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sexta-feira, agosto 30, 2013

Por que tanta animosidade para com o Sionismo?





por Sonia Bloomfield Ramagem



Poucas palavras tem sido tão mal usadas e mal-entendidas quanto SIONISMO. Graças às manipulações dos agentes do anti-semitismo moderno ela tornou-se um sinônimo de opressão e violência. Nada mais enganoso!

SIONISMO é um termo composto por SION + ISMO. SION, ou Sião, é um monte em Jerusalém, e ISMO significa “modo de pensar”, ou seja, a palavra indica uma visão-de-mundo ligada a Sião, ou melhor, a Jerusalém e à Terra de Israel. O Sionismo é, em sua origem, o movimento nacionalista para o estabelecimento de uma nação judaica no mesmo local onde viveram os ancestrais do povo judeu (1), que foi iniciado como um movimento secular que re-criava as aspirações religiosas dos judeus de retorno a Jerusalém, e também como reação ao virulento anti-semitismo europeu, em especial na Rússia, Polônia e França (caso Dreyfus).

Atualmente o termo engloba, também, o apoio à existência do Estado de Israel (seja por judeus ou outros grupos), e a tarefa contínua de manutenção do Estado Judaico (como defesa e absorão de imigrantes).

O amor dos judeus por sua terra ancestral não é novo, mas o termo SIONISMO sim. A partir do século 18 cria-se, no mundo ocidental, um modo de pensar que legitima o controle político de uma unidade territorial com uma população de ascendência, biológica, linguística e cultural em comum, o NACIONALISMO (nasci + ismo). O nacionalismo é tanto um sentimento (o de pertencer a um grupo ligado a um território), quanto uma ideologia (que tem a nação-estado como forma política ideal, e que clama pela lealdade absoluta de seus cidadãos).

De forma resumida: o nacionalismo é a crença que cada nação tem o direito e o dever de se constituir como um estado político. Este fenômeno criou a reordenação do território europeu nos séculos 19 e 20, criou os atuais países das Américas, como o Brasil, e continua a operar na África e na Ásia.

Ao nacionalismo associou-se uma forma artística, o ROMANTISMO, permitindo a associação de uma intensa emotividade das massas a uma ação política concreta. O romantismo surgiu como reação à modernidade, em especial através da reação artística dos intelectuais alemães contra sua própria nobreza que, empobrecida pela Guerra dos Trinta Anos entre católicos e protestantes, os desprezava e tentava imitar a realeza francesa através do formalismo de sua etiqueta. Os franceses e ingleses, donos de grandes e ricas colônias nas Américas, Ásia e África, tinham uma visão-de-mundo cosmopolita e racionalista, e suas sociedades permitiam a inserção de membros da burguesia nos negócios dos estados.

Os ideais do romantismo pediam um retorno à natureza e à essência do ser humano em oposião ao racionalismo e o mecanicismo francês e inglês, era uma forma de resistência dos que não tinham contra os que tinham riquezas materiais.

Na atualidade dos países não ricos surge a nova roupagem do romantismo através da ecologia e da resistência cultural aos países ricos, em especial aos Estados Unidos. Neste fenômeno unem-se pensadores alemães e franceses, os primeiros pelas razões já mencionadas, os segundos pelo fracasso a longo prazo de seus ideais revolucionários frente aos resultados da Revoluão Americana, que regem a nova ordem mundial, e a resistência contra esta ordem tende ao maniqueísmo (2).

Os nacionalismos tardios do Oriente Médio, que surgem no momento em que a globalização avança, têm como referência emocional, romântica, a resistência aos EUA. Os nacionalismos mais antigos, dos paises pobres, idem. Os nacionalismos europeus que enfrentam a competição norte-americana para a hegemonia mundial, também. Através dos meios de comunicação de massa, políticos e intelectuais, que são em última hipótese quem criam os nacionalismos para terem esferas próprias de poder, associam o moderno antagonismo para com a potencia hegemônica, sem a qual não podem existir como entidades sociais, com o antiquíssimo anti-semitismo travestido de anti-Sionismo.

