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sábado, outubro 21, 2017

Os “ciclos fatais” do socialismo, segundo Geanluca Lorenzon



por João Cesar de Melo(*)





A cada dia, mais pessoas comuns se dão conta de que o socialismo é um conjunto de péssimas ideias que geram terríveis resultados. Sempre. O que ainda falta para muitos é a compreensão teórica que fundamente uma contra argumentação mais clara e objetiva. Geanluca Lorenzon nos oferece isso em seu livro Ciclos Fatais – Socialismo e Direitos Humanos.

A defesa dos “direitos humanos” é a principal pauta da esquerda nos palanques e nas ruas. Partidos, movimentos “sociais”, sindicatos, ONGs disso e daquilo, artistas, imprensa, estudantes e professores das ciências humanas, todos defendem que as pessoas devem usufruir de educação, segurança, moradia, alimentação, saúde, lazer e até liberdade. Repetem isso todos os dias das mais variadas formas. E quem garantiria isso às pessoas? O estado. Como? Por meio de programas econômicos que sustentariam políticas sociais que, por fim, promoveriam a “justiça social”, ou seja, a distribuição do dinheiro dos mais ricos entre os mais pobres.

Mas, então, como uma ideia tão bonita pode ter fundamentado as maiores desgraças da humanidade?

Para explicar isso, Lorenzon primeiro disseca o conceito de “direitos humanos”, distinguindo-os entre direitos individuais e direitos sociais. Sob a ótica liberal, ele toma como partido o pensamento de John Locke que, já em 1690, explica que todos os direitos garantidos ao indivíduo devem ser ancorados no respeito à vida, à liberdade e à propriedade − seu corpo e sua mente, e tudo o que se produz com eles. Lorenzon escreve: 

Ao respeitar a vida, a liberdade e a propriedade, a perspectiva está em si permitindo ao próprio indivíduo que o mesmo assuma a valoração do que acredita ser 
relevante para si (…).

Foi este conceito que fundamentou a Constituição Americana, destinada a proteger os indivíduos contra o estado, garantindo a liberdade de religião, de expressão, de imprensa e o de livre associação. Garantias que o típico militante de esquerda atual defende, a despeito da história do próprio socialismo, que sempre caminhou no sentido oposto, como Lorenzon explica.

O próprio conceito de igualdade apresentado por Rousseau ignora os direitos naturais do homem descritos por Locke; e Marx, catalisando as ideias do filosofo francês, qualifica esses direitos como uma visão burguesa e egoísta.

Segundo Marx, o indivíduo tem direito à comida e moradia, não à liberdade e à propriedade. Esta ideia, tragicamente difundida no ocidente, pode ser resumida no axioma de que o coletivismo é o exercício dos direitos sociais em detrimento dos direitos individuais, já que o indivíduo deixa de ser proprietário de si mesmo, tornando-se propriedade dos “interesses sociais”.

Marx enxergava que os direitos naturais descritos por Locke eram, na verdade, fruto de construções políticas e culturais que precisam ser combatidas, dando, assim, origem à expressão “conquistar direitos” tão comumente utilizada por partidos, sindicatos e movimentos de esquerda – e também pelo cidadão comum e ingênuo −, que nada mais é do que a implementação de um programa onde apenas a classe social criada e identificada como oprimida têm direitos.

Noutras palavras, a classe social outrora oprimida deve usufruir de direito a alimentação, moradia, saúde e segurança, mas o indivíduo não tem o direito de escolher o que comer, onde morar, como se tratar em caso de doença e de defender sua própria vida de agressores.

A ideia defendida por Marx provoca a pergunta fundamental: Como será garantido à todas as pessoas os direitos conferidos a elas enquanto classe social?

Os regimes mais próximos do ideal socialista vêm respondendo essa pergunta desde o começo do século XX; e em que cada um deles expuseram o que Geanluca Lorenzon descreve como processo trifásico de destruição humanitária.

A primeira fase − a Crise Socioeconômica − desse processo inicia-se com a intervenção do estado na economia, que nada mais é do que a presunção de um pequeno grupo de pessoas de enxergar e compreender todas as relações econômicas e ditar um conjunto de regras gerais que organizaria todo o mercado da forma que eles sonham.

Essa fase interrompe a transmissão de informação que dá preços a todos os produtos e serviços, ou seja, ignora o cálculo econômico feito por incontáveis pessoas e empresas cotidianamente – algo impossível de ser realizado pelo conjunto mais inteligente de economistas que possamos imaginar.

Quanto mais essa presunção é exercida, mais trágico é o resultado, com a escassez de produtos e serviços básicos e o surgimento de mercado negro para tudo o que as pessoas não conseguem mais acesso.

A segunda fase – Crise Totalitária − começa com a tentativa de recuperar a oferta de produtos e acabar com o mercado negro, com o estado intervindo diretamente em empresas e tratando como criminosas as pessoas que tentam viabilizar informalmente o fornecimento de produtos a outras pessoas. Para tanto – e sob a justificativa de zelar pelos “interesses sociais” – muda-se a constituição no sentido de eliminar os direitos individuais, concentrando ainda mais poder no estado, que passa a identificar e caçar os “sabotadores” − como vem acontecendo na Venezuela.

Nesta fase, já não há mais distinção entre poderes. O legislativo e o judiciário tornam-se braços do executivo.

Como a história conta, esse recurso leva à terceira fase descrita por Lorenzon: A crise Anti-Humanitária.

Nela, os indivíduos tornam-se oficialmente propriedade do estado, ou simplesmente escravos. Ninguém tem mais o direito de trabalhar para si mesmo, de buscar sua própria felicidade. Tem, apenas, o dever de trabalhar para a nação. Baseado nisso, campos de trabalhos forçados foram criados em todos os regimes socialistas. Baseado nisso, as ditaduras em Cuba e na Coreia do Norte proíbem seus cidadãos de sair desses países.

Como prova de que, por mais absurdo que seja tal ideia ainda vem à tona nos dias de hoje, há pouco mais de um ano, Nicolás Maduro decretou que qualquer venezuelano pode ser convocado a trabalhar no campo ou nas fábricas caso seja uma necessidade do país.

O resultado desse processo trifásico de destruição humanitária pode ser resumido no número de mortes provocadas pela tirania e descoordenação econômica dos regimes socialistas. Incontáveis atos de perseguição, prisão, tortura e assassinato contra pessoas comuns somados à fome levaram à morte mais de 100 milhões de pessoas na URSS, na Alemanha, na Ásia e África. Cuba não desabou na total desgraça humanitária porque conta, desde o começo do golpe (chamado de “revolução” pela esquerda) socialista em 1959, com a ajuda financeira da Europa.

Portanto, o socialismo é o maior vetor de destruição dos “direitos humanos”, já que, para ser implantado, ele precisa necessariamente que coibir as liberdades que o militante de esquerda atual defende nas conversas de bar, nas ruas e nas redes sociais.

Considerando que poucas semanas atrás houve uma onda de publicações sobre o centenário da “revolução russa” – muitas, ainda tentando encontrar virtudes nela − torna-se ainda mais pertinente as citações que Geanluca Lorenzon faz à algumas violações aos direitos humanos cometidos pelo regime que, a despeito das atrocidades, ainda inspira grande parte do movimento socialista, principalmente na América Latina.

Apenas no primeiro ano da “revolução”…

Lenin extingue a propriedade privada; extingue o Partido Democrático-Constitucional, acusando-o de ser um “inimigo do povo” por apoiar ideias como democracia e atividade sindical; proíbe a existência de igrejas e abole o casamento; enquadra empresários, padres e antigos membros da realeza russa numa recém-criada classe social (que no total, englobava 5 milhões de pessoas) que, a partir de então, não gozaria de quaisquer direitos; extingue o poder judiciário existente e cria a KGB e os tribunais populares a fim de identificar e perseguir pessoas contrárias à “revolução”, dando início ao Terror Vermelho, série de prisões e assassinatos.

Mais:

  • Em 1923, o regime socialista soviético confisca a produção agrícola da Ucrânia, resultando na morte por inanição de cerca de 8 milhões de pessoas.

