Mostrando postagens com marcador Conservadorismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Conservadorismo. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, abril 12, 2018

Facebook tem censurado páginas e publicações conservadoras









por Everthon Garcia(*).

O que não era segredo para ninguém, agora foi admitido publicamente por Mark Zuckerberg: o Facebook emprega, quase que hegemonicamente, pessoas com pensamento alinhado à ideologia de esquerda, e isso se reflete, na prática, em uma postura de censura à corrente política oposta.

O bilionário empresário criador da mais popular rede social do planeta foi convocado pelo Senado dos Estados Unidos para prestar depoimento a respeito do escândalo do vazamento de dados pessoais de 87 milhões de pessoas. Um dos momentos mais tensos foi a fase de interrogatório liderada pelo senador cristão Ted Cruz, do Texas, uma das lideranças conservadoras do país.

A prática da rede social, mundo afora, é de censura. No Brasil, recentemente, a plataforma excluiu a página de um site cristão, de forma sumária. O mesmo vem acontecendo nos Estados Unidos ao longo dos anos com páginas de lideranças conservadoras, ou de empresas que se alinham a essa linha ideológica.

Acuado, Mark Zuckerberg admitiu que sua empresa não agiu da melhor forma para evitar excessos e desmandos: “Enfrentamos vários problemas com democracia e privacidade. Vocês estão certos em me questionar. Facebook é uma empresa idealista, no começo pensamos em todas as coisas boas que poderíamos fazer. Mas está claro agora que não fizemos o suficiente para impedir que essas ferramentas sejam usadas para o mal também. Isso vale para fake news, interferência em eleições e discurso de ódio”, declarou.

O senador Ted Cruz foi um dos mais incisivos em seus questionamentos, cobrando explicações sobre a postura de defesa do progressismo em detrimento do conservadorismo: “Há muitos usuários que estão profundamente preocupados com o fato de o Facebook e outras empresas de tecnologia terem adotado um ‘padrão difuso’, mostrando preconceito e censura a certas posições políticas”, argumentou.


Zuckerberg tentou minimizar as críticas populares, mas Ted Cruz insistiu, e citou casos conhecidos de páginas conservadores ou claramente “à direita” que foram banidas, lembrando ainda do caso de Lois Lerner, uma ex-funcionária do Facebook que admitiu ter coibido deliberadamente conteúdos conservadores e postagens de direita.

Além disso, segundo informações do Hollywood Reporter, o senador citou casos como os de páginas católicas, da empresa de fast-food Chick-fil-A, que pertence a um evangélico e defende princípios da família tradicional, do radialista Glenn Beck e de apoiadores do presidente Donald Trump, que também foram censurados sob o argumento de que as postagens eram “inseguras para a comunidade”.

A resposta do CEO do Facebook parecia a desculpa perfeita:

  “O Facebook e a indústria de tecnologia estão localizados no Vale do Silício, uma região sabidamente com inclinação à esquerda. Esta é uma preocupação que tenho e tentamos erradicar na empresa, assegurando que não temos qualquer preconceito no trabalho que fazemos”, disse Zuckeberg.

No entanto, Ted Cruz decidiu apertar Zuckerberg ainda mais, citando o caso de Palmer Luckey, um alto funcionário do Facebook que foi demitido dias após declarar seu apoio a Trump nas eleições de 2016, e acrescentando a pergunta: “quantas publicações ou páginas em defesa do aborto, ou de candidatos progressistas, receberam o mesmo tratamento?”.

Sem uma explicação convincente, Zuckerberg afirmou que não estava ciente de todos os casos citados, mas evitou afirmar que não houve motivação ideológica na censura: “Estou comprometido em garantir que o Facebook seja uma plataforma para todas as ideias. Esse é um princípio fundador muito importante do que fazemos”, disse, demonstrando nervosismo.

Zuckerberg falou ainda que combate conteúdos ligados a terrorismo, e que a linha que separa uma manifestação legítima de algo ofensivo é tênue: 


  “Discurso de ódio é uma das coisas mais difíceis de identificar. Tem que entender o que é ofensivo, o que é odioso. A linha entre o que é discurso político legítimo e discurso de ódio pode ser difícil de identificar”, defendeu-se.

Ao final dos questionamentos de Ted Cruz, o empresário foi questionado se queria fazer uma pausa, tamanho o nervosismo que ele expressava com a postura contundente e incisiva de Ted Cruz. Zuckerberg agradeceu a oferta e disse que preferia continuar a audiência sem interrupções.


(*)Everthon Garcia é Autor no site Conservadorismo no Brasil
Fonte: conservadorismodobrasil.com.br

terça-feira, setembro 19, 2017

Ultraconservadores do mundo, uni-vos!







por Ana Paula Henkel(*).



Acabo de descobrir pela imprensa que sou ultraconservadora. Extrema-direita conservadora fundamentalista com visões radicais contra minorias e direitos conquistados com muita luta contra o patriarcado. Meu crime: questionar a exibição de imagens pornográficas para crianças. Minha culpa, minha máxima culpa.

Quem é você, sua jogadora de vôlei, para dar palpite sobre arte? Bola fora! Gente ultraconservadora como você deve ser apedrejada na rua em nome da tolerância! Ultraconservador nem gente é. Um outro mundo, sem esse pessoal preconceituoso, é possível. Depois do apedrejamento, é só abraçar uma árvore e seguir espalhando o amor.

Entendo os companheiros engajados e lacradores da imprensa e do ativismo bem patrocinado, especialmente quando o assunto envolve bancos tão generosos ao investir em, digamos, arte. Sim, já entendi que arte é o que disserem que é arte, mesmo que, aos meus olhos ultraconservadores, reacionários e caretas, pareça apenas pornografia barata.


Li por aí que há gays indignados com a associação tácita feita pelos defensores do banco, remunerados ou não, entre homossexualismo e a polêmica sobre as imagens explícitas mostradas numa exposição direcionada para crianças. Seriam homossexuais ultraconservadores e homofóbicos? Gay que não pensa como autorizado pela cartilha progressista é muita autonomia e liberdade, onde vamos parar?

Os especialistas consultados nas reportagens dizem que liberal é aquele que libera geral e pronto. É proibido proibir e infância é uma mera construção social, é você quem decide qual é a sua idade. A ideologia de data de nascimento chegou para ficar e precisamos lutar contra o preconceito. Se uma criança de quatro anos se identifica como um adulto de trinta e quiser ver pornografia, quem é você, seu ultraconservador, para se meter?

Em tempos de pós-verdade, os torquemadas das redações julgaram, num rito sumário e sem direito de defesa, que retrógrados medievais como eu não precisam ter liberdade de expressão e nem podem participar do debate público. A mesma liberdade que defendem para a exposição negam a mim, mas quem disse que direitos iguais incluem ultraconservadores?

Fomos chamados de censores quando apoiamos um boicote. Fomos criticados por sermos contra nudez nas artes quando combatíamos a exibição de conteúdo impróprio sem classificação indicativa. Vale tudo pelo lacre e os fatos não podem atrapalhar a narrativa.

Como sou um caso perdido, talvez minha saída seja fundar um movimento ultraconservador e assumir meu lado de defensora das trevas de vez. Meu radicalismo de direita deve ser influência da Califórnia, onde moro há alguns anos, um enclave de fundamentalistas religiosos que queimam hereges nas ruas. Neste domingo, quando os californianos ultraconservadores do Red Hot Chili Peppers tocarem no Rock in Rio, lembrem de mim e rezem pela minha alma.