Ao demonizar-se os EUA, coloca-se o Estado de Israel, sionista, e os “mercadores apátridas”, conforme muitas vezes os judeus são denominados, como a razão para os problemas mundiais. Une-se então à velha teoria da conspiração, encontrada na falsificação intitulada “Os Protocolos dos Sábios de Sião”, ao anti-Sionismo, uma combinação explosiva, numa mostra da incrível capacidade de sobrevivência do anti-semitismo.

Notas:
(1) E onde sempre viveu uma considerável população judaica desde a época da expulsão pelos romanos.
(2) Em recente pesquisa divulgada pela Revista Veja os brasileiros são o segundo povo mais anti-americano do mundo, em que pese a fascinação brasileira com a língua, a cultura, e os artigos de consumo e com a liberdade individual norte-americana.

Sonia Bloomfield Ramagem é PhD e professora da Universidade de Brasília

Este artigo foi publicado originalmente em outubro de 2003 em uma versão antiga do PLETZ.com

sexta-feira, maio 10, 2013

Ser judeu e ter que defender Israel.




Original: Conversa fiada.

por Ronaldo Gomlevsky(*)






Dá no saco essa história de ser judeu e ter que defender Israel a qualquer preço, contra tudo, contra todos e a favor de qualquer ação que seus governos adotem. Eu não faço isso. Por outro lado, nada é melhor do que defender atitudes que estão absolutamente de acordo com o nosso pensamento.

Israel que não diz que sim e também não diz que não, está sendo acusado de ter destruído uma boa quantidade de mísseis que estavam no aeroporto de Damasco, prontinhos para serem entregues ao Hezbollah. Vocês fizeram isso? Tomaram essa atitude? Impediram que estes armamentos pesados que do sul da Síria ou do Líbano, podem alcançar o centro de Israel, destruindo ou danificando cidades como Tel Aviv e Jerusalém? Vocês aí do Exército de Defesa do Estado de Israel, tomaram esta providência?

Não querem admitir? Se fizeram, invadindo espaço aéreo sírio, libanês ou de qualquer outro país, o fizeram muito bem. Nota dez para este exército composto por cidadãos, no qual está hoje mesmo servindo, o meu primo Tom, de dezoito anos, nascido no kibutz Mishmar Ha Neguev e filho da minha querida prima Viviane.

É exatamente para este fim que existe e presta um exército de defesa. Para defender seus cidadãos contra a sanha dos inimigos. Alguém pode declarar em sã consciência que o Líbano, a Síria e os palestinos do Hamas e do Hezbollah são amigos de Israel? Claro que não. Então, o que foi feito, se foi feito pelos israelenses, foi muito bem feito. Antes um mau vizinho chegando ao inferno, do que minha boa mãe chegando no céu! Esta tem que ser a máxima de soldados servindo num exército popular, de defesa de seu povo.

Enfim, não gosto da ideia de fugir da responsabilidade. Não vejo porque negar a realidade e nem entendo que haja motivos para tal. Agora, se a Síria do santíssimo Assad que massacra seus concidadãos, não está satisfeita e se sentiu como se recebesse uma declaração de guerra, que ponha a viola no saco ou parta para a guerra. Existe uma outra maneira de lidar com tal fato. Quem sabe, os sírios poderiam ter impedido o tal contrabando de mísseis através de seu território. Querem viver em paz? Então, não sacaneiem a vizinhança. Israel não tem do que se envergonhar e muito menos deve omitir seus feitos na área militar.

Quem quer ser amigo o é. A prova está com a ação de Sadat que chegou em Jerusalém com as mãos abanando, pediu paz e levou todo o deserto do Sinai de volta. Com petróleo e tudo! Que os países árabes tomem como exemplo o comportamento da Jordânia que fez a paz com Israel e vive sem qualquer problema com seu vizinho sionista.

