.

Sob qual régua alguém julga a moral de alguém? A régua de si mesmo?

Ayn Rand responde: “É apenas para a irrealidade paralisada dentro de um cérebro coletivizado que as vidas humanas são intercambiáveis – e apenas esse tipo de cérebro pode considerar moral ou adequado o sacrifício das gerações dos homens vivos pelos supostos benefícios que a ciência pública, ou a indústriapública, ou os acordos públicos trarão aos que ainda estão por nascer”.

O socialista é um ladrão que luta contra a ganância dos homens.

O socialista é um ladrão que rouba pelos outros, para que todos lhe concedam o privilégio de viver sem produzir.

A ética coletivista é a ética do “bom” ladrão, da ditadura do “bem”, da privação da liberdade em benefício da igualdade – todos os escravos são iguais, ou não?

PARTICIPE da campanha de pré-venda do livro Comunidade Progresso, de João César de Melo, que será publicado pela editora Simonsen e contará com prefácio do Rodrigo Constantino. Para saber mais, clique aqui.

terça-feira, dezembro 15, 2015

Jornal Nacional contra o Brasil.







João Cesar de Melo(*)





O povão não lê a Folha de São Paulo, nem o Estadão, nem o Globo porque cada exemplar custa o preço de uma passagem de ônibus. Se não tem dinheiro para jornal, obviamente não tem dinheiro para assinar a Veja, ou a Época, ou a Isto É, ou a Piauí. O povão não lê os tantos blogs sobre política e economia que excitam a classe média porque não têm tempo para isso. Não acompanha a Globo News ou a Band News porque trabalha o dia todo. Não assiste o Willian Waack no Jornal da Globo porque o programa vai ao ar tarde demais. O povão tira suas conclusões a partir do que assiste no Jornal Nacional. O Jornal Nacional é a principal fonte de informação da maioria dos brasileiros.


Por muito tempo, não me deixei contaminar pelo frenesi anti-Globo porque sempre respeitei que os meios de comunicação privados tivessem seus posicionamentos em relação aos mais diversos temas. Não me deixava contaminar pelo frenesi anti-Globo porque, mesmo discordando da maioria de suas inclinações, eu reconhecia que a emissora prestava algum serviço público em suas novelas ao abordar temas como transplante de órgãos, câncer de mama, síndrome de down, autismo, racismo, homofobia, religião etc. A verdade é que a Globo contribuiu mais para algumas causas do que todas as iniciativas do governo até hoje. Porém, por trás dessa verdade existe outra verdade. Uma verdade dolorosa. Uma verdade vergonhosa. Uma verdade que vem se transformando num imenso absurdo através do Jornal Nacional.


Estamos num dos momentos mais delicados da história do Brasil. Excluo, só por um momento, a degradação da política brasileira. Refiro-me, nesse texto, apenas ao eminente colapso econômico. Uma situação que interfere diretamente na vida de todo cidadão, principalmente na vida dos mais pobres. Pessoas comuns estão perdendo empregos. Pessoas comuns estão perdendo clientes. Pessoas comuns estão perdendo suas únicas fontes de renda. Os salários de pessoas comuns estão sendo corroídos por uma inflação que sabemos que é muito maior do que o anunciado.


Até uma semana atrás, o Jornal Nacional noticiava tudo isso. Noticiava a duplicação do índice de desemprego e da inflação em um ano. Noticiava que o Brasil perdeu 3% de seu PIB no mesmo período. Noticiava o resultado das pesquisas que indicam o pessimismo do comércio, da indústria, do mercado financeiro e até da dona de casa. Até uma semana atrás, o Jornal Nacional noticiava o desmoronamento da economia brasileira. Parou de noticiar desde quando foi aceito o processo de impeachment contra Dilma.


Desde então, o Jornal Nacional atua como advogado de defesa do atual governo. Reproduz os discursos de Dilma até três vezes num mesmo noticiário. Destaca os aplausos dos militantes petistas, as desculpas esfarrapadas de seus líderes e as falas ultrajantes de Lula. Ontem a noite, o telejornal noticiou que uma manifestação da CUT em favor de Dilma, no Rio de Janeiro, contou com 10 mil pessoas, sendo que as imagens aéreas mostravam que não havia nem um décimo desse número.


As poucas entrevistas com pessoas que pedem o afastamento de Dilma foram editadas com o cuidado necessário para que nenhum argumento fosse exposto de tal forma que um telespectador mais humilde pudesse compreendê-lo. Não foi feita uma única entrevista com os Juristas Hélio Bicudo, Miguel Reale Junior e Janaína Paschoal, autores do pedido de impeachment. O Jornal Nacional não mede esforços para fazer o povão acreditar que o processo de impeachment é obra de Eduardo Cunha, cria situações para mostrar os membros do governo dizendo que tudo não passa de um golpe do PSDB, “inconformado com o resultado das urnas”, oferece todo o espaço necessário para o governo dizer que Dilma resolverá a crise que ela mesma criou.


Desde que o pedido de afastamento de Dilma foi aceito, o maior telejornal brasileiro não se deu trabalho de explicar a relação entre a irresponsabilidade fiscal dos últimos anos com a atual crise econômica. Se o Jornal Nacional tivesse um mínimo de honestidade jornalística, repetiria todos os dias o seguinte: O desrespeito da Lei de Responsabilidade Fiscal pode levar o governo a ficar sem dinheiro para pagar os salários de servidores e pensionistas. Não diz isso porque sabe que, dessa forma, o povão entenderia perfeitamente os crimes que recaem sobre Dilma.


O Jornal Nacional não se importa que um possível arquivamento do pedido de impeachment significaria um duro golpe na moral dos brasileiros – o povo que grita “Fora Dilma” sendo obrigado a ver o desejo dos partidos da extrema-esquerda brasileira prevalecer.


Então, eu me lembro de que, dois dias atrás, num mesmo bloco foi noticiada a “vitória da oposição” na Venezuela e a vitória da “extrema-direita” na França, com direito a carinha de nojo do Willian Bonner. Isso é a Globo. Isso é o Jornal Nacional. Sempre dando conotação pejorativa a tudo o que não é esquerda. Evitando ao máximo relacionar o chavismo com extrema-esquerda. Esforçando-se ao máximo em impedir que as pessoas correlacionem o colapso econômico na Venezuela com as ideias socialistas. Fazendo o diabopara que o telespectador não se dê conta de que o PT é um partido de extrema-esquerda e que desde que assumiu o poder tenta impor sua própria revolução bolivariana.


A verdade: A Rede Globo se tornou o maior veículo de publicidade do socialismo.


Continuo defendendo que todas as empresas privadas de comunicação tenham liberdade para tomar partido sobre qualquer assunto, mas espero que os brasileiros um dia enxerguem a cumplicidade do Jornal Nacional no verdadeiro golpe que está em curso, o golpe do PT contra o Brasil.


A Rede Globo, através do Jornal Nacional, está ajudando o PT a rasgar a Constituição do Brasil. Está tentando tirar de 200 milhões de cidadãos o direito de punir um partido que vem a 13 anos dilapidando a economia do país.


(*)Arquiteto, artista plástico e escritor. Escreveu o livro “Natureza Capital”.