Jacobinos, pioneiros na defesa da tolerância, diziam que o homem só seria livre quando o último rei fosse enforcado com as tripas do último padre. Cabeças rolaram, outros jacobinos vieram, mas os ultraconservadores extremistas e radicais continuam por aí dizendo que crianças não devem, sob qualquer pretexto, serem expostas a imagens de sexo explícito. Novas guilhotinas já foram encomendadas.

O assassinato de reputações continua, assim como a motivação dos ultraconservadores de impedir o futuro progressista em que as crianças saiam das garras dos pais e possam ser educadas pelo Estado sem interferência da família. O socialismo agora começa com a socialização dos nossos filhos.

O pacote progressista inclui a renúncia fiscal para que curadores, sem trocadilhos por favor, decidam a idade com que seus filhos devam ser iniciados nestas, digamos, artes. E se você reclamar, já sabe: ultraconservador!






(*)https://twitter.com/AnaPaulaVolei - @AnaPaulaVolei
Brazilian pro-volleyball player, 4 @Olympics,Olympic Medalist, 2 Time World Champion.Architect-to-be @UCLA.Conservative, sports fanatic. Apaixonada pelo Brasil.


Fonte: Blogs Estadão (politica.estadao.com.br)

sexta-feira, julho 21, 2017

Conservadores VS Libertários

por Marcos Henrique Campos



Conservadores e libertários compartilham a visão de que o livre mercado é o único sistema através do qual uma sociedade pode se desenvolver economicamente em toda a sua potencialidade. Em resumo, que é o único sistema capaz de possibilitar que seus integrantes prosperem materialmente, em diferentes níveis, mas sempre no sentido da elevação progressiva e consistente do padrão médio de vida das populações.

Entretanto, os consensos param por aí. Há um ponto de divergência entre essas duas correntes de pensamento que as tornam inconciliáveis, e que deixa claras as intenções conservadoras dos primeiros (como a própria denominação revela), e revolucionárias dos segundos: conservadores compreendem que a liberdade do mercado deve ser restringida pela ordem social vigente; libertários defendem a liberdade ilimitada de ação dos indivíduos no mercado, sendo imposto somente o limite definido pelo axioma do Princípio da Não Agressão (segundo o qual uma ação somente será passível de punição quando se tratar de uma agressão contra outro indivíduo – agressão essa que pode se dar através do uso da força, ou por meio de fraude). Ou seja, conservadores defendem o livre mercado, enquanto a ação dos indivíduos agindo neste mercado não ultrapassar os limites morais definidos pela ordem social vigente; libertários pretendem subverter esta ordem social, e submetê-la às necessidades e/ou desejos pontuais e arbitrários dos indivíduos, em detrimento da tradição moral, e em nome da liberdade de mercado e, em última instância, de um ideal abstrato, a saber, as “liberdades individuais”.

Como estes posicionamentos antagônicos se traduzem na prática? Conservadores se posicionam contra a legalização do comércio de drogas; libertários a favor. Conservadores se posicionam contra a legalização da prostituição; libertários a favor. Conservadores se posicionam contra a comercialização de órgãos; libertários a favor. Conservadores se posicionam contra a comercialização de crianças; libertários a favor. Os casos nos quais há divergência semelhante são bastante numerosos e diversos.

Os conservadores compreendem que a ordem social, estabelecida pela tradição, fundada em princípios morais submetidos ao teste dos séculos, é a estrutura que possibilita e assegura a existência mesma do livre mercado, e por este motivo há entre os conservadores a preocupação prioritária em preservar tal ordem social. Os conservadores entendem que não há garantia alguma de que uma eventual nova ordem social, artificialmente concebida e implantada pelos libertários, sustentada em uma doutrina sem lastro na tradição moral da sociedade, será capaz de preservar a existência do livre mercado, ou de quaisquer das liberdades individuais duramente conquistadas ao longo dos séculos.

O conservadorismo tem como preceito a ideia de que um conjunto de leis, que é o instrumento através do qual a ação dos indivíduos será limitada, e em última instância regulará o mercado, emerge (e deve sempre emergir) naturalmente do conjunto de princípios morais estabelecido em determinada ordem social, nunca o contrário. O conservador entende que a legislação não é capaz de criar a ordem social, ao menos não uma ordem social próspera e longeva – ou uma ordem social justa para com os seus integrantes.

Libertários, por sua vez, pretendem estabelecer uma nova ordem social, cujo conjunto de regras seria baseado em sua doutrina, que por sua vez se baseia em grande medida no Princípio da Não Agressão. As características dessa nova ordem social, artificialmente concebida, são incertas. Os resultados da engenharia social são imprevisíveis. É possível até que o livre mercado, tão caro para os libertários, torne-se incompatível com essa nova ordem social, e venha a desaparecer, assim como o próprio conceito de “liberdade individual”.

Neste aspecto, o modus operandi de caráter revolucionário dos libertários é tão inconsequente e potencialmente destrutivo quanto o adotado pelos socialistas.

quinta-feira, julho 20, 2017

Partido Liberal Sueco: Incesto e necrofilia devem ser legalizados







por Natan Falbo.




O incesto entre irmãos e necrofilia deve ser legalizado, argumentou a juventude do Partido Liberal Sueco (LUF Stockholm).

Os jovens do partido, em Estocolmo, votaram em uma reunião anual ocorrida em 2016 para uma moção de debates sobre a legalização do incesto e necrofilia.

Solicitando a revogação de várias leis contra o incesto entre irmãos e irmãs com mais de 15 anos de idade, além de permitir que as pessoas “sedeassem” seus corpos para relações sexuais após a morte sem que o haja punição para aquele que pratica o ato.

Cecilia Johnsson, presidente do partido em Estocolmo, disse ao jornal sueco Aftonbladet, que a legislação contra-incesto equivale uma “lei moral”, ou seja, não deveria ter valor constitucional, acrescentando ela complementou: “Estas leis não protegem ninguém agora”.

E continuo: “Eu entendo que [incesto] pode ser considerado incomum e nojento, mas a lei não pode criminalizar o que é nojento”.

O Partido também votou para apoiar a legalização de atos sexuais com cadáveres, desde que a pessoa tenha consentido enquanto ainda estava viva. Uma espécie de acordo necro-nupcial. 

O jornal Independent contatou a Sra. Johnsson para obter uma resposta.

Não é a primeira vez que propostas similares foram levantadas na Europa.

Em 2014, o Conselho Alemão de Ética também pediu o fim da criminalização do incesto entre irmãos, depois de examinar o caso de um homem preso por ter quatro filhos com sua irmã.

O conselho argumentou que o risco de incapacidade em crianças não era suficiente para garantir uma lei que colocasse os casais em “situações trágicas”, e que o incesto descriminalizado não alimentaria a propagação da prática, pois está é “muito rara”.

“A maioria do Conselho Alemão de Ética é de opinião que não é apropriado que uma lei penal preserve um tabu social”, disse em comunicado.

Uma porta-voz do partido CDU de Angela Merkel rejeitou a possibilidade de abolir a punição criminal na época.

Com informações de Independent, (*)Natan Falbo – Conservadores

Fonte:conservadorismodobrasil.com.br

sábado, julho 15, 2017

Dom Pedro II, presidente dos EUA






por Everthon Garcia.





Raros estrangeiros, e certamente nenhum outro chefe de Estado, desfrutou nos Estados Unidos, como D. Pedro II, uma tão grande popularidade e foi acolhido ali com tão expressivas provas de respeito e mesmo de amizade. Não somente por parte dos políticos, como também pelo povo americano.