De parabéns o Exército de Defesa do Estado de Israel que nos últimos 65 anos tem sabido defender seu povo como poucos exércitos na história da humanidade o fizeram e o fazem. Quando for preciso, como sempre afirmou a aviação canarinho tupiniquim durante a Segunda Guerra Mundial, o negócio é sentar a pua! Parece que Israel aprendeu como se faz!

(*)Ronaldo Gomlevsky é Editor Geral da Revista Menorah


domingo, agosto 19, 2012

HEZBOLÁ MARCHA EM LONDRES.


Israel "vai desaparecer do mapa", diz líder supremo do Irã.
A afirmação foi feita pouco antes de um evento (Al Quds) nesta sexta-feira contra o Estado judeu.

Teerã - Israel é uma "excrescência" artificial no Oriente Médio que "irá desaparecer", afirmou o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, antes de um evento nesta sexta-feira contra o Estado judeu e em apoio aos palestinos.


A cerimônia do Dia de Jerusalém (Al-Quds) teve início em 1979 após a fundação da República Islâmica. Os protestos utilizam a palavra Quds, derivada do árabe, para designar a cidade de Jerusalém.

Khamenei, em um discurso na quarta-feira, falou que a "estrela da esperança" que brilhou no Irã durante sua Revolução Islâmica e na guerra de 1980-1988 com o Iraque "também irá brilhar pelos palestinos e sua terra islâmica será devolvida definitivamente à nação palestina".

Ele atacou Israel ao afirmar: "Esta artificial e falsa excrescência sionista vai desaparecer do mapa".

O evento de sexta-feira, afirmou, será "um duro golpe para os inimigos do Islã e da Palestina", e acrescentou que o Irã vê o apoio à causa palestina como "um dever religioso".

A celebração do Al-Quds neste ano ocorre em meio a um aumento de tensões entre Irã e Israel.

O Estado judeu tem aumentado sua retórica belicosa ao ameaçar atacar as instalações nucleares da República Islâmica, que Israel acredita que sejam utilizadas para desenvolver armas atômicas que poderiam destruir seu país.

O Irã nega as acusações, e afirma que seu programa nuclear tem fins puramente civis.

Fonte: http://exame.abril.com.br

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Do The New English Review (Sexta feira, 17 de agosto de 2012):

Al Quds Day march - London 2012


To London to join with March for England and those members of the Casuals and EDL who could get time off work to counter the annual Al Quds march through Ramadan. This has been widely advertised on London’s buses, much to our disgust.

The march started to form up behind the BBC building in Portland place. We could hear a rather hyper-active young man with a northern accent trying to fire up the gathering crowd.

Give me a T, give me an A what have you got - takfir…..!!!!

Jews from Neturei Karta arrived and at 4 pm the march moved off. These are a selection of photographs of the banners and the type of person who attended. Hijabed stewards handed out exactly the same flyers that I was given back in 2009 – Zainab is still wailing outside her olive grove.


There is a line in the Fiddler on the Roof song Matchmaker 'You bring the Bridegroom, slender and pale'. Not that slender and not that pale, please!
 
Marching past the BBC (above) and All Souls Church (below)



Being a dozy bint is not confined to the young women.

The march made its way slowly down Regent Street; we moved quickly to Grosvenor Square to see it form up outside the embassy.

There was a large police presence. There was a pen to the side of the embassy for March for England but they were told they were not compelled to stay in it but safety could not be guaranteed within the garden if any of the Al Quds marchers recognised them. We believe that the robust challenge to this march in previous years (when it was held on a Saturday or Sunday) is the reason the organisers decided to change to a Friday (albeit that the third Friday of Ramadan was the day originally decreed by the Ayatollah Khomeni) when it would be difficult for working men and women to get time off.

The march formed up and speeches began with the assistance of a large screen for those at the back. It began with a recitation from the Koran and continued with a speech from Rabbi Jacob or Yaqub who was wearing a PLO scarf.




The hyper-active young man above aspires to be Freddie Mercury I fear.

Zionism has got to go – say eh oh, say eh oh.

It was less stadium rock and more Teletubbies.