  • Em 1933, o direito de ir e vir é definitivamente extinto, com todo cidadão precisando de autorização do governo até para visitar a cidade vizinha a sua.

  • Em 1950, são iniciados assassinatos em massa nos campos de trabalho forçado, onde centenas de milhares já haviam morrido de fome, frio ou exaustão.

  • Em 1953, a população nos campos de trabalhos forçados já era próxima a 3 milhões de pessoas.

Essas e muitas outras atrocidades foram reproduzidas na China, em Cuba e na Coreia do Norte.

No Camboja, o socialismo exterminou 26% da população em 8 meses.

Aos que ainda insistem em dissociar o nazismo do socialismo, Lorenzon explica as semelhanças do programa econômico de Hitler com o que foi implantado gradualmente na Venezuela por Hugo Chávez e Nicolás Maduro; e ainda outras correlações, tais como o uso de publicações doutrinárias nazistas pelos comunistas na União Soviética e na China.

Uma provocação: A esquerda tenta conter o “avanço da direita” relacionando-a à violação dos direitos humanos, apresentando como exemplos a ditadura militar ocorrida no Brasil. Diante disso, como devemos interpretar as constantes e positivas referências que a esquerda brasileira faz às revoluções russa e cubana?

O próprio Geanluca Lorenzon lança sua provocação: Por qual razão o socialismo continua sendo desejado e tentado?

Respondo: O socialismo é o fruto amargo do capitalismo. O nível de liberdade e conforto que as sociedades alcançaram por causa da intensificação do comércio criou massas de indivíduos desconexos com os sistemas produtivos que lhes sustentam. O estilo de vida que desfrutam lhes dá condição de se dedicar a projetar a vida dos outros, como os outros deveriam pensar, agir e viver.

Como sabemos que para cada demanda há alguém disposto a satisfazê-la, sempre teremos um punhado de pessoas e partidos políticos se apresentando como os intermediários entre o sonho socialista e a realização desse sonho.



(*)João Cesar de Melo é arquiteto e artista plástico.

Fonte: institutoliberal.org.br.

sábado, setembro 30, 2017

Sociologia do jornalismo




O episódio do MAM e as criaturas que infestam as redações.
por Cristian Derosa(*).






Comentário do autor, Cristian Derosa:
A “performance” apresentada no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM) que expôs um homem nu à apreciação de crianças e adolescentes gerou protestos, mas a jornalista Rita Lisauskas, do Estadão, reagiu, no Twitter, com ironia à justa indignação do público. Em sua mente “jornalisticamente correta”, soa absurdo que alguém tente “cercear” uma “livre expressão”, mesmo que seja criminosa ou pedófila, pelo simples fato dessas expressões representarem, para o meio jornalístico do qual ela faz parte, a mais excelsa e intocável arte. Certamente, para ela, toda a sociedade deve aceitar, em silêncio, abusos de crianças em museus e escolas e o grande vilão que a sua mente jornalística consegue visualizar é o MBL (Movimento Brasil Livre), o maior grau de conservadorismo que ela consegue perceber.

Rita Lisauskas é apenas mais um exemplo, entre centenas de jornalistas, do que aponto no presente artigo.


Redações em espiral: a sociologia do jornalismo

Em uma época em que o reforço psicológico e a auto-afirmação fazem as vezes de valores morais, não há maior apóstolo da credibilidade jornalística do que o próprio jornalista. Ele é, portanto, a vítima mais indefesa e mais submetida às forças psicológicas que se distribuem pela sociedade contemporânea. E, portanto, a quem menos se deve dar crédito.


Toda a vida moderna gira em torno da socialização, do afago a egos cada vez mais sedentos de confirmação, a autoimagens hiper-sensíveis e à beira do pânico diante da possibilidade de rejeições e do medo do isolamento, que representaria a morte social. O autoengano, neste sentido, torna-se uma prática diária de sobrevivência.

O sociólogo David Riesman diagnosticou esse fenômeno em sua obra A multidão solitária, publicado na década de 1950, no qual destacava a ascensão de um novo caráter social que chamou de alterdirigido, isto é, dirigido pelo outro. Desde a época das suas primeiras observações a respeito, o foco no ambiente social aumentou drasticamente. Hoje, ninguém pode estar totalmente imune ao juízo público. Nas palavras da politóloga Elisabeth Noelle-Neumann, quem mostra-se indiferente à opinião pública é ou um louco ou um santo.

Se estamos todos individualmente submetidos a essa pressão latente, um dos principais veículos responsáveis por disseminar a homogeneização das opiniões e crenças é a grande mídia, representada especificamente pelos meios noticiosos ou pretensamente informativos. Esses meios possuem, eles próprios, um ambiente no qual são produzidas as informações como atividade profissional, mas também social. Assim como nas ruas, nas repartições, no ponto de ônibus, na fila do banco ou no caixa do supermercado, as redações dos jornais fornecem um ambiente social especialmente fértil à transmissão de comportamentos e condutas imitativas. O jornalista está sujeito às mesmas forças que o restante da opinião pública, mas carrega consigo muito mais motivos para depositar credibilidade no seu próprio trabalho, pelas mesmas razões psicológicas presentes no restante da sociedade: a auto-afirmação, o desejo mimético de pertencimento à classe dos informadores e a solidariedade da categoria. Mas há algo mais.



Universidade: onde tudo começa
Formado por pessoas oriundas das universidades, locais em que hoje vigora o vício em álcool, drogas como maconha e opiniões superficiais, o jornalista chega à redação com crenças tanto mais firmes e convictas quanto menos fundamentadas em fatos ou experiências. O ambiente universitário, especificamente o do jornalismo, fundamenta-se na disseminação de uma imagem de sociedade que independe de experiências ou vivências reais. Pelo contrário: toda experiência real deve, por força e pressão do pertencimento à nova classe, ser moldada e ressignificada dentro das categorias presentes na imagem ideológica de sociedade que foi aprendida em sala de aula. E a força persuasiva dessa imagem não está de forma alguma na força dos seus postulados, no rigor da observação, tampouco na credibilidade intelectual ou pessoal do professor. A maior força de persuasão está no próprio compartilhamento das crenças pelos membros do grupo, uma vez que isso fortalece, não a crença ou conjunto de crenças em si mesmos, mas o pertencimento do indivíduo àquela comunidade pretensamente pensante.
“O mundo é governado pela opinião”.
Gravura publicada em 1641, representando a opinião pública regada
 pelos jornais, comandada pelo governante.


O fator catalisador das ideias e opções ideológicas e idealistas está, sem sombra de dúvida, na permanente e onipresente socialização a que o estudante universitário se vê submetido desde a entrada às portas daquilo que crê ser o “templo do conhecimento”. Hoje as universidades estão rodeadas de bares e cervejarias, bem o contrário do que um ingênuo observador poderia supor ao imaginar um campus circundado por livrarias, cafés e museus. A vida universitária de nossas cidades foi, já há algumas décadas, reduzida àquilo que antes era reservado aos estratos mais baixos da vida urbana, às periferias não apenas geográficas, mas morais. O mundo ordinário do estudante há muito deixou de ser o das letras e das artes para precipitar-se à mais baixa escala de existência. Uma mudança desse tipo, de graves consequências para milhares de vidas individuais, não pode ser esquecido quando tentamos compreender o conteúdo abjeto de notícias advogando em favor de crimes como pedofilia, uso de drogas e assassinatos. Também não nos deve impressionar uma decadência desse tipo.

Cada vez mais estudos apontam para uma verdadeira epidemia de depressão e ansiedade em estudantes universitários. Até mesmo casos de esquizofrenia e surtos psicóticos não são raros. A exposição a drogas e socialização constante produz evidentemente um aumento nos níveis de ansiedade e demandas maiores por atividade social, o que no meio universitário é facilmente confundido com estudo, atividade social, ativismo e uma gama de coisas vistas hoje somente em seu caráter positivo.