O entusiasmo pelo Imperador era enorme. Talvez ele tenha sido o visitante estrangeiro mais popular a pisar por lá. Qualquer coisa que D. Pedro fizesse chamava a atenção dos americanos. As pessoas ficavam fascinadas pelas suas qualidades.

A American Geographical Society organizou uma reunião especial, com a presença de D. Pedro II. Na saudação, o poeta Bayard Taylor afirmou: “Nunca esteve entre nós um estrangeiro que, após três meses de permanência, pareça ao povo americano tão pouco estrangeiro e tão amigo quanto D. Pedro II”.

O Imperador percorreu cerca de 15.000 quilômetros dentro dos Estados Unidos. Os políticos não perderam a oportunidade do exemplo para se fustigarem mutuamente, e um editor afirmou: “Quando ele voltar ao Brasil, estará conhecendo mais os Estados Unidos do que dois terços dos membros do Congresso!”.

No dia 4 de julho de 1876, festa do centenário da independência americana, D. Pedro II se encontrava nos Estados Unidos, porém em caráter particular, como fazia durante as suas viagens.

Estava programado um espetáculo de gala, do qual participariam o presidente Ulysses Grant e toda a representação do mundo oficial. Ao hotel em que estava hospedado como “D. Pedro de Alcântara”, foi-lhe enviado um convite para assistir à solenidade no camarote do presidente americano. D. Pedro agradeceu e devolveu, dizendo que não estava ali como Imperador, portanto não podia aceitar, mas que iria em caráter particular. E foi. Mas o mestre de cerimônias o conduziu a um camarote “particular”, vizinho ao do presidente. Quando D. Pedro apareceu no seu lugar, em companhia da Imperatriz, correu-se a cortina que separava os dois camarotes, e ele se viu ao lado do presidente, no mesmo camarote. Desfraldaram-se nesse momento, unidas, a bandeira americana e a brasileira. Logo depois a banda entoou o hino brasileiro, e uma multidão entusiástica, de pé, saudou com prolongadas palmas e vivas o nosso Imperador.

O jornal North American comentou: “Nenhum governante, de nenhum país, tanto como homem quanto como governante, jamais teve tantos méritos diante dos Estados Unidos quanto D. Pedro II”.

Em 1877, quando se iniciava a campanha política nacional nos Estados Unidos, o New York Herald relembrou a visita do Imperador, e apresentou a seguinte proposta: “Para nossa chapa Centenária, indicamos Dom Pedro II e Charles Francis Adams, para presidente e vice-presidente. Estamos cansados de gente comum, e sentimo-nos dispostos a apoiar gente de estilo”.

Tão grande era a admiração dos americanos pelo nosso Imperador que ele acabou recebendo, nas eleições presidenciais de 1877, só na Filadélfia (veja só), mais de 4.000 votos espontâneos.


– Do livro “Revivendo o Brasil Império”, de Leopoldo B. Xavier. São Paulo: Artpress, 1991. p. 113-115 e 107.

Fonte: Conservadorismodobrasil.com.br

segunda-feira, novembro 21, 2016

Um mergulho nas próprias trevas: o relato do rei do aborto





por Hélio Angotti Neto(*).






Bernard Nathanson, o rei do aborto, descreve sua trajetória pessoal no livro “The Hand of God: A Journey from Death to Life by the Abortion doctor Who Changed His Mind”, publicado pela Regnery Publishing Inc.[1]

Como todas as melhores narrativas autobiográficas presentes em nossa civilização, Nathanson inicia olhando para as próprias trevas. Não foi diferente com o Apóstolo Paulo, Agostinho de Hipona ou Dante Alighieri. Estes estabeleceram modelos ao redor da mesma fórmula de sinceridade plena consigo mesmo, aquele foi capaz de identificar o mesmo modelo em sua própria vida. E profundas trevas de fato foram vasculhadas em seu livro.

Bernard foi um judeu secular filho de judeus seculares. Começou cedo sua história com o aborto, encaminhando com a ajuda de seu pai a sua namorada para que abortasse seu primeiro filho. Já adiante na carreira, ele mesmo fez o aborto de seu outro filho, de uma forma metódica e muita higiênica, quase como a dos proficientes médicos nazistas que exterminavam milhões.

Seu papel na legalização do aborto foi importante, e sua atuação chefiando clínicas de aborto ou fazendo ele mesmo os abortos impressiona. Mais de 75.000 vidas foram tiradas por Bernard Nathanson. Ele era eficiente no que fazia e se destacava, numa época onde os médicos mais desqualificados já migravam para as práticas abortistas.

É claro que por anos atraiu a fúria e o desprezo de muitos médicos de linhagem hipocrática e de defensores da vida humana.

Mas as coisas começaram a mudar quando surgiu um impressionante aparelho: a ultrassonografia! Ao observar as reações do feto no momento em que o mesmo era destruído pela sucção, Nathanson parou de viver na abstração de seu próprio mal e percebeu concretamente a extensão do mal que praticava. Ali estava uma vida sendo destruída, ao vivo, na televisão! E não somente ele, mas outros médicos abortistas nunca mais ousaram eliminar vidas humanas depois de assistir ao que realmente acontecia dentro do útero materno.

O rei do aborto começara a questionar a si mesmo. Abandonou suas práticas anteriores e tornou-se membro do movimento pró-vida americano, angariando para si o ódio e a inimizade de incontáveis médicos e pessoas que agora defendiam o “Direito de Escolha”. 

Produziu dois documentários impactantes que, obviamente, nunca chegaram à grande mídia, mas que transformaram a forma pela qual muitas pessoas enxergavam essa questão: The Silent Scream (O Grito Silencioso) e The Eclipse of Reason (O Eclipse da Razão).

Em 1987, Bernard recebeu uma carta de uma defensora do direito de escolher o aborto que trabalhara para ele no passado. Ela contava que algo muito tenebroso se passava na clínica onde ela trabalhava. Pedaços de bebês estavam sendo vendidos! Hoje observamos quase que descrentes a Planned Parenthood vendendo órgãos de bebês abortados num verdadeiro açougue humano e nos perguntamos como chegamos aqui. Mas não há novidade na história. As promessas de tratamentos milagrosos já abundavam à época, e ainda abundam, com efeitos colaterais e decepções igualmente presentes em larga escala.

Nathanson faz os cálculos macabros do que seria preciso para efetivar terapias com células fetais, e o resultado impressiona pela quantidade de sangue humano necessário para ações em larga escala realmente efetivas à sociedade.

E a guerra entre abortistas e defensores da vida seguiu acirrada nos Estados Unidos, incluindo alguns casos de tiroteio e violência contra médicos e funcionários de clínicas de aborto. Foram poucos, mas trágicos. Porém, o que mais impactou Bernard foi o exemplo da pacífica maioria que tinha a coragem de suportar as piores humilhações e agressões dos radicais pelo direito de decidir; a maioria que mantinha a resiliência ao lutar por algo que considerava sagrado.

Movido pelo exemplo ele se aprofundou no estudo da fé que movia aquelas pessoas, e ao fim de uma longa e trágica vida encontrou seu caminho dentro do Cristianismo.

Das profundezes do mais tenebroso inferno, repetindo o holocausto em diferentes vítimas, Bernard Nathanson foi alçado a um diferente patamar e sofreu uma impressionante virada em sua visão de mundo. Sua história culminando em sua sofrida transformação é um testemunho real do poder e do efeito do perdão na vida de alguém.




Nota:
[1] NATHANSON, Bernard N. The Hand of God: A Journey from Death to Life by the Abortion Doctor Who Changed His Mind. Washington, DC: Regnery Publishing, Inc., 1996.