The next speaker was Sister Saracena who declaimed one of her ‘poems’.

“They shoot my neighbours of the hell of it . . .

They say I am a terrorist because I wave my flag

I will wave my flag till all they can see

Is red, white, green and black, “




Some of the men of March for England made a formal complaint about the presence of the green and yellow Hezbullah flags with their picture of the AK47 rifle and promotion of violence. They asked the police to have them removed as this promotion of terrorism is offensive. I don’t know what the police said to the Al Quds organisers but the complaint did reach them. The gathering was told from the platform to ‘keep the flag up, enjoy it, it’s a beautiful flag, we love it, mwah, mwah, mwah (kissing noises and gesture)’

The next speech was from one of the Mullahs (or so I took him to be from his turban)

He said ‘Israel must be wiped off the map. Iran will not wipe Israel off the map. No country will wipe Israel off the map. Israel will wipe itself off the map.”


People were starting to drift away from the rally. Sneaky cigarettes and drinks from bottles of water were being taken behind posts. Mothers had been supervising their children playing by the fountain for some time. The usual suspects Yvonne Ridley and Lauren Booth were due to speak but I had not spotted them in the march past. Groups of youths were suddenly much in evidence and I decided we could live without hearing Ridley yet again. It seemed like a good time to leave.

Photographs by E Weatherwax and S Sto Helit. August 2012 London

segunda-feira, julho 02, 2012

INTOLERÂNCIA.



por Rabino Adrian Gottried

Controvérsia é um elemento componente do ato de levar ideias a sério. A verdade é que nós temos profundas divergências no campo da teologia e da prática religiosa.

E estas diferenças não podem ser varridas, nem podem ser minimizadas. Mas a resposta correta para diferentes opiniões é argumentar mais. E não procurar unanimidade.

Para que sejamos agentes de bênçãos em nossas próprias vidas e no mundo à nossa volta, nós precisamos estar aptos a distinguir entre os desafios que têm integridade e os que não têm. Como fazemos isso? Argumentos com integridade são caracterizados pela abertura e respeito.

Hilel e Shamai – e seus discípulos, Beit Hilel e Beit Shamai – ouviam uns aos outros e ocasionalmente eram convencidos uns pelos outros. Há uma série de quatro debates na Mishná Eduiot (1:12-14) onde os Beit Hillel eram convencidos pelos argumentos dos Beit Shamai. A abertura pode servir como indicação de que o argumento não é guiado pelo ego.

Na semana passada, uma carta impressa em papel oficial do governo israelense, assinada pelo Rabino Chefe Sefaradita de Israel Shlomo Amar, convoca todos os rabinos para uma reunião em seu escritório na terça-feira seguinte. A linguagem utilizada no documento é inflamatória e incitativa, referindo-se aos rabinos não ortodoxos como “terroristas”, cuja “única intenção é causar dano à santidade da Torá”.

O Estado de Israel e o povo judeu aprenderam a mais amarga das lições através do assassinato de querido Primeiro Ministro Yitzhak Rabin (z’l): que o linguajar incendiário pode resultar em consequências devastadoras. Falamos como comunidade, exigindo que esta ameaça à segurança física dos rabinos masorti e reformistas, não somente sua integridade pessoal, seja defendida.

A convocação é uma reação ao decreto do Procurador–Geral israelense Yehuda Weinstein, determinando que rabinos não-ortodoxos em Israel tenham seus salários cobertos por orçamentos públicos, igualando o direito de mais de 4000 rabinos ortodoxos bancados pelos contribuintes israelenses. O Talmude (Arachin 15b) ensina que a fala com ódio tem o potencial de matar. A linguagem utilizada pelo rabino Amar coloca todo o povo judeu sob risco de violência.

A vasta maioria dos judeus do mundo não está de acordo com a linguagem de ódio de um dos dois principais líderes religiosos financiados pelo governo de Israel. Pedimos que as fontes do estado judeu sejam devotadas ao ensino e a propagação do amor ao judaísmo e ao povo judeu. Como ele se atreve, o rabino Amar! E como o Estado de Israel se atreve a lhe dar este título! Ele não representa o Povo de Israel.