A redação
Chegada a formatura, o jornalista recém formado se crê no direito de ser contratado pelos jornais proeminentes e, tão logo o consiga, sabe que tem o dever de transformar a sociedade naquilo que seus professores o ensinaram. Mas, chegado ao ambiente social da redação, tudo muda. Até mesmo o idealismo universitário pode ser deixado de lado em nome da adaptação social ao novo grupo. O chefe, o colega, os “famosos” da redação, os exemplos dos quais todos falam, aquele repórter premiado que passa na redação distribuindo brincadeiras íntimas sem, no entanto, aceitar muita proximidade. O recém chegado adoraria ser amigo dele. Eis o objetivo profissional inicial e imediato. Tão logo se tornar aceito e integrante daquelas brincadeiras, será notado pelo editor-chefe. Este é o critério inicial e a demora ou incapacidade de perceber isso pode representar a ruína ou o ostracismo editorial: ser relegado à diagramação ou a algum outro setor já previamente estigmatizado como depósito de inúteis sociais. O inútil social é alguém que não foi capaz de conquistar o sorriso do chefe (ou dos colegas que o fizeram) ou não atraiu para si qualquer interesse ou simpatia, o que indicaria a submissão às ordens dadas sempre em tom de confiança. Ordens estas que significam obviamente opções muito claras em direção a políticas editoriais vindas de cima.

Em suma: todos precisam demonstrar afabilidade e flexibilidade extremas, que beiram o puxa-saquismo e a tolerância com humilhações, para comprovar a sua utilidade a um sistema de obediência absurdamente rígido, mas que aparenta ser apenas um jogo social necessário ou inevitável.

O problema por trás do que chamamos muito genericamente de “militância esquerdista nas redações”, não é uma questão ideológica. O que viabiliza toda a transmissão de ideias é, na verdade, a submissão psicológica, a dependência social em que indivíduos são cooptados não em nome de ideais, mas da sua sobrevivência social e profissional. Uma minoria dos jornalistas e repórteres possuem crenças fixas e convictas. A grande massa disforme de profissionais está apenas sujeita a uma rede de ameaças emocionais que forma um sistema psicótico de produção de histéricos em série. Nada disso pode ser possível sem aquela dependência longamente construída na universidade, regada a muito álcool, drogas e uma vida moral pautada pela imitação de comportamentos, incrementos à hipersensibilização, distanciamento da realidade e confusão entre realidade e mundo social abstrato.



Fonte: Midiasemmascara.org

sexta-feira, setembro 01, 2017

Hipocrisia igualitarista





por Marcos Henrique.




Todo igualitarista, o indivíduo que rejeita o conceito de “igualdade perante a lei”, e prega a “igualdade efetiva entre os homens”, sempre se enxerga posicionado, no mínimo, um nível na escala socioeconômica abaixo das pessoas que merecem “justamente” ser apontadas como “egoístas”, “acumuladores de riquezas”, “exploradores”, “porcos capitalistas”, etc. Olham sempre para os bens e as riquezas dos que possuem mais (normalmente dos milionários), expressam seu desejo incontrolável de impor que tais riquezas sejam divididas “igualitariamente”, porém jamais se voltam para os seus próprios bens e riquezas. Sempre consideram tudo o que possuem como sendo bens justa e legitimamente adquiridos, independentemente do quão grande seja o próprio patrimônio acumulado. Consideram a posse dos seus próprios bens um direito irrevogável!

Ou seja: não passam de hipócritas!

Você, que considera justa a ideia de impor, por meios políticos, a “igualdade efetiva entre os homens”, proceda da seguinte maneira:

– Abra sua geladeira e o armário da sua cozinha, e verifique: você precisa de todos os alimentos que estão armazenados lá dentro?

– Ande pela sua casa, e verifique: você precisa de toda a mobília da sua casa? Você precisa de todos os seus pertences, como notebooks, smartphones, tablets, relógios, perfumes, jóias, eletrodomésticos, etc?

– Abra o seu guarda roupas, e verifique: você precisa de todas as roupas que estão dentro dele?

– Analise seu estilo de vida, e responda: você precisa sair para almoçar com a sua família em um restaurante “bacana” no domingo? Você precisa sair com seus amigos para os bares e boates da moda nos fins de semana? Você precisa viajar para outra cidade, outro estado, ou outro país nas suas férias?

– Consulte sua conta bancária, seus fundos de investimento e seu plano de previdência privada. Você precisade todos esses recursos?

Observação: Considere “precisar” um sinônimo de “absolutamente indispensável para a manutenção da sua vida”.

Responder NÃO para qualquer das perguntas acima, é a evidência incontestável de que você possui mais recursos do que efetivamente precisa para garantir a manutenção da sua vida, recursos estes que seriam muito úteis para os indivíduos “excluídos” e “explorados” cujos interesses você alega defender. Se a sua resposta for NÃO para qualquer das perguntas, demonstre que você acredita na “igualdade efetiva entre os homens”, que você vive de acordo com seus princípios, e SOCIALIZE tudo cuja falta não vai por em risco sua própria vida, ou seja, coloque tudo o que você NÃO PRECISA à disposição de alguém que PRECISA MAIS QUE VOCÊ.

Pare de falar, e aja de acordo com seus princípios! Aja em prol da igualdade que você defende, reduzindo um pouco sua própria riqueza, e aumentando um pouco a de alguém. 

Enquanto você não agir exatamente como quer exigir que os outros ajam, ao menos pare de julgar e acusar quem vive exatamente da mesma maneira que você. Até o dia em que você tomar a iniciativa de agir de acordo com os princípios que defende, tenho uma notícia para você: Você é tão egoísta e insensível quanto qualquer milionário “porco capitalista acumulador de riqueza”. Com o agravante de que você é um hipócrita!

Luciana Genro é a prova viva de que todo 
socialista é um vigarista

Fonte: conservadorismodobrasil.com.br

quinta-feira, julho 20, 2017

Partido Liberal Sueco: Incesto e necrofilia devem ser legalizados







por Natan Falbo.




O incesto entre irmãos e necrofilia deve ser legalizado, argumentou a juventude do Partido Liberal Sueco (LUF Stockholm).

Os jovens do partido, em Estocolmo, votaram em uma reunião anual ocorrida em 2016 para uma moção de debates sobre a legalização do incesto e necrofilia.

Solicitando a revogação de várias leis contra o incesto entre irmãos e irmãs com mais de 15 anos de idade, além de permitir que as pessoas “sedeassem” seus corpos para relações sexuais após a morte sem que o haja punição para aquele que pratica o ato.

Cecilia Johnsson, presidente do partido em Estocolmo, disse ao jornal sueco Aftonbladet, que a legislação contra-incesto equivale uma “lei moral”, ou seja, não deveria ter valor constitucional, acrescentando ela complementou: “Estas leis não protegem ninguém agora”.

E continuo: “Eu entendo que [incesto] pode ser considerado incomum e nojento, mas a lei não pode criminalizar o que é nojento”.

O Partido também votou para apoiar a legalização de atos sexuais com cadáveres, desde que a pessoa tenha consentido enquanto ainda estava viva. Uma espécie de acordo necro-nupcial. 

O jornal Independent contatou a Sra. Johnsson para obter uma resposta.

Não é a primeira vez que propostas similares foram levantadas na Europa.

Em 2014, o Conselho Alemão de Ética também pediu o fim da criminalização do incesto entre irmãos, depois de examinar o caso de um homem preso por ter quatro filhos com sua irmã.

O conselho argumentou que o risco de incapacidade em crianças não era suficiente para garantir uma lei que colocasse os casais em “situações trágicas”, e que o incesto descriminalizado não alimentaria a propagação da prática, pois está é “muito rara”.

“A maioria do Conselho Alemão de Ética é de opinião que não é apropriado que uma lei penal preserve um tabu social”, disse em comunicado.

Uma porta-voz do partido CDU de Angela Merkel rejeitou a possibilidade de abolir a punição criminal na época.

Com informações de Independent, (*)Natan Falbo – Conservadores

Fonte:conservadorismodobrasil.com.br

domingo, agosto 28, 2016

Socialismo e a ética do ladrão.














Podemos dividir o mundo entre dois tipos de pessoas: as que tentam atingir seus objetivos por meio de seus próprios talentos e esforços e as que tentam o mesmo por meio dos talentos e esforços dos outros. Entre os animais, tentar roubar a comida ou o território do outro é apenas uma estratégia de sobrevivência entrelaçada aos esforços cotidianos. Entre os homens não.