(*)Hélio Angotti Neto é médico oftalmologista com graduação pela Universidade Federal do Espírito Santo e residência médica e doutorado em Ciências pela Universidade de São Paulo. Coordena o curso de medicina do Centro Universitário do Espírito Santo (UNESC-ES) e é o diretor da seção especializada em humanidades médicas da revista Mirabilia. Membro da Sociedade Brasileira de Bioética, do Conselho Brasileiro de Oftalmologia, do Comitê de Ética em Pesquisa do UNESC, do Center for Bioethics and Human Dignity, da Associação Brasileira de Educação Médica e do Seminário de Filosofia de Olavo de Carvalho. Coordena o SEFAM (Seminário de Filosofia Aplicada à Medicina).

segunda-feira, outubro 31, 2016

Conservadores vs. Liberais.








por Leonardo Correa. 

Nota do Blogando: Esse artigo foi originalmente escrito em janeiro de 2014. Após o Impeachment da ex presidente Dilma os ânimos entre conservadores e liberais voltaram a "esquentar". Alguns conservadores até aprenderam a usar a mentira das esquerdas editando vídeos e falas para desacreditar um governo que mal começou, esquecendo-se que quase nada foi feito ainda para reconstruir o pais quebrado e roubado pelo PT.

A cada dia que passa fico mais perplexo com a obsessão de alguns liberais e conservadores em criar uma verdadeira frente de combate entre ambos. Não concordo com tudo o que cada linha de pensamento defende. Todavia, o núcleo ideológico dos conservadores é muito próximo ao dos liberais. A grande maioria concorda com a premissa de que a intervenção do Estado na esfera particular do indivíduo é nociva. Defendem, por um lado, que o livre mercado é a melhor escolha e que a liberdade de expressão é fundamental. Afirmam, por outro, que os princípios democrático e republicano, em conjunto com o direito de propriedade, são pilares de uma sociedade livre.

Os pontos de divergência, na minha opinião, são meramente acidentais e não essenciais – estão todos na periferia. Gastar tempo com essa batalha sem sentido é desperdício de energia e perda de tempo. No momento, como já disse diversas vezes, corremos sério risco de um totalitarismo de esquerda. O Partido dos Trabalhadores está a um passo de ficar, pelo menos, 04 (quatro) mandatos seguidos no poder. Isso, caso seu plano de dominação total e absoluta, por alguma razão, vá por água a baixo.

Nos últimos anos a esquerda foi gradativamente solapando as instituições democráticas e o princípio republicano. Enquanto isso, perdemos tempo em uma verdadeira picuinha entre liberais e conservadores. Ora bolas caçarolas, ao focar nessa frente deixamos a esquerda totalitária seguir placidamente em seu objetivo.

Colabore; sem isso o blog não será nem conservador
nem liberal, será apenas mais um no SPC


Faço uma simples indagação: antes de tomar o poder, alguém havia visto qualquer ataque entre os membros da esquerda? Eu nunca vi. Ainda que eles tenham divergências, isso nunca os impediu de unir as forças com vistas ao “plano maior de dominação e poder”.

No entanto, alguns liberais insistem em atacar conservadores (e vice versa). Isso, em um país no qual o espetro político é monopolizado pela esquerda em conjunto com puxa sacos fisiológicos que adoram a posição de “amigos do rei”. Ou seja, somos reféns de totalitaristas e aproveitadores.

Se continuarmos assim, sinceramente, seremos escravos da esquerda para sempre. Em artigo recente, apontei que o Brasil despencou da posição 58 para 114 no ranking de liberdade econômica da Heritage Foudation, desde que o Partido dos Trabalhadores assumiu o poder. Estamos marchando para algum lugar próximo à Coreia do Norte e Cuba, respectivamente 178 e 177. Enquanto isso, liberais e conservadores – sem qualquer representatividade política no país – perdem tempo e foco com batalhas inúteis.

Já está na hora de por as picuinhas de lado e criar uma oposição verdadeira. Se algum liberal ou conservador acha que devemos ser iguais, eles estão enganados e devem se juntar à esquerda imediatamente. Partindo da premissa de que somos todos diferentes, deveríamos nos concentrar no que é essencial: impedir que a ditadura totalitarista, atualmente em gestação, se concretize.

Estamos no momento de gastar tinta, megabytes, tempo e foco em debates periféricos? Acho que não. Repito o que disse linhas acima, não temos (liberais e conservadores) qualquer representatividade política! Com todo respeito, essa batalha me parece discussão de bêbados nos bares da vida. Não vamos a lugar nenhum com isso.

Fico imaginando a alegria que os esquerdosos sentem quando percebem que somos incapazes de nos unir em torno das questões essenciais. Eles devem gargalhar e dizer: “essa turma não traz qualquer risco para nós”. E, assim, nos tornaremos cúmplices do golpe por absoluta falta de tolerância e capacidade política para viver em um regime democrático, respeitando nossas diferenças e nos unindo em torno das semelhanças.

Aos “dinheiristas” de plantão, não se assustem e podem ficar bem tranquilos. A esquerda não vai acabar com o capitalismo, vai usá-lo em prol do Estado, tal qual os Chineses. Podem continuar tomando champanhe, comendo caviar, andando de Ferrari, usando roupas de grife… Nada disso mudará, afinal de contas, todos – pobres e ricos – precisam de “pão e circo”.

Fonte: Instituto Liberal

terça-feira, setembro 20, 2016

A abolição das culpas.








por Mario Chainho

Algumas pessoas podem ficar desconsoladas por não ter uma nação como modelo. Mas isto pressupõe uma “mentalidade de escravo”, como diria Aristóteles.




Os intelectuais marxistas são peritos em fazer revisionismo histórico mas parece que muitos conservadores ou “direitistas” estão a tomar-lhe o gosto, dado vislumbrarem alguma necessidade de polirem os seus novos ou velhos ídolos (que até podem ser antagônicos entre si). Este revisionismo é normalmente usado para lavar honras de ideologias, religiões ou países. Mas existe uma diferença. Os revisionistas marxistas não têm pudor em falsificar a História de forma mais ou menos grosseira, abolindo factos e fabricando outros. Já os revisionistas da direita preferem entrar numa toada mais “relativista” com a intenção de diluir culpas. Note-se que não estou a falar de negacionistas do Holocausto ou de outras bestas do gênero mas de uma pretensa nova massa de pessoas que se quer substituir à esquerda dominante mas que se encontra notavelmente perdida por ter demasiada vontade de actuar e pouca de estudar.

A direita emergente parece ter uma certa necessidade de enaltecer alguma nação que sirva de modelo e onde também se depositam algumas esperanças na salvação futura. Neste momento, muitos ainda olham os EUA como um farol do mundo, sobretudo pelos feitos passados, e esperam que os EUA restabeleçam uma nova ordem internacional menos dominada pelo esquerdismo, seja pelo comando de Donald Trump ou por alguma outra figura que venha a aparecer. Outros, demasiado desiludidos pelo declínio ocidental, acham que apenas a Rússia pode defender a cristandade e evitar o seu colapso pelas mãos do modernismo e dos muçulmanos radicais. Futuramente irei discutir se estas pretensões têm alguma razão de ser, mas para já apenas pretendo descrever um processo de branqueamento de culpas, mais ou menos inocente, que decorre acerca destas duas nações. Comecemos pelo caso russo.