As más notícias do rabinato israelense oficial e outras autoridades rabínicas têm criado um efeito de reflexo do escândalo causado por Korach & Cia.

Na Torá, os rebeldes liderados por Korach queriam criar uma anarquia, dissimulando estruturas políticas e religiosas da comunidade. Hoje em Israel, um estado democrático, judaico, moderno e contemporâneo, o rabinato busca abafar a sociedade usando o aparato do estado para controlar as vidas de todos os israelenses, controlando as estruturas polícias e religiosas do Estado.

E na sequencia da semana passada, em Jerusalém, a polícia deteve uma mulher no Muro das Lamentações durante mais de três horas, porque ela, junto com outras 65 mulheres do grupo Mulheres de Kotel, faziam suas orações do serviço de Rosh Chodesh. O porta-voz da polícia de Jerusalém, Shmuel Ben Ruby, disse que Houben foi detida por estar usando um talit para homens, ou xale de rezas, algo proibido para as mulheres pela lei israelense no Muro das Lamentações. Houben colheu digitais e foi fotografada na delegacia, e solta 3 horas mais tarde. Foi também banida do Muro das Lamentações por sete dias, sob pena de uma multa no valor de NIS 3.000.

Como escreveu o aluno rabínico do JTS, Mikie Goldstein: “Israel é a única democracia no Oriente Médio e, de fato, a única no mundo inteiro onde uma mulher judia pode ser presa por usar um talit (xale de reza!) em uma sinagoga”.

O judaísmo de Israel está sob ataque de uma corrente dominante do fundamentalismo judaico, fundado e politicamente capacitado pelo governo israelense.

Será que esses fatos apagam o nosso receio e comprometimento – financeiro, político e espiritual – com a segurança de Israel, dado que mais de 100 mísseis foram disparados de Gaza contra Israel nos últimos dias? NÃO! Isso deveria, entretanto, relembrar cada judeu que ama Israel no mundo que a dupla missão do sionismo exige uma resposta de dois níveis: (1) protegendo os muros de nosso lar e (2) assegurando que nosso lar seja ocupado corretamente.

A instituição do rabinato estatal parece incapaz de argumentar que suas ações sejam justificadas pelo amor a Deus. Seu foco está no aumento do próprio poder temporal. Já passou da hora do Estado de Israel reconhecer que seu rabinato oficial se assemelha à rebelião de Korach: é um fracasso épico, desastroso. Não há valores duradouros suscitados por essas controvérsias.

A carta de Amar e a prisão no Kotel por vestir talit não representam apenas um mau dia para o judaísmo em Israel. Mais do que isso – representam um mau dia para TODO o povo judeu.

A Shalom, como uma comunidade judaica plural, inclusiva e igualitária, repudia esta carta e os dizeres injuriosos do rabino Amar e soma a nossa voz de alerta frente a este intolerável avanço do fundamentalismo dentro do Estado de Israel.

O Sionismo continua não realizado enquanto o ódio judaico interno for apoiado pelo Estado Judeu e tolerado pelo Povo Judeu.

Toda diferença de opinião em benefício dos Céus, no fim irá vingar, mas toda aquela que não for, no final, não vingará.
Qual é o exemplo de diferença de opinião em benefício dos Céus?
Os debates entre Hilel e Shamai. E um exemplo de diferença de opinião que não ocorre em benefício dos Céus?
A disputa de Korach e seu bando contra Moisés.
Números 16 – Mishná, Pirkei Avot 5:20

Adrian Gottried é Rabino da Comunidade Shalom em São Paulo
4 Tamuz 5772- 24 junho 2012

sábado, junho 23, 2012

Crueldade imoral.




por Herman Glanz –

Quando se fala em crueldade todos pensam em assassinatos bárbaros, terroristas, homens-bomba e, acima de tudo, o Holocausto, que ocupa lugar único na história da barbárie mundial. Todavia, estamos diante de uma crueldade imoral, e não chamamos tal situação de crueldade moral, talvez pensando em assédio moral.