Muitos homens adotam o roubo como única estratégia tanto de sobrevivência quanto de qualificação social. Roubam para compensar a falta de talentos. Roubam aquilo que não conseguiriam conquistar ou pior: roubam como forma de sabotagem, meio para rebaixar os demais ao nível intelectual do ladrão.

Faz algum tempo que perdi o pudor em dizer que um socialista é um ladrão ou um potencial ladrão. Aquele que não age para se apropriar do fruto do trabalho dos outros por meio do estado, apoia que alguém o faça; o que me leva a crer que até o socialista de facebook nos roubaria se tivesse oportunidade.

Uns ladrões são mais ladrões que outros…

O ladrãozinho de rua ou de banco é um ladrão menor, de certa forma um ladrão honesto, já que ele assume que rouba para o seu benefício. Contra esse, basta polícia, justiça e cadeia.

Nossos maiores temores devem ser em relação a outro tipo de ladrão, aquele que diz que trabalha pela “justiça social”, aquele que luta contra as “desigualdades”, aquele que se diz sem apegos materiais, sem ganâncias, sem vaidades e avesso ao luxo, mas que adoraria receber um gordo salário do governo e o poder de decidir sobre a vida dos outros. Para essas pessoas, os ladrões são aqueles que pagam salários, fornecedores e impostos para só depois disso pensar em guardar para si o lucro de sua produtividade. Agir sobre empresários ou sobre qualquer pessoa que assume que pensa em si mesmo confere ao socialista um sentimento de heroísmo, a certeza de que é uma pessoa moral e espiritualmente mais elevada que as demais. “Não é roubo. É distribuição de renda!”, dizem para nós e para si mesmos.

A ditadura dos Fidel representa muito bem a ética socialista: seus agentes não têm nada além de uma casa, de um salário modesto e o poder sobre toda a população. Por aqui, o Partido dos Trabalhadores e seus devotados militantes insistem na tese de corrupção solidária, meio para se governar em benefício dos mais pobres. Lula roubou e criou condições para amigos e amigos dos amigos roubarem, mas “acabou com a pobreza”, portanto, é um bom ladrão.

Todo socialista, ativou ou passivo, acredita ser a voz e a ferramenta dos mais pobres. Vozes e ferramentas unidas pelo objetivo de levar dignidade aos pobres por meio da espoliação dos mais ricos. Todos devem pensar em todos! Todos devem trabalhar para todos! Todos devem cuidar de todos! Sorte do mundo que existem os socialistas para roubar de uns para o benefício de outros!

Ayn Rand, em seu livro A Virtude do Egoísmo, aborda esse tema. “A premissa altruísta-coletivista, implícita nessa questão, é que os homens são os donos de seus irmãos e que o infortúnio de alguns é a hipoteca de outros”, escreve.

Rand chama de “canibalismo moral” a presunção do socialista ao se enxergar com poder e sabedoria suficientes para garantir aos homens a sobrevivência e a dignidade que a natureza rejeita aos mesmos homens, tratando a vida de indivíduos como propriedade social, propriedade do projeto socialista.

“Se um homem reflete sobre o que a sociedade deveria fazer pelos pobres, ele aceita a premissa coletivista de que as vidas dos homens pertencem à sociedade e que ele, como membro da sociedade, tem o direito de coordená-los, ou estabelecer seus objetivos, ou planejar a distribuição de seus esforços”, resume, remetendo à falácia da abstração paralisada, substituindo a ética específica por uma ética abstrata, que invariavelmente leva a situação em que um homem, se dispondo como meio para o fim dos outros, acaba considerando que os outros são o meio para seus próprios fins.

“Quanto mais neurótico ele for ou quanto mais consciente na prática do altruísmo, mais ele desenvolverá planos para o bem da humanidade, ou da sociedade, ou do povo, ou das futuras gerações – ou de qualquer coisa exceto humanos de verdade”, explica a escritora. Nesse processo de espoliação de uns para a escravização de todos, o agente socialista garante sua própria sobrevivência e também seus vícios, seus prazeres e perversões.

Por isso devemos temer um socialista como tememos o maior dos criminosos, seja ele um militante de punhos cerrados ou um mero repetidor de clichês, pois é o eco das palavras, não as palavras em si, que envolvem as multidões.

Por isso que provoca grande preocupação a todo homem livre o eco de ideias “humanitárias” que preveem sua imposição por meio do estado − ou seja, por meio da força −, baseando-se em estereótipos morais do homem rico e ganancioso que precisa ser contigo.

Sob qual régua alguém julga a moral de alguém? A régua de si mesmo?

Ayn Rand responde: “É apenas para a irrealidade paralisada dentro de um cérebro coletivizado que as vidas humanas são intercambiáveis – e apenas esse tipo de cérebro pode considerar moral ou adequado o sacrifício das gerações dos homens vivos pelos supostos benefícios que a ciência pública, ou a indústriapública, ou os acordos públicos trarão aos que ainda estão por nascer”.

O socialista é um ladrão que luta contra a ganância dos homens.

O socialista é um ladrão que rouba pelos outros, para que todos lhe concedam o privilégio de viver sem produzir.

A ética coletivista é a ética do “bom” ladrão, da ditadura do “bem”, da privação da liberdade em benefício da igualdade – todos os escravos são iguais, ou não?

PARTICIPE da campanha de pré-venda do livro Comunidade Progresso, de João César de Melo, que será publicado pela editora Simonsen e contará com prefácio do Rodrigo Constantino. Para saber mais, clique aqui.

sexta-feira, abril 08, 2016

Com a Venezuela falida e sem energia, Maduro transforma todas as sextas-feiras em feriado






Por Marcelo Faria -07/04/2016










Com a Venezuela falida graças ao socialismo e sem energia graças à falta de investimentos no setor de geração de energia, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, decretou que todas as sextas-feiras dos próximos dois meses serão feriado, numa tentativa desesperada de poupar energia no país, o qual tem sofrido blecautes constantes mesmo tendo a maior reserva de petróleo do mundo. 

Críticos da medida apontam que a nova semana de quatro dias úteis tornará ainda pior a recessão econômica, escassez de alimentos e remédios e a inflação de 270% ao ano. A medida acontece logo depois de Maduro ter decretado a semana de Páscoa inteira como feriado e ter ordenado que os shopping centers gerem sua própria energia. 






As noticias:


DALLAS - No Texas, as fazendas eólicas estão gerando tanta energia que algumas estão dando eletricidade. A professora primária Briana Lamb espera até seu relógio marcar 21h para ligar as máquinas de lavar louça e roupas. Ele não paga nada por isso até as 6h. Kayleen Willard, que trabalha com cosméticos, tira seus aparelhos da tomada quando vai trabalhar de manhã. Às 21h, liga tudo de novo. Já herri Burks, gerente de um escritório de advocacia, mantém um marcador amarelo no termostato da casa com a seguinte informação: “Depois das 21h, não importa o que você fará. Você pode fazer uma festa após as 21h”.


Essas três mulheres são apenas três dos milhares de clientes da TXU Energy que são a vanguarda de uma tentativa ousada de mudar a forma como as pessoas consumem eletricidade. O plano da TXU de energia de graça durante a noite, que é contrabalançada com tarifas mais caras durante o dia, é uma das dezenas de ofertas feitas por mais de 50 empresas de energia no Texas nos últimos três anos e que têm um objetivo simples: fazer com que os clientes gastem menos quando o preço no varejo é mais alto e usem seus aparelhos quando o custo é menor.






Isso é possível porque o Texas tem mais energia eólica do que qualquer outro estado americano, que responde por quase 10% da eletricidade gerada no estado. Só o Texas, em todo os Estados Unidos, gere toda a sua eletricidade e mal conecta sua rede ao restante do país, de modo que o excesso de energia gerada pelos ventos tem que ser consumido no estado. 


Os ventos sopram com mais força à noite e a energia que geram não tem custo devido à sua abundância e subsídios fiscais federais. Uma mudança no uso energético, se afastando do horário de pico, significa menores preços no varejo e a possibilidade de evitar a construção de mais usinas de alto custo. 