É inegável que a atuação da Rússia no séc. XX foi de uma monstruosidade aterradora. Não foram apenas as purgas, o Gulag, as deportações, mas também as anexações de países vizinhos, a infiltração de agentes no mundo inteiro, o financiamento e instrumentalização de movimentos revolucionários e até terroristas no Ocidente, o que se deu nos mais diversos domínios (estatal, jornalístico e até religioso). Não é um grande currículo para quem quer fazer da Rússia uma espécie de salvadora do mundo, pelo que alguns acham que encontraram uma saída airosa: Os “erros da Rússia” não são mais do que a consequência daquilo que o Ocidente exportou para lá. Ou seja, os russos foram contaminados pela Revolução Francesa, pelo marxismo de origem germânica, e as potências ocidentais até financiaram os bolcheviques em certos momentos-chave, e a consequência disto tudo foram os erros da Rússia que acabaram por se espalhar pelo mundo.

Aparentemente não existe aqui nenhum revisionismo, porque os factos não são negados e, ainda por cima, até são contextualizados. Acontece que isto não é posto como uma reflexão de alto nível, que tenta fazer sobressair as causas profundas ou propiciadoras dos eventos, mas é apresentado quase como se fosse uma explicação mecânica de causa-efeito. Assim, até parece que os russos estavam em paz nos seu canto mas, de repente, foram infectados por um vírus vindo do Ocidente e desenvolveram uma patologia que depois voltou-se contra os locais de onde o “vírus” tinha vindo.

Se a coisa tivesse sido assim tão linear, era logo caso para perguntar se faz faz algum sentido depositar hoje tantas esperanças na Rússia, dado que eles no passado teriam sido uma meras vítimas inermes. Quem garante que no futuro eles não vão ser manobrados por chineses os pelos proponentes do Grande Califado? Assim, a justificação vai contra a imagem de força e de liderança que alguns querem transmitir acerca da Rússia. Uma pergunta mais básica consiste em saber se temos alguma prova ou até indício de que a Rússia já deixou de espalhar os seus erros e passou a uma fase “redentora” da humanidade. Talvez alguns achem que a ideia de Aleksandr Dugin de levar a “grande guerra dos continentes” para a sua derradeira fase já faça parte desta redenção.

Em segundo lugar, existe um elemento de fraude quando se alega que certas ideias ocidentais penetraram na Rússia e a corromperam. As ideias não são como exércitos em movimento que forçam a sua passagem e impõem a sua vontade aos vencidos. Além do mais, no séc. XIX a difusão de livros, notícias, assim como a movimentação de pessoas não ocorria com a velocidade e facilidade que existe hoje. Aquelas elites revolucionárias russas que vemos retratadas por Dostoievsky na realidade não recebiam uma influência de forma passiva mas buscavam ativamente imbuir-se de certas ideias. Não era inevitável que fossem buscar do Ocidente apenas a influência socialista e a da Revolução Francesa. Podiam ter também olhado para Edmund Burke, para Benjamin Disraeli, para as revoluções americana e industrial, para o liberalismo econômico, até para o próprio Aristóteles, que via as suas obras terem uma edição de referência, para a neo-escolástica, para Schelling, para a filosofia do espírito dos franceses e assim por diante.

Em suma: se os russos deixaram se influenciar apenas por aquilo que havia de pior no Ocidente foi porque eles mesmo assim o quiseram, dado serem as únicas coisas para os quais eles tinham apetência. Mesmo o alheamento ou mesmo apoio que potências ocidentais deram à Revolução Russa, também verificado em outras etapas da construção da União Soviética, não explica mecanicamente naquilo que esta se tornou. Se ali foi construído um Estado brutal e autoritário foi porque os russos já admiravam essas “qualidades”, e o próprio Aleksandr Dugin de certa forma valida esta ideia. É natural que sociedades assim façam despertar certas personalidade heroicas, mas isso não quer dizer que o povo russo seja heróico. Como acontece com todos os povos, os russo têm uma cota parte de heróis e outra de facínoras, e no meio permanece uma imensa maça daqueles que simplesmente não compreendem o que se passa e simplesmente aceitam tudo porque nem lhes passa pela cabeça que podiam não aceitar.

Com estas colocações podemos analisar a limpeza de culpas dos EUA mais rapidamente. Quando lemos um livro como 'American Betrayal”, de Diana West, ficamos assoberbados com a forma como o país foi dominado durante décadas por agentes soviéticos, e mesmo hoje continua a ser largamente governado desde fora. Assim, podemos ser tentados a concluir, no final, que no fundo a culpa foi da KGB. Mas não, os erros dos EUA são mesmo dos EUA. Na Segunda Guerra Mundial a administração Roosevelt tinha como prioridade máxima o apoio aos soviéticos, o que por diversas vezes prejudicou os britânicos. Também não podemos esquecer que sem a conivência dos norte-americanos os impérios coloniais europeus não tinham caído para mãos comunistas. Existe um sem número de disparates na política externa dos EUA que não podem ser simplesmente jogados para debaixo do tapete.

Acresce que os norte-americanos americanos foram avisados diversas vezes da influência comunista na política americana. O caso do senador Joseph MacCarthy é apenas o mais conhecido, e a própria Diana West assume que corre o papel de ser mais uma Cassandra que não será acreditada por mais verdades que diga. Então, os norte-americanos têm uma tal confiança no seu sistema político que os leva a ter um orgulho psicótico que não recua ante a mais cabal exposição dos factos. Isto chegou a uma extremo inimaginável quando um farsante de quinta categoria como Obama conseguiu se fazer eleger por duas vezes para a presidência.

Existe também toda uma série de erros dos EUA ligados à guerra cultural, seja através da comunicação social, de Hollywood, da industria do espetáculo e assim por diante. Claro que a Escola de Frankfurt teve influência nisso, e a KGB também deu o seu contributo, assim como a ONU. Mas o orgulho quase demoníaco dos americanos no 'free speach' leva-os a acolher todo o tipo de porcarias como isso não tivesse consequências. O problema da liberdade de expressão já tinha sido sinalizado por Platão no diálogo 'Górgias', onde Sócrates não recusa que os sofistas se pronunciem mas também não abdica do seu “direito” de não ouvir. Contudo, num cenário em que os novos sofistas dominam jornais, escolas e a indústria de ficção, o direito de não ouvir reduz-se a quase nada. A liberdade de expressão é um conceito que faz sentido quando pessoas de carne e osso estão umas perante as outras. Mas hoje o cidadão anónimo encontra-se perante uma entidade quase divina e proteiforme – uma hidra com várias cabeças: o herói do cinema, a notícia na TV, a estrela pop e assim por diante – contra o qual ele nada pode e que o domina quase por completo. Em grande parte, temos que atribuir aos EUA este estado de coisas.

O processo de desculpabilização a que me venho referindo só funciona porque não é apresentado como tal, ou suscitaria uma imediata contestação. É um truque de ilusionista que visa desviar as atenções. Por exemplo, quando se aponta um erro à Rússia alguém pode logo dizer que os americanos também fizeram isto e aquilo, e vice-versa. A outra forma de desculpabilização ou revisionismo, que me concentrei aqui, tenta desviar a atenção através de uma espécie de vitimização. Os factos não são negados, mas postos “no contexto”, embora na verdade o que acontece é uma mudança sub-reptícia no enfoque no discurso.

Algumas pessoas podem ficar desconsoladas por não ter uma nação como modelo. Mas isto pressupõe uma “mentalidade de escravo”, como diria Aristóteles, ou seja, uma necessidade imperiosa de ser comandado por alguém. É fácil perceber que quando um povo tem esta necessidade é como se estivesse a dizer que não tem grande razão de existir e que deve ser assimilado pelo seu modelo de referência.




Fonte: Mídia Sem Máscara




terça-feira, janeiro 05, 2016

Sete princípios cristãos para uma política realista.