A campanha que se observa no mundo de demonização de Israel, de deslegitimação de Israel, de diabolização do sionismo, tudo formas de antissemitismo disfarçado ou explícito, são os exemplos de hoje em dia, ao lado do antissemitismo explícito quando jovens judeus são atacados na França, na Bélgica e quando vemos falar contra judeus, simplesmente por o serem. Quando se fala contra um cidadão traficante não se complementa com a sua fé. Mas no caso judaico fica patente o ódio que impera, tanto pelos nazistas da direita, como nazistas da esquerda predatória, uma parte da esquerda que se junta aos nazistas e aos fundamentalistas para ir contra judeus e Israel, que se tornou o judeu das nações.

Essa campanha de deslegitimação, de boicote, de demonização não passa de uma crueldade imoral, que planta as bases para os ataques e assassinatos, na Europa, nos Estados Unidos e Canadá, na América do Sul e, é claro, em Israel. Hanna Arendt falou em “banalidade do mal”, com o que não concordamos. Nada de banal – é uma crueldade imoral. São as crueldades desse tipo que descambam para a indústria da morte, um Holocausto em processo, um Holocausto em marcha em busca de poder.

O ensino do Holocausto nas escolas alemãs se tornou obrigatório. Mas se observa, hoje, uma mudança de atitude, crescendo a reação a essa possível expiação de culpa, como se o fosse possível. Alunos não mais querem saber que os antepassados fizeram coisas horríveis. E diante da crueldade imoral do ódio que se espalha com propaganda cínica e mentirosa, passam a se voltar contra judeus, novamente, em contraponto à culpa pelo Holocausto.

Fala-se em nazismo, mas se omite que se trata de “nacional-socialismo”, ou “socialismo nacionalista”, traduzindo do alemão. Tudo para evitar confundir o socialismo com os alemães. O fator judeu selou as relações de Hitler e Stalin de 1933 a 1941, quando, na semana que vem, lembraremos os 69 anos da invasão da antiga União Soviética pela Alemanha, rompendo o Pacto existente entre aqueles dois países, Pacto que permitiu a Segunda Guerra e toda a tragédia provocada pelos nazistas. Stalin também foi cruel. Stalin também matou judeus, mas nada se compara à crueldade alemã.

A crueldade imoral de hoje utiliza requintes de crueldade da propaganda e marketing. Isto deve ser combatido para não lamentarmos as desgraças que a história nos ensina. Os palestinos de hoje (antes palestinos eram os judeus, onde estivessem) dizem que Jesus era palestino(*), os antissemitas dizem que o sionismo é nazismo, para tocar no ponto mais sensível para os judeus. A crueldade imoral não tem limites. Quando se atacam os países capitalistas, se busca granjear poder para o próprio lado, lado que é totalitário. Quem não protesta e não vê a hora da queda do ditador da Síria apenas quer manter a sua pretensa forma de buscar o poder, e o dinheiro, para o próprio lado. O bem passou as ser moeda de dois pesos e duas medidas.

É por isso que devemos conhecer e combater essa crueldade imoral.

(*) Adendo do Blogandofrancamente:
Pela Bíblia e pela história Jesus não nasceu na Palestina, mas na Terra de Israel, na então cidade israelense de Belém, tendo vivido a maior parte da sua vida em Nazaré, cidade também israelense, e exercido o seu Ministério na Judéia, Samaria e Galiléia, regiões totalmente dentro dos limites da Terra de Israel que, na época, estava debaixo do domínio colonizador de Roma e não de nenhum grupo palestino;

Pela Bíblia e pela história Jesus não é palestino ou de origem árabe, mas judeu, nascido de mãe judia, Mirian, traduzido por Maria e na família de Yossef (José), descendente de David e de Abraão, Isaque e Jacó e viveu como judeu todos os dias de sua vida. (Rede Sepal)