segunda-feira, maio 08, 2006


O SATÉLITE
por Ralph J. Hofmann

Acabo de ler os pontos principais do acordo entre a Bolívia, Cuba e a Venezuela.
A expressão que imediatamente vem à mente é “País Satélite” .
Essa expressão quase não se ouve mais. Mas era de uso corrente para descrever todos os países comunistas da Europa salvo a Iugoslávia que tinha um líder como poucos no mundo, e soube resistir à satelização.
De uma forma geral, se um país aderisse ao comunismo, ou seja, as pessoas que adquiriam o poder aderiam ao comunismo passavam a ser parte de um Reino Unido de Todas as URSS. A China nunca foi tão bem sucedida. Tanto a Coréia do Norte, quanto a Mongólia, quanto o Vietnã do Norte sempre foram mais ligadas a Moscou do que a Beijing.
A maioria acachapante dos satélites da Rússia foi obtida na confusão que sucedeu a derrota nazista. Os movimentos patrióticos não-comunistas da Polônia foram eliminados pelos alemães quando por ocasião do levante de Varsóvia as tropas Russas detiveram seu avanço durante algumas semanas ante as portas de Varsóvia, retiraram os resistentes comunistas da cidade e esperaram enquanto a Alemanha matava todos que poderiam futuramente resistir aos comunistas ou gerar líderes contra os mesmos. Noutros países a ação foi mais direta, ao mesmo tempo que recolhiam os alemães recolheram os outros movimentos. Na Hungria não havia o que hesitar. Boa parte dos líderes húngaros havia compactuado com os alemães.
Mas esta semana o Evo Morales tornou-se uma colônia cubana sem que se disparasse um único tiro. Fidel, que nunca soube levar seu povo à prosperidade, cuja fortuna pessoal engordou no ano que passou em quatrocentos milhões de dólares, coincidentemente tendo passado a ter um apoio financeiro polpudo de Hugo Garcia, assumiu gerar a prosperidade para os cidadãos do altiplano boliviano. Do altiplano, pois o pessoal nativo a Santa Cruz de la Sierra sempre soube se virar muito bem. Sempre soube lucrar com o fato de ser vizinho da grande economia brasileira. O fiador, o J.P. Morgan, o Marshall da operação seria o general venezuelano.
Evo Morales cometeu um erro atroz. Se eu tenho dois vizinhos poderosos nunca fecho um acordo com um só deles. Faço como fazem os filhos de casais divorciados. “Mamãe papai vai me dar uma bicicleta de 25 marchas”, e a mãe responde: “Que pena filho, eu ia te dar uma motocicleta”, e segue-se: “Pai não precisa a bicicleta a mãe me vai comprar uma moto” donde “Deixa prá lá filho, é muito perigoso, te dou um jipe da Suzuki, é melhor para levar as gatas passear”.
O acordo não descreve nada específico que possa incrementar a prosperidade boliviana, nem seus pontos positivos ostensivos configuram qualquer coisa que o Brasil não tivesse podido conceder. Portanto apenas espelha a necessidade de demonstrar a coragem dos bolivianos ante uma ameaça verde amarela.
Lembra o dia que a Coca-Cola anunciou que estava engavetando a New Coca-Cola. A Pepsi-Cola imediatamente anunciou: “O Gigante Piscou”.
O Brasil, lamentavelmente não piscou. Nem recuou com dignidade. Saiu gaguejando, com o rabo entre as pernas. E deixou o país vizinho coitadinho em más companhias.
Ralph Hofmann E-mail:
rjhofmann@gmail.com

do BigBlogger da Adriana Curvo


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