— É uma relação ganha-ganha para a empresa e o cliente — disse Omar Siddiqui, diretor de eficiência energética do Electric Power Research Institute, um grupo industrial sem fins lucrativos. 
REDUÇÃO DE CUSTOS 
Para as usinas eólicas, dar energia não é uma ação altruísta. A desregulamentação no Texas tem estimulado intensa concorrência na disputa por clientes. Ao incentivar o uso de energia durante a noite, as empresas reduzem alguns dos encargos e custos gerados pelo excesso de oferta eólica na rede elétrica. 


Experiências similares estão em testes em outros lugares. Na Itália, clientes da Enel podem receber prêmios se gastarem menos energia do que um determinado patamar nas horas de maior demanda. 


Em Maryland, a Baltimore Gas & Electric permite que seus clientes ganhem crédito em suas faturas por cada quilowatt-hora economizado nos horários de pico. O programa é dirigido pela Opower, que gere programas semelhantes para outras empresas. 


Em Worcester, em Massachusetts, a National Grid instalou sistemas de gerenciamento doméstico de energia da Ceiva Energy em cerca de 11 mil lares, conectando aparelhos como tomada inteligente, termostatos de última geração e molduras digitais que mostram o uso de energia da casa junto com as fotos. 


Mas nenhum mercado foi tão longe quanto o do Texas, que conduz um amplo experimento energético que tornou possível a distribuição quase universal nos últimos anos de leitores residenciais inteligentes capazes de receber e transmitir informações sobre eletricidade.


— O Texas tem os ombros e a cabeça de vantagem sobre qualquer um com ofertas realmente úncias para o consumidor — disse Soner Kanlier, especialista em varejo energético da DNV GL, uma consultoria de Oslo, na Noruega.

O Texas é um mercado energético único, o que permite inovar mais do que outros. De longe, é o mais desregulado do país, com muitos concorrentes no varejo famintos por conseguir novos consumidores e para manter os antigos.

— Você pode ser verde e agir de forma verde — disse Scott Burns, diretor sênior de inovação da Reliant Energy, que tem planos para oferecer incentivos para elevar o uso da eletricidade à noite e nos fins de semana.

Especialistas em energia dizem que os medidores inteligentes ainda não atingiram todo o seu potencial e que fizeram pouca diferença no uso energético total. Em muitos casos, as empresas detêm monopólios e tarifas fixas e não querem que os consumidores sejam cooptados por fontes de energia renováveis, por isso dão pouco incentivo ao uso de novas fontes de energia de forma criativa, dizem especialistas. O que o Texas tenta fazer é uma exceção, embora os analistas digam que ainda não é possível avaliar o impacto dessa experiência.

— Os consumidores americanos querem ter opções — disse Jim Burke, diretor-presidente da TXU. — A escolha do consumidor, com seus impactos e benefícios, vai levar ao futuro da indústria de energia. Mas o ritmo em que isso vai acontecer ainda é desconhecido.E executivos falam abertamente que o alcance de seus planos residenciais de eletricidade é uma ferramente de marketing.

— Todos nós estamos tentando crescer e é um mercado muito competitivo — disse Manu Asthana, presidente da divisão residencial da Direct Energy, que oferece ao consumidor vários planos diferentes.

Propagandas na TV, no rádio, nas estradas e nas mídias sociais prometem lazer, refrigeração e gastronomia de graça algumas horas do dia.

quinta-feira, fevereiro 04, 2016

Socialismo de hoje, de ontem, e de anteontem.


por Alberto Mansueti(*)







Se você fizer uma leitura detida das medidas do Manifesto Comunista e/ou dos Ensaios Fabianos, verá que em seu país, qualquer que seja, elas foram e são consideradas como “políticas públicas” normais e correntes. E desde há muitas décadas.


Até o século 19, o socialismo era a utopia de pequenos grupos de “sonhadores” dentro das igrejas cristãs, muito minoritários, marginais e um tanto excêntricos na corrente principal do cristianismo, que até então sempre havia defendido o modelo bíblico e realista de governo limitado. Ser “socialista” era como ser um cristão meio pirado, ainda que simpático e de “bom coração”.

Porém, no século 19, a utopia socialista foi ganhando a adesão de líderes e da massa, dentro e fora do cristianismo. Começou a ser publicado na Inglaterra o periódico Christian Socialist (“Socialista cristão”), impulsionado por líderes anglicanos encantados com a pregação anterior do ex-sacerdote católico francês Robert Lamennais (1772-1854), precursor do “catolicismo social”, do também francês Charles Fourier (1772-1837), e do inglês Robert Owen (1771-1858), promotores de cooperativas (falanstérios) como alternativa ao capitalismo e à “luta de classes”. Apoiado pelo evolucionismo darwinista, que foi aceito por muitos cristãos, o socialismo se tornou respeitável, até mesmo “culto” em certos ambientes.

Marx e Engels fundaram a “Liga dos Comunistas”, em 1847, e publicaram seu “Manifesto Comunista” em 1848, expressão “científica” da esquerda “revolucionária”, com farta crítica ao “socialismo utópico”, e um programa “transicional” de dez pontos. Não recebeu eco em sua publicação, como teve a “Sociedade Fabiana” fundada em 1884. Esse nome foi tomado do general Quinto Fabio, militar romano que venceu Cartago com uma estratégia indireta. Os “fabianos” criam em mudanças e reformas graduais que levariam pouco a pouco ao socialismo. Em 1889 publicaram-se os “Ensaios Fabianos”, incluindo seu Programa, uma lista de medidas não muito diferente dos dez pontos marxistas de 1848.

Século 20
Até aqui o socialismo do século 19, que foi chamado de “século do capitalismo”. As coisas mudaram muito drasticamente no seguinte, que poderia chamar-se de “século do socialismo”. As revoluções na Rússia (1905 e 1917), no México (1910-1911), na China (1912 e 1949), e em quase toda a Europa (1917-1918) causaram forte impacto na opinião pública, e foram inclinando a balança ideológica em favor do socialismo e contra o capitalismo na imprensa, no rádio e no cinema, na política e nos partidos, nos parlamentos e em suas leis. Ao longo do século 20, as medidas coletivistas foram todas aplicadas, umas primeiro e outras depois, de um modo mais radical e com extrema violência em certos países, e em outros de maneira menos brutal e mais negociada.

Porém, se você fizer uma leitura detida das medidas do Manifesto Comunista e/ou dos Ensaios Fabianos, verá que em seu país, qualquer que seja, elas foram e são consideradas como “políticas públicas” normais e correntes. E desde há muitas décadas. Por isso todos os países do mundo são “socialistas” hoje em dia, com poucas exceções, muito relativas, e que nem chegam a ser completamente capitalistas.

E por isso todos os países têm muitas calamidades, que são mais graves quanto mais tenham “avançado” na fatídica rota em direção ao socialismo. E menos graves quanto menos tenham “progredido” nesse mau caminho, ou se conseguiram fazer reformas no caminho de retorno ao capitalismo, que tampouco puderam ser levadas a fundo ou muito longe, porque a grande massa da opinião ainda é socialista, conquanto muitos não o saibam.