Sete princípios cristãos para uma política realista.
por Kevin D Young




Estamos em um mundo caído. As coisas não são como deveriam ser. A utopia não é possível.
Portanto, as decisões políticas devem lidar com o equilíbrio, pesando os prós e contras das várias políticas.



A Bíblia é um livro grande, de modo que há uma série de coisas que podem ser ditas no esforço de formar uma visão política de mundo a partir dos princípios bíblicos. Mas isto aqui é um blog, não um livro. Então deixe-me tomar apenas uma área doutrinária e destrinchar algumas implicações possíveis.

Creio que nossas mais importantes considerações políticas nascem de uma compreensão apropriada da pessoa humana. Quanto mais nossos políticos e instituições políticas agirem em acordo com o modo como as coisas realmente são e o modo como nós realmente somos, mais cresceremos como nação.



Considere estes princípios antropológicos à medida que desenvolve sua práxis política:

1O homem é feito à imagem de Deus (Gn 1.26-27). Não importa quão pequeno, frágil, velho ou deficiente, todo ser humano tem valor e dignidade. O governo deve proteger a vida humana e punir aqueles que a prejudicam (Rm 13.4; Gn 9.6);


2O homem é feito para o trabalho (Gn 2.15). Devemos maximizar os incentivos ao trabalho árduo e remover os incentivos que encorajam a preguiça (2Ts 3.6-12);


3A parte própria do ser humano, da qual Deus não compartilha, é que estamos sujeitos às devidas autoridades. Isso inclui a sujeição ao governo e a exigência de pagar impostos (Rm 13.1-7);


4Os seres humanos são motivados pelo interesse pessoal. Jesus compreendia isto quando nos disse para amar ao próximo como já amamos a nós mesmos (Mt 22.39). Interesse pessoal não é automaticamente o mesmo que avareza ou ganância, e essa é a razão porque Jesus não hesitou em motivar os discípulos com a promessa de serem os primeiros ou com a garantia de recompensa (Mt 6.19-20; Mc 10.29-31). É preciso dizer que nosso interesse pessoal nem sempre é virtuoso. A obra do evangelho é ensinar às pessoas como esse interesse pessoal (satisfação) pode casar com o interesse de Deus (glória). Mas as melhores políticas são aquelas que podem solapar o poder do interesse pessoal em favor de um bem maior;


5Os seres humanos não são apenas consumidores do planeta; também somos também criadores. O mundo físico é uma dádiva e uma ferramenta. Temos a capacidade de espoliar, mas também a responsabilidade de subjugar (Gn 1.28);


6Por causa do pecado de Adão, estamos em um mundo caído (Rm 5.12; 8.18-23). As coisas não são como deveriam ser. A utopia não é possível. Portanto, as decisões políticas devem lidar com o equilíbrio, pesando os prós e contras das várias políticas. Não podemos eliminar as realidades de viver em um mundo caído (Jo 12.8), mas boas políticas podem ajudar a mitigar algumas dessas piores realidades;


7A natureza humana é inclinada para o mal (Gn 6.5; Jr 17.9). Isso significa que não podemos contar com a boa vontade dos outros ou das outras nações, não importa quão bem intencionados possamos ser ou o quanto cuidemos apenas daquilo que é da nossa conta. A questão não é de onde virá a guerra. Ela deve ser esperada, dada a nossa natureza. A questão é saber quais instituições e políticas são mais efetivas em estabelecer a paz.


É claro que há mais coisas que poderíamos dizer sobre a natureza da liberdade, a importância da justiça, e o direito à propriedade privada. Esses são três temas bíblicos cruciais. Mas os sete princípios acima podem nos ajudar a começar a compreender o mundo, tomar decisões no mundo, e eleger políticos que entendam o modo como o mundo funciona.



Tradução: Márcio Santana Sobrinho

terça-feira, dezembro 01, 2015

Carlos Lacerda contra o comunismo.




Carlos Lacerda contra o comunismo.
por Carlos Azambuja(*)





"...pois já são muitos os subjugados pelo medo, o medo de parecer reacionário e o medo de lutar contra o inevitável. O medo de se opor e o medo de não se opor. O comunismo é que é reacionário. E não é inevitável."


"O domínio pela coação psicológica e intelectual prepara monstros de conformismo, como os aleijões intelectuais que, mal saídos de uma universidade católica, vão dirigir a União Nacional dos Estudantes, ramo brasileiro da União Internacional com sede em Praga, ninho de filhotes de quinta-coluna; e de lá saem, pela mão do presidente em exercício da República, para dirigir a Reforma Agrária, em cujo nome tantos crimes se cometem – crimes contra a Constituição, contra a produção, contra a educação."

O comunismo é um sistema de poder totalitário no qual uma casta burocrática e privilegiada, reunindo pela primeira vez no mundo moderno todos os instrumentos do poder nas mesmas mãos, possui ao mesmo tempo os meios de produção e de troca e todos os meios de enquadramento político e cultural, dos quais se serve ditatorialmente.

Eis uma síntese para recordar o que o maior brasileiro de seu tempo, Carlos Frederico Werneck de Lacerda, escreveu no prefácio do livro "Em cima da Hora”, de Suzanne Labin, editado no Brasil em 1964, traduzido por Lacerda antes de março de 64.

No prefácio, Carlos Lacerda escreveu que o livro “Em Cima da Hora” é uma importante contribuição à luta pela democracia no Brasil, pois são impressionantes a ignorância e a candura com que se faz o jogo dos soviéticos, na infiltração, na propaganda e na conquista deste país, decisivo para a América Latina e para o próprio destino da liberdade no mundo.

"Os liberais arrependidos, os socialistas retardados, os religiosos tomados de surpresa, os ensaístas deslumbrados, os jornalistas alfabetizados, os intelectuais ressentidos, os desajustados da liberdade, os novos-ricos de certos bancos e os novos-pobres de certo espírito, formam as mais estranhas combinações para abrir caminho à propaganda, ao sofisma, às idéias-força da Guerra Subversiva que os soviéticos movem contra o mundo livre."

"Sem defesa adequada, com os partidos em dissolução, as Forças Armadas intrigadas e perplexas, a própria Igreja Católica ameaçada de divisão e de se colocar, em vários setores, a serviço da subversão pensando que assim se renova, o que mais admira é como o Povo, o simples e bom Povo do Brasil ainda não se convenceu, de vez, que o regime soviético é o melhor. Pois, de todos os lados, os responsáveis pela sua formação cultural, espiritual, econômica, e pela sua defesa militar, ou tentam convencê-lo a se entregar ou se omitem, com o pavor de não serem admitidos no paraíso soviético que pretende abrir aqui uma sucursal."

"Um Presidente da República tem o desplante de dizer que a Constituição que jurou defender e nunca respeitou nem cumpriu, está superada. E contra ela mobiliza, numa aliança natural, os negocistas e os comunistas, igualmente interessados em saquear o Brasil, privando-o da ordem democrática, da ordem com liberdade, da liberdade com responsabilidade."

"Há os que dizem: é inútil combater o comunismo, o que há a fazer é combater a miséria. Supondo que a miséria acabe no mundo antes do comunismo, tomemos o argumento: o comunismo só vence onde há miséria. Logo, ele precisa da miséria para vencer. Portanto, cada vez que se aceita a colaboração dos comunistas e seus auxiliares na alegada luta contra a miséria, está-se trazendo um balde de gasolina para apagar o incêndio."