Século 21
Cem anos e cem milhões de mortos depois (vide “O livro negro do comunismo, de 1997, editado por Stéphane Courtois), e após o fim do Muro de Berlim e do modelo soviético, o vírus ideológico fez outra “mutação” drástica: passamos ao “Socialismo do século 21”. Há sete mudanças notáveis e muitas delas nos lembram do socialismo do século 19; por isso em tais aspectos a mudança se apresenta como um enorme retrocesso civilizacional:

  1. Do marxismo clássico econômico, do Manifesto de 1848, passou-se ao “marxismo cultural” de Antonio Gramsci (1891-1937), Georg Lukács (1885-1971), e das escolas de Frankfurt e de Birmingham;
  2. Como consequência, o proletariado, a classe trabalhadora e “o povo” já não são os atores exclusivos da “revolução”: eles cederam espaço aos “excluídos”, desde as mulheres, mães solteiras e donas de casa, até os homossexuais, bi e transexuais etc., passando pelos estudantes e a juventude, o meio ambiente e as “espécies em perigo de extinção”, as “raças oprimidas” e toda sorte de desvalidos reais ou imaginários. O antigo socialismo utópico também era muito feminista, indigenista e amante da natureza;
  3. Os meios de submeter as pessoas não são os mesmos: a “ditadura do proletariado” deu lugar a doutrinação, a lavagem cerebral massiva e contínua, feita pelos chamados intelectuais (e artistas) “orgânicos” nos meios de imprensa, educação, igrejas, artes e a cultura (tanto da elite como a popular), no cinema e entretenimento etc. É uma “infiltração” gradual, bem ao estilo fabiano;
  4. Não se ameaçam os capitalistas com a aniquilação; agora busca-se submetê-los, com concessões e pactos: há convivência negociada com os mercantilistas, tanto das antigas como das novas oligarquias. Assim vivem regiamente os esquerdistas, às custas dos impostos do contribuinte;
  5. Já não há um partido “único” socialista ou comunista; há muitos deles, porque todos são socialistas, e vão se revezando no poder, à medida que vão se desgastando: assim o sistema não muda;
  6. A esquerda já não se declara ateia nem combate as igrejas e a religião; pelo contrário, incentiva religiões falsificadas e muita “espiritualidade”; bem ao estilo do socialismo “cristão” típico do século 19;
  7. E, por fim: no século 20 todos os socialismos foram muito nacionalistas, tanto o nazismo e o fascismo como o comunismo soviético; porém, hoje temos um socialismo globalizado: as agências da ONU edificam um só governo socialista burocrático para todo o planeta, o que faz lembrar o internacionalismo próprio das esquerdas do século 19, e da primeira parte do século 20.

Começou a perceber, ou ainda não?

(*)Alberto Mansueti é advogado e cientista político.

Tradução: Márcio Santana Sobrinho

sexta-feira, dezembro 25, 2015

Capitalismo nos Dez Mandamentos?






por Alberto Mansueti (*)



Por isso votar nas esquerdas é tão imoral quanto o próprio sistema socialista, porque valida todas as faltas citadas à lei de Deus, e porque a cobiça manda o Estado roubar “dos ricos” para repartir “com o povo”.





“Em que parte da Bíblia há apoio para o capitalismo?”, me perguntam no rádio. Digo que principalmente nos Dez Mandamentos, o resumo da lei de Deus, ao condenar e proibir severamente todo tipo de abuso de poder e idolatria, incluindo a que se rende ao Estado. Porém, vamos por partes.




Primeiro, o que é o capitalismo? É o nome dado pelos comunistas ao “sistema de economia natural” ou de livre mercado que surgiu de maneira espontânea quando havia “governo limitado”, o sistema político que Deus ordena na Bíblia: em seus cinco primeiros livros, especialmente Deuteronômio. Ele já não existe porque em quase toda parte as esquerdas impuseram um governo totalitário e socialista sem limites, contrário à natureza das coisas, que o substituiu.

E o socialismo? É o oposto do capitalismo, e a forma atual de estatismo ou estatolatria. Como toda tirania, histórica ou atual, é uma transgressão completa e gravíssima de cada um dos dez mandamentos. Veja Êxodo 20 e compare:


1-Não ter outros deuses. O socialismo é uma falsa religião, que nos impõe um falso deus: o mega-Estado totalitário, no qual se deposita toda a fé e esperança de salvação terrena, e ao qual se confere todos os atributos do Deus da verdade: sabedoria e providência, onipotência, onipresença, e plenitude de caridade e misericórdia. Exige-se para ele obediência incondicional, honra, glória e culto a partir da educação pública, que é sua catequese e discipulado.


2-Não fazer imagens de escultura. Como era, por exemplo, o desfile de 1º de maio em Moscou? Com bandeiras gigantes de Marx e Engels, e do líder supremo da vez, sumo-sacerdote da liturgia. E os enormes mísseis, evidentes símbolos fálicos e do poder militar do deus-Estado. Com bandeiras e escudos, entoando hinos e cantos solenes, como no “Dia do Partido” da Alemanha nacional-socialista.


3-Não tomar o nome de Deus em vão, para usá-lo com algum propósito periférico. É o que fazem as esquerdas religiosas, por exemplo, o socialismo sionista disfarçado de judaísmo; a “teologia da libertação” marxista disfarçada de catolicismo; o “evangelho social” travestido de protestantismo; e a “jihad” ou guerra santa política, como se fosse o genuíno islã.


4-Guardar o dia do Senhor. Por que no domingo os socialistas fazem eleições, e as esquerdas “verdes” fecham ruas e interrompem o trânsito? Para dificultar os cultos, e as reuniões familiares; porque o socialismo é contra a igreja, a família, e contra tudo o que Deus abençoa.


5-Honrar pai e mãe. Este Estado é “um deus ciumento”: rouba da família funções, liberdades e bens, a empobrece e anula; a destrói para ocupar seu lugar. O feminismo, criado pelo socialismo, põe o Estado como marido de todas as mulheres, e pai de todos os filhos, separados de suas famílias pela escola 
pública, onde o comunismo ensina a delatar aos pais “contrarrevolucionários”.


6-Não matar. É um deus cruel e assassino. “O livro negro do comunismo”, editado na França (1997) por Stephane Courtois, registrou até agora uns cem milhões de mortos. E a conta segue...


7-Não cometer imoralidade sexual. Ao marxismo clássico ou econômico do século 20, o “socialismo do século 21”, soma-se hoje o “marxismo cultural”, que em sua feroz investida contra a família, legitima o aborto e todo tipo de união sexual imaginável e inimaginável.


8-Não roubar. O socialismo é um roubo. “Redistribuir a riqueza” é tomá-la de seus donos legítimos, todos nós que trabalhamos, com impostos excessivos, moedas sem lastro metálico e inflação galopante, crédito sem base em depósitos, dívida selvagem, pirâmides financeiras do tipo “seguro social” e outros confiscos.


9-Não mentir. A mentira aparece sempre na lista pois serve para ocultar e dissimular ou justificar assassinatos, imoralidade e roubos. O socialismo é uma grande falsidade, para encobrir todos os seus delitos, montada sobre uma “teologia” estatista costurada em sofismas grosseiros, evidências e testemunhos truncados ou escamoteados, teorias forjadas, e especulações improváveis ou impossíveis.


10-Não cobiçar. Os mandamentos anteriores protegem a vida, a família, a propriedade e trabalho, e a verdade; são os pilares e valores do capitalismo. E este, o décimo mandamento, põe uma proteção adicional, porque a maioria dos crimes começa pela cobiça, que é o princípio e a base ética do socialismo, assim como o trabalho produtivo e o desenvolvimento são princípio e base do capitalismo.


Por isso votar nas esquerdas é tão imoral quanto o próprio sistema socialista, porque valida todas as faltas citadas à lei de Deus, e porque a cobiça manda o Estado roubar “dos ricos” para repartir “com o povo”. Ainda que a realidade seja que os chefes e burocratas socialistas são deixados com todo o espojo e nada sobre para o povo; porém, esse é o castigo trazido pelas consequências do pecado!

Os socialistas “cristãos” dizem que a lei de Deus e, portanto, o capitalismo, são coisas do Antigo Testamento, não do Novo. Ah, é?! Pois assim se inverte o ônus da prova, e eles é que têm de mostrar no Novo Testamento onde se revogam os mandamentos, ou onde Jesus e seus apóstolos apoiam ou praticam o “cesarismo”, ou o socialismo. Somente um o pratica: aquele que “roubava da bolsa” (João 12.6).


(*)Alberto Mansueti é advogado e cientista político.

Tradução: Márcio Santana Sobrinho

terça-feira, novembro 03, 2015

Capitalismo gospel ou socialismo gospel?





por Julio Severo


Alguns me escrevem pedindo artigos sobre a comercialização de produtos gospel como livros e CDs e até a comercialização do louvor, como se fosse música secular para comprar e vender, chamando isso de “capitalismo gospel.” Outros igualam essa comercialização com o socialismo gospel, que é a mesma coisa que Teologia da Missão Integral (TMI). Outros ainda dizem que a TMI é a resposta perfeita para combater o capitalismo gospel.


Não nego que a comercialização gospel de tudo nas igrejas seja capitalismo gospel. Mas igualar socialismo gospel com capitalismo não tem fundamento, e muito menos dizer que a TMI é algum tipo de cura divina e miraculosa para o capitalismo.


No capitalismo, as pessoas têm liberdade e muitos produtos para vender e comprar. E têm liberdade de usar seus lucros para fazer caridade.
No socialismo, as pessoas têm muito menos liberdade e menos produtos para vender e comprar. E pouco ou nenhum lucro para fazer caridade.


O maior exemplo de capitalismo gospel eram os EUA no início da sua república. Notavelmente, na época de George Washington, que era evangélico, 98 por cento da população dos EUA eram também evangélicos — e capitalistas.

Nos EUA, capitalismo e religião evangélica estavam virtualmente casados. Apesar disso, não havia comercialização gospel. O capitalismo era usado para produzir Bíblias e literatura cristã a preços baixos. Era também usado em larga escala para missões evangelísticas, tornando os EUA o principal país evangélico e missionário do mundo.

Com a decadência da religião evangélica, o capitalismo dos EUA é hoje usado para todos os tipos de comercialização, fazendo intensa propaganda e promoção do islamismo, homossexualismo, prostituição, pornografia e até armas, tornando os EUA o maior negociante de armas de guerras do mundo, suprindo amplamente os bons e os maus, os heróis e os terroristas.

Capitalismo sem Deus se torna uma prostituta que serve a todos os clientes, desde o islamismo e o homossexualismo até o aborto e o socialismo.

Esse é um mau uso do capitalismo, e será julgado por Deus.

Outra característica da população evangélica capitalista dos EUA do passado era a busca da santidade, que era o assunto principal das igrejas.

Desde então, a qualidade da religião evangélica nos EUA caiu muito. Os evangélicos hoje representam pelo menos 50 por cento da população americana — uma baixa drástica. A santidade saiu da moda. O capitalismo, que antes estava a serviço de evangélicos que influenciavam de forma benéfica e positiva a cultura americana, hoje está a serviço de várias ideologias extremamente danosas e anticristãs.


A superpotência capitalista está potencializando as ideologias mais nocivas do mundo.
No lugar da santidade, o evangélico que há hoje nos EUA é mais a favor do aborto, do homossexualismo e contra Israel.

Mas existe uma diferença entre evangélico capitalista e evangélico socialista.
No socialismo, independente da decadência cristã, todos são escravos dos Estado e seu dinheiro é usado para promover o mal.

No capitalismo, quando esse sistema é dirigido por cristãos íntegros e honestos, o resultado é dos melhores e todos os que trabalham têm lucros para poderem usar à vontade, inclusive caridade. Mas quando esse sistema está sem direção cristã, é uma máquina de tirar vantagem e também traz escravidão, embora de natureza diferente do socialismo.

O socialismo é mau porque sendo cristão ou não rouba das pessoas.
O capitalismo, sem uma forte direção cristã, é mau e explorador. Esse é o exemplo atual dos EUA. Com direção cristã, é uma bênção. Esse é o exemplo passado dos EUA.
O que nós no Brasil podemos aprender com essa realidade americana?

O evangélico que compra CDs e ajuda a financiar impérios gospel tem a liberdade de decidir o que fazer com o lucro do seu trabalho. Quer a decisão dele esteja certa ou não, é o livre arbítrio dele. Mesmo no caso de igrejas que pedem ofertas exploradoras, o frequentador dá se quiser. Não existe lei para obrigá-lo. É um capitalismo gospel? Sim, mas há liberdade e só dá ou compra quem quer.

Mas no caso do sistema socialista, que os adeptos da TMI promovem, a liberdade e o lucro do trabalho são sacrificados em prol de um suposto bem-estar social. Isto é, o evangélico trabalha muito, mas não vê o fruto do seu suor, pois uma boa parte do seu salário vai automaticamente para impostos que alegadamente financiam a tão chamada “caridade” estatal, que não tem amparo nenhum na Bíblia, mas é apoiada exclusivamente pelos adeptos da TMI e outros cristãos socialistas, tirando totalmente a liberdade econômica do trabalhador.

Socialismo gospel é, pois, muito pior do que capitalismo gospel.
No capitalismo gospel, se o trabalhador entender que precisa gastar em necessidades legítimas e até caridade em vez de gastar em CDs e enriquecer cantores gospel que já são podres de ricos ou dar ofertas extravagantes em igrejas que pedem mais do que mendigos, há sempre liberdade.


No socialismo gospel, se o trabalhador entender que é ele, não o Estado, que deve decidir e usar seu próprio dinheiro para caridade ou outras necessidades, não há nada que ele possa fazer, pois não existe liberdade econômica. Seu dinheiro é tirado sem nenhuma consulta. Ganha o Estado ladrão e seus apoiadores, inclusive os adeptos da TMI 

(Teologia da Missão Integral )

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Seria como se o trabalhador evangélico entrasse na igreja e o pastor não pedisse nada, mas tirasse dele todo o dinheiro. Se um pastor fizesse isso, seria preso. O ladrão só fica impune porque a igreja é o Estado e o pastor é a autoridade que serve à ideologia socialista contra os melhores interesses do cidadão que trabalha.
No capitalismo gospel, ganha mais quem seduz mais. Só perde quem se deixa seduzir pela propaganda enganosa.

No socialismo, ninguém pode fugir e a sedução é desnecessária. Todos perdem.

Você não gosta das músicas do Thalles Roberto e da Ana Paula Valadão pelo comercialismo? Não compre. Você tem total liberdade de não financiá-los. Você não gosta do capitalismo gospel? Evite-o.
Mas se você vive num governo socialista amplamente apoiado pelos adeptos da TMI, você e o lucro do seu trabalho não têm como escapar. Não dá para você deixar de pagar, através de impostos, os adeptos da TMI que trabalham diretamente para um governo socialista. Você não tem liberdade.

O socialismo gospel é muito pior do que o capitalismo gospel.


sábado, outubro 10, 2015

“Fora Dilma”, “fora Lula” e “fora PT” não bastam.




“Fora Dilma”, “fora Lula” e “fora PT” não bastam.

por Ricardo Alfaya Saravia.


E eis que após sete meses de governo, parcelamento de salários de funcionários públicos, protestos, paralisações e ameaças, sobretudo de aparelhos sindicais, o atual governo do Rio Grande do Sul, eleito em repúdio ao governo petista anterior, apresentou uma proposta genial para consertar a ruína causada pelos administradores petistas: Aumentar impostos! Uma proposta genuinamente... petista!



Enquanto o vigarista neobolchevique Tarso Genro e a esquerdalha, a esquerda canalha, que acabaram de arruinar as finanças do Rio Grande do Sul, debochavam da falta de soluções por parte do governo que os sucedeu, os eleitores de José Ivo Sartori (PMDB), desorientados, passivos, nem pensaram em reagir contra a proposta de aumento da extorsão tributária apresentada pelo governo que elegeram. E assim terminaram trocando seis por meia dúzia. Assegurando a continuidade do jeito petista de governar, enquanto o PT estiver oficialmente fora do governo e ao mesmo tempo pavimentando o caminho para sua volta ao governo oficial.


Entenda-se jeito petista de governar como basicamente: deficiência nos serviços essenciais do estado, decorrente da dissipação dos recursos públicos em assistencialismo populista, privilégios corporativos estatais, beneficialismos previdenciários insustentáveis e déficits públicos sistemáticos. Impostos extorsivos e discriminatórios. Aparelhamento e inchaço da máquina estatal. Intervencionismo, despotismo burocrático, expansionismo de crédito sem lastro, chinelagem administrativa, falcatruas contábeis, corrupção institucionalizada e degradação sociocultural generalizada. Este modelo petista verte do padrão de estado e governo esquerdistas mundo a fora: concentração de poder e riqueza nas mãos dos agentes do estado, opressão das liberdades individuais, avassalamento da iniciativa privada e obstinação em burlar por decreto a realidade, a natureza humana, leis inexoráveis da economia e princípios elementares da boa administração pública. Sempre em nome de “justiça social”, inclusão, etc.