"Outro argumento apresentado com freqüência é o da “coexistência pacífica”. Supor que a ditadura soviética se deixará confinar nos territórios já ocupados, e uma nova linha de Tordesilhas dividirá o mundo entre zonas de influência dos Estados Unidos e da Rússia, que se respeitarão entre si, é uma versão nova do espírito de Munique."

"Com deplorável leviandade, fruto da aflição servida pela ignorância, certos prelados confundem economia social com assistência social, e Jesus Cristo com Jean Jacques Rousseau. Uma epidemia de oportunismo, agravada pela ignorância e pelo pedantismo se apossa do Brasil. Este é bem o momento de fazer ouvir a voz clara e sincera de uma inteligência poderosa, leal à missão que se impôs."

"Certo, há que lutar pelo bem-estar social. Mas, a condição de êxito dessa luta é a eliminação do comunismo. Não é só a miséria a estimular o comunismo. É o comunismo a estimular a miséria."

"Poucos fatores podem ser tão decisivos, na guerra política, quanto um livro. Foi com livros que Lênin deu saída à Revolução Russa. É com livros, é com idéias que podemos fazer a Revolução Brasileira."

"Quem quiser entender o que se está passando no Brasil, e contribuir para mudar esses acontecimentos terríveis, deve ler este livro. Os inimigos também. Ele só não adianta aos tolos."


(*)Carlos Azambuja, historiador, é autor de A Hidra Vermelha.

domingo, julho 05, 2015

Educação domiciliar, casamento gay, liberais ateus e outras notas.










Por Alexandre Magno Fernandes Moreira



Dias atrás um amigo brincou, dizendo: "do jeito que as coisas estão indo, o STF vai acabar considerando obrigatória a educação domiciliar!" Na hora, achei engraçado o otimismo dele, mas depois me lembrei que na verdade a educação domiciliar já é obrigatória. Quando a Constituição declara que a educação é um dever da família, está obrigando os pais a educarem seus filhos em casa. A educação domiciliar, portanto, não é um direito dos pais, mas um dever que deve ser cumprido por eles, sem possibilidade alguma de delegação.


O que está em discussão agora no STF é se um dos componentes da educação, a instrução, pode ser dada exclusivamente em casa ou se requer a frequência a uma escola. Nós estamos preparados para demonstrar não apenas que os pais têm autonomia para decidir sobre isso como também em regra têm condições adequadas para instruir os filhos em casa.

*

Está confirmado para a Global Homeschool Convention (Rio de Janeiro, março de 2016) Sugata Mitra, uma das maiores autoridades mundiais em inovação educacional. Vale a pena conferir sua fantástica palestra no TED:






O pessoal "mais esclarecido" adora propagar a existência de uma equação que seria mais ou menos assim: "mais escolas é igual a menos presídios". Em outras palavras, quanto maior o acesso à educação formal, menor a criminalidade. O curioso é que no Brasil tem acontecido o fenômeno inverso: há pelo menos três décadas, o aumento da criminalidade está ocorrendo de forma concomitante com o aumento do acesso à educação formal, e ambos de forma bem expressiva. Quem tiver paciência, pode conferir, por exemplo, a evolução do número de homicídios conjugada com o número de estudantes universitários; nas duas situações, os números foram multiplicados por várias vezes nas últimas décadas. Em estatística, isso pode significar duas coisas: a) não há relação nenhuma entre essas duas variáveis; ou b) o aumento de uma contribui, ou é até mesmo determinante, para o aumento da outra. Neste ponto, sou obrigado a fazer uma pergunta incômoda: e se a verdadeira equação for "mais escolas é igual a mais presídios"? Em outros termos, e se o aumento do acesso à escola estiver de algum modo contribuindo para o aumento da criminalidade?

*

Não acredito no discurso do pragmatismo. Seres humanos são profundamente emocionais e simbólicos, e apenas raramente agem tendo em vista um resultado futuro favorável. Então, quase sempre em que alguém usa um raciocínio consequencialista, fico me indagando qual é a sua real motivação.

Isso me veio à mente quando assisti o entusiasmo dos deputados de esquerda com a rejeição da emenda constitucional que previa a redução da maioridade penal para 16 anos (apenas para crimes hediondos). Afora alguns que têm um interesse concreto no aumento da criminalidade, todos estavam agindo para defender sua visão de mundo, essencial à sua identidade como seres humanos. O esquerdista típico acredita na bondade inata das pessoas, que seriam corrompidas pela "sociedade" (sim, isso é Rousseau!), mais exatamente por não ter tido oportunidades suficientes nessa sociedade.

É inconcebível para a esquerda a existência do mal. Tudo seria resolvido por mais oportunidades econômicas e mais educação. É mais ou menos assim: o sujeito mata e estupra porque é pobre (já perceberam o preconceito contra os pobres?) e porque não estudou suficientemente Geografia, Química e Matemática. Faz sentido pra você?

*

É difícil imaginar um sujeito mais esquizofrênico do que o militante liberal e ateu. Ele realmente acredita na utopia de um mundo sem religião e com Estado mínimo. Para essa pessoa, além de sugerir um bom psiquiatra, não custa nada lembrar que, ao menos no mundo ocidental, a principal força contra a expansão do poder estatal é a religião, essencialmente as várias denominações cristãs. Aliás considerando que quase toda caridade privada é feita por meio de organizações religiosas, se estas deixarem de existir, qual entidade você acha que vai assumir esse espaço?

*

Boa parte das pessoas se casa e tem filhos principalmente por status. Constituir família seria um atestado de que a pessoa tornou-se madura, ultrapassou os desvarios da juventude. A pressão implícita dos amigos tem papel fundamental nessa decisão (quando quase todos os amigos se casaram, você sente que "o cerco está se fechando"). A partir de certa idade, pega mal não estar casado ou não ter filhos. O resultado dessa busca por status são casamentos que nunca deveriam ter acontecido, pois um ou mesmo os dois cônjuges não têm nenhuma vocação matrimonial e assim apenas conseguem criar um inferno para si mesmos. Da mesma forma, filhos são muitas vezes gerados apenas para que seus genitores possam se declarar "pai e mãe" perante seus pares; obviamente, gerar é muito mais fácil que educar, o que leva ao conhecido fenômeno da "terceirização dos filhos".

Permitam-me perguntar: como seria se o casamento e a criação de filhos não gerassem absolutamente nenhum status, nenhuma nova forma de respeitabilidade?

*

Nessas discussões coloridas e acaloradas sobre a decisão da Suprema Corte americana, acho que dois fatores importantes estão passando despercebidos.

Em primeiro lugar, tanto nos EUA quanto aqui, a Constituição não prevê o direito ao casamento gay. Em ambos os países, as cortes supremas fingiram interpretar a Constituição quando na verdade apenas expressaram a ideologia da maioria de seus membros (no caso do STF, de todos os seus membros). Isso deveria deixar de cabelo em pé todas as pessoas que atuam na área jurídica, independente da sua opinião sobre o assunto. Pelo visto, não provocou comoção nenhuma. Bem, tanto aqui como lá, o desprezo pela Constituição vem travestido como interpretação desta. Nunca se sabe o que virá a seguir...

Em segundo lugar, parece que esqueceram de alguém nessa equação: as crianças, que, nos termos da Constituição, devem ter "prioridade absoluta". Alguém por acaso já ouviu falar em um estudo empírico sobre menores criados por casais gays? Pois é, nem eu! Quer dizer que criaram uma nova instituição jurídica sem saber qual o efeito que terá sobre os membros mais frágeis da sociedade? Vale lembrar o óbvio: reconhecer a existência jurídica do casamento homossexual significa necessariamente reconhecer o direito de os cônjuges adotarem. E o direito dos futuros adotandos? Ninguém está preocupado com isso?