A proposta de aumento de impostos mostrou que o atual governo, em vez de enfrentar tudo isso, pretende manter a estrutura. Não apenas por ser muito mais fácil achacar impostos dos contribuintes vassalos que enfrentar as corporações estatais, onde se encontram os verdadeiros donos do poder, mas também porque o governo Sartori, predominantemente esquerdista da cúpula à base, não concebe formas de governar ou modelos de estado fora do padrão esquerdista. A passividade dos contribuintes ante mais um achaque estatal mostrou que a população, perdida entre a alienação e o esquerdismo consciente ou inconsciente, tampouco consegue imaginar um outro estado possível.


Desalojar o PT do governo e manter o jeito petista de governar é mudar para que as coisas fiquem como estão. É como tomar uma fortaleza, trocar os uniformes dos combatentes inimigos e mantê-los no comando. O PT é apenas a organização intelectual-político-criminosa que viabilizou a ascensão da esquerda neocomunista ao poder oficial, servindo como uniforme de camuflagem. Um uniforme cheio de simbolismo, mas que pode ser descartado de acordo com a conveniência. O que importa para ideólogos e agentes esquerdistas é comandar, independente do uniforme. Na verdade, em algumas situações é mesmo muito melhor comandar usando uniformes dos adversários. O próprio Lula teria admitido isso, ao avaliar que “do jeito que as coisas estão, seria melhor que o Aécio tivesse ganhado a eleição”.


A grande maioria da população do “estado mais politizado do país” (risos), incluindo intelectuais, jornalistas e doutos formadores de opinião, não consegue perceber sequer as táticas ostensivas do PT, muito menos as estratégias mais ardilosas do jogo político no qual é manobrada.


Como não sou intelectual, jornalista ou douto formador de opinião, na última eleição cheguei à conclusão de que ainda não era o melhor momento para tirar o PT do comando dos executivos do Rio Grande do Sul e do Brasil.... A bomba-relógio que petistas e aliados fabricaram sem desarmador, estava prestes a explodir e precisava explodir nas mãos deles próprios. Eles precisavam colher o que semearam. Além do mais, nem Sartori nem Aécio pareciam ter intenção ou força para promover as reformas estruturais que o Rio Grande do Sul e o Brasil necessitam. Aécio, pelo menos demonstrara coragem nos debates com Dilma, mas Sartori fora de uma covardia repulsiva diante de Tarso Genro e era óbvio que se não tivera coragem nem para contra-atacar um vigarista político que arruinara o Rio Grande do Sul, muito menos teria para atacar os problemas estruturais do estado. Concluí então que, nesse contexto, seria melhor manter o PT nos governos estadual e federal, mas aumentar as bancadas de oposição nos legislativos.


Bastaram alguns meses de reeleição do PT no governo federal e de substituição no governo do Rio Grande do Sul, para comprovar isso. Enquanto no resto do Brasil a população desiludida se voltou contra Dilma, Lula e o PT, aqui no “politizadíssimo” (mais risos) Rio Grande do Sul, em meio à ruina financeiro-administrativa deixada pelo governo petista, à fúria de corporações estatais diante da possibilidade de precisarem se adequar a um limite de espoliação tributária e à perplexidade passiva dos contribuintes vassalos, eis que o governo eleito para rechaçar o PT, apresentou mais do mesmo como única saída para a ruína causada pelo PT.... Mais jeito petista de governar!


Pior que o achaque tributário proposto como única alternativa, foi a mensagem passada de que não existe outra forma de governar, que é impossível mudar a estrutura estatal vigente e que não existe outro modelo de estado a estabelecer. Pior que a mensagem passada pelo governo Sartori, foi a conivência generalizada no jornalismo formador de opinião da grande mídia, que se encarregou de ocultar da população a alternativa de mudar a estrutura estatal parasita, incompetente, corrupta e opressora que aí está.


No jornalismo independente, praticado apenas na Internet, se destacaram os combativos jornalistas Gilberto Simões Pires, Políbio Braga e Vitor Vieira, que através de seus blogs, ousaram posicionar-se contra o aumento de impostos e esclarecer a respeito da necessidade de reformas estruturais no estado. Vitor Vieira chegou a publicar uma lista detalhada com 29 medidas concretas (privatizações, extinções de privilégios corporativos, etc.) que proporcionariam saneamento financeiro, aumento de arrecadação e eficiência sem aumentar impostos.


Embora tudo indicasse que o achaque seria aprovado na Assembleia Legislativa, eu e uns poucos amigos resolvemos fazer um protesto público, por mais inócuo e quixotesco que fosse. Como adversidade adicional tínhamos o contexto de vivermos em uma decadente cidade do interior do Rio Grande do Sul, que de tão politizada é governada pelo PT há 15 anos e onde a mentalidade é tão avançada que, entre outras peculiaridades, foi proibido asfaltar avenidas ainda pavimentadas com pedra lascada irregular, construir edifícios com mais de cinco andares e abrir supermercados aos domingos.


Realizamos nosso protesto com a satisfação de quem se afasta da enganosa zona de conforto onde se mantém a massa submissa e a sensação de quem combate um incêndio florestal jogando baldes de água. Num domingo à tarde, nos dirigimos aos prédios das secretarias de fazenda estadual e municipal, com faixas e cartazes. Distribuímos um manifesto e um panfleto com uma relação de medidas que deveriam ser tomadas para sanear as finanças estaduais, sem aumento de impostos. Nos cartazes, que foram afixados nas fachadas dos órgãos arrecadadores estadual e municipal, mensagens claras como: “Em vez de aumentar impostos diminuam privilégios no setor público“, “em vez de aumentar impostos diminuam a corrupção”, “em vez de aumentar impostos diminuam o estado”, “o maior explorador do povo é o estado”, “Aumentar impostos é o jeito petista de governar”, “parasitas estatais, chega de achacar os contribuintes”, etc.


Entre demonstrações de alienação predominante, tímidas simpatias e alguns apoios por parte da população achacada, quem mais parece ter entendido nossa mensagem foram os agentes estatais que, pelo que se soube, lepidamente removeram os cartazes no início do expediente na manhã seguinte.


Dias depois, como previsto, o governo Sartori conseguiu aprovar seu aumento de impostos, para manter o modelo de estado parasita, ineficiente, corrupto e opressor, padrão esquerdista. De quebra, Sartori e aliados ainda proporcionaram palco para a esquerdalha se apresentar cinicamente contra o aumento de impostos e como “alternativa” a si própria. Enquanto entre a população decepcionada ganharam força as opiniões de que “não tem jeito”, “políticos são todos iguais, “isso nunca vai mudar”, e “não há o que fazer”.


A experiência de falsa mudança no Rio Grande do Sul serve de alerta para o resto do Brasil: Não adianta tirar Lula, Dilma e o PT do governo, se os sucessores derem continuidade ao jeito petista de governar. O governo petista e seu modelo estatal precisam cair juntos. O governo já está desmoronando, mas sua estrutura estatal ainda se escora em interesses de beneficiários privilegiados e apaniguados, na passividade comodista e sobretudo na falta de entendimento da população.


Se por um lado, nunca antes tantos brasileiros identificaram o PT como uma organização político-criminosa da qual precisam se livrar, por outro, poucos percebem que por trás dessa organização político-criminosa há uma ideologia, centrada em um modelo de estado em uma forma de governar, que está para o PT assim como um combatente está para um uniforme e é ela que precisa ser combatida, independente do uniforme que use.


Antes de defenestrar Dilma, Lula e o PT, ainda há trabalho a fazer... É preciso esclarecer à população que quem está arruinando o Brasil não são apenas Dilma, Lula, o PT e os petralhas, mas sobretudo uma visão socioeconômica radicalmente tacanha, um modelo de estado opressor e uma forma de governar canalha, que podemos chamar de mentalidade esquerdalha.


“Fora Tarso” e “fora PT”, não bastaram no Rio Grande do Sul. “Fora Lula”, “fora Dilma” e “fora PT” não bastam para o Brasil.