*

O conservadorismo em uma frase: "a realidade existe" (você é livre para ir contra ela, mas terá que arcar com as consequências). O esquerdismo em uma frase: "tudo são opiniões" ("e nós queremos impôr nossas opiniões a vocês ").

*

Há uma gigantesca diferença entre ser vítima e fazer o papel de vítima. Todos nós já fomos vítimas de injustiças incontáveis vezes. Desde um chefe que indevidamente não reconheceu o trabalho do subordinado até a pessoa que brigou com o cônjuge apenas para descontar em alguém a sua frustração com a vida, não faltam situações em que somos injustamente prejudicados. A grande questão é como reagir aos infortúnios inevitáveis da vida.

De modo bastante simples, a pessoa pode agir ou reclamar. Ao agir, os reveses são reconhecidos como oportunidades de crescimento, amadurecimento e aprendizado. Não se perde tempo buscando culpados: ou se busca uma solução ou se releva o infortúnio como algo irrelevante. Essa é atitude de uma pessoa emocionante adulta.

Por outro lado, quem apenas reclama escolhe o papel de vítima. Ele decidiu jogar toda a responsabilidade por sua vida nas costas alheias. "O mundo é injusto e eu nunca sou responsável pelas coisas ruins que me acontecem" é o lema de sua vida. E com muita facilidade racionalizam esse sentimento. Sempre encontram bons argumentos. São os adolescentes emocionais, mesmo que há muito já tenham passado dos 18 anos.

Todos são livres para escolher uma ou outra atitude. Porém, ao escolher o papel de vítima, as pessoas abrem mão da maior dádiva que o ser humano tem: a de definir seu próprio destino.

*

É muito fácil descobrir se uma pessoa é feliz ou não: basta pedir que ela fique totalmente parada, sem fazer nada, por, digamos, cinco minutos. Se ao final desse período, ela se sentir ansiosa para fazer algo, qualquer coisa mesmo, a infelicidade predomina. Se, ao contrário, ela se sentir bem consigo mesma, sem angústia ou ansiedade, estamos diante de uma pessoa feliz. A verdadeira felicidade é isso: saber que o simples fato de você existir já é o suficiente para sentir-se bem.


Alexandre Magno Fernandes Moreira é advogado.

domingo, março 30, 2014

O que foi que fizeram com nosso querido Mackenzie?.













Reflexões de um jovem calvinista conservador
por Oscar Cavallieri*


Calvinismo e Conservadorismo. Julgava que ambas as ideias andavam intimamente juntas. Eu já era reformado. E também conservador, o que me tornava completamente fora de moda. Desde a adolescência, eu já sabia que socialismo era tão criminoso quanto o nazismo. Sabia que Che Guevara era um falso messias. Que bandidos não são mocinhos.

Mas viver num Brasil cultural e politicamente socialista é um tapa na cara o tempo todo. Não é à toa que um conservador como eu se sinta como um peixe fora d´água. Eu prefiro dizer que sou um peixe de água doce que acabou, por algum estranho senso de humor do destino (ou da predestinação), nascendo em águas salgadas e amargas, pois, no Brasil, bandidos são transformados em mocinhos, quando não canonizados em governantes. No Brasil, Che Guevara é o Jesus Cristo da juventude universitária e Marx seu Deus-pai.
Como jovem, tive desilusões em minha vida estudantil. Durante todo o ensino médio resisti à doutrinação sistemática de que tudo é uma questão de opressores e oprimidos na história: brancos vs. negros, europeus vs. índios, senhores vs. escravos. Não entendo tudo, mas sabia que há algo muito errado com essa história.
Logo depois, ingressei numa faculdade de direito, onde meus colegas e eu fomos doutrinados pelo positivismo e pelo marxismo desde o primeiro dia. Resisti, porque meu cérebro — sempre fora da moda ideológica — alertava que havia algo tremendamente errado nisso tudo. Não tardou para eu ser chamado de porco capitalista pelos mais maconheiros (ops, mais socialistas!) da sala. Quanto aos outros alunos, eles simplesmente me viam como um “reacionário.” E assim passaram-se os cinco anos. Ao término da faculdade, tomei uma decisão: “Agora quero estudar teologia num lugar onde, com meus princípios, não serei um completo alienígena.” Só pensei numa resposta: Mackenzie.

E assim começou 2014.
No primeiro dia de aula fomos levados ao auditório, junto a todos os demais calouros, onde uma Bíblia foi entregue para cada um. “Uau,” pensei eu, “isso sim é que é uma instituição calvinista conservadora!” Os reverendos presbiterianos fizeram as apresentações e um deles pregou sobre Daniel na Babilônia, dizendo que o estudante pode e deve manter sua fé e desvendar a ciência juntamente. “Uau,” pensei novamente. Em seguida, anunciaram um show. Bem, é claro que minha expectativa era uma banda do meio gospel. Afinal, estávamos numa universidade evangélica.
Fiquei chocado: o show foi dado por Nando Reis!



O que me chocou não foi somente o fato da banda desse cantor chamar-se “Os Infernais” e estarem tocando numa — pelo amor de Deus! — universidade presbiteriana. O revoltante foi o discurso contra o preconceito em relação às minorias que Nando Reis fez questão de fazer antes de começar a tocar suas românticas músicas. Ele passou um sermão politicamente correto e carregado para os reverendos e seus alunos de teologia, entre os quais eu estava. Por essa eu, um calvinista conservador, jamais esperei.

No segundo dia, tentei me recuperar, buscando explicações, com a cabeça zonza: “Quem fez o tal discurso esquerdista foi o Nando Reis, e não algum reverendo. Certamente, os reverendos também ficaram incomodados com aquilo e vão dar um basta nisso.”

Dirigi-me à sala e fomos levados a uma atividade dinâmica promovida por uma ONG. Muito divertido e informativo. O nada divertido (mas ainda assim informativo) foi o discurso do dirigente do diretório acadêmico (um teólogo em formação) no final da atividade. Inicialmente ele mostrou uma posição bastante liberal, e logo senti cheiro não apenas de teologia liberal, mas também de teologia da libertação. E quando ele finalizou dizendo que Sodoma e Gomorra foram destruídas não pelo homossexualismo, mas porque negligenciavam amparo aos pobres e às viúvas, novo choque para mim. Para esse aspirante a teólogo no Mackenzie, o problema do homossexualismo é enfatizado demais na narrativa sobre a destruição das cidades quando na verdade a causa foi outra…

Sentindo náuseas com tal manifestação de liberalismo, fui pesquisar sobre a relação entre Teologia da Missão Integral, Teologia da Libertação e Mackenzie e levei um susto. Quase caí para trás ao ver, nos resultados do Google, que problemas de esquerdismo no Mackenzie já estavam sendo biblicamente tratados, ao ler na telinha de meu notebook as matérias escritas por Julio Severo. Ao pesquisar em outros canais informativos, inclusive da própria universidade, vejo que o blogueiro não estava exagerando.

A cada dia, realmente, a Universidade Presbiteriana Mackenzie tem se tornado mais liberal e “libertadora” (no sentido de aderente à TMI). Os dias vão passando e, nas aulas de teologia, venho percebendo essa mesma visão esquerdista em alguns professores. E fico me perguntando: o que foi que fizeram com nosso querido Mackenzie?

* Oscar Cavallieri é um pseudônimo escolhido por um jovem estudante de teologia do Mackenzie que queria apenas, como calvinista conservador, desabafar seus sentimentos sobre os desafios anti-conservadores na famosa universidade presbiteriana.